{"id":103233,"date":"2025-08-05T04:15:04","date_gmt":"2025-08-05T07:15:04","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=103233"},"modified":"2025-08-04T13:14:46","modified_gmt":"2025-08-04T16:14:46","slug":"cassino-no-bolso-apostas-online-atraem-idosos-e-alimentam-vicio-e-endividamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/08\/05\/cassino-no-bolso-apostas-online-atraem-idosos-e-alimentam-vicio-e-endividamento\/","title":{"rendered":"Cassino no bolso: apostas online atraem idosos e alimentam v\u00edcio e endividamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"max-w-5xl my-4 mx-auto space-y-4 px-6 xl:px-0\" data-ds-component=\"article-title\">\n<div class=\"text-lg md:text-xl font-medium tracking-tight text-wl-neutral-600\">Embora a popula\u00e7\u00e3o idosa n\u00e3o seja o maior p\u00fablico entre quem aposta em bets e tigrinhos, \u00e9 a que mais compromete dinheiro com eles<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<article class=\"im-article clear-fix\" data-ds-component=\"article\">Foi zapeando pelo Instagram que Lorena*, de 62 anos, viu uma propaganda e descobriu umaplicativo de apostas online. Na \u00e9poca, em 2023, chegou a apostar R$ 30, mas n\u00e3o se envolveu de imediato. A curiosidade, no entanto, voltaria com for\u00e7a no ano seguinte \u2014 e as&nbsp;bets e \u201cjogos de tigrinho\u201d&nbsp;logo se transformaram em um h\u00e1bito frequente, que evoluiu para um&nbsp;v\u00edcio silencioso. Entre ganhos e perdas acumuladas, a motorista de aplicativo hoje est\u00e1 negativada e carrega uma d\u00edvida na casa dos R$ 50 mil.<\/p>\n<p>Ao&nbsp;InfoMone<strong>y<\/strong>, ela conta que ao perceber o&nbsp;descontrole financeiro&nbsp;em que estava, deixou as contas acumularem na inten\u00e7\u00e3o de \u201csecar\u201d a fonte dos recursos dispon\u00edveis para a jogatina. E sem conseguir mais honrar as d\u00edvidas acumuladas com as apostas, recorreu a um advogado para acionar a Lei do Superendividamento (14.181\/2021). O objetivo \u00e9 renegociar com os bancos e construir uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel, sem comprometer sua estabilidade pessoal.<\/p>\n<p><strong>\u201cUsei cart\u00e3o de cr\u00e9dito, limite do cheque especial, fiz empr\u00e9stimos. Chegou uma hora que eu pegava dinheiro para pagar as contas atrasadas por conta do jogo e, em seguida, usava o saldo que sobrava apostando. Quando ganhava, jogava mais.\u201d <span style=\"font-style: italic; text-align: center;\">\u2014 Lorena*, 62 anos, aposentada e motorista de aplicativo<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A soma da aposentadoria com a renda como&nbsp;motorista de Uber chega a pouco mais de R$ 8 mil ao m\u00eas, mas, segundo Lorena, o dinheiro evaporava com facilidade entre ganhos e perdas nas plataformas de apostas. Passava a noite em claro jogando, conseguindo sacar por volta de R$ 5 mil em algumas madrugadas. Mas, t\u00e3o logo o dinheiro saia do aplicativo, ele voltava.<\/p>\n<p>Sua \u00faltima jogada foi em mar\u00e7o deste ano e, desde ent\u00e3o, os aplicativos foram desinstalados do celular. \u201cFoi por vontade minha, pois estava me prejudicando muito. Quando tomo uma decis\u00e3o, n\u00e3o volto atr\u00e1s. Isso \u00e9 para tudo na minha vida.\u201d<\/p>\n<h4 id=\"h-vulnerabilidades-e-o-transtorno-do-jogo\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Vulnerabilidades e o transtorno do jogo<\/strong><\/h4>\n<p>Embora a popula\u00e7\u00e3o idosa n\u00e3o seja o maior p\u00fablico entre os brasileiros que apostam em bets e tigrinhos, \u00e9 a que mais compromete dinheiro com eles. Uma&nbsp;nota t\u00e9cnica do Banco Central, divulgada no final do ano passado, apontou que pessoas acima dos 60 anos chegam a gastar uma m\u00e9dia de R$ 3 mil por m\u00eas. Em seguida est\u00e1 o p\u00fablico 50+, que compromete at\u00e9 R$ 2,5 mil.&nbsp;<\/p>\n<p>Rodrigo Machado, psiquiatra e pesquisador do Ambulat\u00f3rio de Transtornos do Impulso, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), explica que os jovens s\u00e3o especialmente suscet\u00edveis \u00e0 depend\u00eancia por ainda estarem com o c\u00e9rebro em desenvolvimento. Logo depois, por\u00e9m, v\u00eam os idosos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 comum que essa faixa et\u00e1ria enfrente solid\u00e3o, distanciamento social e a perda de v\u00ednculos afetivos. O&nbsp;v\u00edcio em apostas, tamb\u00e9m chamado de transtorno do jogo, muitas vezes, surge como uma tentativa de preencher esse vazio e aliviar sentimentos negativos.\u201d<\/p>\n<figure class=\"mx-auto my-6 my-12 mx-auto space-y-2 max-w-2xl\">\n<p><figure style=\"width: 923px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-fluid rounded-sm\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/bc_gastos-com-apostas-esportivas.png?resize=696%2C413&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"413\" data-recalc-dims=\"1\" data-size=\"default\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">An\u00e1lise t\u00e9cnica sobre o mercado de apostas online no Brasil e o perfil dos apostadores \u2013 Estudo Especial n\u00ba 119\/2024 \u2013 Reproduzido da Nota T\u00e9cnica 513\/2024-BCB\/SECRE (setembro\/2024).<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Foi nesse contexto de rotina restrita que Paulo*, de 74 anos, acabou se tornando um alvo f\u00e1cil para o v\u00edcio em apostas. T\u00e9cnico mec\u00e2nico aposentado e vi\u00favo, j\u00e1 havia se distanciado do conv\u00edvio social muito antes da pandemia, limitando os la\u00e7os a alguns familiares. Nem sabe dizer quando foi que ouviu falar pela primeira vez sobre bets e tigrinho. \u201cTalvez pela TV, n\u00e3o sei\u201d, tenta se recordar, pois pouco usa as redes sociais, mas assiste fielmente aos campeonatos de futebol, onde v\u00ea&nbsp;propagandas de casas de apostas&nbsp;\u2014 muitas vezes estampadas nas camisas dos times.<\/p>\n<p>Em 2022, o primeiro contato foi com um aplicativo de apostas esportivas. Mas a empolga\u00e7\u00e3o durou pouco. A din\u00e2mica de prever tantas possibilidades de uma partida (como placar final, jogador que faria o primeiro gol, total de cart\u00f5es ou at\u00e9 se haveria pontua\u00e7\u00e3o nos acr\u00e9scimos) exigia paci\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o tinha.<\/p>\n<h5>Ainda naquele ano, por\u00e9m, descobriu um universo mais simples: jogos que funcionam como ca\u00e7a-n\u00edqueis online, como o famoso \u201ctigrinho\u201d. Neles, n\u00e3o era preciso acompanhar nenhum evento real. Bastava girar a roleta e deixar que os algoritmos definissem tudo.<\/h5>\n<p><strong>Comecei apostando R$ 50, vez ou outra. \u00c0s vezes perdia, mas com mais frequ\u00eancia ganhava o dobro ou mais. Foi virando algo que fazia quase todo dia, at\u00e9 come\u00e7ar uma mar\u00e9 de azar. Quando dei por mim, limpei minha poupan\u00e7a com R$ 30 mil\u201d <span style=\"font-style: italic; text-align: center;\">\u2014 Paulo*, 74 anos, t\u00e9cnico mec\u00e2nico aposentado<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Segundo Machado, o envolvimento com&nbsp;jogos de azar&nbsp;provoca uma estimula\u00e7\u00e3o intensa do sistema de recompensa do c\u00e9rebro \u2014 a mesma estrutura respons\u00e1vel por processar situa\u00e7\u00f5es com potencial de gratifica\u00e7\u00e3o. Essa ativa\u00e7\u00e3o ocorre por meio da dopamina, neurotransmissor que n\u00e3o representa o prazer em si, mas sim o desejo, a motiva\u00e7\u00e3o e o impulso para buscar uma recompensa.&nbsp;<\/p>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o de dopamina, r\u00e1pida e intensa, gera uma sensa\u00e7\u00e3o imediata de expectativa e excita\u00e7\u00e3o. E quando h\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o repetida a comportamentos gratificantes, como as apostas, os \u201ccircuitos cerebrais\u201d come\u00e7am a se modificar. \u201cEsse processo \u00e9 semelhante ao que ocorre em&nbsp;depend\u00eancias qu\u00edmicas, como o uso de \u00e1lcool\u201d, explica o psiquiatra. S\u00f3 que, com o tempo, o sistema de recompensa vai ficando hipersensibilizado. \u201cO prazer diminui e o indiv\u00edduo precisa aumentar a frequ\u00eancia, o tempo ou o risco das apostas para sentir o mesmo n\u00edvel de excita\u00e7\u00e3o inicial.\u201d<\/p>\n<h4 id=\"h-epidemia-do-vicio-e-protecao-aos-idosos\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Epidemia do v\u00edcio e prote\u00e7\u00e3o aos idosos<\/strong><\/h4>\n<p>Dados da 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Raio-X do Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha, mostram que&nbsp;23 milh\u00f5es de brasileiros fizeram apostas&nbsp;por meio de aplicativos em 2024, equivalente a 15% da popula\u00e7\u00e3o com mais de 16 anos. Entre os apostadores, quase metade (47%) est\u00e1 endividada. O levantamento tamb\u00e9m aponta que 30% admitem apostar mais do que podem perder, enquanto 10% j\u00e1 recorreram a empr\u00e9stimos ou venderam bens para continuar jogando.<\/p>\n<p>No Congresso Nacional, tramita o&nbsp;Projeto de Lei 4466\/24, propondo mudan\u00e7as no C\u00f3digo Civil e no Estatuto da Pessoa Idosa a fim de, n\u00e3o apenas garantir servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental, sobretudo no combate e tratamento ao v\u00edcio em jogos (ludopatia), como tamb\u00e9m ampliar a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica desse grupo.<\/p>\n<p>Caren Benevento, s\u00f3cia da Benevento Advocacia e pesquisadora do Grupo de Estudos do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP (GETRAB), comenta que a proposta busca coibir abusos relacionados a v\u00edcio, manipula\u00e7\u00e3o e&nbsp;explora\u00e7\u00e3o financeira. Entre os pontos destacados, est\u00e3o a exig\u00eancia de medidas preventivas em ambientes f\u00edsicos e digitais que promovam jogos e apostas, al\u00e9m da possibilidade de que idosos reembolsem valores gastos, desde que comprovado o preju\u00edzo devido \u00e0 depend\u00eancia ou condutas abusivas.<\/p>\n<p>\u201cO PL \u00e9 abrangente, e contempla qualquer modalidade de jogo de azar \u2014 presencial ou digital \u2014 incluindo apostas esportivas, fantasy games, cassinos online e os populares \u2018jogo do tigrinho\u2019 ou \u2018bets\u2019\u201d, frisa. No entanto, o sucesso da proposta depende de a\u00e7\u00f5es coordenadas entre Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria, \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e mecanismos de controle digital. \u201cPrecisa vir acompanhado de a\u00e7\u00f5es concretas que garantam sua aplica\u00e7\u00e3o, e que ajudem a romper o ciclo de explora\u00e7\u00e3o, especialmente quando se disfar\u00e7a de entretenimento.\u201d<\/p>\n<p>Outro ponto previsto do projeto diz que o governo deve oferecer&nbsp;educa\u00e7\u00e3o financeira &nbsp;adequada \u00e0 pessoa idosa. Sobre esse t\u00f3pico, Ana Paula Hornos, educadora financeira e psic\u00f3loga cl\u00ednica, ressalta que a medida \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o suficiente, j\u00e1 que atua na camada racional da situa\u00e7\u00e3o. \u201cAjuda a estruturar o or\u00e7amento, compreender riscos, identificar fraudes e manter limites saud\u00e1veis de consumo. No entanto, o v\u00edcio em jogos nasce no campo emocional, e se consolida em din\u00e2micas psicol\u00f3gicas profundas.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p>A especialista frisa que o combate ao v\u00edcio necessita de afeto, acolhimento e presen\u00e7a de familiares e rede de apoio. \u201cConversas frequentes e emp\u00e1ticas, sem infantilizar ou controlar, mas promovendo parceria, s\u00e3o essenciais\u201d, diz. Al\u00e9m disso, Hornos destaca que a preven\u00e7\u00e3o precisa ser integrada e, no caso dos idosos, aliando educa\u00e7\u00e3o financeira com estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o ao v\u00edcio, como:<\/p>\n<figure class=\"im-table \">\n<figure class=\"im-table\">\n<table class=\"has-fixed-layout\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u2013 psicoeduca\u00e7\u00e3o sobre o funcionamento do v\u00edcio e seus sinais precoces;&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u2013 cria\u00e7\u00e3o de rotina estruturada, com atividades significativas e recompensadoras que substituam o vazio que o jogo tenta preencher;&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u2013 promo\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sociais e sentido de pertencimento, que combatem a solid\u00e3o, um dos maiores gatilhos;&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u2013 supervis\u00e3o e apoio terap\u00eautico, especialmente nos casos em que h\u00e1 luto, depress\u00e3o ou transi\u00e7\u00f5es importantes (aposentadoria, viuvez, mudan\u00e7a de resid\u00eancia);&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u2013 tecnologia a favor do cuidado, como bloqueios de sites, alertas de gastos e co-gest\u00e3o financeira consensual.&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<\/figure>\n<h4 id=\"h-sinais-da-dependencia-e-ajuda\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Sinais da depend\u00eancia e ajuda<\/strong><\/h4>\n<p>Depois que a bonan\u00e7a deu lugar \u00e0 mar\u00e9 de azar, chegou um momento em que a fam\u00edlia de Paulo percebeu que algo estava acontecendo. Sempre ansioso, inquieto e munido do celular em m\u00e3os a todo instante. Para justificar o novo comportamento, inventou uma namorada virtual. \u201cAcreditaram, e at\u00e9 justificava porque eu estava gastando dinheiro. Mentia que eram presentes ou ajuda [<em>financeira<\/em>] para ela\u201d, diz. Isso perdurou entre 2023 e 2024, at\u00e9 que, sem o conhecimento do aposentado, um dos filhos revirou seus extratos banc\u00e1rios, descobrindo que a poupan\u00e7a estava quase zerada.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEra um dinheiro que juntei enquanto trabalhava, para complementar a aposentadoria\u201d, conta. Mesmo ap\u00f3s esse epis\u00f3dio, n\u00e3o parou de jogar. Passou, ent\u00e3o, a contratar empr\u00e9stimos e usar o cheque especial, comprometendo a aposentadoria de pouco mais de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos ao m\u00eas. \u201cFoi assim at\u00e9 o come\u00e7o do ano, quando meus filhos passaram a controlar meu celular e contas banc\u00e1rias\u201d, conta. Ele prefere n\u00e3o revelar h\u00e1 quanto tempo est\u00e1 sem apostar e diz que busca sempre se lembrar da \u00e9poca em que jogos n\u00e3o faziam parte da sua rotina.<\/p>\n<p>Lorena, por outro lado, n\u00e3o conheceu o universo das apostas com a chegada dos aplicativos de celular. Como muitos brasileiros, j\u00e1 era habituada a jogar na loteria e at\u00e9 teve alguns acertos ao longo dos anos. \u201cFiz duas vezes 14 pontos na Lotof\u00e1cil, uma quadra na Quina e uma quadra na Mega-Sena. Eu gosto de jogos, infelizmente\u201d, admite. Mas seu interesse n\u00e3o se restringia \u00e0s&nbsp;casas lot\u00e9ricas.<\/p>\n<p>A motorista chegou a frequentar bingos, tanto nos tempos em que eram legalizados quanto depois, na clandestinidade. Costumava ir em busca de distra\u00e7\u00e3o, especialmente quando enfrentava momentos dif\u00edceis ou tens\u00f5es familiares. No sal\u00e3o de jogos, conseguia desligar-se das preocupa\u00e7\u00f5es. \u201cGanhava e perdia nessa \u00e9poca, mas meu saldo ainda era positivo e n\u00e3o havia preju\u00edzos, diferente de agora\u201d, ressalta.&nbsp;<\/p>\n<p>As experi\u00eancias relatadas por Lorena e Paulo v\u00e3o de encontro aos&nbsp;sinais do v\u00edcio&nbsp;em jogos. Machado destaca que eles incluem: mentiras, al\u00edvio para um estado de humor negativo, preocupa\u00e7\u00e3o para voltar a jogar, problemas financeiros, perda de controle e at\u00e9 sintomas de abstin\u00eancia. Para aqueles que ainda n\u00e3o preenchem todos os crit\u00e9rios de v\u00edcio, ter d\u00edvidas ou preju\u00edzo nas rela\u00e7\u00f5es familiares, acad\u00eamicas ou no trabalho por conta do jogo podem ser sinais a serem considerados.<\/p>\n<p>Ainda assim, o psiquiatra lembra que o adoecimento n\u00e3o ocorre da noite para o dia, mas ap\u00f3s a repeti\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o recorrente \u00e0s apostas. O modelo atual de jogos online, com ciclos r\u00e1pidos e m\u00faltiplas apostas, estimula mais o c\u00e9rebro e aumenta a chance de v\u00edcio em compara\u00e7\u00e3o com o passado. \u201cNunca antes as pessoas tiveram a possibilidade de ter um \u2018cassino\u2019 no pr\u00f3prio bolso. Isso ganhou ainda mais for\u00e7a com a abertura do mercado das bets, a partir de 2018\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n<p>O tratamento demanda ajuda profissional multidisciplinar (que podem incluir psiquiatras, psic\u00f3logos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais), mas Machado ressalta que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) ainda carece de estrutura adequada para lidar com o avan\u00e7o dos casos de depend\u00eancia em apostas. Diante disso, refor\u00e7a a import\u00e2ncia dos grupos de apoio, como o Jogadores An\u00f4nimos (<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/jogadoresanonimos.com.br\/g-regiao-sudeste\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>veja endere\u00e7os e telefones aqui<\/em><\/a><\/span>), que t\u00eam atuado como um suporte importante. \u201cEles acabam sendo essa linha de frente de aux\u00edlio quando a gente sabe que o acesso ao tratamento especializado \u00e9 mais dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n<p><em>*Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados para preservar suas identidades<\/em><\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Janize Cola\u00e7o \/ InfoMoney &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 5\/7\/2025<\/strong><\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora a popula\u00e7\u00e3o idosa n\u00e3o seja o maior p\u00fablico entre quem aposta em bets e tigrinhos, \u00e9 a que mais compromete dinheiro com eles &nbsp; Foi zapeando pelo Instagram que Lorena*, de 62 anos, viu uma propaganda e descobriu umaplicativo de apostas online. 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