{"id":10140,"date":"2017-01-31T00:10:40","date_gmt":"2017-01-31T03:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=10140"},"modified":"2017-01-30T14:37:38","modified_gmt":"2017-01-30T17:37:38","slug":"equilibrio-deve-demorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/01\/31\/equilibrio-deve-demorar\/","title":{"rendered":"Equil\u00edbrio deve demorar"},"content":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias depende da recupera\u00e7\u00e3o da economia. E vice-versa. O Brasil enfrenta a pior das recess\u00f5es da hist\u00f3ria porque os consumidores n\u00e3o t\u00eam mais renda para retomar os gastos. Sem o consumo das fam\u00edlias, parcela do Produto Interno Bruto (PIB) que, sob a \u00f3tica da demanda, representa cerca de 60% da gera\u00e7\u00e3o de riquezas, qualquer rea\u00e7\u00e3o da atividade ser\u00e1 lenta.<\/p>\n<p>Para economistas, \u00e9 dif\u00edcil apontar o dedo para um culpado espec\u00edfico pela atual situa\u00e7\u00e3o de ac\u00famulo de d\u00edvidas. A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, ressalta que as decis\u00f5es de endividamento foram individuais. \u201cAs pessoas foram pouco conservadoras na gest\u00e3o de suas vidas. N\u00e3o d\u00e1 para atribuir tudo ao Estado\u201d, reitera.<\/p>\n<p>Mas ela destaca que houve excessos por parte do governo. \u201cTivemos uma pol\u00edtica p\u00fablica irrespons\u00e1vel de est\u00edmulo do consumo. A fatura chegou e est\u00e1 impactando principalmente os mais pobres. Precisamos tirar li\u00e7\u00f5es dessa crise e termos um olhar mais cauteloso. Que a atual situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias sirva de vacina contra pol\u00edticos populistas que pensam em estimular a economia de forma irrespons\u00e1vel. N\u00e3o d\u00e1 para fazer milagre\u201d, alerta.<\/p>\n<p>O caminho para destravar o consumo passa necessariamente pelo mercado de trabalho. Mas, para que os efeitos positivos venham, Zeina afirma que ser\u00e1 necess\u00e1rio avan\u00e7o nas reformas estruturais, sobretudo a da Previd\u00eancia, criando um ambiente tranquilo para o Banco Central (BC) cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). \u201c\u00c9 a melhor coisa que pode ser feita agora\u201d, pondera. O corte dos juros ajudar\u00e1 a reduzir o deficit das contas p\u00fablicas. Mas tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio um comprometimento s\u00e9rio do governo em mudar a pol\u00edtica fiscal, que n\u00e3o deixou de ser expansionista com o presidente Michel Temer no comando\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Longo prazo<\/strong><\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da emenda constitucional do teto dos gastos p\u00fablicos vinculado \u00e0 infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o surtir\u00e1 efeito a curto prazo, na avalia\u00e7\u00e3o da economista. Por isso, o governo se esfor\u00e7a em procurar receitas extraordin\u00e1rias, como uma nova rodada da repatria\u00e7\u00e3o de recursos mantidos no exterior e a vendas de ativos da Uni\u00e3o. Concess\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos e privatiza\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de infraestrutura est\u00e3o nesse caminho.<\/p>\n<p>Somente em meio a condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para as pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal, aponta Zeina, o governo vai conseguir recuperar a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos e, assim, os investimentos. Com isso, ser\u00e1 poss\u00edvel iniciar uma revers\u00e3o do quadro de fechamento de postos no mercado de trabalho formal e estabilizar a taxa de desemprego no pa\u00eds. \u201cSe tudo der certo, vamos colher os frutos no segundo semestre, e teremos uma situa\u00e7\u00e3o mais clara do in\u00edcio do ciclo de retomada. Em 2018, a\u00ed sim, vir\u00e1 o consumo\u201d, destaca Zeina. \u201cH\u00e1 muita demanda reprimida na economia. As fam\u00edlias fizeram o ajuste no or\u00e7amento e, conforme o medo de perder emprego for embora e as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito melhorarem, elas voltar\u00e3o a consumir, at\u00e9 por terem conseguido reduzir o endividamento\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Incertezas<\/strong><\/p>\n<p>A revers\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias seguir\u00e1 um desafio grande para o pa\u00eds durante algum tempo. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) estima que a propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias endividadas recuou de 61,1%, em 2015, para 58,7% em 2016. Entretanto, a parcela das que est\u00e3o com contas em atraso subiu de 20,9% para 23,6%. A fatia das que declararam n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pagar os d\u00e9bitos atrasados tamb\u00e9m avan\u00e7ou, de 7,7% para 8,9%.<\/p>\n<p>Investimentos dependem n\u00e3o s\u00f3 de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas favor\u00e1veis, mas de estabilidade pol\u00edtica, destaca o economista s\u00eanior da CNC, F\u00e1bio Bentes. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, essa \u00e9 uma das principais d\u00favidas para os pr\u00f3ximos meses. \u201cTemos uma crise pol\u00edtica que foi resfriada por conta do recesso parlamentar\u201d, ressalta. Esse elemento, na opini\u00e3o de Bentes, incomoda os investidores, que continuar\u00e3o adiando apostas no pa\u00eds. Ele lembra que, nesse cen\u00e1rio, pode ser pequeno o efeito das medidas propostas pelo governo Temer para estimular o consumo, como os saques de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) e a redu\u00e7\u00e3o dos juros do rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>O economista Jos\u00e9 Luis Oreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), compartilha a avalia\u00e7\u00e3o de que as medidas de al\u00edvio nas contas das fam\u00edlias ter\u00e1 um efeito retardado sobre o consumo. \u201cN\u00e3o \u00e9 algo que o governo anuncia e j\u00e1 come\u00e7a a ver resultado. O consumo s\u00f3 deve apresentar algum sinal de rea\u00e7\u00e3o no \u00faltimo trimestre de 2017\u201d, sustenta. Com isso, tanto o com\u00e9rcio quanto o setor de servi\u00e7os devem amargar mais um ano de vendas e receitas fracas. \u201cIsso deve ocorrer tamb\u00e9m por conta do quadro de desemprego, que deve piorar at\u00e9 a primeira metade do ano e ficar est\u00e1vel no segundo semestre\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Linhas ruins<\/strong><\/p>\n<p>Devido \u00e0 escassa oferta de cr\u00e9dito, muitos consumidores acabam se endividando com linhas ruins, oferecidas por financeiras e lojas de departamento, ressalta a economista-chefe do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC Brasil), Marcela Kawauti. \u201cS\u00e3o empr\u00e9stimos f\u00e1ceis de tomar, mas muito caros\u201d, alerta. Esse \u00e9 um dos motivos que a fazem acreditar que a inadimpl\u00eancia dever\u00e1 permanecer alta at\u00e9 meados deste ano. \u201cA expectativa n\u00e3o \u00e9 de melhora efetiva do calote. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 deve ter uma melhora efetiva no segundo semestre.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>Cr\u00e9dito: <\/strong><\/em><em><strong>Rodolfo Costa <\/strong><\/em><em><strong>no <\/strong><\/em><em><strong>Blog do Servidor\/Correio Braziliense<\/strong><\/em><em><strong> \u00a0\u2013 dispon\u00edvel na web <\/strong><\/em><em><strong>31<\/strong><\/em><em><strong>\/01\/2017 \u00a0<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias depende da recupera\u00e7\u00e3o da economia. E vice-versa. O Brasil enfrenta a pior das recess\u00f5es da hist\u00f3ria porque os consumidores n\u00e3o t\u00eam mais renda para retomar os gastos. 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