{"id":107502,"date":"2026-02-03T04:15:13","date_gmt":"2026-02-03T07:15:13","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=107502"},"modified":"2026-02-02T14:04:17","modified_gmt":"2026-02-02T17:04:17","slug":"moedas-verdes-impulsionam-acoes-ambientais-locais-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2026\/02\/03\/moedas-verdes-impulsionam-acoes-ambientais-locais-no-brasil\/","title":{"rendered":"Moedas verdes impulsionam a\u00e7\u00f5es ambientais locais no Brasil"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Cria\u00e7\u00e3o de sistemas monet\u00e1rios alternativos, baseados na troca de recicl\u00e1veis e consumo de energia solar por cr\u00e9ditos para uso em com\u00e9rcio local, crescem e j\u00e1 movimentam R$ 550 mil mensais no pa\u00eds.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"c17j8gzx rc0m0op r1ebneao s198y7xq rich-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi rcjjkz7 w128axg5 b1fzgn0z\" data-tracking-name=\"rich-text\" data-tracking-skip=\"true\">\n<p>O com\u00e9rcio de salgados e bolos de M\u00e1rcia Rodrigues, de 54 anos, come\u00e7ou na frente de casa apenas com uma fritadeira. Em oito anos, a comerciante superou v\u00e1rios desafios, inclusive as dificuldades impostas pela pandemia, e agora tem um ponto pr\u00f3prio. O crescimento trouxe novos equipamentos e clientes, mas tamb\u00e9m mais despesas.<\/p>\n<p>A conta de energia do&nbsp;empreendimento&nbsp;subiu para cerca de R$ 1,3 mil mensais, ent\u00e3o M\u00e1rcia precisou encontrar alternativas para economizar e continuar investindo no neg\u00f3cio. Foi quando surgiu no ano passado, no bairro onde ela mora e trabalha, o Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, no&nbsp;Cear\u00e1&nbsp;, a&nbsp;moeda solar&nbsp;.<\/p>\n<p>\u00c9 um cr\u00e9dito que M\u00e1rcia ganha ao comprar cotas de quilowatts-hora gerados numa usina solar instalada no bairro e gerida por moradores. Em forma de moeda digital, ela pode usar o valor em estabelecimentos da regi\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Vista a\u00e9rea da usina solar do Conjunto Palmeiras\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/75735207_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Vista a\u00e9rea da usina solar do Conjunto Palmeiras\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Usina solar associativa instalada no Conjunto Palmeiras \u00e9 gerida por moradoresFoto: Joaquim Melo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>O que \u00e9 feito no Conjunto Palmeiras \u00e9 um tipo de iniciativa que tem se proliferado no Brasil. S\u00e3o as chamadas moedas verdes ou ambientais, um sistema que recompensa com cr\u00e9ditos com valor equiparado ao real pessoas que realizam pr\u00e1ticas ecol\u00f3gicas, como o consumo de energia solar ou a coleta de res\u00edduos org\u00e2nicos e recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pelo menos 40 programas de governo de prefeitos eleitos no Brasil em 2024 tinham uma proposta de criar uma moeda verde, segundo levantamento feito por Eduardo Diniz, professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) e pesquisador do Centro de Estudos de Microfinan\u00e7as e Inclus\u00e3o Financeira, tamb\u00e9m da FGV.<\/p>\n<p>&#8220;Depois da elei\u00e7\u00e3o, identificamos 100 cidades querendo fazer moedas municipais. Dessas, umas 40 eram moedas verdes. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem uma coisa que est\u00e1 querendo aparecer com for\u00e7a&#8221;, afirma.<\/p>\n<h5><strong>M\u00faltiplos modelos<\/strong><\/h5>\n<p>Diniz, que est\u00e1 come\u00e7ando a mapear a presen\u00e7a das moedas verdes no Brasil, afirma que h\u00e1 tr\u00eas modelos mais comuns. Al\u00e9m destes vinculados ao poder p\u00fablico, h\u00e1 aqueles criados por cooperativas e outros associados a bancos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A maioria est\u00e1 em cidades pequenas e m\u00e9dias. &#8220;Elas variam muito de uma pra outra, na forma de financiamento, modelo de circula\u00e7\u00e3o, restri\u00e7\u00e3o de usos, alcance e design&#8221;, acrescenta Diniz. Um levantamento da Rede Brasileira de Bancos Comunit\u00e1rios e Municipais (RBBC) estima que h\u00e1 50 mil pessoas usando moedas verdes, circulando por m\u00eas cerca de R$ 550 mil.<\/p>\n<p>Santiago, no&nbsp;Rio Grande do Sul&nbsp;, tem duas moedas: a pila verde, que permite a troca de res\u00edduos org\u00e2nicos por comidas nas feiras locais, e a pila azul, com a qual \u00e9 poss\u00edvel trocar recicl\u00e1veis por moedas para comprar ingressos para cinema, passagem de transporte p\u00fablico e aulas de atividades sociais e esportivas, como pilates.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da primeira moeda, a pila verde, veio como uma medida para tentar reduzir os custos com a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, que era o quinto maior gasto da prefeitura. &#8220;\u00c9 um dos maiores custos dos munic\u00edpios brasileiros, porque muitos n\u00e3o t\u00eam aterros sanit\u00e1rios&#8221;, explica o prefeito de Santiago, Marcelo Gorski.<\/p>\n<p>A iniciativa come\u00e7ou com dois pontos de coleta, hoje s\u00e3o 19, em que os moradores podem deixar os res\u00edduos e receber a moeda, para usar nas feiras. O material coletado vira adubo para os feirantes usarem na sua planta\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00f3s fomos englobando v\u00e1rias possibilidades para que as pessoas fa\u00e7am a separa\u00e7\u00e3o adequada dos res\u00edduos&#8221;, diz Gorski. S\u00e3o 3 mil pessoas cadastradas e 70 estabelecimentos alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Do outro lado do Brasil, na cidade de Igarap\u00e9-A\u00e7\u00fa, no&nbsp;Par\u00e1&nbsp;, a empreendedora Carolina Magalh\u00e3es fundou o Movimento Moeda Verde preocupada com o descarte de lixo nos igarap\u00e9s. Ela se inspirou numa iniciativa da Santa Cruz da Esperan\u00e7a, em S\u00e3o Paulo, para conter focos de prolifera\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/p>\n<p>&#8220;Um grupo de moradores se juntou e a ideia era criar uma feira onde as pessoas poderiam comprar com essa moeda depois de entregar o material reciclado. E a gente faria uma parceria com uma cooperativa de uma cidade pr\u00f3xima para vender o material&#8221;, conta Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>O trabalho come\u00e7ou com a conscientiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e eventos itinerantes, hoje j\u00e1 tem banco e oferece at\u00e9 microcr\u00e9ditos para empreendedores locais. L\u00e1, a moeda \u00e9 f\u00edsica, pelas limita\u00e7\u00f5es de conex\u00e3o de internet. Atualmente, s\u00e3o 52 com\u00e9rcios cadastrados para receber a moeda. O projeto cresceu e saiu de 12 toneladas arrecadadas m\u00eas para 40.<\/p>\n<p>&#8220;O retorno n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 financeiro, temos um retorno ambiental. Conseguimos reduzir em 68% o envio de recicl\u00e1veis para o lix\u00e3o&#8221;, comemora Magalh\u00e3es.<\/p>\n<h5><strong>Do voucher \u00e0 moeda<\/strong><\/h5>\n<p>O surgimento das moedas verdes no Brasil est\u00e1 vinculado a duas pr\u00e1ticas iniciadas a partir do fim dos anos 1980. Uma delas \u00e9 a iniciativa &#8220;Compra do Lixo&#8221;, implementada pelo ex-prefeito de Curitiba, no&nbsp;Paran\u00e1&nbsp;, Jaime Lerner (1937-2021) em 1989.<\/p>\n<p>Para driblar a dificuldade de acesso dos caminh\u00f5es de lixo em periferias da cidade, a prefeitura come\u00e7ou a estimular a coleta domiciliar, ofertando em troca vale-transporte \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Depois disso, vieram outras iniciativas semelhantes, como a Moeda Verde, de&nbsp;Santo Andr\u00e9&nbsp;, mas ainda numa din\u00e2mica de troca de res\u00edduos por vouchers ou servi\u00e7os. L\u00e1, a cada cinco quilos de recicl\u00e1veis entregues, o morador recebe um quilo de frutas, legumes e verduras.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Moradores de Igarap\u00e9-A\u00e7\u00fa mostra a moeda verde\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/75735262_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Moradores de Igarap\u00e9-A\u00e7\u00fa mostra a moeda verde\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em Igarap\u00e9-A\u00e7\u00fa, lixo recicl\u00e1vel se transforma na moeda verdeFoto: Carol Maraglh\u00e3es\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, diante de um momento de infla\u00e7\u00e3o em alta, tamb\u00e9m come\u00e7aram a surgir as moedas sociais, uma esp\u00e9cie de dinheiro alternativo que circula dentro de um local espec\u00edfico, como um bairro ou uma cidade. Elas tamb\u00e9m deram origem a bancos comunit\u00e1rios. Hoje, s\u00e3o 152 bancos comunit\u00e1rios e 182 moedas sociais no pa\u00eds, das quais 160 est\u00e3o em circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira foi a moeda social Palmas, criada no Conjunto Palmeiras em 1998, mesma comunidade que desde o ano passado opera a moeda solar usada por M\u00e1rcia. &#8220;Em 2016, come\u00e7aram a surgir v\u00e1rios projetos nos bancos comunit\u00e1rios relacionados \u00e0&nbsp;quest\u00e3o clim\u00e1tica&nbsp;, ambiental e de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica&#8221;, explica Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas e presidente da RBBC.<\/p>\n<p>Dentro do escopo da rede, h\u00e1 tr\u00eas tipos de projetos em opera\u00e7\u00e3o. O maior est\u00e1 relacionado \u00e0 coleta seletiva, operando em quatro estados: Par\u00e1, Cear\u00e1, Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro. S\u00e3o cerca de 150 ecopontos onde os moradores depositam recicl\u00e1veis e recebem o pagamento em moeda ambiental. Por m\u00eas, s\u00e3o retiradas dos ecopontos nos quatro estados 15 toneladas de res\u00edduos. Em torno de R$ 400 mil m\u00eas vai para circula\u00e7\u00e3o em moeda verde, atingindo 15 mil pessoas.<\/p>\n<p>O segundo modelo \u00e9 o de res\u00edduos org\u00e2nicos, em que os moradores s\u00e3o estimuladas a levar a coleta para composteiras comunit\u00e1rias. Em Fortaleza, cada balde de cinco litros de res\u00edduos org\u00e2nicos gera R$ 0,50 em moeda ambiental. S\u00e3o mais de 3 mil pessoas fazendo a coleta, e movimentando R$ 20 mil por m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;Isso ajuda a n\u00e3o ir lixo para o aterro, a prefeitura fica pagando menos porque n\u00e3o tem que levar esse res\u00edduo. E ele tamb\u00e9m vira adubo org\u00e2nico, que a gente distribui para as hortas comunit\u00e1rias&#8221;, explica Melo.<\/p>\n<p>O terceiro modelo \u00e9 a moeda solar do Conjunto Palmeiras, um sistema de cashback para moradores que adquirem cotas de at\u00e9 500 quilowatts-hora da usina associativa. A usina vende um quilowatts-hora por R$ 0,30, um quarto do valor cobrado pela distribuidora da cidade.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o que aderiu recebe um boleto. Do que \u00e9 pago, metade volta para eles em forma de moeda solar, a outra parte vai para um fundo. S\u00e3o 70 fam\u00edlias participando do projeto, com expectativa de expans\u00e3o para 100 e uma circula\u00e7\u00e3o mensal de R$ 6 mil. H\u00e1 uma usina em opera\u00e7\u00e3o, outra constru\u00edda e outra em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Internacionalmente, h\u00e1 casos de moedas verdes na Europa, como a Pago em Lixo, de Portugal, e nos Estados Unidos, e moedas solares, como a VillaWatt, na Espanha, e a Brooklyn Microgrid, nos Estados Unidos.<\/p>\n<h5><strong>Impactos no meio ambiente e na economia local<\/strong><\/h5>\n<p>M\u00e1rcia Rodrigues tem conseguido economizar cerca de R$ 600 todo m\u00eas com o desconto proporcionado pela moeda solar, dinheiro que ela pretende reinvestir na infraestrutura do ponto que ocupa. Ela tamb\u00e9m comemora que pode usar a moeda para comprar nos mercadinhos do bairro, em vez de ir a grandes redes de supermercado.<\/p>\n<p>As moedas verdes, analisa Eduardo Diniz, oferecem uma alternativa social, econ\u00f4mica e ambiental para comunidades desprivilegiadas. Al\u00e9m disso, possibilitam pensar uma nova forma de economia, em que o dinheiro n\u00e3o \u00e9 controlado apenas pelo Estado. &#8220;Esse modelo de o Estado controlar a moeda tem cinco, seis s\u00e9culos, mas a moeda \u00e9 muito mais antiga que isso, desde que a humanidade come\u00e7ou a produzir excedentes&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para Melo, as moedas verdes atacam um trip\u00e9. &#8220;Voc\u00ea protege o meio ambiente, aumenta a renda da fam\u00edlia e tamb\u00e9m fortalece o com\u00e9rcio local.&#8221;<\/p>\n<p>A comerciante Rosiline Lima, de 63 anos, por exemplo, correlaciona a sobreviv\u00eancia durante a pandemia e a expans\u00e3o do seu neg\u00f3cio ao uso da moeda verde em Igarap\u00e9-A\u00e7\u00fa. &#8220;Quando chegou a pandemia, eu me vi sem perspectiva, precisava sobreviver. Eu comecei a fazer p\u00e3o, botava numa bicicleta e sa\u00eda pela rua&#8221;, lembra.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Rosiline Lima segurando bicicleta\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/75735299_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Rosiline Lima segurando bicicleta\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Moeda verde ajudou Rosiline Lima a expandir seu neg\u00f3cioFoto: Carol Maraglh\u00e3es\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Nessa \u00e9poca, ela j\u00e1 fazia coleta de recicl\u00e1veis, mas deixava no quintal. Ent\u00e3o, come\u00e7ou a entregar ao Movimento Moeda Verde e usava o dinheiro social para comprar os insumos para produzir os p\u00e3es. Ela tamb\u00e9m acessou um microcr\u00e9dito de R$ 300, que pagou com os recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;Comecei a fazer campanha de recicl\u00e1vel, tanto na rua como com minha fam\u00edlia, para pagar. E assim eu consegui fazer o pagamento. Hoje eu j\u00e1 tenho uma moto e montei um espa\u00e7o para receber os clientes&#8221;, comemora.<\/p>\n<h5><strong>Nem tudo s\u00e3o flores<\/strong><\/h5>\n<p>Apesar de v\u00e1rios exemplos bem sucedidos, o desenvolvimento de uma moeda verde enfrenta muitos desafios, inclusive nas comunidades onde ela opera. Em Santiago, Igarap\u00e9-A\u00e7\u00fa e no Conjunto Palmeiras foi preciso usar a criatividade para educar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da coleta ou sobre o que \u00e9 energia solar, bem como criar mecanismos para mant\u00ea-los engajados na participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sai na rua com o carro de som, tem assembleia com os moradores para explicar o que \u00e9 a usina solar. Tamb\u00e9m temos o agente comunit\u00e1rio de energia, que vai de casa em casa, acompanhar as fam\u00edlias&#8221;, diz Melo.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas se empolgam, mas rapidamente se desempolgam. A gente precisa inventar coisas para continuar promovendo a mudan\u00e7a de comportamento&#8221;, acrescenta Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Outro desafio da expans\u00e3o das moedas verdes, para Melo, est\u00e1, contraditoriamente, no modelo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que vem sendo adotado no Brasil, que, segundo ele, exclui da participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. &#8220;Toda a matriz energ\u00e9tica brasileira, toda a legisla\u00e7\u00e3o, est\u00e1 voltada para as grandes usinas, para os grandes parques solares&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Ele usa o exemplo dos impactos socioambientais das&nbsp;usinas e\u00f3licas no Cear\u00e1&nbsp;para fortalecer a cr\u00edtica e diz que \u00e9 preciso que o pa\u00eds entenda as moedas verdes como pol\u00edtica p\u00fablica. &#8220;O grande problema da transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, de projetos de cr\u00e9ditos de carbono, etc., \u00e9 que eles podem at\u00e9 reduzir o impacto clim\u00e1tico, mas concentram renda na m\u00e3o de novos bilion\u00e1rios&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>De acordo com Eduardo Diniz, isso influencia na escalabilidade das moedas verdes. &#8220;Uma das minhas hip\u00f3teses para elas estarem mais em cidades pequenas e m\u00e9dias \u00e9 que, nas cidades grandes, a estrutura de coleta de lixo \u00e9 muito controlada, h\u00e1 uma press\u00e3o de certas empresas&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um terceiro entrave, o desenvolvimento de pesquisas sobre moedas sociais e verdes. &#8220;A academia acaba gostando de estudar os megaproblemas e, \u00e0s vezes, esquece de estudar modelos de pequena escala&#8221;, aponta Diniz. Para ele, \u00e9 preciso estudar o que funciona e n\u00e3o funciona, para apoiar as comunidades no desenvolvimento dos projetos.<\/p>\n<p>Melo tamb\u00e9m defende a cria\u00e7\u00e3o de marcos regulat\u00f3rios, como legisla\u00e7\u00f5es, e a amplia\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios. &#8220;O Brasil gasta bilh\u00f5es em subs\u00eddios para o setor de energia el\u00e9trica. N\u00f3s estamos dizendo, n\u00f3s precisamos para fins sociais, para distribuir riqueza, temos um relevante trabalho econ\u00f4mico&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Um dos sonhos de Carol Magalh\u00e3es, por exemplo, \u00e9 conseguir acessar os financiamentos dos bancos p\u00fablicos e privados, mas isso ainda n\u00e3o aconteceu, mesmo com pr\u00eamios e reconhecimentos locais. &#8220;Estamos falando de economia, de circula\u00e7\u00e3o de moeda num territ\u00f3rio e quando fazemos isso, retemos riqueza aqui dentro&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><strong><span class=\"m1ho1h07 l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Cr\u00e9dito: Alice de Souza \/ <\/span>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 3\/1\/2026<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cria\u00e7\u00e3o de sistemas monet\u00e1rios alternativos, baseados na troca de recicl\u00e1veis e consumo de energia solar por cr\u00e9ditos para uso em com\u00e9rcio local, crescem e j\u00e1 movimentam R$ 550 mil mensais no pa\u00eds. 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