{"id":103515,"date":"2025-08-19T04:15:12","date_gmt":"2025-08-19T07:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=103515"},"modified":"2025-08-19T04:39:20","modified_gmt":"2025-08-19T07:39:20","slug":"a-lenta-recuperacao-da-foz-do-rio-doce-10-anos-apos-mariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/08\/19\/a-lenta-recuperacao-da-foz-do-rio-doce-10-anos-apos-mariana\/","title":{"rendered":"A lenta recupera\u00e7\u00e3o da foz do Rio Doce, 10 anos ap\u00f3s Mariana"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\"><em><strong>Parte da lama continua no fundo do rio e do mar e volta \u00e0 tona de vez em quando. Alguns moradores se reinventaram, como ex-pescador que virou produtor de mel, mas outros seguem prejudicados.<\/strong><\/em><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"c17j8gzx rc0m0op r1ebneao s198y7xq rich-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi rcjjkz7 w128axg5 b1fzgn0z\" data-tracking-name=\"rich-text\" data-tracking-skip=\"true\">\n<p>Em uma manh\u00e3 ensolarada de julho, Clavelanio Pe\u00e7anha, 66 anos, o seu Preto, navegava com um bote pela foz do Rio Doce, na comunidade de Reg\u00eancia Augusta, em Linhares (ES). Em vez de pescar, transportava pesquisadores que estudavam os impactos do&nbsp;rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG), ocorrido h\u00e1 quase 10 anos. &#8220;Pra mim mudou tudo porque n\u00e3o posso mais pescar. Era o que eu mais gostava de fazer.&#8221;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem da&nbsp;Samarco, uma empresa da brasielira&nbsp;Vale&nbsp;e da australiana&nbsp;BHP, causou 19 mortes e deixou duas pessoas desaparecidas. A lama de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o desceu pelo Rio Doce, causando um desastre socioambiental pelo caminho. Ap\u00f3s dezesseis dias, chegou \u00e0 foz e ao mar, onde fica Reg\u00eancia.<\/p>\n<p>Quase dez anos depois, os impactos ainda s\u00e3o sentidos na comunidade, conforme constatou a DW, que esteve na vila em meados de julho. Os pescadores precisaram parar de pescar. O turismo, que era impulsionado pelo surfe, ainda n\u00e3o se recuperou totalmente. L\u00e1 \u00e9 comum ouvir varia\u00e7\u00f5es desta frase: &#8220;Reg\u00eancia n\u00e3o voltou ao que era antes do desastre de Mariana.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Quando rompeu a barragem, todo mundo ficou esperando a lama chegar. Tinha gente chorando, dizendo que o rio acabou. Ficou dessa cor aqui&#8221;, disse seu Preto, apontando para uma boia laranja. &#8220;Ando no rio todo dia. A gente v\u00ea a lama que ficou no fundo. Voc\u00ea pisa e v\u00ea que ela \u00e9 diferente.&#8221;<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o do pescador \u00e9 referendada por um estudo. No \u00faltimo relat\u00f3rio, de junho do ano passado, o Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aqu\u00e1tica (PMBA), executado pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes) por meio da Funda\u00e7\u00e3o Esp\u00edrito-Santense de Tecnologia (Fest), mostrou que parte dos rejeitos permanecem no rio e no mar. E os efeitos negativos na biodiversidade permanecem.<\/p>\n<h4><strong>Contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica<\/strong><\/h4>\n<p>O desastre pode ser dividido em duas fases: aguda e cr\u00f4nica, explicou Fabian S\u00e1, professor de oceanografia da Ufes e gestor do PMBA. A primeira causou, principalmente, um impacto f\u00edsico, com grande mortandade de peixes por sufocamento.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 caracterizada pela contamina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. &#8220;Hoje ainda estamos nesse per\u00edodo cr\u00f4nico, mesmo dez anos depois. Obviamente que, ao comparar com o in\u00edcio, houve uma melhora ambiental. Naturalmente o sistema vai se recompondo, tem toda uma resili\u00eancia ambiental. Mas voltou ao que era antes? Ainda n\u00e3o&#8221;, avaliou S\u00e1.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-103517 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?resize=696%2C888\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"888\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?w=736&amp;ssl=1 736w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?resize=235%2C300&amp;ssl=1 235w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?resize=329%2C420&amp;ssl=1 329w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?resize=150%2C191&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?resize=300%2C383&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0a7f80e8-022e-4d2b-a34d-8c057e9f9e68.jpg?resize=696%2C888&amp;ssl=1 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<p>Atualmente, os rejeitos, que os pesquisadores chamam de Material Ligado ao Desastre (MLD), ainda est\u00e3o no rio, principalmente na hidrel\u00e9trica de Candonga, em Minas Gerais, e no fundo do mar, na regi\u00e3o da foz do Rio Doce.<\/p>\n<p>Quando chove forte em determinados locais do Rio Doce ou quando o mar fica agitado, o MLD ressurge, piorando a qualidade da \u00e1gua. &#8220;E piorando a qualidade da \u00e1gua, piora a vida dos animais&#8221;, explicou o professor da Ufes.&nbsp;<\/p>\n<p>No in\u00edcio, os principais impactados foram os pequenos organismos. Mas, com o passar do tempo, os metais foram subindo na cadeia alimentar, contaminando outras esp\u00e9cies, como peixes, tartarugas e at\u00e9 botos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores encontraram, por exemplo, larvas de peixes com a cabe\u00e7a deformada e a barriga rompida. Em tartarugas, observaram um aumento de fibropapilomatose, uma esp\u00e9cie de verruga causada por tumores.&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, destacou o professor, que o Rio Doce j\u00e1 era impactado antes do desastre. Ele sofria com esgoto e lixo das cidades e propriedades rurais ao longo do percurso, com a eros\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o de 300 anos de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Luto e conflitos&nbsp;<\/strong><\/h4>\n<p>A comunidade de Reg\u00eancia j\u00e1 sofria com os danos ambientais antes da trag\u00e9dia de Mariana. No dia do desastre, os moradores estavam na pra\u00e7a aguardando uma equipe de televis\u00e3o para relatar os problemas com a qualidade da \u00e1gua, que era captada do rio, quando souberam do rompimento da barragem, contou o educador ambiental Carlos Sang\u00e1lia, 58 anos.<\/p>\n<p>Quando a lama chegou \u00e0 foz, os moradores a esperavam no porto, cercados por jornalistas e helic\u00f3pteros que filmavam a cena. Uma das primeiras a\u00e7\u00f5es para tentar minimizar o impacto foi transferir os ninhos das tartarugas na praia, j\u00e1 que era \u00e9poca de desova \u2013 Reg\u00eancia \u00e9 t\u00e3o importante para esses animais que conta com uma base do projeto Tamar.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea perde um ente querido, fica externado na hora. Depois vem a aceita\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, depois vem o luto. A comunidade passou por todo esse processo&#8221;, descreveu Sang\u00e1lia. &#8220;Tem um problema ambiental e tem um problema social porque no mundo as quest\u00f5es se convergem.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Tanques de cria\u00e7\u00e3o de til\u00e1pias\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/73469826_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Tanques de cria\u00e7\u00e3o de til\u00e1pias\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Alguns ex-pescadores de Reg\u00eancia Augusta hoje criam til\u00e1pias, um peixe de origem africanaFoto: Maur\u00edcio Frighetto\/DW<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Em 2016, foi criada a Funda\u00e7\u00e3o Renova para efetuar as repara\u00e7\u00f5es e compensa\u00e7\u00f5es. Segundo Sang\u00e1lia e diversos moradores, ocorreram muitos conflitos no processo. H\u00e1 relatos de pessoas que se mudaram para a comunidade para receber indeniza\u00e7\u00f5es e aux\u00edlios financeiros, enquanto muitos moradores n\u00e3o tiveram direito aos recursos.<\/p>\n<p>A presidente da Associa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Reg\u00eancia, Luzia da Silva Brumana, 53 anos, foi uma das pessoas que se sentiu injusti\u00e7ada. Ela vendia marmitas, lanches, perfumes e joias e alugava quitinetes. &#8220;Fico indignada. Do lado da minha casa, uma mulher ganhou uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 419 mil. Nem pousada ela tem, \u00e9 uma casa abandonada&#8221;, afirma.<\/p>\n<h4><strong>Busca por repara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Segundo a Comiss\u00e3o de Atingidos de Reg\u00eancia, as mulheres foram discriminadas durante o&nbsp;processo de repara\u00e7\u00e3o. &#8220;A maior parte das indeniza\u00e7\u00f5es e dos aux\u00edlios financeiros foram concedidos aos homens, e as mulheres foram colocadas nos cadastros como dependentes de seus companheiros ou de seus pais&#8221;, criticou a advogada Dyeniffr Correia de Oliveira, integrante da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 11 de julho, o presidente&nbsp;Luiz In\u00e1cio Lula da Silva&nbsp;esteve em Linhares para anunciar o Programa de Transfer\u00eancia de Renda para os atingidos. Cerca de 22 mil pescadores e 13,5 mil agricultores, em munic\u00edpios do Esp\u00edrito Santo e de Minas Gerais, receber\u00e3o pagamentos por quatro anos.<\/p>\n<p>O programa faz parte do chamado Novo Acordo do Rio Doce. As mineradoras se comprometeram a&nbsp;repassar R$ 100 bilh\u00f5es&nbsp;para os governos federal, estaduais e municipais para realizarem a\u00e7\u00f5es como reassentamentos, indeniza\u00e7\u00f5es, recupera\u00e7\u00e3o da bacia e obras de infraestrutura nos pr\u00f3ximos 20 anos.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Atingidos de Reg\u00eancia criticou o programa de transfer\u00eancia por n\u00e3o contemplar os comerciantes e artes\u00e3os \u2013 atualmente eles recebem aux\u00edlios financeiros. A DW questionou o governo sobre essa situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o teve a repara\u00e7\u00e3o justa que eles falaram que ia ter e n\u00e3o tem perspectiva que isso mude. A gente sabe que vai ter muitas lutas&#8221;, avaliou Oliveira. Al\u00e9m de um programa de transfer\u00eancia de renda voltado para comerciantes e artes\u00e3os, a comiss\u00e3o considera importante que os surfistas sejam reconhecidos como atingidos.<\/p>\n<h4><strong>O direito das ondas e dos surfistas<\/strong><\/h4>\n<p>&#8220;Depois dos peixes, quem mais est\u00e1 na \u00e1gua s\u00e3o os surfistas&#8221;, disse o surfista e contador Robson Barros da Rosa, 57 anos. Por isso, na sua vis\u00e3o, os praticantes desse esporte tamb\u00e9m deveriam ser reconhecidos como atingidos.<\/p>\n<p>Pontinha, como \u00e9 chamado, mudou-se para Reg\u00eancia nos anos 2000, onde montou com a esposa a Pontinha Surf House, espa\u00e7o com camping, quartos para alugar e lanchonete. Criou um site, que ajudou a promover o turismo e suas ondas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando deu a lama n\u00e3o veio mais ningu\u00e9m, n\u00e3o tinha como pagar as contas&#8221;, afirma. Atualmente o local est\u00e1 fechado. Pontinha conseguiu na Justi\u00e7a, de forma liminar, o pagamento de um aux\u00edlio.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Troncos de madeira com lixo em uma praia\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/73469754_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Troncos de madeira com lixo em uma praia\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ondas de Reg\u00eancia, hoje afetadas pela polui\u00e7\u00e3o, eram um fator de atra\u00e7\u00e3o de turistasFoto: Maur\u00edcio Frighetto\/DW<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>O surfe \u00e9 t\u00e3o importante para a vila que Reg\u00eancia tornou-se Reserva Nacional do Surfe. Suas ondas tamb\u00e9m s\u00e3o reconhecidas como sujeitos de direito por uma lei municipal, com base na ideia de que a natureza tem valor pr\u00f3prio e merece prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Pontinha e seu filho, de 13 anos, continuam surfando, mas utilizam uma esp\u00e9cie de&nbsp; &#8220;protocolo de seguran\u00e7a&#8221; para evitar contamina\u00e7\u00e3o. Evitam surfar quando o rio est\u00e1 muito cheio, por exemplo, al\u00e9m de permanecerem pouco tempo no mar.<\/p>\n<h4><strong>Reencontro com a natureza<\/strong><\/h4>\n<p>Logo ap\u00f3s o rompimento da barragem, a banda Pearl Jam veio ao Brasil e doou 100 mil d\u00f3lares aos atingidos. Parte desses recursos chegou \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o dos Meliponicultores do Esp\u00edrito Santo, atividade de quem cria abelhas sem ferr\u00e3o.<\/p>\n<p>Tunay Souza Oliveira, de 31 anos, participou das oficinas da associa\u00e7\u00e3o em busca de um recome\u00e7o. Como era pescador, chegou a pensar que sua vida tinha acabado. &#8220;A gente tinha um v\u00ednculo com a natureza. Eu nem percebia que era t\u00e3o forte. A gente t\u00e1 todo dia no rio, pega o peixe, joga tarrafa. E tudo isso traz uma conex\u00e3o grande.&#8221;<\/p>\n<p>Passados dez anos, Oliveira conseguiu se reinventar. Al\u00e9m de receber aux\u00edlio, vive do mel que produz e da visita de turistas, em um espa\u00e7o verde e cheio de colmeias. Chamou seu produto de Watu, nome do Rio Doce dado pelos ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Tunay Oliveira em api\u00e1rio observando colmeia\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/73469804_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Tunay Oliveira em api\u00e1rio observando colmeia\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Tunay Oliveira achou que sua vida tinha acabado, mas hoje cria abelhas e vende o melFoto: Maur\u00edcio Frighetto\/DW<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>&#8220;Quis continuar vivendo do Rio Doce, porque vivia do Rio Doce antes. Por isso escolhi o nome Watu. Percebi que com as abelhas foi um reencontro com a natureza, porque as abelhas se conectam com a natureza o tempo todo.&#8221;<\/p>\n<h4><strong>Vai pescar?<\/strong><\/h4>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o do novo acordo foi a cria\u00e7\u00e3o, em julho, da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental da Foz do Rio Doce. O objetivo \u00e9 fazer uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel da regi\u00e3o e proteger a rica biodiversidade, composta por 255 esp\u00e9cies de aves, 47 de anf\u00edbios, 54 r\u00e9pteis e 54 mam\u00edferos.<\/p>\n<p>Com o desastre, essa sustentabilidade da regi\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ada. Prova disso \u00e9 que, ao lado de um dos rios mais importantes do pa\u00eds, pescadores est\u00e3o criando til\u00e1pias em ton\u00e9is, um peixe de origem africana.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Dois homens idosos em bicicletas em uma rua de terra\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/73469738_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Dois homens idosos em bicicletas em uma rua de terra\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Proibido de pescar, Jos\u00e9 Cordeiro Ribeiro (\u00e0 esquerda) diz que ficou mais sedent\u00e1rioFoto: Maur\u00edcio Frighetto\/DW<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>A falta de atividade tamb\u00e9m afeta a sa\u00fade dos trabalhadores. &#8220;Estava acostumado a pescar o dia inteiro. Agora \u00e9 comer, dormir e dar uma caminhada&#8221;, disse Jos\u00e9 Cordeiro Ribeiro, 63 anos, enquanto conversava com outro pescador ao lado de barcos parados. Ele precisou colocar um marcapasso no cora\u00e7\u00e3o, e credita isso \u00e0 falta da atividade.<\/p>\n<p>J\u00e1 seu Preto segue no rio, mas levando pesquisadores ou turistas com seu bote. &#8220;Quando for liberada a pesca, volto a pescar. Mas est\u00e1 dif\u00edcil de acontecer. Ningu\u00e9m est\u00e1 fazendo nada para limpar o Rio Doce por enquanto.&#8221;<\/p>\n<p>A reportagem perguntou se ele acredita que vai voltar a pescar. &#8220;Rapaz, est\u00e1 meio dif\u00edcil. Para limpar o rio vai uns 30, 40 anos, se algu\u00e9m fizer alguma coisa. Estou com 66 anos&#8221;, disse, rindo. &#8220;Vai ser dif\u00edcil.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Maur\u00edcio Frighetto \/ <\/strong><strong>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 19\/8\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte da lama continua no fundo do rio e do mar e volta \u00e0 tona de vez em quando. Alguns moradores se reinventaram, como ex-pescador que virou produtor de mel, mas outros seguem prejudicados. Em uma manh\u00e3 ensolarada de julho, Clavelanio Pe\u00e7anha, 66 anos, o seu Preto, navegava com um bote pela foz do Rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":103516,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-103515","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/73469920_1004.webp?fit=1200%2C525&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103515"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103515\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":103518,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103515\/revisions\/103518"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}