{"id":104418,"date":"2025-10-02T04:15:13","date_gmt":"2025-10-02T07:15:13","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=104418"},"modified":"2025-10-01T19:08:23","modified_gmt":"2025-10-01T22:08:23","slug":"observatorio-de-analise-politica-em-saude-entrevista-com-clemente-ganz-lucio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/10\/02\/observatorio-de-analise-politica-em-saude-entrevista-com-clemente-ganz-lucio\/","title":{"rendered":"Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade: Entrevista com Clemente Ganz L\u00facio"},"content":{"rendered":"<p>Soci\u00f3logo com gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), coordenador do F\u00f3rum das Centrais Sindicais, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social Sustent\u00e1vel (CDESS) e enviado especial na \u00e1rea de trabalho na COP 30, Clemente Ganz L\u00facio \u00e9 o entrevistado do m\u00eas de setembro do Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS).<\/p>\n<p>A entrevista destaca aspectos da agenda do movimento sindical na atualidade, entre eles a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e o fim da escala 6\u00d71, a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo e a corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda; e aborda os desafios do movimento sindical diante das profundas transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho, o que, na avalia\u00e7\u00e3o do consultor sindical, implica na reorganiza\u00e7\u00e3o da pauta dos sindicatos e das formas de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_83996\" aria-describedby=\"caption-attachment-83996\" style=\"width: 284px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-83996 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/transferir.jpg?resize=284%2C177\" alt=\"\" width=\"284\" height=\"177\"><figcaption id=\"caption-attachment-83996\" class=\"wp-caption-text\">CLEMENTE GANZ \u00e9<br \/>Soci\u00f3logo formado pela PUC-SP, \u00e9 coordenador do F\u00f3rum das Centrais Sindicais, membro do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (CDESS) e do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil. Foi diretor t\u00e9cnico do DIEESE entre 2004 e 2020. Tem longa trajet\u00f3ria na defesa dos direitos dos trabalhadores, do desenvolvimento sustent\u00e1vel e da justi\u00e7a social.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O ex-diretor t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (DIEESE), que coordenou o GT Trabalho na equipe de transi\u00e7\u00e3o do governo Lula\/Alckmin, tamb\u00e9m aponta caminhos frente ao aumento significativo de doen\u00e7as ocupacionais, ressaltando a import\u00e2ncia da prioriza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da seguran\u00e7a no trabalho. Outro tema central da entrevista s\u00e3o as pol\u00edticas e mecanismos necess\u00e1rios para garantia de direitos em um cen\u00e1rio marcado por novas formas de inser\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, muitas delas mediadas por plataforma digitais \u2013 \u201ctodas elas, ou a grande maioria delas, sem prote\u00e7\u00e3o social, sem prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, sem prote\u00e7\u00e3o trabalhista e sem prote\u00e7\u00e3o sindical, conformando um grande contingente [\u2026] que est\u00e1 desprotegido em todas essas dimens\u00f5es\u201d. Ganz L\u00facio enfatiza: \u201c\u00c9 importante que n\u00f3s consideremos que em todas essas situa\u00e7\u00f5es [trabalhador aut\u00f4nomo, empreendedor ou plataformizado] h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho e essa rela\u00e7\u00e3o de trabalho precisa ser protegida do ponto de vista dos direitos trabalhistas, da Previd\u00eancia e do direito sindical\u201d. Boa leitura!<\/p>\n<p><strong>Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS): Voc\u00ea tem destacado que o Brasil vive um processo de \u201cgrandes transi\u00e7\u00f5es\u201d (tecnol\u00f3gica, clim\u00e1tica, demogr\u00e1fica e geopol\u00edtica). Nesse contexto, quais estrat\u00e9gias s\u00e3o necess\u00e1rias para que estas transi\u00e7\u00f5es n\u00e3o intensifiquem as desigualdades no mundo do trabalho e constituam oportunidades de justi\u00e7a social?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Clemente Ganz L\u00facio:<\/strong>&nbsp;Est\u00e3o em curso profundas mudan\u00e7as no mundo do trabalho decorrentes de grandes transi\u00e7\u00f5es: a transi\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, trazendo desafios do ponto de vista ambiental; a transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, na qual a sociedade envelhece e ao mesmo tempo tem menos filhos; a transi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, com os impactos do tarifa\u00e7o e o reposicionamento das empresas ao longo dos territ\u00f3rios no planeta; a transi\u00e7\u00e3o da democracia, com novas formas de participa\u00e7\u00e3o e de press\u00e3o pol\u00edtica; e a transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, que traz desafios do ponto de vista da inova\u00e7\u00e3o, da intelig\u00eancia artificial, da rob\u00f3tica, e assim por diante. Tudo isso atinge o mundo do trabalho de maneira muito extensa em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de postos de trabalho, destruindo postos e criando novas ocupa\u00e7\u00f5es, muitas delas extremamente prec\u00e1rias, vulner\u00e1veis, flex\u00edveis e inseguras, sem prote\u00e7\u00e3o trabalhista, previdenci\u00e1ria e sindical.<\/p>\n<p>O grande desafio do movimento sindical \u00e9 compreender qual \u00e9 a tend\u00eancia que essas transi\u00e7\u00f5es trazem para o mundo do trabalho, colocar esses elementos como elementos cr\u00edticos para formular a estrat\u00e9gia sindical e trazer os trabalhadores e as trabalhadoras para a formula\u00e7\u00e3o da pauta. Portanto, [compreender] quais s\u00e3o as demandas, as reivindica\u00e7\u00f5es e as propostas diante dessas profundas transforma\u00e7\u00f5es e transformar isso em processo de organiza\u00e7\u00e3o sindical capaz de manifestar e demonstrar o interesse dos trabalhadores e das trabalhadoras em rela\u00e7\u00e3o a cada uma das pautas que est\u00e3o relacionadas a essas grandes transi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m, evidente, o preparo para as negocia\u00e7\u00f5es coletivas e a elabora\u00e7\u00e3o de propostas do ponto de vista dos direitos trabalhistas, da prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e da condi\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho. Tudo isso implica, portanto, em uma reorganiza\u00e7\u00e3o da pauta sindical, uma reorganiza\u00e7\u00e3o da forma de mobiliza\u00e7\u00e3o e pensar a organiza\u00e7\u00e3o sindical a partir dessas novas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS): Segundo dados do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social, em 2024 mais de 440 mil trabalhadores e trabalhadoras se afastaram de suas fun\u00e7\u00f5es por transtornos mentais e comportamentais no Brasil \u2013 um aumento de 67% em compara\u00e7\u00e3o a 2023. Qual o papel das pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda para enfrentamento desse quadro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Clemente Ganz L\u00facio:<\/strong>&nbsp;As grandes transi\u00e7\u00f5es que ocorrem no mundo do trabalho, especialmente aquelas decorrentes da emerg\u00eancia clim\u00e1tica e da transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, t\u00eam impactado de forma muito severa as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumentando a press\u00e3o, com novas formas de gest\u00e3o e de coer\u00e7\u00e3o do trabalhador e da trabalhadora no seu posto de trabalho. [Tamb\u00e9m], o desafio das metas, da produtividade, da escala do trabalho, das jornadas cada vez mais extensas, especialmente daqueles trabalhadores fora do sistema de prote\u00e7\u00e3o formal da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Tudo isso tem aumentado de maneira muito expressiva as doen\u00e7as psicossociais, os transtornos mentais, que t\u00eam impactado a condi\u00e7\u00e3o de vida e a condi\u00e7\u00e3o de trabalho de milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras em todo o planeta.<\/p>\n<p>Os estudos mostram o aumento significativo das doen\u00e7as ocupacionais decorrentes dessas formas de press\u00e3o sobre o mundo do trabalho. E isso tem colocado um desafio muito importante para o movimento sindical. Primeiro, colocar a quest\u00e3o da sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho como uma pauta priorit\u00e1ria; destacar quais s\u00e3o as pautas que os trabalhadores e as trabalhadoras apresentam para enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o; promover estudos capazes de compreender os impactos que essas condi\u00e7\u00f5es de trabalho t\u00eam sobre a condi\u00e7\u00e3o de vida e de sa\u00fade do trabalhador e da trabalhadora; e propor medidas que fa\u00e7am a revers\u00e3o dessa condi\u00e7\u00e3o de trabalho. Atuar no sentido de alterar as condi\u00e7\u00f5es que exercem essa press\u00e3o e, portanto, provocam esse tipo de transtorno, esse problema em termos de sa\u00fade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u201cOs estudos mostram o aumento significativo das doen\u00e7as ocupacionais decorrentes dessas formas de press\u00e3o sobre o mundo do trabalho. E isso tem colocado um desafio muito importante para o movimento sindical\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um grande desafio. Evidente que se isso tudo for enfrentado de maneira adequada, n\u00f3s poder\u00edamos ter uma nova agenda sindical se conformando, se estruturando, que ter\u00e1 impacto sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, as condi\u00e7\u00f5es salariais, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, as melhores formas de remunera\u00e7\u00e3o, a qualidade do emprego.<\/p>\n<p>Tudo isso poder\u00e1 ter um impacto positivo sobre essa condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, melhorando, portanto, o ambiente de trabalho e tamb\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o de vida dos trabalhadores e das trabalhadoras.<\/p>\n<p><strong>Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS): Diante do crescimento de novas formas de trabalho, como plataformas digitais e empreendedorismo individual, que modelo de prote\u00e7\u00e3o social voc\u00ea enxerga como necess\u00e1rio para que esses trabalhadores e trabalhadoras tenham seus direitos garantidos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Clemente Ganz L\u00facio:<\/strong>&nbsp;As novas tecnologias t\u00eam ampliado a possibilidade de novas formas de inser\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, especialmente o trabalho mediado por plataforma digitais, que tem gerado in\u00fameras formas de ocupa\u00e7\u00e3o e de inser\u00e7\u00e3o na vida laboral, saindo daquela vertente estruturante do assalariamento com carteira de trabalho. Portanto, trabalho aut\u00f4nomo, por conta pr\u00f3pria, empreendedorismo, todo o trabalho plataformizado, t\u00eam gerado novas formas de ocupa\u00e7\u00e3o, todas elas, ou a grande maioria delas, sem prote\u00e7\u00e3o social, sem prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, sem prote\u00e7\u00e3o trabalhista e sem prote\u00e7\u00e3o sindical, conformando um grande contingente \u2013 hoje quase metade da for\u00e7a de trabalho no Brasil \u2013 que est\u00e1 desprotegido em todas essas dimens\u00f5es. E o que n\u00f3s temos como desafio \u00e9 imaginar, do ponto de vista da cria\u00e7\u00e3o, quais s\u00e3o as pol\u00edticas e os mecanismos que estender\u00e3o a esses trabalhadores e trabalhadoras os direitos equivalentes a um trabalhador assalariado com carteira de trabalho assinada.<\/p>\n<p>Um trabalhador empreendedor individual, aut\u00f4nomo por conta pr\u00f3pria, trabalhador em plataforma digital, deve ter os mesmos direitos ou direitos equivalentes a um trabalhador que tem carteira de trabalho assinada, como piso salarial, jornada de trabalho, direito a afastamento diante de um problema de sa\u00fade ou da gravidez, direito a aposentadoria e outros benef\u00edcios que s\u00e3o cl\u00e1ssicos de um processo de distribui\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza gerada pelo trabalho que todos realizam. E pol\u00edticas p\u00fablicas que sejam capazes de atender todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras no momento do afastamento, como seguro-desemprego ou um mecanismo equivalente, e a prote\u00e7\u00e3o da renda na aposentadoria, diante de algum infort\u00fanio no trabalho ou da maternidade.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u201cUm trabalhador empreendedor individual, aut\u00f4nomo por conta pr\u00f3pria, trabalhador em plataforma digital, deve ter os mesmos direitos ou direitos equivalentes a um trabalhador que tem carteira de trabalho assinada\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>Isso tudo s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es que precisar\u00e3o ser feitas daqui para frente, compreendendo que essas formas de ocupa\u00e7\u00e3o est\u00e3o muito mais presentes e estruturadas nesse mercado de trabalho diverso, o que exige, portanto, uma resposta para atender as mesmas expectativas dos trabalhadores e das trabalhadoras, que \u00e9 ter boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e as prote\u00e7\u00f5es correspondentes e adequadas.<\/p>\n<p><strong>Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS): Em suas an\u00e1lises, voc\u00ea argumenta que o desafio em torno da reforma trabalhista aprovada em 2017 vai al\u00e9m de sua revoga\u00e7\u00e3o, passando pela necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma regula\u00e7\u00e3o atenta aos desafios do cen\u00e1rio atual. Quais princ\u00edpios devem guiar essa nova regulamenta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Clemente Ganz L\u00facio:<\/strong>&nbsp;A reforma trabalhista, na verdade, uma destrui\u00e7\u00e3o do direito do trabalho feita em 2017, flexibilizou formas de contrata\u00e7\u00e3o, jornada de trabalho, fragilizou o movimento sindical, diminuiu o poder de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, tudo isso na linha de uma flexibiliza\u00e7\u00e3o que gerou maior desprote\u00e7\u00e3o, maior afastamento das prote\u00e7\u00f5es trabalhistas, previdenci\u00e1rias, sociais e sindicais.<\/p>\n<p>O grande desafio \u00e9 olhar, em um contexto de mudan\u00e7as no mundo do trabalho, de que maneira n\u00f3s vamos gerar, para essas novas formas de ocupa\u00e7\u00e3o e de presen\u00e7a no trabalho, as prote\u00e7\u00f5es equivalentes \u00e0quelas dos trabalhadores que est\u00e3o no setor p\u00fablico e no setor privado com as prote\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, trabalhistas, sindical, efetivas no seu dia a dia.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, ter condi\u00e7\u00f5es de criar uma forma de organiza\u00e7\u00e3o sindical que permita que esses trabalhadores que n\u00e3o s\u00e3o assalariados cl\u00e1ssicos, mas t\u00eam uma demanda, uma pauta, desejam ter uma organiza\u00e7\u00e3o sindical, possam faz\u00ea-lo de maneira inovadora. E, a partir dessa organiza\u00e7\u00e3o sindical, apresentar suas reivindica\u00e7\u00f5es em termos salariais, de sa\u00fade e seguran\u00e7a, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, jornada de trabalho, piso salarial, e isso tudo se transformar numa a\u00e7\u00e3o sindical que possa, de um lado, regular por meio das pol\u00edticas p\u00fablicas, com instrumentos capazes de gerar prote\u00e7\u00e3o a todos esses trabalhadores e trabalhadoras, e de outro, uma organiza\u00e7\u00e3o que represente os interesses desses trabalhadores diante das empresas e organiza\u00e7\u00f5es com os quais eles se relacionam de maneira aut\u00f4noma, por conta pr\u00f3pria, como empreendedor ou como um trabalhador plataformizado.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que n\u00f3s consideremos que em todas essas situa\u00e7\u00f5es h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho e essa rela\u00e7\u00e3o de trabalho precisa ser protegida do ponto de vista dos direitos trabalhistas, da Previd\u00eancia e do direito sindical. Temos que criar essas formas, esse \u00e9 o grande desafio, essa \u00e9 a grande agenda que o movimento sindical tem daqui para frente.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u201c\u00c9 importante que n\u00f3s consideremos que em todas essas situa\u00e7\u00f5es [trabalhador aut\u00f4nomo, empreendedor ou plataformizado] h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho e essa rela\u00e7\u00e3o de trabalho precisa ser protegida do ponto de vista dos direitos trabalhistas, da Previd\u00eancia e do direito sindical<\/span><\/em>\u201d<\/p>\n<p><strong>Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS): A pandemia de Covid-19 escancarou as desigualdades no mundo do trabalho. Quais li\u00e7\u00f5es o sindicalismo brasileiro pode tirar desse per\u00edodo? Voc\u00ea percebe uma renova\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias sindicais para enfrentar os novos desafios e transforma\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Clemente Ganz L\u00facio:<\/strong>&nbsp;As desigualdades se agravaram de fato a partir da coroa da crise sanit\u00e1ria da Covid-19 porque ela explicitou as perversas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e na verdade ajudou a expandir, do ponto de vista da condi\u00e7\u00e3o de trabalho, as novas formas mediadas por plataformas e aplicativos, o que ampliou a presen\u00e7a no mundo do trabalho de maneira flex\u00edvel, sem as prote\u00e7\u00e3o adequadas. Isso amplia a desprote\u00e7\u00e3o, a vulnerabilidade, as desigualdades, e o que o movimento sindical vem fazendo \u00e9 procurar estabelecer as agendas que permitam fazer esse enfrentamento.<\/p>\n<p>Por exemplo, de um lado, o movimento sindical, no novo governo do presidente Lula, recolocou a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, permitindo o crescimento acima da infla\u00e7\u00e3o, portanto, com aumentos reais, e o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 um grande instrumento na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades econ\u00f4micas a partir do mundo do trabalho.<\/p>\n<p>A outra demanda apresentada pelas centrais foi termos uma corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda, fazendo com que uma parcela cada vez maior dos trabalhadores e trabalhadoras tivesse isen\u00e7\u00e3o na contribui\u00e7\u00e3o. O projeto que est\u00e1 no Congresso Nacional que isenta a contribui\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda [para quem recebe] at\u00e9 R$ 5 mil \u00e9 uma proposta que as centrais apresentaram e tem um impacto importante do ponto de vista da redu\u00e7\u00e3o da desigualdade e da justi\u00e7a tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras pautas como, por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e o fim da escala 6\u00d71, que tem um impacto importante sobre a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, propiciando melhores condi\u00e7\u00f5es para que eles possam desenvolver outras dimens\u00f5es da sua vida, seja no conv\u00edvio familiar, seja na forma\u00e7\u00e3o, na cultura, no lazer, e assim por diante.<\/p>\n<p>As pautas que o movimento sindical tem apresentado para redu\u00e7\u00e3o das desigualdades s\u00e3o in\u00fameras, entre elas as pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda, a melhoria no padr\u00e3o e na pol\u00edtica do Bolsa Fam\u00edlia, que foi reestruturado tamb\u00e9m com uma proposta apresentada pelas centrais. A pol\u00edtica que agora tamb\u00e9m est\u00e1 em implementa\u00e7\u00e3o e que precisa ganhar cada vez mais presen\u00e7a na agenda sindical, a igualdade salarial entre homens e mulheres, e tantas outras propostas que as centrais sindicais t\u00eam apresentado ao governo e levado para as negocia\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n<p><strong>Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS): O fim da escala 6X1 ocupou um lugar de destaque no debate p\u00fablico recentemente, mobilizando diversos segmentos e ganhando repercuss\u00e3o nas redes sociais. De que forma o tema pode ajudar o movimento sindical a reinventar sua atua\u00e7\u00e3o diante de novas quest\u00f5es e necessidades? Por outro lado, como os sindicatos podem contribuir para o avan\u00e7o dessa pauta?<\/strong><\/p>\n<h5><strong>Clemente Ganz L\u00facio:<\/strong> O sindicalismo no Brasil tem como pauta a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio e tamb\u00e9m o fim da escala 6\u00d71, que \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o da jornada, propondo, no m\u00ednimo, uma escala 5\u00d72: 5 dias de trabalho, 2 dias de descanso. Esse \u00e9 um assunto que est\u00e1 em debate no Congresso Nacional (na C\u00e2mara dos Deputados e no Senado Federal). O movimento sindical tem atuado no sentido do convencimento dos parlamentares sobre a import\u00e2ncia de termos o projeto de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e do fim da escala 6\u00d71 aprovado; de outro lado, a agenda se faz presente tamb\u00e9m nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas.&nbsp;<\/h5>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u201cO movimento sindical tem atuado no sentido do convencimento dos parlamentares sobre a import\u00e2ncia de termos o projeto de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e do fim da escala 6\u00d71 aprovado\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>Em muitas negocia\u00e7\u00f5es coletivas, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho j\u00e1 foi tratada e reduzida, muitas categorias trabalham com jornada de 40 horas semanais. Muitas reorganizaram sua escala de trabalho para uma escala 5\u00d72. H\u00e1 tamb\u00e9m uma escala de trabalho do home office, o telepresencial.<\/p>\n<p>Portanto, essa agenda tamb\u00e9m se faz presente nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas e tudo isso contribui para que essa pauta avance, seja na negocia\u00e7\u00e3o coletiva, seja na negocia\u00e7\u00e3o de um projeto de lei que normatize, do ponto de vista legislativo, o limite da jornada de trabalho que o movimento sindical prop\u00f5e.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:&nbsp;<\/strong><strong>In\u00eas Costal e Patr\u00edcia Concei\u00e7\u00e3o \/ Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 2\/10\/2025<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soci\u00f3logo com gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), coordenador do F\u00f3rum das Centrais Sindicais, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social Sustent\u00e1vel (CDESS) e enviado especial na \u00e1rea de trabalho na COP 30, Clemente Ganz L\u00facio \u00e9 o entrevistado do m\u00eas de setembro do Observat\u00f3rio de An\u00e1lise Pol\u00edtica em Sa\u00fade (OAPS). 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