{"id":104177,"date":"2025-09-20T04:10:38","date_gmt":"2025-09-20T07:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=104177"},"modified":"2025-09-20T05:32:00","modified_gmt":"2025-09-20T08:32:00","slug":"a-semana-acaba-e-eu-nem-vejo-pra-voce-o-tempo-tambem-esta-passando-mais-rapido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/09\/20\/a-semana-acaba-e-eu-nem-vejo-pra-voce-o-tempo-tambem-esta-passando-mais-rapido\/","title":{"rendered":"A semana acaba e eu nem vejo. Pra voc\u00ea o tempo tamb\u00e9m est\u00e1 passando mais r\u00e1pido?"},"content":{"rendered":"<header class=\"styles__ContainerHeaderNoticiaBlockStyled-sc-17abcbt-0 hfWkCG\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"container-news-informs\">\n<p><em><strong>Com o piloto autom\u00e1tico ativado para tentar dar conta de tudo, cresce percep\u00e7\u00e3o de acelera\u00e7\u00e3o do tempo. Resgatar fatos do passado pode nos trazer alguns insights sobre essa corrida maluco<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"content\" class=\"styles__ContentWrapperContainerStyled-sc-1ehbu6v-0 iMMgpd content-wrapper -paywall-parent box\">\n<div class=\"styles__ContentWrapperContainerStyled-sc-1ehbu6v-0 iMMgpd content-wrapper news-body container content template-coluna already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"true\">\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">Longe de mim querer que esta coluna pare\u00e7a conversa de elevador, mas que o tempo est\u00e1 passando mais r\u00e1pido est\u00e1\u2026 Nem bem uma semana come\u00e7a, j\u00e1 estamos de novo na sexta-feira. E da\u00ed at\u00e9 a segunda-feira a velocidade parece dobrar.<\/p>\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 gJoYAt\" data-component-name=\"multi-paragraph\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Quando se olha para o ano ent\u00e3o, a sensa\u00e7\u00e3o de acelera\u00e7\u00e3o se intensifica &#8211; quem a\u00ed j\u00e1 viu decora\u00e7\u00f5es de Natal pipocando pela cidade?<\/p>\n<p>Mas o que ser\u00e1 que tem feito o tempo parecer voar nesses \u00faltimos anos? E, por consequ\u00eancia, envelhecermos mais r\u00e1pido?<\/p>\n<p>Uma pista pode estar na ma\u00e7aroca de trabalhos e tarefas em que se transformou nossa rotina. Em vez de viver cada minuto captando o m\u00e1ximo de detalhes, apelamos ao piloto autom\u00e1tico em boa parte do dia para tentar dar conta de tudo &#8211; e esse tudo vira um emaranhado de coisas, em que n\u00e3o conseguimos prestar a aten\u00e7\u00e3o em nada direito e vamos tentando espremer mais e mais itens na agenda.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">Acompanhando tudo isso, temos sempre nas m\u00e3os o celular &#8211; e, com ele, poderosos ladr\u00f5es de foco e aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;Ao monopolizarem momentos vazios, as redes sociais bombardeiam o \u00f3cio e, em consequ\u00eancia, nossa percep\u00e7\u00e3o temporal. Dizem especialistas que, quanto mais fatos e notifica\u00e7\u00f5es nossos sentidos percebem, mais eficaz se torna a ferramenta de acelera\u00e7\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">Da\u00ed a mergulharmos num dia infinito de trabalho \u00e9 um passo. Assim como numa semana de trabalho infinito, num m\u00eas de trabalho infinito e por a\u00ed vai. Lembrando, por\u00e9m, que esse mundo r\u00e1pido demais tamb\u00e9m costuma mandar a fatura em algum momento para nosso corpo e nossa mente.<\/p>\n<div class=\"styles__Container-sc-1kqto0p-0 bdIUun\" title=\"Viver S\u00e3o Paulo\">\n<div class=\"warning\">Para se ter uma ideia de qu\u00e3o impactante \u00e9 essa quest\u00e3o do tempo, vale voltar alguns s\u00e9culos na hist\u00f3ria.<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">\u201cNo final da Idade M\u00e9dia, ostentar o controle das horas era uma forma de ostentar poder e riqueza\u201d, conta o professor da USP e colunista do&nbsp;Estad\u00e3o&nbsp;Eug\u00eanio Bucci&nbsp;no cap\u00edtulo O tempo que n\u00e3o tem tempo, do livro&nbsp;<em>A superind\u00fastria do imagin\u00e1rio: Como o capital transformou o olhar em trabalho e se apropriou de tudo o que \u00e9 vis\u00edvel<\/em>&nbsp;(Editora Aut\u00eantica). \u201cComo disse o historiador franc\u00eas Jacques Le Golf: \u2018As medidas &#8211; de tempo e espa\u00e7o &#8211; s\u00e3o um instrumento de domina\u00e7\u00e3o social de especial import\u00e2ncia. (&#8230;) Quem for seu senhor refor\u00e7a de modo muito especial o seu poder sobre a sociedade\u2019.\u201d<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">Segundo Bucci, o conceito de tempo muda conforme a civiliza\u00e7\u00e3o e o idioma. Nas l\u00ednguas primitivas, por exemplo, n\u00e3o havia grandes varia\u00e7\u00f5es de tempos verbais. S\u00f3 mais tarde, com as l\u00ednguas indo-europeias, as distin\u00e7\u00f5es entre passado, presente e futuro se desenvolveram plenamente.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">Com o avan\u00e7o da t\u00e9cnica, destaca Bucci, \u201cas m\u00e1quinas de contar minutos se sofisticaram e se disseminaram\u201d e logo se \u201cassociaram \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d. N\u00e3o por acaso em 1871 revolucion\u00e1rios da Comuna de Paris atiravam contra rel\u00f3gios p\u00fablicos para indicar que queriam ser donos do pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">At\u00e9 o final do s\u00e9culo 19, no entanto, n\u00e3o havia sistemas de padroniza\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios em diferentes locais. \u201cCada cidade tinha o seu hor\u00e1rio. Cada f\u00e1brica tinha seus ponteiros para registrar a passagem das horas, mais ou menos aferidas. Mesmo dentro da mesma cidade, os hor\u00e1rios n\u00e3o obedeciam a uma centraliza\u00e7\u00e3o r\u00edgida\u201d, escreve Bucci. \u201cDepois, com o adensamento das esta\u00e7\u00f5es de trem e do tr\u00e1fego nas linhas ferrovi\u00e1rias, outra m\u00e1quina do tempo foi necess\u00e1ria: aquela que coordenava os rel\u00f3gios entre si. Somente em 1912, em Paris, foi celebrado o acordo estabelecendo a ado\u00e7\u00e3o mundial dos fusos hor\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 gJoYAt\" data-component-name=\"multi-paragraph\">\n<div class=\"hide-on-mobilehide-on-tablet ads-container\">\n<div class=\"styles__Container-sc-1v8tg5g-0 kdBSPY\">\n<p class=\"ads-placeholder-label\">J\u00e1 no final do s\u00e9culo 20, na d\u00e9cada de 1990, a empresa su\u00ed\u00e7a Swatch patenteou o Internet Time, um sistema privado de universaliza\u00e7\u00e3o da contagem do tempo. \u201cO Internet Time funciona em outra base num\u00e9rica: em lugar das 24 horas, o dia \u00e9 dividido em 1.000 beats, cada um deles correspondendo a 1 minuto e 26,4 segundos. De acordo com o modelo da Swatch, os fusos podem ser esquecidos, pois todos os lugares do mundo marcariam o mesm\u00edssimo hor\u00e1rio, a despeito de ser dia ou noite l\u00e1 ou acol\u00e1.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<p>Isso \u00e9 fundamental para os neg\u00f3cios transnacionais e, num sistema em que \u201ctempo \u00e9 dinheiro\u201d, os turnos sem interrup\u00e7\u00f5es &#8211; com ordens do chefe chegando a qualquer hora do dia &#8211; se tornaram os mais lucrativos. Mas trouxe tamb\u00e9m outros resultados, incluindo o cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto o futuro \u00e9 cada vez mais um tempo hist\u00f3rico sempre postergado, o presente se acelera, \u00e9 mais escasso e n\u00e3o entrega descanso a ningu\u00e9m\u201d, resume Bucci.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">Para o professor da USP, se antes na modernidade o homem foi instado a se moldar ao ritmo acelerado da m\u00e1quina, agora na supermodernidade o ritmo em constante acelera\u00e7\u00e3o da tecnologia \u201chumilha a lentid\u00e3o org\u00e2nica do corpo humano, que se sente em d\u00e9ficit de produtividade, permanentemente deslocado\u201d.<\/p>\n<p class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu \" data-component-name=\"paragraph\">\u201cO que vivemos \u00e9 parecido com o \u2018dia da marmota\u2019 da lenda da Am\u00e9rica do Norte, na qual a primavera \u00e9 adiada e o inverno n\u00e3o acaba: um dia \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do outro, e o futuro n\u00e3o chega.\u201d<\/p>\n<div class=\"styles__MultiParagraphAdStyled-sc-1yb8ue6-0 gJoYAt\" data-component-name=\"multi-paragraph\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>N\u00e3o estranha, portanto, as semanas e meses e anos estarem acabando t\u00e3o r\u00e1pido.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Luciana Garbin \/ O Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 20\/9\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o piloto autom\u00e1tico ativado para tentar dar conta de tudo, cresce percep\u00e7\u00e3o de acelera\u00e7\u00e3o do tempo. 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