{"id":104949,"date":"2025-10-29T04:15:24","date_gmt":"2025-10-29T07:15:24","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=104949"},"modified":"2025-10-28T17:53:54","modified_gmt":"2025-10-28T20:53:54","slug":"sem-sindicatos-ate-o-ar-teria-dono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2025\/10\/29\/sem-sindicatos-ate-o-ar-teria-dono\/","title":{"rendered":"Sem sindicatos, at\u00e9 o ar teria dono"},"content":{"rendered":"<p>Os sindicatos n\u00e3o s\u00e3o resqu\u00edcio do passado \u2014 s\u00e3o uma das maiores inven\u00e7\u00f5es humanas e conquistas da modernidade. O sindicato \u00e9 avan\u00e7o civilizat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Como lembra Ant\u00f4nio Augusto de Queiroz, em sua cartilha&nbsp;<em>\u201cPara que serve e o que faz o movimento sindical\u201d<\/em>&nbsp;(Diap, 2017)<sup>1<\/sup>, o sindicalismo nasceu da necessidade de equil\u00edbrio entre capital e trabalho, num mundo que transformou o ser humano em for\u00e7a produtiva descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>Sem o sindicato, o trabalhador enfrenta sozinho o poder econ\u00f4mico, jur\u00eddico e pol\u00edtico do capital.<\/p>\n<p>O movimento sindical \u00e9, portanto, a forma organizada da resist\u00eancia, o instrumento que imp\u00f5e limites ao lucro e faz do trabalho espa\u00e7o de dignidade \u2014 e n\u00e3o de submiss\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o desmedida.<\/p>\n<p><strong>Voz que protege o trabalhador<\/strong><\/p>\n<p>O papel do sindicato vai muito al\u00e9m das negocia\u00e7\u00f5es salariais. Esse instrumento do trabalhador representa, defende e educa.<\/p>\n<p>Representa, \u00e0s mesas de negocia\u00e7\u00e3o; defende os direitos conquistados; e educa para a consci\u00eancia de classe e a cidadania ativa.<\/p>\n<p>Foi a luta sindical que garantiu: jornada de 8 horas, 13\u00ba sal\u00e1rio, f\u00e9rias e descanso remunerado, licen\u00e7a-maternidade e paternidade, Previd\u00eancia e Seguridade Social.<\/p>\n<p>Sem essa for\u00e7a coletiva, a hist\u00f3ria seria outra: o lucro seguiria sem limites, e o trabalhador teria de \u201cpagar pelo ar que respira\u201d, como provoca o autor deste \u2014 met\u00e1fora precisa para o que seria a vida sem contrapoder social.<\/p>\n<p><strong>Sindicalismo \u00e9 modernidade<\/strong><\/p>\n<p>O sindicalismo \u00e9 filho da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1760-1840) e irm\u00e3o da democracia moderna<strong><sup>2<\/sup><\/strong>.<\/p>\n<p>Nasce no mesmo impulso civilizat\u00f3rio que reconhece direitos, organiza o Estado e limita o poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Por isso, atacar os sindicatos \u00e9 negar a pr\u00f3pria modernidade.<\/p>\n<p>Nas novas formas de trabalho \u2014 aplicativos, plataformas, contratos prec\u00e1rios \u2014, o sindicato \u00e9 o \u00fanico elo capaz de transformar o trabalhador isolado em sujeito pol\u00edtico.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o passado que o sindicalismo representa, mas o futuro poss\u00edvel do trabalho humano.<\/p>\n<p><strong>Sem organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 liberdade<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria comprova: onde o movimento sindical \u00e9 forte, h\u00e1 menos desigualdade, maior redistribui\u00e7\u00e3o de renda e mais democracia.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 enfraquecido, prosperam o medo, o individualismo e o retrocesso.<\/p>\n<p>O sindicato \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o que d\u00e1 voz \u00e0queles que vivem do pr\u00f3prio esfor\u00e7o \u2014 a tradu\u00e7\u00e3o concreta da palavra \u201csolidariedade\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 liberdade no trabalho sem organiza\u00e7\u00e3o coletiva. N\u00e3o h\u00e1 cidadania sem sindicalismo. N\u00e3o h\u00e1 democracia sem sindicalismo.<\/p>\n<p><strong>O que o capital teme<\/strong><\/p>\n<p>O que o capital teme no sindicato n\u00e3o \u00e9 a greve, mas a consci\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19302\" aria-describedby=\"caption-attachment-19302\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19302 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/marcos.jpg?resize=150%2C150\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/marcos.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/marcos.jpg?zoom=2&amp;resize=150%2C150 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/marcos.jpg?zoom=3&amp;resize=150%2C150 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19302\" class=\"wp-caption-text\">Marcos Verlaine:&nbsp; Jornalista, analista pol\u00edtico e assessor parlamentar do Diap<\/figcaption><\/figure>\n<p>Trabalhador que entende seu papel na engrenagem social \u00e9 menos manipul\u00e1vel, mais exigente e mais livre.&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 isso que o sindicalismo promove: a emancipa\u00e7\u00e3o pelo coletivo.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, em todos os momentos hist\u00f3ricos, os sindicatos foram atacados pelos mesmos interesses que exploram o trabalho e concentram a renda.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 por isso que seguem vivos \u2014 porque representam a ess\u00eancia do direito \u00e0 dignidade.<\/p>\n<p><strong>Respirar \u00e9 um ato pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>O sindicalismo \u00e9 o que resta de moderno numa sociedade que insiste em retroceder.&nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto houver explora\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 sindicato \u2014 e ser\u00e1 esse o primeiro a lutar para que ningu\u00e9m precise pedir licen\u00e7a para viver, trabalhar ou respirar.<\/p>\n<p>Porque, sem sindicatos, at\u00e9 o ar teria dono.<\/p>\n<p><strong><sup>1<\/sup><\/strong>&nbsp;Ant\u00f4nio Augusto de Queiroz \u2014&nbsp;<em>\u201c<\/em><span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/www.diap.org.br\/index.php\/publicacoes?task=download.send&amp;id=282&amp;catid=4&amp;m=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Para que serve e o que faz o movimento sindical<\/em><\/a><\/span><em>\u201d<\/em>, publicado pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), 2017, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o atualizada e ampliada.<\/p>\n<p><strong><sup>2<\/sup><\/strong>&nbsp;A concep\u00e7\u00e3o de democracia moderna surgiu ap\u00f3s as revolu\u00e7\u00f5es Americana (1776) e Francesa (1789), que romperam com o Antigo Regime absolutista.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: <em>Marcos Verlaine<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sindicatos n\u00e3o s\u00e3o resqu\u00edcio do passado \u2014 s\u00e3o uma das maiores inven\u00e7\u00f5es humanas e conquistas da modernidade. 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