{"id":104759,"date":"2025-10-20T03:20:37","date_gmt":"2025-10-20T06:20:37","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=104759"},"modified":"2025-10-19T18:51:05","modified_gmt":"2025-10-19T21:51:05","slug":"o-que-levou-os-correios-a-maior-crise-da-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/10\/20\/o-que-levou-os-correios-a-maior-crise-da-sua-historia\/","title":{"rendered":"O que levou os Correios \u00e0 maior crise da sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Com preju\u00edzos bilion\u00e1rios e perda de relev\u00e2ncia, a estatal que durante s\u00e9culos conectou o Brasil enfrenta uma encruzilhada entre obsolesc\u00eancia, concorr\u00eancia e papel social.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"a1amioo0 cl16rh cl16rh rdrhdio hh5424a advertisement\">\n<div id=\"dw_d_article_top\" class=\"rps7s0t gpt-slot\">Mais do que uma empresa de log\u00edstica, os Correios cumprem uma fun\u00e7\u00e3o social e p\u00fablica de integra\u00e7\u00e3o nacional, levando correspond\u00eancias, medicamentos e documentos a locais onde a atua\u00e7\u00e3o comercial do setor privado n\u00e3o seria economicamente vi\u00e1vel. Em cidades pequenas e regi\u00f5es isoladas, o carteiro \u00e9, muitas vezes, o \u00fanico representante vis\u00edvel do Estado.&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"c17j8gzx rc0m0op r1ebneao s198y7xq rich-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi rcjjkz7 w128axg5 b1fzgn0z\" data-tracking-name=\"rich-text\" data-tracking-skip=\"true\">\n<p>Esse s\u00edmbolo da integra\u00e7\u00e3o brasileira, por\u00e9m, passa pela maior crise da sua hist\u00f3ria, em meio ao aumento da concorr\u00eancia privada, m\u00e1 gest\u00e3o e uma necessidade de atender a todos os munic\u00edpios brasileiros que, em sua grande maioria, n\u00e3o d\u00e3o lucro \u00e0 empresa. Agora, a estatal negocia um empr\u00e9stimo de R$ 20 bilh\u00f5es, com garantia do Tesouro Nacional, para custear as opera\u00e7\u00f5es e tentar se reerguer ap\u00f3s anos seguidos de d\u00e9ficits no balan\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Pedir um empr\u00e9stimo quase do tamanho da pr\u00f3pria receita \u00e9 como tomar um rem\u00e9dio que pode matar o paciente\u2026\u00e9, na pr\u00e1tica, um socorro estatal para adiar o colapso&#8221;, avalia Carlos Honorato, mestre em administra\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e professor da FIA Business School.<\/p>\n<p>Procurados, os Correios informaram que a opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 desenhada &#8220;para permitir a execu\u00e7\u00e3o integral do plano de reestrutura\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea equil\u00edbrio financeiro j\u00e1 a partir de 2027&#8221;.<\/p>\n<h5><strong>Crise sem fim<\/strong><\/h5>\n<p>A necessidade de capital para financiar a opera\u00e7\u00e3o dos Correios ocorre ap\u00f3s anos seguidos operando no vermelho. A DW analisou os \u00faltimos cinco balan\u00e7os da empresa: ap\u00f3s o&nbsp;<em>boom<\/em>&nbsp;do e-commerce dar lucros seguidos em 2020 e 2021, a companhia passou a amargar preju\u00edzos seguidos nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Apenas em 2024, o preju\u00edzo dos Correios quadruplicou na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, chegando a R$ 2,5 bilh\u00f5es. J\u00e1 nos seis primeiros meses deste ano, o preju\u00edzo avan\u00e7ou a 4,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, o quadro de estresse financeiro ocorre por diversos motivos. Um deles \u00e9 a queda nos envios de cartas, onde os Correios possuem exclusividade, e no aumento da competi\u00e7\u00e3o pelas entregas de compras feitas de forma online \u2013 nicho com melhores margens.<\/p>\n<p>&#8220;A digitaliza\u00e7\u00e3o reduziu a correspond\u00eancia tradicional a apenas 14% do faturamento, um nicho irrelevante num mundo de e-mails e mensagens instant\u00e2neas. Mas o golpe fatal veio da concorr\u00eancia no e-commerce: gigantes como Mercado Livre, Loggi e Amazon criaram redes pr\u00f3prias, tomando market share e acelerando o decl\u00ednio&#8221;, afirma Honorato.<\/p>\n<h5><strong>Monop\u00f3lio sim, mas pequeno<\/strong><\/h5>\n<p>De acordo com a Lei n\u00ba 6.538\/1978, que regula os servi\u00e7os postais no Brasil, os Correios mant\u00eam o monop\u00f3lio legal apenas sobre o envio de cartas pessoais e comerciais, cart\u00f5es-postais e correspond\u00eancias agrupadas (malotes).<\/p>\n<p>J\u00e1 o envio de encomendas e servi\u00e7os de log\u00edstica de pacotes n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0 exclusividade estatal e pode ser explorado por empresas privadas, setor que hoje concentra as atividades mais rent\u00e1veis do mercado postal.<\/p>\n<p>&#8220;A isso somam-se decis\u00f5es gerenciais ruins, cortes em investimentos, frota sucateada e um passivo trabalhista que j\u00e1 beira R$ 700 milh\u00f5es em 2025. \u00c9 uma empresa que gasta mais com processos do que com inova\u00e7\u00e3o&#8221;, completa Honorato.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Carteiro do Correios coloca encomendas em moto\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/74395296_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Carteiro do Correios coloca encomendas em moto\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Correios enfrentam concorr\u00eancia pesada nas entregas de comprasFoto: rafapress\/Depositphotos\/IMAGO<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, a necessidade de demiss\u00f5es volunt\u00e1rias, venda de ativos ociosos e empr\u00e9stimos. Para o novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, no cargo h\u00e1 menos de um m\u00eas, a inje\u00e7\u00e3o de capital busca resolver os gargalos da queda de competitividade e, consequentemente, da perda de clientes, impactando a sa\u00fade financeira da companhia.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa empresa n\u00e3o se adaptou de forma \u00e1gil a uma nova realidade e isso fez com que a gente sofresse em termos de resultados, de gera\u00e7\u00e3o de caixa e da opera\u00e7\u00e3o em si. Ent\u00e3o, nos \u00faltimos anos, o que vem acontecendo na empresa \u00e9 que a perda de competitividade vem fazendo com que a gente tenha perda de receitas&#8221;, disse Rondon \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Para Ana Lucia Pinto Silva, professora de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o socorro deve ser feito em conjunto com uma reformula\u00e7\u00e3o das atividades para que a empresa n\u00e3o tenha apenas um al\u00edvio paliativo.<\/p>\n<p>&#8220;Por exemplo, considerando que o empr\u00e9stimo \u00e9 de R$ 20 bilh\u00f5es e aplicando uma taxa de juros de 15% ao ano, mesmo em um cen\u00e1rio otimista, isso representaria uma despesa financeira adicional de cerca de R$ 2 bilh\u00f5es por ano, explica. Esse valor, acrescenta ele, se somaria ao preju\u00edzo e ao d\u00e9ficit operacional que a empresa j\u00e1 acumula anualmente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Apesar dos desafios, a iniciativa do governo em buscar uma solu\u00e7\u00e3o para a crise, \u00e9 vista com bons olhos pelos representantes dos trabalhadores dos Correios.<\/p>\n<p>Emerson Marinho, dirigente da federa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores dos Correios (Fentect), cita que os Correios foram prejudicados por decis\u00f5es pol\u00edticas e administrativas adotadas nos \u00faltimos anos, incluindo o imposto de importa\u00e7\u00e3o que ficou conhecido como &#8220;taxa das blusinhas&#8221;, que afetou diretamente as receitas provenientes do desembara\u00e7o aduaneiro de encomendas internacionais, al\u00e9m das mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, que favoreceram concorrentes privados.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o completamente diferente competir com empresas de log\u00edstica que n\u00e3o oferecem garantias trabalhistas ou direitos sociais aos seus empregados, ao contr\u00e1rio do que ocorre com os Correios, cuja estrutura mant\u00e9m todos os v\u00ednculos e responsabilidades previstos em lei&#8221;, afirma.<\/p>\n<h5><strong>Fun\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/h5>\n<p>Para al\u00e9m dos desafios comuns a uma grande empresa, os Correios t\u00eam ainda a obriga\u00e7\u00e3o constitucional e legal de garantir o servi\u00e7o postal universal, ou seja, entregas regulares e acess\u00edveis em todo o territ\u00f3rio nacional, independentemente de lucro.<\/p>\n<p>Isso significa que a empresa deve operar at\u00e9 mesmo em locais onde a atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria economicamente vi\u00e1vel para transportadoras privadas, como comunidades ribeirinhas, \u00e1reas rurais da Amaz\u00f4nia ou vilarejos no Brasil profundo, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;A manuten\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o postal universal tem um custo estimado em cerca de R$ 6 bilh\u00f5es, explica. Desse total, os Correios arcam com aproximadamente R$ 4,3 bilh\u00f5es por conta pr\u00f3pria para garantir que o servi\u00e7o chegue a todo o territ\u00f3rio nacional \u2013 uma obriga\u00e7\u00e3o legal e institucional da empresa&#8221;, diz Marinho.<\/p>\n<p>Especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes em apontar os pontos positivos da manuten\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o social da empresa. Mas n\u00e3o \u00e0s custas do preju\u00edzo na opera\u00e7\u00e3o da empresa. &#8220;O papel social deve ser preservado, mas via subs\u00eddio direcionado, e n\u00e3o via sangria cont\u00ednua do Tesouro. Caso contr\u00e1rio, o empr\u00e9stimo de R$ 20 bilh\u00f5es ser\u00e1 apenas uma morfina fiscal para um paciente terminal&#8221;, destaca Honorato.<\/p>\n<p>Para Silva, o Brasil precisa buscar uma forma de financiar esse servi\u00e7o universal, com regras e metas mais claras, revisionando anualmente os custos e, at\u00e9 mesmo, oferecendo parcerias p\u00fablico-privadas para dar viabilidade \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social da empresa.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio, portanto, criar uma forma expl\u00edcita de financiamento, que assegure recursos est\u00e1veis, mas que venha acompanhada de ganhos de efici\u00eancia nos demais servi\u00e7os da empresa, al\u00e9m de uma governan\u00e7a mais s\u00f3lida e transparente, para que as duas frentes avancem de forma conjunta&#8221;, avalia.<\/p>\n<p><strong><span class=\"m1ho1h07 l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Cr\u00e9dito: Vinicius Pereira \/ <\/span>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 20\/10\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com preju\u00edzos bilion\u00e1rios e perda de relev\u00e2ncia, a estatal que durante s\u00e9culos conectou o Brasil enfrenta uma encruzilhada entre obsolesc\u00eancia, concorr\u00eancia e papel social. 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