{"id":101387,"date":"2025-05-08T04:15:59","date_gmt":"2025-05-08T07:15:59","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=101387"},"modified":"2025-05-07T15:59:49","modified_gmt":"2025-05-07T18:59:49","slug":"como-o-brasil-ajudou-aliados-na-fase-final-da-segunda-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/05\/08\/como-o-brasil-ajudou-aliados-na-fase-final-da-segunda-guerra\/","title":{"rendered":"Como o Brasil ajudou Aliados na fase final da Segunda Guerra"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text s1811lbz t1qen3t4 m1km9ap7 wgx1hx2 b1ho1h07\">For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira exerceu papel fundamental na campanha dos Aliados na It\u00e1lia na etapa final da guerra na Europa, que terminou h\u00e1 exatos 80 anos. Mas centenas de brasileiros tamb\u00e9m lutaram pelos nazistas.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"cc0m0op s1ebneao rich-text t1it8i9i r1wgtjne wgx1hx2 b1ho1h07\">\n<p>A festa come\u00e7ou antes mesmo de a&nbsp;rendi\u00e7\u00e3o incondicional da Alemanha&nbsp;entrar em vigor na noite de 8 de maio de 1945. Fogos de artif\u00edcio iluminavam os c\u00e9us, multid\u00f5es lotavam as ruas e todo o com\u00e9rcio fechava as portas. Era como um &#8220;carnaval improvisado&#8221;&nbsp;no Rio de Janeiro, conforme definiu o jornal&nbsp;<em>O Globo<\/em>&nbsp;na edi\u00e7\u00e3o daquela ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>A&nbsp;Segunda Guerra Mundial&nbsp;estava encerrada na Europa, onde o&nbsp;&#8220;Dia da Vit\u00f3ria&#8221; &nbsp;inspirou&nbsp;comemora\u00e7\u00f5es efusivas nas principais cidades&nbsp;dos Aliados. Mas a euforia popular que se irrompeu tamb\u00e9m na ent\u00e3o capital federal&nbsp;pela capitula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 indicava o grau de envolvimento do Brasil no maior conflito b\u00e9lico da hist\u00f3ria da humanidade.&nbsp;<\/p>\n<p>Nas r\u00e9deas da ditadura do Estado Novo de&nbsp;Get\u00falio Vargas, o pa\u00eds enviou uma For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB) com mais de 25 mil homens para lutar contra o nazifascismo na It\u00e1lia. Mal treinada e sem acesso ao armamento mais avan\u00e7ado da \u00e9poca, a divis\u00e3o apelidada de &#8220;Cobras Fumantes&#8221;&nbsp;enfrentou quase 500 baixas, mas cumpriu todas as miss\u00f5es a que lhes foram atribu\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8220;Houve altos e baixos, mas a resultante l\u00edquida \u00e9 de que a FEB foi um sucesso&#8221;, afirma o professor S\u00eanior do Mestrado Profissional em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), Dennison de Oliveira. &#8220;Isso garante ao Brasil um papel muito importante na funda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 1948.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Soldados da FEB na It\u00e1lia em 1945\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/71699908_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Soldados da FEB na It\u00e1lia em 1945\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Combatentes brasileiros na Segunda Guerra Mundial ficaram conhecidos como pracinhasFoto: Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Os combatentes brasileiros ficaram conhecidos pelo ep\u00edteto de&nbsp;pracinha. No geral, eles eram oper\u00e1rios, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, atendentes de com\u00e9rcio, entre outras profiss\u00f5es urbanas \u2013 um contraste ante uma popula\u00e7\u00e3o ainda majoritariamente rural.<\/p>\n<p>As classes mais ricas da sociedade mobilizaram favores para evitar o recrutamento, revela o professor&nbsp;Francisco Cesar Ferraz, do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), autor do livro&nbsp;<em>Os Brasileiros e a Segunda Guerra Mundial<\/em>. &#8220;Os recrutados foram aqueles que n\u00e3o tinham nenhum tipo de apadrinhamento&#8221;, afirma.&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Brasileiro nos dois lados da guerra<\/strong><\/h4>\n<p>Do lado oposto, centenas de brasileiros descendentes de alem\u00e3es tamb\u00e9m se juntaram \u00e0s fileiras do ex\u00e9rcito nazista para lutar pela Alemanha. A lei alem\u00e3 define a cidadania com base na ascend\u00eancia. &#8220;Isso garantiu que todos aqueles nascidos em territ\u00f3rio brasileiro que moravam na Alemanha na \u00e9poca do&nbsp;nazismo&nbsp;tenham sido sim recrutados pelo servi\u00e7o militar&#8221;, explica Oliveira.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros precisos dispon\u00edveis, mas as estimativas mais aceitas sugerem que cerca de 800 brasileiros foram alistados na defesa alem\u00e3, segundo o professor. Muitos deles tentaram escapar da obriga\u00e7\u00e3o, sem sucesso.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio contrap\u00f4s brasileiros nos dois lados da guerra, depois que Vargas se viu obrigado a abandonar a postura de neutralidade que manteve desde as primeiras batalhas na Europa. No final da d\u00e9cada de 30, a Alemanha havia se firmado como um dos principais parceiros comerciais do Brasil, ap\u00f3s uma sequ\u00eancia de crescimento vertiginoso no interc\u00e2mbio entre as duas economias.<\/p>\n<p>Em 1932, o pa\u00eds europeu respondia por quase 9% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, propor\u00e7\u00e3o que saltou para 19,06% em 1938, de acordo com dados hist\u00f3ricos do Servi\u00e7o de Estat\u00edstica Econ\u00f4mica e Financeira, dispon\u00edveis na biblioteca do Minist\u00e9rio da Fazenda. A participa\u00e7\u00e3o dos EUA, por sua vez, declinou de 45% para 34% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Havia ainda considera\u00e7\u00f5es de ordem ideol\u00f3gica. O debate sobre o alcance da aproxima\u00e7\u00e3o de Vargas com o fascismo \u00e9 ativo at\u00e9 hoje, mas o Estado Novo emulou v\u00e1rios dos fatores pol\u00edticos que sustentaram os governos totalitaristas, entre eles o culto \u00e0 personalidade do l\u00edder e o nacionalismo ufanista.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O chefe da pol\u00edcia do regime, Filinto M\u00fcller, chegou a viajar \u00e0 Alemanha nazista para se encontrar com o hom\u00f3logo alem\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, Heinrich Himmler, em 1937. Ele tamb\u00e9m foi um dos art\u00edfices da deporta\u00e7\u00e3o da militante comunista&nbsp;Olga Ben\u00e1rio Prestes&nbsp;para o Reich, onde, gr\u00e1vida, foi presa pela Gestapo e executada em um campo de exterm\u00ednio.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto o nazismo e o fascismo tinham algum prest\u00edgio, Vargas pegava carona nessa onda, fazendo uma emula\u00e7\u00e3o bastante frequente dos ideais e dos valores da m\u00edstica fascista&#8221;, explica Oliveira. &#8220;S\u00f3 que isso n\u00e3o dura para sempre.&#8221;<\/p>\n<h4><strong>Blefe de Vargas<\/strong><\/h4>\n<p>No come\u00e7o da d\u00e9cada de 40, Vargas indica a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de uma sider\u00fargica com apoio dos alem\u00e3es. Preocupado com o aceno, o ent\u00e3o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, acerta o&nbsp;financiamento da Companhia Sider\u00fargica Nacional&nbsp;(CSN), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Vargas e Roosevelt em encontro em 1943\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/64645693_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Vargas e Roosevelt em encontro em 1943\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ap\u00f3s blefe de Get\u00falio Vargas (\u00e0 esquerda), o presidente americano, Franklin D. Roosevelt (centro), acertou financiamento de sider\u00fargica no BrasilFoto: Hulton Archive\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Em troca, Vargas permite a constru\u00e7\u00e3o de bases americanas no&nbsp;Norte e Nordeste do Brasil, regi\u00e3o estrat\u00e9gica para abastecimento de voos em dire\u00e7\u00e3o ao norte da \u00c1frica. Natal, no Rio Grande do Norte, se torna o principal interposto dessa rota.<\/p>\n<p>&#8220;O bloqueio naval brit\u00e2nico jamais permitiria \u00e0&nbsp;Alemanha vender qualquer coisa no Brasil, muito menos uma imensa usina sider\u00fargica, mas foi um blefe do Vargas que deu muito certo&#8221;, destaca Oliveira.<\/p>\n<p>A postura amb\u00edgua em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra manteve a neutralidade de p\u00e9 at\u00e9 1942, quando o ent\u00e3o ministro da Aeron\u00e1utica, Joaquim Pedro Salgado Filho, diz \u00e0 imprensa que a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira teria abatido submarinos alem\u00e3es no Atl\u00e2ntico. Em repres\u00e1lia, os nazistas deflagram o&nbsp;torpedeamento de navios brasileiros, em uma ofensiva que deixou mais de 600 mortos.<\/p>\n<p>A cena dos naufr\u00e1gios tem um impacto irrevers\u00edvel sobre a opini\u00e3o p\u00fablica. Em v\u00e1rios dos ataques, os corpos das v\u00edtimas eram levados pela mar\u00e9 \u00e0s praias do Nordeste brasileiro. Um clima nacional de como\u00e7\u00e3o se transforma em uma onda de \u00f3dio \u00e0 Alemanha.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 essa imensa press\u00e3o popular que leva o governo Vargas, muito a contragosto, a finalmente fazer o Brasil formalmente entrar na Segunda Guerra Mundial ao declarar guerra ao Eixo&#8221;, destaca Oliveira.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Protesto em favor da entrada do pa\u00eds na guerra em junho de 1942\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/66395239_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Protesto em favor da entrada do pa\u00eds na guerra em junho de 1942\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Com os ataques alem\u00e3es a navios brasileiros, cresceu a press\u00e3o pela entrada do pa\u00eds na Segunda Guerra MundialFoto: Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h4><strong>&#8220;Mais f\u00e1cil uma cobra fumar&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p>Do an\u00fancio de um &#8220;estado de beliger\u00e2ncia&#8221;, em 22 de agosto de 1942, dois anos se passaram at\u00e9 que as primeiras tropas brasileiras desembarcassem na Europa. A demora cobriu a campanha de uma atmosfera de desconfian\u00e7a popular, sintetizada por uma frase que circulava como tro\u00e7a pelo pa\u00eds: &#8220;mais f\u00e1cil uma cobra fumar do que o Brasil ir \u00e0 guerra&#8221;.<\/p>\n<p>A piada deu origem ao lema que marcaria as opera\u00e7\u00f5es dos &#8220;Cobras Fumantes&#8221;&nbsp;no norte da It\u00e1lia. Os Aliados enfrentavam uma crise de efetivos e precisavam de refor\u00e7os na regi\u00e3o, para que pudessem aplicar for\u00e7a m\u00e1xima no prop\u00f3sito priorit\u00e1rio de liberar a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da FEB&nbsp;ao teatro de guerra acontece em setembro de 1944, em batalhas relativamente secund\u00e1rias. A miss\u00e3o mais decisiva e emblem\u00e1tica come\u00e7aria dois meses depois, na ofensiva&nbsp;pela tomada do Monte Castello.<\/p>\n<p>O objetivo principal era ajudar a liberar o acesso dos americanos \u00e0 cidade de Bolonha. Para isso, seria necess\u00e1rio conquistar o controle da cordilheira \u00e0s margens da principal rodovia local, que estava sob dom\u00ednio dos alem\u00e3es.&nbsp;<\/p>\n<p>Nas primeiras quatro tentativas, o esfor\u00e7o brasileiro fracassou. A coordena\u00e7\u00e3o com a&nbsp;10\u00aa Divis\u00e3o de Montanha era fr\u00e1gil e as for\u00e7as nazistas aplicavam intensa resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 em fevereiro de 1945 que, em conjunto com a 10\u00aa Divis\u00e3o de Montanha dos Estados Unidos, a FEB&nbsp;finalmente&nbsp;conseguiu cumprir a miss\u00e3o de&nbsp;Monte Castello. &#8220;O triunfo no combate teve a import\u00e2ncia de provar&nbsp;que os brasileiros eram capazes de ter sucesso&#8221;, destaca Ferraz.&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Soldados perto do Monte Castello em 1945\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/71699952_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Soldados perto do Monte Castello em 1945\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Batalha de Monte Castello entrou para imagin\u00e1rio popular sobre a participa\u00e7\u00e3o brasileira na guerraFoto: Ex\u00e9rcito do Brasi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h4><strong>FEB&nbsp;for\u00e7a rendi\u00e7\u00e3o de 20 mil soldados nazifascistas<\/strong>&nbsp;<\/h4>\n<p>Ap\u00f3s romper linhas de resist\u00eancia do eixo, os Aliados perseguiam os alem\u00e3es em dire\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;\u00c1ustria, quando descobriram que um grupo de tropas do eixo haviam ficado para tr\u00e1s, na regi\u00e3o de Fornovo di Taro. Eram duas divis\u00f5es italianas e uma alem\u00e3, que representavam risco significativo \u00e0 retaguarda americana.<\/p>\n<p>&#8220;Quem poderia evitar o vexame do planejamento americano que desconsiderou o ex\u00e9rcito da Lig\u00faria? \u00c9 a\u00ed que eles lembram que os brasileiros poderiam fazer isso&#8221;, conta Oliveira.&nbsp;<\/p>\n<p>Os cerca de tr\u00eas mil homens da FEB&nbsp;remanescentes, ent\u00e3o, recebem uma tarefa&nbsp;herc\u00falea: contornar a superioridade num\u00e9rica dos nazifascistas e for\u00e7ar a rendi\u00e7\u00e3o de 20 mil soldados inimigos. No fim, a opera\u00e7\u00e3o foi um sucesso. &#8220;\u00c9 um grande triunfo brasileiro&#8221;, define o historiador.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria empresta ao Brasil um in\u00e9dito prest\u00edgio no tabuleiro da geopol\u00edtica da \u00e9poca. A FEB, inclusive, foi convidada para participar da subsequente ocupa\u00e7\u00e3o da \u00c1ustria, mas esbarrou em quest\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O general Eurico Gaspar Dutra temia que a popularidade da for\u00e7a expedicion\u00e1ria engrossasse o apoio a Vargas, que j\u00e1 enfrentava press\u00e3o para acabar com a ditadura do Estado Novo e convocar elei\u00e7\u00f5es. Assim, Dutra dissolve a FEB&nbsp;e encerra a participa\u00e7\u00e3o brasileira nos esfor\u00e7os de guerra europeus.<\/p>\n<p>Para&nbsp;Oliveira, o legado da campanha brasileira teria sido ainda mais expressivo se o pa\u00eds tivesse continuado na Europa. Os pa\u00edses que ocuparam a \u00c1ustria (Fran\u00e7a,&nbsp;Reino Unido, Estado Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) ficaram com os assentos permanentes no Conselho de Seguran\u00e7a da&nbsp;ONU, al\u00e9m da&nbsp;China. &#8220;Mas mesmo sem ter tropa de ocupa\u00e7\u00e3o no p\u00f3s-guerra, a a\u00e7\u00e3o da FEB&nbsp;garantiu ao Brasil um imenso prest\u00edgio internacional&#8221;, avalia.<\/p>\n<h4><strong>Progressivo esquecimento dos pracinhas<\/strong><\/h4>\n<p>Na volta ao Brasil, os veteranos enfrentaram v\u00e1rias dificuldades para se reintegrar \u00e0 sociedade ap\u00f3s o trauma da guerra, principalmente pracinhas que n\u00e3o eram militares de carreira. Os soldados incapacitados ganharam direito a uma compensa\u00e7\u00e3o financeira, mas muitos esbarravam em burocracia. O restante da for\u00e7a tinha&nbsp;problemas para garantir trabalho e lidar com a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Parte dos veteranos buscou se reunir em associa\u00e7\u00f5es de ex-combatentes para reivindicar demandas. No entanto, o turbulento cen\u00e1rio pol\u00edtico do Brasil nas d\u00e9cadas seguintes atrapalhou o processo. &#8220;Houve um progressivo esquecimento dessa mem\u00f3ria dos brasileiros que lutaram contra o nazifascimo na It\u00e1lia&#8221;, diz Ferraz.<\/p>\n<p>J\u00e1 os&nbsp;brasileiros de ascend\u00eancia alem\u00e3 que lutaram por Hitler esconderam a associa\u00e7\u00e3o com o ex\u00e9rcito nazista, com medo da repress\u00e3o e hostilidade contra elementos ligados \u00e0 Alemanha no p\u00f3s-guerra. S\u00f3 no final do s\u00e9culo 20, j\u00e1 ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim, que os primeiros desse contingente aceitaram conversar com o historiador Dennison de Oliveira, autor do livro&nbsp;<em>Os Soldados Brasileiros de Hitler<\/em>.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"render-container image-gallery embed\">\n<div class=\"hh5424a s14x83p4\" data-tracking-name=\"slide-show\">\n<div class=\"slider-container s5k778b\" role=\"presentation\">\n<section class=\"slider\">\n<div class=\"slide-img cover\" aria-hidden=\"false\">\n<section class=\"text-overlay s1dont19\">\n<div class=\"headline-container\">\n<div class=\"headline-wrapper\">\n<h5 class=\"headline s1k87mgx dlt0baw hr9hvkd hb7nbxk seipclg b1ho1h07\" aria-label=\"Galeria de fotos incorporada \u2014 Cronologia da Segunda Guerra Mundial\"><strong>Cr\u00e9dito: Andr\u00e9 Marinho \/ Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 8\/5\/2025<\/strong><\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira exerceu papel fundamental na campanha dos Aliados na It\u00e1lia na etapa final da guerra na Europa, que terminou h\u00e1 exatos 80 anos. 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