{"id":103761,"date":"2025-09-01T04:20:08","date_gmt":"2025-09-01T07:20:08","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=103761"},"modified":"2025-08-31T07:38:00","modified_gmt":"2025-08-31T10:38:00","slug":"como-as-fintechs-mudaram-o-sistema-financeiro-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/09\/01\/como-as-fintechs-mudaram-o-sistema-financeiro-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como as fintechs mudaram o sistema financeiro no Brasil"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Empresas que unem tecnologia e servi\u00e7os financeiros se tornaram parte fundamental da economia brasileira. Mas crescimento tamb\u00e9m exp\u00f4s uso do setor pelo crime organizado e vem alimentado debate sobre maior regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"c17j8gzx rc0m0op r1ebneao s198y7xq rich-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi rcjjkz7 w128axg5 b1fzgn0z\" data-tracking-name=\"rich-text\" data-tracking-skip=\"true\">\n<p>O professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica Jo\u00e3o Almeida nunca pisou em uma ag\u00eancia banc\u00e1ria. Aos 21 anos, gerencia suas contas pelo celular. &#8220;\u00c9 muito mais f\u00e1cil, r\u00e1pido e n\u00e3o preciso me deslocar a alguma ag\u00eancia para fazer qualquer transa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. Assim como ele, milhares de pessoas no Brasil possuem contas em fintechs, empresas que unem tecnologia e servi\u00e7os financeiros, que se tornaram parte fundamental da economia brasileira.<\/p>\n<p>Esse crescimento acelerado da parte digital do sistema banc\u00e1rio, no entanto, imp\u00f5e desafios \u00e0s autoridades. Nesta semana, uma megaopera\u00e7\u00e3o que investigou crimes de organiza\u00e7\u00f5es criminosas revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC)&nbsp;movimentou cerca de R$ 140 bilh\u00f5es em fundos de investimento via fintechs sediadas na Faria Lima, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do uso para crimes financeiros, quest\u00f5es regulat\u00f3rias, seguran\u00e7a de dados e sustentabilidade financeira dessas startups est\u00e3o no centro do debate, em um setor que movimenta bilh\u00f5es e redefine o futuro do sistema banc\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<h4><strong>O que s\u00e3o fintechs<\/strong><\/h4>\n<p>O termo fintech surgiu da combina\u00e7\u00e3o de duas palavras em ingl\u00eas:&nbsp;<em>financial&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>technology<\/em>, e passou a identificar um modelo de empresa que mudou a forma como servi\u00e7os financeiros s\u00e3o oferecidos.<\/p>\n<p>Essas companhias t\u00eam na tecnologia o principal diferencial em rela\u00e7\u00e3o aos bancos tradicionais. Ao digitalizar processos e eliminar camadas de intermedia\u00e7\u00e3o, conseguem oferecer servi\u00e7os menos burocr\u00e1ticos, de f\u00e1cil acesso e, muitas vezes, a custos mais baixos.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno ganhou for\u00e7a na \u00faltima d\u00e9cada, em paralelo \u00e0 expans\u00e3o do acesso \u00e0 internet m\u00f3vel e \u00e0 crescente desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tarifas banc\u00e1rias tradicionais. Entre 2017 e 2023, o n\u00famero de fintechs na Am\u00e9rica Latina passou de 703 para 3.069, uma alta de 340% em apenas seis anos, segundo levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\n<p>O movimento consolida a regi\u00e3o como um dos p\u00f3los mais din\u00e2micos de inova\u00e7\u00e3o financeira no mundo, com um ecossistema que se expandiu rapidamente impulsionado pelo avan\u00e7o da digitaliza\u00e7\u00e3o e pela busca de servi\u00e7os financeiros mais acess\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o ainda desbancarizada.<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Fintechs (ABFintechs), que representa as demandas do setor junto aos \u00f3rg\u00e3os reguladores, atualmente o Brasil conta com 1.481 fintechs, que oferecem mais de 250 milh\u00f5es de contas digitais e geram cerca de 100 mil empregos diretos.<\/p>\n<p>&#8220;As fintechs t\u00eam um papel relevante, auxiliando na inclus\u00e3o e cidadania financeira. De acordo com o BC, 60 milh\u00f5es de pessoas passaram a acessar servi\u00e7os financeiros pela primeira vez por meio de fintechs&#8221;, diz Diego Perez, presidente da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Concorr\u00eancia positiva<\/strong><\/h4>\n<p>Com tal expans\u00e3o, as fintechs passaram a disputar espa\u00e7o com os bancos tradicionais em \u00e1reas como cr\u00e9dito, meios de pagamento, investimentos, seguros, c\u00e2mbio e negocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas. E o impacto \u00e9 vis\u00edvel. Do ponto de vista dos consumidores, essa disputa significou velocidade de opera\u00e7\u00e3o sem tanta burocracia, al\u00e9m do acesso facilitado a servi\u00e7os antes restritos a clientes de alta renda.<\/p>\n<p>Segundo Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, o ambiente altamente concentrado, onde os cinco grandes bancos controlavam cerca de 80% do mercado, abriu espa\u00e7o para que concorrentes oferecessem melhores condi\u00e7\u00f5es aos clientes.<\/p>\n<p>&#8220;As fintechs ajudaram a reduzir tarifas, j\u00e1 que muitas passaram a oferecer pacotes gratuitos. Tamb\u00e9m ampliaram a inclus\u00e3o de cr\u00e9dito, permitindo que pessoas com pouco ou nenhum hist\u00f3rico banc\u00e1rio tivessem acesso a financiamentos. Al\u00e9m disso, a conveni\u00eancia aumentou de forma significativa, pois quase todos os servi\u00e7os passaram a estar dispon\u00edveis diretamente no celular&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O crescimento das fintechs ligou um sinal de alerta nos grandes bancos, trazendo mudan\u00e7as importantes no mercado. O Nubank, por exemplo, uma das maiores fintechs que operam no Brasil, j\u00e1 ocupa a terceira coloca\u00e7\u00e3o em n\u00famero de clientes no pa\u00eds, com cerca de 100 milh\u00f5es, segundo dados do BC, e anunciou um lucro l\u00edquido de cerca de R$ 3,6 bilh\u00f5es no segundo trimestre deste ano &#8211; n\u00famero pr\u00f3ximo aos R$ 3,8 bilh\u00f5es do Banco do Brasil, institui\u00e7\u00e3o secular.<\/p>\n<p>De acordo com Piellusch, com a concorr\u00eancia, a principal linha pressionada dos cinco grandes bancos brasileiros foi a de receitas de tarifas e servi\u00e7os, que perdeu relev\u00e2ncia diante da competi\u00e7\u00e3o de fintechs que oferecem transfer\u00eancias e cart\u00f5es sem custo. Isso obrigou os bancos grandes a reagirem para manter a rentabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, os grandes bancos reagiram refor\u00e7ando \u00e1reas como cr\u00e9dito, seguros e investimentos, setores nos quais ainda t\u00eam escala e relacionamento de longa data com os clientes. Al\u00e9m disso, a digitaliza\u00e7\u00e3o e o fechamento de ag\u00eancias trouxeram ganhos de efici\u00eancia. Mesmo pressionados, os banc\u00f5es brasileiros continuam registrando retornos sobre patrim\u00f4nio (ROEs) acima de 15%, um patamar elevado quando comparado a bancos internacionais&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\"><figcaption class=\"img-caption\"><small class=\"copyright\"><\/small><\/figcaption><\/figure>\n<h4><strong>Regula\u00e7\u00e3o e futuro<\/strong><\/h4>\n<p>Quando a inova\u00e7\u00e3o caminha mais r\u00e1pido do que a regula\u00e7\u00e3o, no entanto, abre-se caminho para que a tecnologia seja mal utilizada, assim como no caso do PCC.<\/p>\n<p>Para o presidente da ABFintechs, apesar do volume da opera\u00e7\u00e3o, os casos registrados ainda s\u00e3o poucos e faz com que o setor trabalhe para deixar claro os benef\u00edcios da concorr\u00eancia no mercado. Al\u00e9m disso,&nbsp;fake news sobre regula\u00e7\u00e3o fizeram com que o poder p\u00fablico atrasasse o projeto de regula\u00e7\u00e3o, dificultando o combate ao crime por meio das fintechs.<\/p>\n<p>&#8220;Houve uma tentativa de fazer a regula\u00e7\u00e3o para que a Receita acompanhasse as movimenta\u00e7\u00f5es no final do ano passado, mas foi objeto de fake news, com parte da pol\u00edtica nacional acusando o governo de querer taxar e perseguir usu\u00e1rios do&nbsp;<a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/por-que-trump-est%C3%A1-mirando-o-pix\/a-73310228\">Pix<\/a>. Por isso, tivemos que esperar uma opera\u00e7\u00e3o policial, o envolvimento do crime orgnaizado para equivaler a obriga\u00e7\u00e3o de bancos e fintech&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda,&nbsp;Fernando Haddad, afirmou, em resposta \u00e0 opera\u00e7\u00e3o policial, que as fintechs ter\u00e3o de cumprir as mesmas regras de transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e prestar os mesmos esclarecimentos sobre movimenta\u00e7\u00f5es financeiras \u00e0 Receita Federal do que grandes bancos.<\/p>\n<p>Dessa forma, as companhias dever\u00e3o ser submetidas \u00e0 supervis\u00e3o do Banco Central (BC) ou da Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM), de acordo com a natureza de suas atividades, como cr\u00e9dito, pagamentos ou investimentos. Nesse cen\u00e1rio, precisam seguir as regras da Circular n\u00ba 3.978\/2020 e da Carta Circular n\u00ba 4.001\/2020, que estabelecem diretrizes de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.<\/p>\n<p>Essas normas determinam, entre outras obriga\u00e7\u00f5es, a comunica\u00e7\u00e3o ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) sempre que forem identificadas opera\u00e7\u00f5es consideradas suspeitas, em conformidade com a Lei n\u00ba 9.613\/1998.<\/p>\n<p>A medida foi vista de forma positiva pelo setor. &#8220;A gente celebra, \u00e9 um passo importante, e \u00e9 uma corre\u00e7\u00e3o, dado que as fintechs come\u00e7aram a surgir no Brasil entre 2015 e 2016, e com essa norma apresentada, se corrige o problema&#8221;, diz Perez.<\/p>\n<p>Para a advogada Erika Nachreiner, especialista no contencioso c\u00edvel banc\u00e1rio, a atua\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva, mas \u00e9 necess\u00e1rio aten\u00e7\u00e3o \u00e0 regula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode ser severa demais, criando barreiras de entrada para novos players, e atrapalhando a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para seguran\u00e7a e confian\u00e7a, mas o excesso pode sufocar a agilidade, a inova\u00e7\u00e3o e a competitividade, prejudicando tanto as fintechs quanto os consumidores&#8221;, diz Nachreiner. &#8220;O equil\u00edbrio entre inova\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a depende de uma regula\u00e7\u00e3o proporcional ao risco, do uso de tecnologia para automatizar processos de compliance, de uma padroniza\u00e7\u00e3o m\u00ednima de procedimentos, da avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de riscos sist\u00eamicos e do di\u00e1logo constante com reguladores&#8221;, completa.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Vinicius Pereira \/&nbsp;<\/strong><strong>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 1\/9\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas que unem tecnologia e servi\u00e7os financeiros se tornaram parte fundamental da economia brasileira. 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