{"id":107400,"date":"2026-01-29T04:25:21","date_gmt":"2026-01-29T07:25:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=107400"},"modified":"2026-01-29T05:25:14","modified_gmt":"2026-01-29T08:25:14","slug":"a-pec-da-reforma-administrativa-e-adequada-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2026\/01\/29\/a-pec-da-reforma-administrativa-e-adequada-nao\/","title":{"rendered":"A PEC da reforma administrativa \u00e9 adequada?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A PEC da reforma administrativa \u00e9 adequada? N\u00c3O<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mais uma vez, sob o r\u00f3tulo sedutor de &#8220;reforma administrativa&#8221;, surge no Congresso Nacional uma proposta que amea\u00e7a desmontar o servi\u00e7o p\u00fablico brasileiro. A PEC 38\/2025, aprovada em comiss\u00e3o especial da C\u00e2mara dos Deputados, \u00e9 um projeto temer\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o fortalece as institui\u00e7\u00f5es que servem ao cidad\u00e3o, n\u00e3o valoriza os servidores e tampouco melhora a efici\u00eancia operacional. Seu efeito real ser\u00e1 aprofundar a precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e fragilizar quem os presta.<\/p>\n<p>A leitura da PEC revela um diagn\u00f3stico claro: tudo nela converge para reduzir direitos, enfraquecer carreiras e abrir espa\u00e7os \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o e \u00e0 instabilidade. Extingue adicionais por tempo de servi\u00e7o, imp\u00f5e carreiras com no m\u00ednimo 20 categorias de evolu\u00e7\u00e3o, pro\u00edbe reajustes e retroativos e cria r\u00edgidos limites de despesas com pessoal, que inviabilizam concursos e recomposi\u00e7\u00e3o salarial.&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 previs\u00edvel, ou seja, menos servidores, piores sal\u00e1rios e servi\u00e7os p\u00fablicos cada vez mais sucateados.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, a figura absurda do &#8220;concursado tempor\u00e1rio&#8221;: servidores que ingressariam por concurso, mas seriam exonerados ap\u00f3s dez anos, sem estabilidade nem direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>\u00c9 um trabalhador estatut\u00e1rio precarizado e condenado \u00e0 incerteza. Some-se a isso a possibilidade de extin\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de cargos e carreiras, a descaracteriza\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de Estado e a remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel por &#8220;produtividade&#8221;, que elimina a paridade e mina o sustento das aposentadorias.<\/p>\n<p>Cabe acentuar que o concurso p\u00fablico, que garante o m\u00e9rito, e a estabilidade, que preserva a independ\u00eancia t\u00e9cnica dos servidores, s\u00e3o instrumentos do Estado democr\u00e1tico de Direito para imunizar a administra\u00e7\u00e3o contra influ\u00eancias pol\u00edtico-partid\u00e1rias e limitar contrata\u00e7\u00f5es de apadrinhados e fisiol\u00f3gicas. Assim, atendem aos interesses maiores da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Dizem que a PEC n\u00e3o atinge os atuais servidores. Mas \u00e9 ilus\u00e3o imaginar que o desmonte de carreiras, o achatamento das remunera\u00e7\u00f5es e o estrangulamento das previd\u00eancias p\u00fablicas n\u00e3o ter\u00e3o impacto sobre todos.<\/p>\n<p>Trata-se de uma reforma contra o funcionalismo e o servi\u00e7o p\u00fablico e nocivo \u00e0 sociedade, cuja grande maioria depende do Estado para ter acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, Justi\u00e7a, Previd\u00eancia, assist\u00eancia social, fiscaliza\u00e7\u00e3o, extens\u00e3o rural e tantos outros servi\u00e7os fundamentais.<\/p>\n<p>Diante das previs\u00edveis consequ\u00eancias danosas, cabe perguntar: a quem interessa essa proposta? Certamente n\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, que depende de servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade, nem aos servidores, que dedicam a vida a garantir o funcionamento do Estado. &nbsp;<\/p>\n<p>Assim, a PEC parece atender aos anseios de setores privados que veem no servi\u00e7o p\u00fablico uma oportunidade de neg\u00f3cio e de se apropriar de recursos e infraestrutura que pertencem ao povo brasileiro.<\/p>\n<p>\u00c9 algo que interessa a quem deseja um Estado fraco, reduzido \u00e0 l\u00f3gica do lucro, sem compromisso com o interesse coletivo. Qualquer reforma administrativa digna desse nome deve buscar moderniza\u00e7\u00e3o com valoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deve estimular o m\u00e9rito sem eliminar a estabilidade; promover forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sem destruir carreiras; corrigir distor\u00e7\u00f5es sem extinguir direitos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel reformar com responsabilidade e di\u00e1logo, mas nunca \u00e0s custas do servi\u00e7o p\u00fablico e de quem o sustenta. Dada a gravidade do risco representado pela PEC 38\/2025, n\u00f3s, da AFPESP, defendemos a uni\u00e3o de todas as entidades representativas do funcionalismo para buscar o arquivamento dessa proposta nociva.<\/p>\n<p>Por isso, apoiamos integralmente o manifesto do F\u00f3rum das Entidades de Servidores, que conclama os deputados federais a votarem contra a proposta em plen\u00e1rio. Afinal, todos os argumentos que enumerei neste artigo evidenciam que rejeit\u00e1-la \u00e9 um ato de responsabilidade com o Brasil<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:<\/strong> <strong>Artur Marques da Silva Filho# \/ TCESP &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 29\/1\/2026<\/strong><\/p>\n<h6><em>\u201cDesembargador aposentado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ-SP), \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos do Estado de S\u00e3o Paulo (AFPESP)<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A PEC da reforma administrativa \u00e9 adequada? N\u00c3O Mais uma vez, sob o r\u00f3tulo sedutor de &#8220;reforma administrativa&#8221;, surge no Congresso Nacional uma proposta que amea\u00e7a desmontar o servi\u00e7o p\u00fablico brasileiro. 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