{"id":102139,"date":"2025-06-14T04:18:08","date_gmt":"2025-06-14T07:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=102139"},"modified":"2025-06-14T05:16:21","modified_gmt":"2025-06-14T08:16:21","slug":"para-onde-leva-a-revolucao-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/06\/14\/para-onde-leva-a-revolucao-tecnologica\/","title":{"rendered":"Para onde leva a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica?"},"content":{"rendered":"<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \" data-component-name=\"paragraph\">Quando o papa Le\u00e3o XIII publicou a enc\u00edclica&nbsp;<em>Rerum Novarum<\/em>&nbsp;(1891), havia uma forte crise social decorrente da primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, que se desenvolveu ao longo do s\u00e9culo 19 e desdobrou-se em novas etapas ao longo do s\u00e9culo 20. A mecaniza\u00e7\u00e3o trouxe um r\u00e1pido desenvolvimento dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o, que, por\u00e9m, beneficiava sobretudo os detentores do capital. O operariado vivia em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, com longos turnos de trabalho, sal\u00e1rios muito baixos e sem seguridade social. A formula\u00e7\u00e3o de leis para assegurar os direitos dos trabalhadores ainda estava no seu est\u00e1gio inicial. Havia as demandas por moradias dignas, por saneamento e o m\u00ednimo de garantias para as situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a ou de acidentes de trabalho.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \" data-component-name=\"paragraph\">Embora houvesse oferta de trabalho, o desemprego era um risco constante, por causa da mecaniza\u00e7\u00e3o do trabalho e da abundante oferta de m\u00e3o de obra. Os movimentos oper\u00e1rios buscavam um equil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho. Ao longo de d\u00e9cadas, em v\u00e1rios pa\u00edses, essas quest\u00f5es suscitaram manifesta\u00e7\u00f5es e debates acalorados tamb\u00e9m da intelectualidade, dos quais participaram muitas lideran\u00e7as cat\u00f3licas. Foi nesse contexto que Le\u00e3o XIII publicou a enc\u00edclica&nbsp;<em>Rerum Novarum<\/em>&nbsp;sobre as quest\u00f5es novas que h\u00e1 tempos marcavam a vida econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica dos povos com profundas injusti\u00e7as sociais e frequentes conflitos (ver n.\u00ba 1).<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \" data-component-name=\"paragraph\">Le\u00e3o XIII tomou posi\u00e7\u00e3o diante da \u201cquest\u00e3o oper\u00e1ria\u201d decorrente da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, oferecendo par\u00e2metros \u00e9ticos claros a serem seguidos para resolver essa quest\u00e3o com verdade e equidade. A preocupa\u00e7\u00e3o do papa era defender os oper\u00e1rios, que, em geral, encontravam-se s\u00f3s e indefesos, entregues \u00e0 desumanidade dos patr\u00f5es e \u00e0 cobi\u00e7a desenfreada dos empreendedores (ver n.\u00ba 2). Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m denunciava os males da usura voraz dos especuladores, o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio nas m\u00e3os de poucos, ao ponto de pouqu\u00edssimos ricos e riqu\u00edssimos imporem um jugo quase servil \u00e0 incont\u00e1vel multid\u00e3o de prolet\u00e1rios (ver n.\u00ba 2).<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \" data-component-name=\"paragraph\">Passados mais de 134 anos da publica\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>Rerum Novarum<\/em>, \u00e9 preciso reconhecer que foram feitos muitos progressos nas rela\u00e7\u00f5es entre capital e trabalho. Mas o problema n\u00e3o est\u00e1 resolvido para grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial, que ainda se encontra na mis\u00e9ria, sobrevivendo com o m\u00ednimo necess\u00e1rio. A riqueza, j\u00e1 muito concentrada, tende a concentrar-se ainda mais na economia mundial e local. Al\u00e9m disso, desde o final do s\u00e9culo 20, o largo emprego das tecnologias da informatiza\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia artificial (IA) desencadeou uma nova etapa na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, que pode ter consequ\u00eancias muito funestas se n\u00e3o for bem governada.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 kKiXme  \" data-component-name=\"paragraph\">N\u00e3o se trata de ser contra o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a intelig\u00eancia artificial, que representam maravilhas da capacidade criadora humana e t\u00eam imensas potencialidades favor\u00e1veis ao desenvolvimento social, cient\u00edfico e econ\u00f4mico. Mas h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o bastante compartilhada sobre as consequ\u00eancias do uso que se faz dessas novas tecnologias. Se, de um lado, elas podem facilitar e agilizar o trabalho, tamb\u00e9m podem deixar no desemprego multid\u00f5es de trabalhadores. Se favorecem e facilitam as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, podem tamb\u00e9m deixar muitas pessoas na solid\u00e3o, exatamente pelo uso inadequado e t\u00f3xico desses instrumentos. Se podem favorecer a pesquisa e a informa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m podem ser usadas para espalhar falsidades e gerar uma tremenda confus\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 gXPsoJ\" data-component-name=\"multi-paragraph\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 nas tecnologias, mas no uso que se faz delas. Expressou-o bem Luigia Carlucci Aiello, pesquisadora italiana da intelig\u00eancia artificial: \u201cN\u00e3o \u00e9 o instrumento que \u00e9 \u00e9tico ou n\u00e3o \u00e9tico, mas o uso que fazemos dele. Somos n\u00f3s que devemos ser \u00e9ticos. A intelig\u00eancia artificial \u00e9 um instrumento na m\u00e3o de seres humanos. Portanto, somos n\u00f3s que devemos querer e saber usar corretamente esse instrumento\u201d (ver sitio jornal\u00edstico&nbsp;<em>In Terris<\/em>, 6 de junho de 2025). A mesma pesquisadora observa que a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1ria e fundamental, n\u00e3o apenas de quem desenvolve esses instrumentos, mas tamb\u00e9m dos usu\u00e1rios. O potencial do instrumento n\u00e3o pode prescindir da compet\u00eancia, da motiva\u00e7\u00e3o e da inten\u00e7\u00e3o de quem o utiliza.<\/p>\n<p>Ao ser eleito papa, o cardeal Robert Francis Prevost escolheu o nome pontif\u00edcio de Le\u00e3o XIV, o que suscitou imediatamente uma s\u00e9rie de especula\u00e7\u00f5es sobre os motivos da escolha. Na reuni\u00e3o com os membros do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio, dois dias depois, Le\u00e3o XIV explicou que o nome fazia refer\u00eancia a Le\u00e3o XIII, que se posicionou diante das consequ\u00eancias sociais da primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. E observou que nos encontramos hoje diante de mais uma revolu\u00e7\u00e3o industrial, com um potencial enorme, que ainda carece de princ\u00edpios \u00e9ticos mais claros e compartilhados, para n\u00e3o voltar-se tragicamente contra o pr\u00f3prio homem. Desde logo, despertou a expectativa de uma reflex\u00e3o ampla da Igreja Cat\u00f3lica sobre a quest\u00e3o. Possivelmente, haver\u00e1 em breve um novo documento do magist\u00e9rio social da Igreja.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: &nbsp;Dom Odilo P. Scherer&nbsp;<\/strong><strong>\/ O Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 14\/6\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o papa Le\u00e3o XIII publicou a enc\u00edclica&nbsp;Rerum Novarum&nbsp;(1891), havia uma forte crise social decorrente da primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, que se desenvolveu ao longo do s\u00e9culo 19 e desdobrou-se em novas etapas ao longo do s\u00e9culo 20. A mecaniza\u00e7\u00e3o trouxe um r\u00e1pido desenvolvimento dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o, que, por\u00e9m, beneficiava sobretudo os detentores do capital. 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