Guedes diz que metade dos servidores vai se aposentar e descarta concursos: ‘Vamos investir na digitalização’

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O ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou na manhã de sexta-feira (15), durante evento na Fundação Getulio Vargas, que o governo conta com o apoio dos entes federativos (estados e muncípios) para aprovar a reforma da Previdência . Guedes disse ainda que o governo não pretende realizar concursos públicos nos próximos anos, apesar da previsão de que muitos servidores vão se aposentar.
 
— Cerca de 40% a 50% do funcionalismo federal irá se aposentar nos próximos anos, e a ideia é não contratar pessoas para repor. Vamos investir na digitalização.
 
De acordo com Guedes, a recuperação econômica do país depende da aprovação de medidas efetivas, como a reforma da Previdência, e a revisão do pacto federativo com estados e municípios. Sobre a dificuldade financeira enfrentada por governadores e prefeitos, o ministro afirmou que, sem aprovação da reforma, não haverá possibilidade de ajuda da União:
 

— Me ajuda a fazer a Reforma, que o dinheiro cai naturalmente — disse.

Guedes destacou ainda a importância de desvincular os orçamentos dos limites mínimos constitucionais e dar mais autonomia para que estados e municípios, em conjunto com o Legislativo, organizem o orçamento de acordo com suas necessidades específicas.

— Nosso diagnostico é que o descontrole sobre gastos públicos corrompeu a política e estagnou a economia. A culpa da degeneração política é da economia — declarou o ministro, acrescentando que acredita que esta mesma classe política está amadurecendo:

— Assumam o orçamento, senhores. É preciso reabilitar a classe política brasileira.

Sobre a reforma da Previdência, Guedes afirmou que o regime de repartição, atualmente utilizado no Brasil e pelo qual os trabalhadores da ativa contribuem para financiar os benefícios de quem está aposentado, é um sistema insustentável.

‘O regime de repartição já quebrou’

Ele defendeu a migração para o modelo de capitalização, no qual cada trabalhador contribui para seu próprio fundo de aposentadoria. Pelos planos do governo, este novo modelo só será criado para novos trabalhadores, que não entraram ainda no mercado de trabalho.

Por isso, Guedes voltou a afirmar que a reforma da Previdência precisa economizar pelo menos R$ 1 trilhão, para ser viável criar o novo regime de capitalização. 
— O regime de repartição já quebrou antes mesmo de a população envelhecer. Mas preciso de pelo menos R$ 1 trilhão para sangrar o sistema antigo, até que todo o sistema chegue na capitalização.

De acordo com Guedes, é preciso “coragem” de implementar a capitalização, pensando nas gerações futuras. 

— Se não temos coragem, vamos expor nossos filhos e netos à mesma armadilha do sistema previdenciário que vai cair.

Sobre as críticas ao modelo chileno de capitalização, Paulo Guedes alegou que o pais hoje cresce cerca de 6% ao ano graças à adoção do novo regime previdenciário.

O ímpeto privatizante da equipe econômica em frases: 

Como liberal, somos contrários a empresas estatais. Petrobras também privatizada e o BNDES extinto, esse seria o meu sonho. Mas é como a música dos Rolling Stones, “You Can’t Always Get What You Want” (Rubens Novaes Presidente da Petrobras, no dia 15/03/2019)

Estou convencido que o Banco do Brasil deveria ser privatizado. É como se tivesse bolas chumbo nas pernas para competir com os bancos privados. Tenho dificuldade de fechar agência. Se você chega ao interior (do país), as autoridades são o prefeito, o padre e o gerente do Banco do Brasil (Roberto Castello Branco – Presidente do Banco do Brasil, no dia 15/03/2019)

A Vale foi privatizada, certo? Não, a Vale não foi privatizada, a Vale é uma estatal. Fundos de pensão, patrocinados pelo Estado, detêm o controle da Vale. Estamos aqui para privatizar, para reprivatizar a Vale (Salim Matar – Secretário especial de desestatização, no dia 13/02/2019)

Cerca de 40% a 50% do funcionalismo federal irá se aposentar nos próximos anos, e a ideia é não contratar pessoas para repor. Vamos investir na digitalização (Paulo Guedes  – Ministro da Economia, no dia 15/03/2019)

Descobrimos que temos sete prédios na Avenida Paulista e 15 prédios em Brasília. A Caixa não precisa disso. Vamos buscar uma racionalização. A expectativa é reduzir as despesas em R$ 3,5 bilhões em dois anos (Pedro Guimarães – Presidente da Caixa Econômica Federal, no dia 09/03/2019)

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