{"id":10356,"date":"2017-02-08T01:39:08","date_gmt":"2017-02-08T04:39:08","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=10356"},"modified":"2017-02-08T01:39:08","modified_gmt":"2017-02-08T04:39:08","slug":"o-preco-da-violencia-quanto-os-brasileiros-pagam-por-nao-viverem-em-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/02\/08\/o-preco-da-violencia-quanto-os-brasileiros-pagam-por-nao-viverem-em-paz\/","title":{"rendered":"O pre\u00e7o da viol\u00eancia: quanto os brasileiros pagam por n\u00e3o viverem em paz?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Desde o come\u00e7o do ano, mais de 130 pessoas perderam a vida em meio aos conflitos que se multiplicam nos pres\u00eddios, mortes que s\u00e3o apenas o aspecto mais evidente da crise cr\u00f4nica de viol\u00eancia vivida pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>A cada ano, cerca de 60 mil pessoas s\u00e3o assassinadas no Brasil, o que equivale a uma taxa de 29 homic\u00eddios por 100 mil habitantes, n\u00fameros excepcionalmente altos para um pa\u00eds que n\u00e3o est\u00e1 em guerra, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada).<\/p>\n<p>Para tentar entender o custo econ\u00f4mico que a viol\u00eancia imp\u00f5e aos brasileiros, a BBC Brasil conversou com especialistas que organizam diferentes estudos sobre o assunto.<\/p>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-38885153\">Em 5 pontos: o que poderia mudar no processo de nomea\u00e7\u00e3o de ministros do STF?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-38871512\">Justus diz que n\u00e3o \u00e9 candidato, mas revela o que diria se fosse concorrer<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Os levantamentos apontam impactos que podem oscilar de 3,78% a 13,5% de toda a riqueza produzida anualmente, dependendo dos fatores avaliados. Mas independentemente da propor\u00e7\u00e3o percentual, trata-se de centenas de bilh\u00f5es de reais sa\u00eddos dos bolsos dos brasileiros.<\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta, foi divulgado um relat\u00f3rio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que estimou o gasto com viol\u00eancia em 16 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>O estudo mostrou que em 2014 o crime custou ao Brasil 3,78% do seu PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a US$ 124 bilh\u00f5es (R$ 386 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, os gastos p\u00fablicos com crime s\u00e3o seis vezes maiores do que os investimentos com o programa social Bolsa Fam\u00edlia, por exemplo.<\/p>\n<p>O estudo ressalta ainda que seu c\u00e1lculo \u00e9 conservador &#8211; avalia o impacto dos homic\u00eddios em 0,23% do PIB, enquanto um estudo do pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea, sugere 0,61%. &#8220;O custo dos homic\u00eddios pode ser consideravelmente mais alto que as nossas estimativas&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<p>Para Cerqueira, o banco se ateve a estimativas modestas porque \u00e9 necess\u00e1rio encontrar uma refer\u00eancia padronizada entre todos os pa\u00edses pesquisados para poder tra\u00e7ar um comparativo.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez, para acomodar todas essas na\u00e7\u00f5es, eles n\u00e3o cheguem a calcular muitos detalhes, como n\u00f3s fizemos em outros estudos&#8221;, sugere.<\/p>\n<p>O economista contribuiu para o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, que na edi\u00e7\u00e3o de 2014 estimou o gasto do Brasil com seguran\u00e7a em 5,4% do PIB. Nessa soma entram policiamento, pris\u00f5es e unidades de medidas socioeducativas &#8211; mas ficam de fora investimentos militares, por exemplo.<\/p>\n<p>Cerqueira afirma que os valores mais atuais excedem essa estimativa: &#8220;Pelos meus c\u00e1lculos, o custo da viol\u00eancia hoje est\u00e1 em 5,9% do PIB. Desses, 1,4% \u00e9 gasto com seguran\u00e7a, 0,4% \u00e9 gasto com sistema prisional. Outros 2,5% \u00e9 o custo intang\u00edvel, que tem a ver com as mortes por homic\u00eddios. Al\u00e9m disso tem 1,6%, que \u00e9 a soma dos custos com seguran\u00e7a privada e com seguro.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/122D3\/production\/_94215447_thinkstockphotos-512115792.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Planilha\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Brasil perdeu em 2016 mais de R$ 1 trilh\u00e3o, cerca de 13,5% do seu PIB, de acordo com o estudo &#8216;O Valor Econ\u00f4mico da Paz&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">\u00cdndice mundial<\/h2>\n<p>O principal estudo mundial sobre o tema, o \u00cdndice Global da Paz, inclui o or\u00e7amento das For\u00e7as Armadas em seu c\u00e1lculo.<\/p>\n<p>O ranking anual \u00e9 publicado pelas ONGs Vision of Humanity e Instituto para Economia e Paz. De acordo com a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, o Brasil est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o 105 entre 162 pa\u00edses &#8211; um retrocesso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cent\u00e9sima posi\u00e7\u00e3o obtida em 2015.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio serve de base para um estudo mais detalhado, chamado O Valor Econ\u00f4mico da Paz, que afirma que a viol\u00eancia custa ao mundo anualmente US$ 13,6 trilh\u00f5es, ou US$ 1.876 d\u00f3lares por pessoa, em valores ajustados por paridade de poder de compra.<\/p>\n<p>Desse montante, US$ 1,79 trilh\u00f5es est\u00e3o relacionados a homic\u00eddios, tipo de viol\u00eancia preponderante na Am\u00e9rica Latina e no Brasil.<\/p>\n<p>Esse levantamento explora o conceito de &#8220;pre\u00e7o&#8221; da viol\u00eancia em custos diretos e indiretos e avalia que o Brasil perdeu em 2016 mais de US$ 338 bilh\u00f5es &#8211; ou seja, mais de R$ 1 trilh\u00e3o &#8211; com o problema.<\/p>\n<p>Por esse c\u00e1lculo o Brasil, desperdi\u00e7a cerca de 13,5% do seu PIB com viol\u00eancia. Na m\u00e9dia s\u00e3o US$ 1.640, ou R$ 5.140, para cada cidad\u00e3o ao ano.<\/p>\n<p>Nesse n\u00famero est\u00e3o contabilizados gastos diretos com or\u00e7amento militar, policial, judicial e em sa\u00fade p\u00fablica, al\u00e9m de perdas indiretas como o preju\u00edzo da queda em produtividade de sobreviventes traumatizados.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo tamb\u00e9m estima a redu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico gerado pelo conflito prolongado e pela perda de vidas produtivas.<\/p>\n<p>&#8220;A viol\u00eancia cont\u00ednua destr\u00f3i o capital humano e f\u00edsico, o que por outro lado restringe o ambiente de neg\u00f3cios, dificultando a constru\u00e7\u00e3o de uma paz duradoura&#8221;, explica Camilla Schippa, pesquisadora do instituto.<\/p>\n<p>Segundo ela, o homic\u00eddio custa muito caro para pa\u00edses emergentes, como o Brasil e o M\u00e9xico.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas precisam investir na prote\u00e7\u00e3o de seus funcion\u00e1rios com c\u00e2meras de seguran\u00e7a, guardas, seguros, etc. \u00c9 um custo que torna o pa\u00eds menos competitivo, pois esse dinheiro poderia estar indo para aumento de produ\u00e7\u00e3o, pesquisa e desenvolvimento. Nosso relat\u00f3rio mostra que altos n\u00edveis de viol\u00eancia afetam negativamente o investimento estrangeiro direto, o turismo e afins.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Perda econ\u00f4mica<\/h2>\n<p>Mas o modo como os custos diretos est\u00e3o avaliados nesse levantamento n\u00e3o s\u00e3o necessariamente uma perda econ\u00f4mica, avalia o professor Paulo dos Reis, diretor do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da PUC-SP.<\/p>\n<p>&#8220;No caso do Brasil, n\u00e3o estamos em guerra com nenhum pa\u00eds, mas h\u00e1 um custo enorme de administra\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia. Gastos com pres\u00eddio, com toda a infraestrutura de seguran\u00e7a p\u00fablica, com a manuten\u00e7\u00e3o do nosso parque militar, tudo isso faz parte da avalia\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;O relat\u00f3rio parte do pressuposto de que isso tudo seria um desperd\u00edcio de dinheiro, mas essa \u00e9 apenas uma perspectiva. Certamente h\u00e1 outra perspectiva mais esclarecedora, que \u00e9 a seguinte: n\u00e3o se tratam de gastos errados, ou desperd\u00edcio, \u00e9 simplesmente uma quest\u00e3o de prioridades&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;Obviamente, em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia h\u00e1 grupos que ganham com isso. Ou seja, existe gente lucrando, realmente ganhando muito dinheiro com essas dimens\u00f5es da viol\u00eancia social.&#8221;<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 crise penitenci\u00e1ria, o presidente Michel Temer anunciou R$ 900 milh\u00f5es para ajudar na constru\u00e7\u00e3o de pres\u00eddios em 25 unidades da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1569\/production\/_94218450_thinkstockphotos-508763108.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Cerca de arame\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;H\u00e1 um s\u00e9rio \u00f4nus sobre os contribuintes&#8217;, diz Camilla Schippa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;O estudo tem uma proposta pol\u00edtica de apontar o que seria uma irracionalidade do gasto p\u00fablico de n\u00e3o investir em capacidade produtiva&#8221;, diz. &#8220;Mas quando olhamos a situa\u00e7\u00e3o e pegamos as empresas privadas que fornecem servi\u00e7os, veja bem, elas est\u00e3o lucrando. H\u00e1 agentes, pessoas, institui\u00e7\u00f5es, grupos que lucram em situa\u00e7\u00f5es que esse relat\u00f3rio avaliaria como desperd\u00edcio de dinheiro.&#8221;<\/p>\n<p>O levantamento afirma que existe um equil\u00edbrio ideal entre a necessidade de se gastar com seguran\u00e7a para garantir a paz e o aporte irracional de recursos em militariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Nenhum pa\u00eds que investe menos de 0.8% do seu PIB em seguran\u00e7a interna est\u00e1 entre os 42 mais bem colocados no ranking. Por outro lado, nenhum pa\u00eds que investe mais de 2% do seu PIB em seguran\u00e7a est\u00e1 entre os 20 mais pac\u00edficos&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<p>&#8220;Compreender o n\u00edvel ideal de conten\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e9 importante para melhorar os n\u00edveis de paz&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;Sem d\u00favida, a viol\u00eancia \u00e9 um neg\u00f3cio. N\u00e3o s\u00f3 do lado de seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m do lado il\u00edcito do mercado de drogas. Mercado il\u00edcito e crime organizado s\u00f3 funcionam se existir corrup\u00e7\u00e3o do Estado. Tem muita gente ganhando de todos os lados&#8221;, refor\u00e7a Cerqueira, do Ipea.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Custo para a ind\u00fastria<\/h2>\n<p>Um estudo da CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), divulgado em novembro, avaliou que as empresas perdem quase 4,2% do seu faturamento com o problema.<\/p>\n<p>&#8220;A cada ano R$ 130 bilh\u00f5es deixam de ser investidos na produ\u00e7\u00e3o industrial em fun\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no pa\u00eds&#8221;, afirmou \u00e0 BBC Brasil Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da entidade.<\/p>\n<p>A estimativa est\u00e1 baseada em relat\u00f3rio de 2009 do Banco Mundial, com valores corrigidos para 2016. O montante representa o volume que a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o gasta com custos de seguran\u00e7a privada e perdas decorrentes de vandalismo e roubo de carga.<\/p>\n<p>&#8220;A CNI foi estudar isso por causa da produtividade. Como o Estado n\u00e3o entrega o servi\u00e7o de seguran\u00e7a p\u00fablica, voc\u00ea tem empresas que precisam absorver esses custos. Ao inv\u00e9s de investir em uma nova m\u00e1quina, o empres\u00e1rio tem que investir em uma cerca el\u00e9trica, em uma escolta armada. \u00c9 como burocracia, \u00e9 dif\u00edcil se precificar esse custo.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a entidade, a demanda por seguran\u00e7a privada est\u00e1 crescendo &#8211; entre 2004 e 2014, os empregos no setor tiveram uma alta m\u00e9dia de 7,2% ao ano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17111\/production\/_94218449_thinkstockphotos-637649500.jpg?resize=696%2C392\" alt=\"Calculadora\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THINKSTOCK<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Estudos revelam que custo da viol\u00eancia varia de 5,4% a 13,5% da riqueza gerada no pa\u00eds<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Solu\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Cerqueira, do Ipea, concorda com a liga\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia acarreta e uma piora no cen\u00e1rio econ\u00f4mico do pa\u00eds. Para ele, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o a longo prazo.<\/p>\n<p>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o de 1% na taxa de desemprego e evas\u00e3o escolar dos homens jovens, de 15 a 29 anos, contribui para o recuo da taxa de homic\u00eddio de 2,5%&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>Autor do Mapa da Viol\u00eancia, o professor e pesquisador J\u00falio Jacobo Weiselfisz refor\u00e7a essa recomenda\u00e7\u00e3o: &#8220;At\u00e9 hoje a humanidade n\u00e3o inventou melhor forma de mecanismo de inclus\u00e3o social e mitiga\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em um levantamento que relaciona n\u00edvel escolar com a criminalidade, Jacobo concluiu que jovens na faixa de 15 a 19 anos de idade t\u00eam uma taxa de homic\u00eddio de 44 por grupo de cem mil habitantes &#8211; muito superior \u00e0 m\u00e9dia geral de 29.<\/p>\n<p>E dentro desse grupo, a diferen\u00e7a entre os indiv\u00edduos com maior e menor educa\u00e7\u00e3o \u00e9 brutal.<\/p>\n<p>&#8220;Jovens de 15 a 19 anos de idade com 0 a 3 anos de estudo (analfabetos ou com alfabetiza\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria) t\u00eam 4.473% mais chances de morrerem assassinados do que aqueles que t\u00eam pelo menos 12 anos de estudo (finalizaram o Ensino M\u00e9dio ou mais)&#8221;, afirma o estudo.<\/p>\n<p>&#8220;De forma proporcional ao tamanho de ambos os universos, para cada um jovem com estudo superior que \u00e9 v\u00edtima de homic\u00eddio, morrem outros 46 analfabetos&#8221;, completa.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os trabalhos s\u00e3o un\u00e2nimes em apontar que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande caminho de sa\u00edda do crime. A m\u00e9dio e longo prazo, se n\u00e3o tivermos educa\u00e7\u00e3o de qualidade para um grande contingente de pessoas, que est\u00e3o marginalizadas no sistema econ\u00f4mico, a gente n\u00e3o vai dar conta. Somente policiamento e coer\u00e7\u00e3o n\u00e3o adianta&#8221;, diz Cerqueira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marina Wentzel d<\/strong><strong>e Basil\u00e9ia (Su\u00ed\u00e7a) para a BBC Brasil<\/strong><strong> \u2013 dispon\u00edvel na web 08\/02\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o come\u00e7o do ano, mais de 130 pessoas perderam a vida em meio aos conflitos que se multiplicam nos pres\u00eddios, mortes que s\u00e3o apenas o aspecto mais evidente da crise cr\u00f4nica de viol\u00eancia vivida pelo pa\u00eds. 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