{"id":10114,"date":"2017-01-31T00:05:23","date_gmt":"2017-01-31T03:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=10114"},"modified":"2017-01-30T09:31:36","modified_gmt":"2017-01-30T12:31:36","slug":"como-o-desemprego-esta-criando-funcionarios-polvo-e-aumentando-pressao-sobre-quem-trabalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/31\/como-o-desemprego-esta-criando-funcionarios-polvo-e-aumentando-pressao-sobre-quem-trabalha\/","title":{"rendered":"Como o desemprego est\u00e1 criando &#8216;funcion\u00e1rios-polvo&#8217; e aumentando press\u00e3o sobre quem trabalha"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"story-body__h1\">\u00a0Em uma grande ag\u00eancia de emprego no centro de S\u00e3o Paulo, uma cena se repete: com curr\u00edculos em m\u00e3os, dezenas de pessoas formam fila para falar com a recepcionista.<\/h5>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">&#8220;Voc\u00ea se cadastrou no nosso site?&#8221;, ela pergunta. A frustra\u00e7\u00e3o dos candidatos \u00e9 vis\u00edvel, assim com o cansa\u00e7o da mulher que, do outro lado do balc\u00e3o, atende centenas deles em uma manh\u00e3.O drama das 12 milh\u00f5es de pessoas que hoje est\u00e3o sem trabalho no Brasil \u00e9 bem conhecido. Mas pouco se fala dos efeitos do desemprego para quem fica nas empresas. Com tantos demitidos, quem continua contratado pode virar um &#8220;funcion\u00e1rio-polvo&#8221;, acumulando fun\u00e7\u00f5es de ex-colegas, al\u00e9m de precisar lidar com o medo do desemprego.<span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/A5C4\/production\/_93863424_thinkstockphotos-525935645.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Funcion\u00e1rio-polvo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Demiss\u00f5es t\u00eam levado v\u00e1rios profissionais ainda empregados a acumular fun\u00e7\u00f5es<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">\u00a0Apesar de n\u00e3o ser medido em n\u00fameros, esse fen\u00f4meno \u00e9 velho conhecido dos especialistas em mercado de trabalho. Segundo os professores entrevistados pela BBC Brasil, o aumento de press\u00e3o sobre os empregados \u00e9 uma tend\u00eancia natural em momentos de crise.<\/p>\n<p>&#8220;Toda vez que uma empresa entra em dificuldade, ela precisa fazer o melhor poss\u00edvel com o pessoal que permanece. Fazer muito com pouco torna-se a chave do sucesso&#8221;, explica o professor da FEA-USP Jos\u00e9 Pastore, que tamb\u00e9m \u00e9 consultor em rela\u00e7\u00f5es do trabalho.<\/p>\n<p>Para manter o ritmo, diz Pastore, empres\u00e1rios ficam com os subordinados considerados mais vers\u00e1teis, que podem aprender novas tarefas rapidamente. S\u00e3o eles os mais prop\u00edcios a tornarem-se &#8220;funcion\u00e1rios-polvo&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Muitos em um<\/h2>\n<p>Relatos de ac\u00famulos de tarefas se espalham por ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Vendedor em uma loja de roupas na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre (RS), Jorge* virou caixa, estoquista e respons\u00e1vel pelo credi\u00e1rio depois que outra funcion\u00e1ria foi demitida.<\/p>\n<p>Hoje exerce dez fun\u00e7\u00f5es em um expediente que ficou mais longo.<\/p>\n<p>&#8220;Quando minha colega saiu, tudo o que ela fazia foi para mim&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14204\/production\/_93863428_thinkstockphotos-486856568.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Com mais fun\u00e7\u00f5es, funcion\u00e1rios t\u00eam trabalhado at\u00e9 mais tarde &#8211; e diminu\u00eddo almo\u00e7o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O advogado Leonardo* tamb\u00e9m est\u00e1 trabalhando mais. Al\u00e9m das peti\u00e7\u00f5es, ficou encarregado de tarefas que caberiam a um estagi\u00e1rio, como tirar c\u00f3pias e cuidar da correspond\u00eancia. Para fazer tudo, diminuiu o intervalo de almo\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Antes comia em uma hora, e agora almo\u00e7o em trinta minutos. Uso o resto para agilizar.&#8221;<\/p>\n<p>Aparentemente, Jorge e Leonardo tornaram-se mais produtivos: eles executam mais tarefas quase no mesmo tempo de antes. A liga\u00e7\u00e3o entre produtividade e recess\u00e3o foi discutida em estudos americanos feitos ap\u00f3s a crise econ\u00f4mica de 2008. A BBC Brasil n\u00e3o encontrou uma pesquisa semelhante por aqui.<\/p>\n<p>Segundo o trabalho de economistas da Universidade de Stanford e da Universidade de Utah, do \u00faltimo trimestre de 2007, quando a recess\u00e3o dos EUA come\u00e7ou, at\u00e9 o terceiro trimestre de 2009, quando ela terminou, a produtividade no pa\u00eds cresceu 3,16% em setores n\u00e3o-agr\u00edcolas. A marca atingida em 2009 (3,2%) foi a maior desde 2003.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, dois motivos justificaram esse crescimento: a demiss\u00e3o dos trabalhadores menos produtivos e, principalmente, o esfor\u00e7o dos que ficaram para manter suas vagas.<\/p>\n<p>Mas mesmo que os brasileiros se tornem mais produtivos na crise, isso n\u00e3o deve durar muito, diz a professora Regina Madalozzo, coordenadora do Mestrado Profissional em Economia do Insper.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 simples: as pessoas se cansam.<\/p>\n<p>&#8220;Estudos mostram que voc\u00ea pode at\u00e9 aumentar a produtividade no curto prazo, mas isso n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. As pessoas n\u00e3o conseguem dar 100% o tempo inteiro, elas n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0D6C\/production\/_93863430_thinkstockphotos-508970600.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Funcion\u00e1rios dormem nas mesas de trabalho\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Para especialista, funcion\u00e1rios-polvo &#8216;n\u00e3o conseguem dar 100% o tempo inteiro, as pessoas n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo a professora, aprender novas atividades t\u00eam um lado positivo, que \u00e9 tornar o trabalhador mais completo. No entanto, se isso significa ultrapassar limites f\u00edsicos, a press\u00e3o tem o efeito contr\u00e1rio, prejudicando o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O vendedor-caixa-estoquista Jorge j\u00e1 percebe que suas vendas pioraram. Enquanto faz o cadastro de um cliente, deixa outros falando sozinhos.<\/p>\n<p>&#8220;O patr\u00e3o n\u00e3o acha certo cair o rendimento, mas n\u00e3o tem como, o atendimento n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Me sinto constrangido por n\u00e3o cumprir tudo.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Medo do desemprego<\/h2>\n<p>Concentrar tarefas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica press\u00e3o que os brasileiros sofrem com tantos demitidos no mercado. Com o desemprego acima de 11%, segundo o IBGE, o medo de ser mandado embora \u00e9 outra preocupa\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n<p>De acordo com \u00edndice da CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), o medo do desemprego ficou em 64,8 pontos em dezembro &#8211; o indicador vai de zero a cem pontos e, quanto mais alto, maior \u00e9 o temor. O resultado do m\u00eas passado foi o maior desde 1996.<\/p>\n<p>O receio de ser o pr\u00f3ximo demitido nem sempre coincide com o ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es. O motivo pode ser justamente o contr\u00e1rio: a demanda cai tanto que o trabalhador fica ocioso. Ele teme que n\u00e3o seja mais necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Me sinto in\u00fatil. Saio de casa, enfrento o transporte, para chegar aqui e n\u00e3o fazer nada&#8221;, diz Ana sobre a ag\u00eancia de marketing onde trabalha. Antes da crise, ela desenvolvia campanhas publicit\u00e1rias. Com as demiss\u00f5es, foi remanejada para o treinamento, setor que est\u00e1 parado.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea tem que fingir que est\u00e1 trabalhando, porque n\u00e3o quer ser demitido.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F3E4\/production\/_93863426_img_3869.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"An\u00fancios de emprego em poste no centro de S\u00e3o Paulo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">INGRID FAGUNDEZ\/BBC BRASIL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Medo do desemprego piora rela\u00e7\u00e3o entre funcion\u00e1rios e patr\u00f5es, dizem entrevistados<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para ela, a rela\u00e7\u00e3o com os patr\u00f5es piorou. Ana diz que o discurso &#8220;se voc\u00ea n\u00e3o quer, tem quem queira&#8221; \u00e9 comum.<\/p>\n<p>&#8220;Ele existe abertamente. Quando a gente questiona os gestores, diz &#8216;olha n\u00e3o est\u00e1 legal assim&#8217;, ele respondem de forma ofensiva.&#8221;<\/p>\n<p>Trabalhadores de outras \u00e1reas relataram a mesma situa\u00e7\u00e3o \u00e0 BBC Brasil. De forma mais ou menos exposta, dizem, a carta do desemprego tem sido usada com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Contratada de uma empresa da ind\u00fastria aliment\u00edcia, Giovana diz que esse &#8220;alerta&#8221; n\u00e3o vem diretamente da chefia, mas chega de outras formas.<\/p>\n<p>&#8220;Recentemente tivemos uma reuni\u00e3o sobre benef\u00edcios e o respons\u00e1vel pelo RH disse &#8216;antes de reclamar da altera\u00e7\u00e3o no plano de sa\u00fade, dev\u00edamos olhar as taxas de desemprego&#8217;. A amea\u00e7a velada ficou evidente.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Rela\u00e7\u00e3o patr\u00e3o-empregado<\/h2>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o patr\u00e3o-empregado no Brasil n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dif\u00edcil em tempos de recess\u00e3o, diz a professora Carmen Migueles, que fez doutorado em sociologia das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Migueles afirma que esse contato \u00e9 \u00e1rido por natureza. Segundo ela, os subordinados muitas vezes n\u00e3o percebem que os chefes tamb\u00e9m est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Por outro lado, os empres\u00e1rios n\u00e3o costumam compartilhar o que est\u00e1 acontecendo com seu neg\u00f3cio e subestimam a ajuda que seus empregados podem lhe oferecer.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais tem uma vis\u00e3o negativa dos pares, do chefe e das institui\u00e7\u00f5es. Quando falta recursos, \u00e9 a guerra de todos contra todos.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre as press\u00f5es exercidas pelos patr\u00f5es, a professora diz que perfis autorit\u00e1rios ou paternalistas s\u00e3o muito comuns no pa\u00eds. H\u00e1 tamb\u00e9m o que chama de &#8220;psicopatas&#8221;, que se aproveitam da situa\u00e7\u00e3o para amea\u00e7ar e cobrar seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D0BC\/production\/_93863435_thinkstockphotos-518889586.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Profissional estafado\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Para professora, momento existe ainda mais maturidade prodissional<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No entanto, para Migueles, os subordinados tamb\u00e9m t\u00eam parcela de culpa num relacionamento t\u00e3o desgastado. O brasileiro, afirma, possui uma propens\u00e3o a sentir pena de si mesmo, o que mostraria sua falta de maturidade profissional.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito comum no Brasil o perfil da v\u00edtima: ningu\u00e9m cuida de mim, meu emprego est\u00e1 por um fio. Muitos querem que a empresa trate-os como filhos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;O brasileiro acho que o empres\u00e1rio \u00e9 um super-homem: ele deve assumir os riscos, resolver os problemas e motivar as pessoas. Essa posi\u00e7\u00e3o de desigualdade no Brasil deixa as duas pontas sozinhas: empregado e executivo.&#8221;<\/p>\n<p>A falta de maturidade, dizem os entrevistados, j\u00e1 teria se mostrado nos anos de prosperidade econ\u00f4mica, quando as vagas eram abundantes &#8211; naquele momento os trabalhadores faziam o jogo hoje dominado pelos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2014, voc\u00ea conversava com um empres\u00e1rio e ele n\u00e3o conseguia segurar ningu\u00e9m, as pessoas pulavam de lugar para outro. Agora a mesa virou&#8221;, diz a professora de Administra\u00e7\u00e3o da FGV-SP Beatriz Lacombe.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rios de v\u00e1rias \u00e1reas consultados pela BBC Brasil afirmaram que os cortes foram necess\u00e1rios para a sobreviv\u00eancia de seus neg\u00f3cios e que tamb\u00e9m est\u00e3o sendo afetados pessoalmente pelas incertezas da economia. Alguns disseram que redistribu\u00edram tarefas para n\u00e3o prejudicar suas equipes.<\/p>\n<p>De acordo com os especialistas, o ideal seria que patr\u00f5es e empregados formassem uma &#8220;coaliz\u00e3o&#8221; para que, com sacrif\u00edcios m\u00fatuos, pudessem passar juntos pela recess\u00e3o. Essas mudan\u00e7as, no entanto, exigem tempo e s\u00e3o recomend\u00e1veis durante per\u00edodos de crescimento, quando n\u00e3o h\u00e1 tanta tens\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16CFC\/production\/_93863439_thinkstockphotos-513376246-1.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Profissional com dor nas costas\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Excesso de press\u00e3o se reflete na sa\u00fade dos trabalhadores<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Enxaqueca e tendinite<\/h2>\n<p>Enquanto essas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o mudam, a press\u00e3o dentro dos escrit\u00f3rios come\u00e7a a afetar a sa\u00fade dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos Peritos estima que o n\u00famero de pedidos de aux\u00edlio-doen\u00e7a subiu at\u00e9 30% no \u00faltimo ano. Os dados de 2016 ainda n\u00e3o foram divulgados pela Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>O presidente da entidade, Francisco Cardoso, cita o caso de um homem que sofreu um <i>burnout<\/i>, problema conhecido como doen\u00e7a do esgotamento profissional, depois que todas as 40 pessoas do seu setor foram demitidas. S\u00f3 ele ficou.<\/p>\n<p>A s\u00edndrome de Burnout inclui sintomas como agressividade e falhas de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um caso isolado, mas tipifica aqueles que, pelo ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es ou pela necessidade de afastar o desemprego, acabam trabalhando al\u00e9m do recomend\u00e1vel. Tem acontecido muito.&#8221;<\/p>\n<p>Giovana*, que gerencia a \u00e1rea de seguran\u00e7a de produto de uma ind\u00fastria, diz que o excesso de trabalho trouxe de volta sua enxaqueca. Ela tamb\u00e9m foi parar no hospital por problemas nas costas e tendinite.<\/p>\n<p>Segundo Giovana, na filial brasileira da empresa, apenas duas pessoas atendem as demandas que, na matriz, s\u00e3o realizadas por 30. O quadro de pessoal no Brasil foi cortado em 30% nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Me pressiono cada dia mais, trabalhando al\u00e9m do expediente para manter tudo funcionando normalmente, mas a sensa\u00e7\u00e3o de ser o &#8216;gargalo&#8217; de um processo do qual n\u00e3o temos controle chega a ser desesperadora.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3864\/production\/_93863441_thinkstockphotos-470938896.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Trabalhador cansado\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Processo atual ter\u00e1 consequ\u00eancias no futuro, diz especialista<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O cansa\u00e7o dos trabalhadores n\u00e3o \u00e9 algo que se resolver\u00e1 imediatamente com a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, alerta a professora Regina Madalozzo, do Insper. O esgotamento dos brasileiros trar\u00e1 consequ\u00eancias a longo prazo, sobretudo para as empresas que continuarem pressionando seus funcion\u00e1rios acima de seus limites.<\/p>\n<p>&#8220;Quando sair da crise, ser\u00e1 aquilo que vemos nos filmes: todo mundo doente, se demitindo ao mesmo tempo. Voc\u00ea tem que ter um m\u00ednimo de incentivo para ir ao trabalho todos os dias.&#8221;<\/p>\n<p>Esta reportagem terminaria aqui. Mas Iasmin*, uma editora de livros did\u00e1ticos, queria incluir sua hist\u00f3ria: &#8220;\u00e9 bom poder falar&#8221;.<\/p>\n<p>Ela descreveu crises de dor de cabe\u00e7a que duram uma semana, al\u00e9m de confus\u00e3o mental e perda da vis\u00e3o perif\u00e9rica. Em semanas tranquilas, costuma acumular dez horas extras.<\/p>\n<p>Suas respostas demoraram a chegar e, por pouco, n\u00e3o ficaram de fora. A justificativa, no entanto, n\u00e3o poderia ser um final mais prop\u00edcio: &#8220;o trabalho come at\u00e9 o tempo que a gente deveria usar para denunciar quanto tempo o trabalho come&#8221;.<\/p>\n<p><i>*Todos os trabalhadores entrevistados tiveram os nomes alterados para preservar suas identidades.<\/i><\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Ingrid Fagundez<span style=\"font-style: inherit;\"> d<\/span>a BBC Brasil em S\u00e3o Paulo \u2013 dispon\u00edvel na web 31\/01\/2017<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Em uma grande ag\u00eancia de emprego no centro de S\u00e3o Paulo, uma cena se repete: com curr\u00edculos em m\u00e3os, dezenas de pessoas formam fila para falar com a recepcionista. &#8220;Voc\u00ea se cadastrou no nosso site?&#8221;, ela pergunta. A frustra\u00e7\u00e3o dos candidatos \u00e9 vis\u00edvel, assim com o cansa\u00e7o da mulher que, do outro lado do balc\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-10114","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/multi.jpg?fit=450%2C437&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10114\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}