{"id":10493,"date":"2017-02-13T00:09:06","date_gmt":"2017-02-13T03:09:06","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=10493"},"modified":"2017-02-12T19:10:52","modified_gmt":"2017-02-12T22:10:52","slug":"depressao-em-idosos-preocupa-especialistas-e-os-baby-boomers-envelheceram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/02\/13\/depressao-em-idosos-preocupa-especialistas-e-os-baby-boomers-envelheceram\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o em idosos preocupa especialistas. E os baby boomers envelheceram&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nunca o globo esteve t\u00e3o senil quanto agora. E o descuido da sociedade com a mente do idoso \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o entre especialistas<\/strong><\/p>\n<p>Eles inventaram o rock\u2019n\u2019roll, derrubaram tabus, amaram livremente, enfrentaram ditaduras e juraram que seriam jovens para sempre. Mas um dia, ao se olhar no espelho, notaram um rosto juncado de rugas. O corpo j\u00e1 n\u00e3o obedecia aos comandos, a mente pregava pe\u00e7as, aquela vontade louca de mudar os rumos da hist\u00f3ria aquietou-se. A gera\u00e7\u00e3o baby boomer \u2014 a nascida no p\u00f3s-guerra, respons\u00e1vel por remodelar o mundo no s\u00e9culo 20 \u2014 enfim envelheceu.<\/p>\n<p>Nunca o globo esteve t\u00e3o senil quanto agora. S\u00e3o 841 milh\u00f5es de pessoas com mais de 60 anos, alterando radicalmente o desenho da pir\u00e2mide et\u00e1ria \u2014 se antes um funil invertido, agora base e topo t\u00eam largura semelhante. Em 2020, haver\u00e1 mais idosos que crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos, nas proje\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que calcula em 2 bilh\u00f5es o n\u00famero de anci\u00e3os em tr\u00eas d\u00e9cadas, ou 20% dos habitantes do planeta. Enquanto, daqui a 30 anos, a popula\u00e7\u00e3o com mais de 60 vai quadruplicar em rela\u00e7\u00e3o a 1950, na faixa dos octogen\u00e1rios, o salto ser\u00e1 26 vezes\u00a0maior.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s dessas estat\u00edsticas superlativas, est\u00e3o mulheres e homens que demandam uma aten\u00e7\u00e3o nem sempre dispensada, em um mundo aficionado pela juventude. Se a sa\u00fade do corpo muitas vezes \u00e9 negligenciada, o descuido da sociedade com a mente do idoso \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o entre especialistas. M\u00e9dicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros profissionais que lidam com a terceira idade veem, no dia a dia, mazelas invis\u00edveis a olhos que pouco se voltam \u00e0\u00a0velhice.<\/p>\n<p><strong>Idosos isolados<\/strong><\/p>\n<p>Diferentemente do que muitos podem pensar, por\u00e9m, depress\u00e3o, depend\u00eancia qu\u00edmica e suic\u00eddio n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o problemas comuns nas faixas et\u00e1rias avan\u00e7adas, como est\u00e3o crescendo assustadoramente. Discuss\u00f5es e pol\u00edticas voltadas \u00e0 sa\u00fade mental do idoso n\u00e3o acompanham essa velocidade. \u201c\u00c9 um homic\u00eddio gradativo desse ser social\u201d, define a psic\u00f3loga Denise Machado Duran Gutierrez, professora da Universidade Federal do Amazonas e autora de diversos artigos cient\u00edficos sobre suic\u00eddio entre idosos. Para a especialista, a vis\u00e3o equivocada de que \u00e9 \u201cnormal\u201d os mais velhos se isolarem, perderem fun\u00e7\u00f5es e espa\u00e7o, \u00e9 uma viol\u00eancia contra a qual pouco se faz. \u201cH\u00e1 aquela coisa de que o idoso \u00e9 tristinho mesmo, fica ali no cantinho mesmo. A pr\u00f3pria sociedade e a fam\u00edlia nutrem isso. Retiram do velho suas for\u00e7as sociais.\u201d<\/p>\n<p>Embora reconhe\u00e7a avan\u00e7os na rede de atendimento e prote\u00e7\u00e3o ao idoso, ela denuncia a falta de aten\u00e7\u00e3o com os aspectos psicossociais da velhice. \u201cNo contexto atual, temos o Estatuto do Idoso, a delegacia do idoso, centros de aten\u00e7\u00e3o integral, todo um sistema de assist\u00eancia, uma mobiliza\u00e7\u00e3o em torno das necessidades dele. Mas, como sempre, as pol\u00edticas de sa\u00fade mental s\u00e3o tardiamente implementadas. Se avan\u00e7ou muito nessa vis\u00e3o do que deve ser, mas n\u00e3o avan\u00e7ou na qualidade. \u00c9 uma quest\u00e3o que n\u00e3o tem visibilidade\u201d, critica Denise Machado Duran Gutierrez.<\/p>\n<p>No Brasil, at\u00e9 mesmo publica\u00e7\u00f5es sobre o tema s\u00e3o escassas. Al\u00e9m disso, os profissionais que lidam com idosos t\u00eam pouca especializa\u00e7\u00e3o, observa a psiquiatra Gabriela Arantes Wagner, professora-assistente da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo. \u201cA transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e epidemiol\u00f3gica \u00e9 evidente, e estamos ainda engatinhando em rela\u00e7\u00e3o ao aumento de contingente de profissionais especializados em gerontologia e geriatria, n\u00e3o apenas no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)\u201d, diz. A m\u00e9dica de fam\u00edlia Rachel Vaz Cardoso, da Associa\u00e7\u00e3o Brasiliense de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade, tamb\u00e9m lamenta que s\u00e3o poucos os m\u00e9dicos e enfermeiros do Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (PSF) que t\u00eam forma\u00e7\u00e3o nessa\u00a0\u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Impasse e despreparo<\/strong><\/p>\n<p>Doutor em enfermagem psiqui\u00e1trica, Maycon Rog\u00e9rio Seleghim, da Escola de Enfermagem de Ribeir\u00e3o Preto, aponta outro problema: o impasse entre as unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade e os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPs), servi\u00e7o especializado em sa\u00fade mental e depend\u00eancia qu\u00edmica. \u201cNa pr\u00e1tica assistencial, quando h\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o de algum paciente com demanda psicol\u00f3gica ou psiqui\u00e1trica, ele \u00e9 encaminhado para o CAPs, e ent\u00e3o deixa de ser acompanhado pelas equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>Nos casos de depend\u00eancia qu\u00edmica, a psiquiatra Helena Moura, especialista na \u00e1rea, reclama da inexist\u00eancia de locais para interna\u00e7\u00e3o preparados para as especificidades do p\u00fablico idoso. \u201cQuando eles precisam internar, v\u00e3o para comunidades terap\u00eauticas que t\u00eam conv\u00eanio (com os govermos). Como vai internar em uma comunidade terap\u00eautica l\u00e1 longe uma pessoa que tem problema respirat\u00f3rio, problema card\u00edaco?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>De acordo com a assessoria de imprensa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, \u201co atendimento ambulatorial em sa\u00fade mental ou em decorr\u00eancia de problemas com \u00e1lcool e outras drogas para a popula\u00e7\u00e3o maior de 60 anos tem representado cerca 1,1 milh\u00e3o do total dos 16,7 milh\u00f5es de atendimentos realizados nessas unidades. Esses dados t\u00eam se mantido no per\u00edodo de 2008 a 2015\u201d. A nota tamb\u00e9m informa que \u201cuma pessoa pode ser submetida a v\u00e1rios procedimentos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Acompanhamento questionado<\/strong><\/p>\n<p>Entre especialistas, por\u00e9m, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com subidentifica\u00e7\u00e3o e subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de idosos que precisam de cuidados na \u00e1rea de sa\u00fade mental. \u201cH\u00e1 falta de um sistema de sa\u00fade que adote medidas de acompanhamento e de avalia\u00e7\u00e3o com indicadores de qualidade para a consulta a idosos, tanto na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria como na aten\u00e7\u00e3o psicossocial e hospitalar\u201d, afirma Raimunda Magalh\u00e3es da Silva, professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Cear\u00e1 que pesquisa o suic\u00eddio entre idosos. \u201cPossivelmente diante de uma grande demanda para os profissionais atenderem nos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, este n\u00e3o disp\u00f5e de tempo para observar comportamentos ou de questionar comportamentos observados durante a consulta do idoso\u201d,\u00a0diz.<\/p>\n<p>Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade afirma que a Caderneta de Sa\u00fade da Pessoa Idosa \u00e9 um dos instrumentos que ajudam as equipes de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica a fazer a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, psicossocial e funcional do paciente. \u201cA partir desta avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel rastrear\/identificar os idosos mais vulner\u00e1veis e definir o plano de cuidados mais apropriado\u201d, diz o \u00f3rg\u00e3o. \u201cNo caso de transtornos mentais identificados ou tentativas de suic\u00eddio as equipes da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica podem acessar a Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial, por meio dos\u00a0CAPs.\u201d<\/p>\n<p>A partir do levantamento de artigos cient\u00edficos e de entrevistas com mais de 40 especialistas, profissionais que trabalham com esse p\u00fablico e com os pr\u00f3prios idosos, o\u00a0<strong>Correio<\/strong>\u00a0preparou esta s\u00e9rie de reportagens sobre a sa\u00fade mental na terceira\u00a0idade.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"501\"><strong>Respostas urgentes<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMuitos dos profissionais de sa\u00fade, das ci\u00eancias sociais, psic\u00f3logos e de outros setores da vida de uma comunidade obtiveram uma forma\u00e7\u00e3o inicial que n\u00e3o contemplava nem a geriatria nem a gerontologia, uma vez que n\u00e3o eram consideradas disciplinas priorit\u00e1rias. Mas, mesmo que assim n\u00e3o fosse, o envelhecimento demogr\u00e1fico e o aumento da longevidade a que assistimos \u00e9 \u00edmpar na hist\u00f3ria da humanidade, surgindo, cada dia que passa, novas situa\u00e7\u00f5es a necessitar de novas investiga\u00e7\u00f5es e descobertas para que se possa dar respostas urgentes e eficientes. Se considero que a maior parte dos profissionais n\u00e3o est\u00e1 capacitada para dar resposta a essa nova realidade e \u00e0s que v\u00e3o surgindo constantemente \u2014 Portugal, por exemplo, come\u00e7a a ter bastantes pessoas com mais de 100 anos vivendo em suas casas e ativas, uma realidade surgida recentemente \u2014, penso que muito menos o estar\u00e3o os formuladores de pol\u00edticas, sobretudo se n\u00e3o forem tecnocratas e n\u00e3o olharem para o futuro (que n\u00e3o est\u00e1 muito long\u00ednquo) ou n\u00e3o ouvirem as comunidades locais nas quais est\u00e3o inclu\u00eddos os idosos. Hoje, os idosos, pelo menos nos pa\u00edses europeus, j\u00e1 representam uma for\u00e7a eleitoral suficientemente importante para n\u00e3o ser descurada por decisores pol\u00edticos e por quem faz pol\u00edtica.\u201d<\/p>\n<p><strong>Zaida Azeredo,<\/strong>\u00a0coordenadora da Unidade de Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o e Interven\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria do Instituto Jean Piaget, em Lisboa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Paloma Oliveto (texto) e Valdo Virgo (arte)\/Correio Braziliense\u00a0\u2013 dispon\u00edvel na web 12\/02\/2017<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca o globo esteve t\u00e3o senil quanto agora. E o descuido da sociedade com a mente do idoso \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o entre especialistas Eles inventaram o rock\u2019n\u2019roll, derrubaram tabus, amaram livremente, enfrentaram ditaduras e juraram que seriam jovens para sempre. 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