{"id":104807,"date":"2025-10-22T03:15:32","date_gmt":"2025-10-22T06:15:32","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=104807"},"modified":"2025-10-21T19:46:53","modified_gmt":"2025-10-21T22:46:53","slug":"china-aposta-em-alta-tecnologia-como-estrategia-geopolitica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/10\/22\/china-aposta-em-alta-tecnologia-como-estrategia-geopolitica\/","title":{"rendered":"China aposta em alta tecnologia como estrat\u00e9gia geopol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Partido Comunista se re\u00fane em Pequim para decidir os rumos da economia chinesa pelos pr\u00f3ximos cinco anos. Diante da atual situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, consumo interno deve continuar em segundo plano.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"c17j8gzx rc0m0op r1ebneao s198y7xq rich-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi rcjjkz7 w128axg5 b1fzgn0z\" data-tracking-name=\"rich-text\" data-tracking-skip=\"true\">\n<p>Aproximadamente 200 membros do Comit\u00ea Central do Partido Comunista&nbsp;Chin\u00eas se re\u00fanem nesta semana em Pequim para a quarta sess\u00e3o plen\u00e1ria do \u00f3rg\u00e3o. O encontro a portas fechadas&nbsp;de 20 a 24 de outubro&nbsp;tem no topo da agenda a discuss\u00e3o do pr\u00f3ximo plano quinquenal, pensado para o per\u00edodo de 2026 a 2030 e com aprova\u00e7\u00e3o oficial prevista para&nbsp;o in\u00edcio do ano que vem.<\/p>\n<p>Os planos quinquenais t\u00eam uma longa tradi\u00e7\u00e3o, que remonta quase \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da&nbsp;China, com o primeiro vigorando de 1953 a 1957. O pr\u00f3ximo ser\u00e1 o d\u00e9cimo quinto desses programas, cujo objetivo \u00e9 regular o desenvolvimento econ\u00f4mico chin\u00eas em n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Atualmente,&nbsp;h\u00e1 muitos problemas estruturais na economia chinesa que precisam ser resolvidos.&nbsp;Durante d\u00e9cadas, a segunda maior economia do mundo foi impulsionada pelo com\u00e9rcio exterior e pelo investimento em infraestrutura, ao tempo que o terceiro pilar \u2014 o consumo interno \u2014 foi constantemente negligenciado.<\/p>\n<p>&#8220;Se observarmos os \u00faltimos anos, ainda vemos um crescimento de dois d\u00edgitos no investimento no setor manufatureiro&#8221;, afirma Alexander Brown, analista&nbsp;do think tank Instituto Mercator de Estudos da China (Merics), com sede em Berlim. &#8220;No entanto, os setores de servi\u00e7os n\u00e3o est\u00e3o recebendo tanto dinheiro. Essa \u00e9 a raz\u00e3o do clima bastante pessimista entre os consumidores chineses. Mesmo assim, Pequim dever\u00e1 continuar priorizando os gastos com pol\u00edtica industrial, dada a atual situa\u00e7\u00e3o&nbsp;geopol\u00edtica&nbsp;e o objetivo de resili\u00eancia da China.&#8221;<\/p>\n<h5><strong>Foco na competi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica<\/strong><\/h5>\n<p>Essa resili\u00eancia \u2014 a de sua pr\u00f3pria economia \u2014 \u00e9 muito importante para Pequim. Tal meta ganha ainda mais apoio ap\u00f3s epis\u00f3dios como o de dias atr\u00e1s, quando&nbsp;o presidente dos EUA, Donald Trump, amea\u00e7ou novamente impor tarifas massivas sobre importa\u00e7\u00f5es vindas da China&nbsp;e endurecer as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de produtos essenciais de alta tecnologia.&nbsp;Pequim v\u00ea isso como prova de que tais preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o justificadas.<\/p>\n<p>Chen Bo, pesquisador no Instituto do Leste Asi\u00e1tico da Universidade Nacional de Singapura, explica que os chineses atualmente se preocupam mais com a competi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica do que com problemas estruturais. &#8220;O novo plano quinquenal dar\u00e1 forte \u00eanfase \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da pesquisa de alta&nbsp;tecnologia&nbsp;e do desenvolvimento industrial. A manufatura continua sendo o fator mais importante para o poder pol\u00edtico do pa\u00eds. Em caso de conflito, afinal, seria a manufatura, e n\u00e3o o setor de servi\u00e7os, que teria extrema import\u00e2ncia&#8221;, afirmou em entrevista \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters<\/p>\n<p>Em um discurso em julho, o presidente&nbsp;Xi Jinping&nbsp;enfatizou que &#8220;o mundo est\u00e1 vivenciando as mudan\u00e7as mais profundas em um s\u00e9culo, com a revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica e a competi\u00e7\u00e3o entre as grandes pot\u00eancias se tornando cada vez mais interligadas&#8221;. Na ocasi\u00e3o, ele tamb\u00e9m reiterou seu objetivo de que a China assuma uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a estrat\u00e9gica na competi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica global.<\/p>\n<p>O pa\u00eds j\u00e1 ascendeu \u00e0 vanguarda global em \u00e1reas como&nbsp;eletromobilidade&nbsp;e&nbsp;energias renov\u00e1veis. Com exce\u00e7\u00e3o de alguns setores \u2014 como semicondutores e avia\u00e7\u00e3o comercial \u2014, a China concentra quase toda a sua cadeia de suprimentos dentro de suas fronteiras. Pequim tamb\u00e9m tem aumentado continuamente seus investimentos em ind\u00fastrias de alta tecnologia, a fim de fortalecer ainda mais sua soberania econ\u00f4mica e reduzir ainda mais sua depend\u00eancia.<\/p>\n<h5><strong>Quando o consumo ser\u00e1 contemplado?<\/strong><\/h5>\n<p>A China, contudo, n\u00e3o abandonou completamente os esfor\u00e7os para resolver seus problemas estruturais. Em uma reuni\u00e3o em setembro, o Congresso Nacional do Povo discutiu como aumentar a renda dispon\u00edvel das fam\u00edlias e, consequentemente, a participa\u00e7\u00e3o do consumo na economia. Atualmente, o consumo privado na China representa cerca de 40% da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, muito menos do que a m\u00e9dia de 60% nos pa\u00edses ocidentais. Nos EUA, essa participa\u00e7\u00e3o chega a 70%. Alguns think tanks chineses prop\u00f5em aumentar o consumo privado para 50% em dez anos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, Pequim j\u00e1 anunciou diversas medidas neste sentido, tais como subs\u00eddios ao consumo, aumentos de aposentadorias e aux\u00edlios para cuidados de crian\u00e7as, al\u00e9m de modestas melhorias na seguridade social. Para o analista Alexander Brown, do Merics, est\u00e1 claro que tais a\u00e7\u00f5es foram praticamente &#8220;for\u00e7adas&#8221; diante de problemas como a&nbsp;mudan\u00e7a demogr\u00e1fica, excesso de capacidade produtiva e queda nas exporta\u00e7\u00f5es. &#8220;Acredito que medidas desse tipo \u2013 ainda que n\u00e3o muitas \u2013 continuar\u00e3o a surgir repetidamente nos pr\u00f3ximos cinco anos. &#8221;<\/p>\n<p>Larry Hu, economista-chefe para a China do Macquarie Group, afirma que somente em um modelo de crescimento orientado pelo consumo poderiam ser criado empregos suficientes em setores de servi\u00e7o altamente qualificados e bem remunerados, para os quais milh\u00f5es de jovens chineses foram treinados. &#8220;Se depender exclusivamente da demanda externa, sem estimular o consumo interno, a China enfrentar\u00e1 desemprego e defla\u00e7\u00e3o. Se essa situa\u00e7\u00e3o durar apenas um ou dois anos, \u00e9 suport\u00e1vel. Mas a longo prazo, ela definitivamente causar\u00e1 problemas&#8221;,&nbsp;disse \u00e0 Reuters.<\/p>\n<p>No entanto, Larry Hu acredita que Pequim s\u00f3 considerar\u00e1 estimular o consumo interno quando a demanda externa cair de forma t\u00e3o acentuada a ponto de comprometer suas metas de crescimento.<\/p>\n<h5><strong>Primeiro o topo do mundo; depois o consumo interno<\/strong><\/h5>\n<p>Com os motores de exporta\u00e7\u00e3o e infraestrutura vacilantes, impulsionar o consumo interno \u00e9 mais urgente do que nunca. Mas isso n\u00e3o \u00e9 nada barato, especialmente em um momento em que a margem de manobra fiscal de Pequim j\u00e1 \u00e9 limitada devido \u00e0 crise imobili\u00e1ria, \u00e0 alta d\u00edvida e \u00e0 menor taxa de crescimento.<\/p>\n<p>De acordo com o Citigroup, um dos principais bancos americanos, o governo chin\u00eas precisaria investir 20 trilh\u00f5es de yuans (aproximadamente R$ 15 trilh\u00f5es) nos pr\u00f3ximos cinco anos para lidar efetivamente com o desequil\u00edbrio entre oferta e demanda na economia chinesa. Essa quantia corresponde a 15% do Produto Interno Bruto chin\u00eas em 2024.<\/p>\n<p>Alexander Brown prev\u00ea, portanto, que os governantes em Pequim provavelmente dar\u00e3o continuidade \u00e0 sua atual estrat\u00e9gia econ\u00f4mica. &#8220;Eles continuar\u00e3o priorizando o investimento de recursos em setores tecnol\u00f3gicos, onde h\u00e1 chances de alcan\u00e7ar a lideran\u00e7a global. A expectativa \u00e9 que essas conquistas gerem muito dinheiro. Esse dinheiro \u2014 ou melhor, a arrecada\u00e7\u00e3o fiscal resultante \u2014 poder\u00e1 ent\u00e3o ser distribu\u00eddo por todo o sistema econ\u00f4mico.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Mu Cui \/&nbsp;<\/strong><strong>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 22\/10\/2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partido Comunista se re\u00fane em Pequim para decidir os rumos da economia chinesa pelos pr\u00f3ximos cinco anos. Diante da atual situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, consumo interno deve continuar em segundo plano. Aproximadamente 200 membros do Comit\u00ea Central do Partido Comunista&nbsp;Chin\u00eas se re\u00fanem nesta semana em Pequim para a quarta sess\u00e3o plen\u00e1ria do \u00f3rg\u00e3o. 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