Com envelhecimento, cresce número de familiares que cuidam de idosos no país.

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  • Número de familiares que se dedicavam a cuidados de indivíduos de 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões em 2016 para 5,1 milhões em 2019.
  • Percentual de pessoas que cuidavam de idosos é maior em estados do Nordeste, como o Rio Grande do Norte (15,2%).
  • Monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio (83,4%) foi a principal atividade requerida pelos idosos.
  • Pesquisa também revela que brasileiros vêm se empenhando mais nos afazeres domésticos, passando de uma taxa de realização de 81,3% em 2016 para 85,7% em 2019, quando totalizou 146,7 milhões de pessoas.
  • A diferença de horas dedicadas a cuidados de pessoas e afazeres domésticos entre homens e mulheres aumentou, passando de 9,9 horas a mais para elas em 2016 para 10,4 horas em 2019.
  • Em relação aos critérios de cor ou raça, a mulher preta (94,1%) é a que mais realizou afazeres domésticos.
  • Cerca de 12,8 milhões de pessoas se dedicaram à produção para o próprio consumo, cujas atividades vêm diminuindo desde 2016 em todas as regiões.
  • A taxa de realização de trabalho voluntário vem caindo em quase todas as regiões, com redução de 281 mil pessoas entre 2018 e 2019. Porém, aumentou a média de horas dedicadas ao voluntariado, passando de 6,5h para 6,6h.
  • Dados são do suplemento Outras Formas de Trabalho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2019, que levantou informações sobre cuidados de pessoas, afazeres domésticos, produção para o próprio consumo e trabalho voluntário.

#PraCegoVer A foto mostra uma mão de uma pessoa adulta entrelaçada na mão de uma pessoa idosa, apoiadas no colo da pessoa idosa
Mais de 5 milhões de pessoas se dedicaram a cuidados de parentes idosos no ano passado – Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

Mais brasileiros tiveram que cuidar de seus parentes idosos, em 2019, grupo considerado atualmente o mais vulnerável à Covid-19. O número de familiares que se dedicavam a cuidados de indivíduos de 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões em 2016 para 5,1 milhões em 2019, contingente que representa 10,5%(1,5 ponto percentual a mais que 2016) dos 49,1 milhões de pessoas que realizavam cuidados de moradores no ano passado.

Ao mesmo tempo, diminuiu a quantidade de pessoas cuidando de crianças até 5 anos. Entre 2018 e 2019, o percentual de pessoas que cuidam de crianças teve queda de 1,5 p.p. na faixa de 0 a 5 anos.

“Esses dados podem significar que menos pessoas estão tendo filhos, estão tendo filhos mais tarde ou têm maior acesso a creches. Também pode sinalizar o envelhecimento da população”, explica Alessandra Scalioni Brito, analista do IBGE.

As informações são do suplemento Outras Formas de Trabalho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD-C 2019), que levantou dados sobre cuidados de pessoas (crianças, idosos, enfermos ou pessoas com necessidades especiais), afazeres domésticos, produção para o próprio consumo e trabalho voluntário.

Maiores proporções de familiares que cuidam de idosos estão no Nordeste e Norte

A pesquisa aponta que o percentual de pessoas que cuidam de idosos no total de pessoas que exercem cuidados é maior em estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte (15,2%), primeiro no ranking nacional, Maranhão (12,3%), Ceará (11,9), Paraíba (11,7%), Piauí (11,3%), Bahia (11,3%) e da região Norte, como Tocantins (11,5%) e Amazonas (11,4%). Outros destaques no Sudeste e Sul são o Rio de Janeiro (12,3%) e o Rio Grande do Sul (10,7%), que concentram as maiores proporções de idosos na população.

Monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio (83,4%), auxiliar nos cuidados pessoais (74,1%) e transportar ou acompanhar para escola, médico, exames, parque, praça, atividades sociais, culturais, esportivas ou religiosas (61,1%), são as principais atividades requeridas pelos idosos.

Mais pessoas se dedicam aos afazes domésticos

A pesquisa também revela que os brasileiros vêm se empenhando mais nos afazeres domésticos, passando de uma taxa de realização de 81,3% em 2016 para 85,7% em 2019, quando totalizou 146,7 milhões de pessoas. Entre 2018 e 2019, um contingente adicional de 1,6 milhão de pessoas passou a realizar afazeres domésticos.

“A maior taxa de realização de afazeres domésticos também pode ser efeito da crise do mercado de trabalho e da queda de renda das famílias, reduzindo as possibilidades de contratar empregada doméstica”, analisa Alessandra Scalioni Brito.

Mulheres dedicam quase o dobro de horas nos afazeres e cuidados de pessoas

Embora a participação dos homens nos afazeres domésticos seja crescente – a taxa de realização subiu 6,7 p.p. entre 2016 (71,9%,) e 2019 (78,6%) -, as mulheres não só continuam sendo as que mais realizam esses trabalhos, como têm tido participação crescente, passando de uma taxa de 89,9% em 2016 para 92,1% em 2019.

A maior diferença de taxa de realização entre homens e mulheres é na região Nordeste, de 21 p.p. As atividades com as maiores discrepâncias entre mulheres e homens são cozinhar (33,5 p.p) e lavar roupas e calçados (36,6 p.p.). A única atividade realizada mais por homens (58,1%) que mulheres (30,6%) é fazer pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel, de eletrodomésticos, uma diferença de 27,5 p.p.

Alessandra destaca que a desproporção entre mulheres e homens fica mais evidente quando se considera o número de horas dedicadas aos afazeres domésticos e/ou aos cuidados com pessoas, em que as mulheres trabalham quase o dobro que os homens por semana – 18,5h contra 10,4h entre mulheres e homens ocupados no mercado de trabalho; e 24h contra 12,1h entres os não ocupados.

“No geral, sem discriminar ocupados e não ocupados, a quantidade de horas trabalhadas a mais por mulheres é crescente ao longo dos anos, passando de 9,9 horas a mais em 2016 para 10,4 horas a mais em 2019. Os homens só se equiparam a mulher quando moram sozinhos. E mesmo quando ocupadas no mercado de trabalho, as mulheres fazem mais afazeres e cuidados”, ressalta Alessandra.

Mulheres pretas são as que mais realizam afazeres domésticos

Em relação aos critérios de cor ou raça, a mulher preta (94,1%) é a que mais realiza afazeres domésticos e o homem pardo o que realiza menos (76,5%). Além disso, quanto maior o nível de instrução, maior a taxa de realização de afazes domésticos,especialmente entre os homens. Nas mulheres, a taxa entre as que têm o ensino médio completo é de 93,9% e nas com ensino superior completo é de 93,4%. Entre os homens, as taxas de realização são de 81,7% e 85,7%, respectivamente.

Produção para o próprio consumo cai

Cerca de 12,8 milhões de pessoas se dedicam à produção para o próprio consumo, cujas atividades vêm caindo desde 2016 em todas as regiões, totalizando menos 254 mil pessoas. A taxa de realização de produção para o próprio consumo é maior entre homens; também cresce com a idade, mas decresce com o nível de instrução.

As mulheres produzem mais que os homens em fabricação de calçados, roupas, móveis, cerâmicas, alimentos ou outros produtos.

A maior diferença na média de horas entre homens e mulheres ocorre nas atividades de cultivo. Mas um dado curioso é que na construção, a diferença entre homens (14,4 h) e mulheres é pequena (13,6 h).

Quase 7 milhões de pessoas dedicam 6,6 h por semana ao trabalho voluntário

A pesquisa mostra também que o trabalho voluntário é exercido por cerca de 6,9 milhões de pessoas. Após um pico em 2017 (à exceção do Sudeste, que cresceu em 2018), a taxa de realização vem caindo em quase todas as regiões, com redução de 281 mil pessoas entre 2018 e 2019.

Porém, aumentou a média de horas dedicadas ao trabalho voluntário no país, passando de 6,5h para 6,6h.
A taxa de realização de trabalho voluntário é maior entre as mulheres e aumenta com a idade e a escolaridade. A taxa também é maior entre as pessoas pretas e entre os ocupados.

Crédito: Agência IBGE editoria: Estatísticas Sociais | Carmen Nery | Arte: Helga Szpiz – disponível na internet 05/06/2020

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