{"id":107961,"date":"2026-02-23T04:15:44","date_gmt":"2026-02-23T07:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=107961"},"modified":"2026-02-22T18:39:15","modified_gmt":"2026-02-22T21:39:15","slug":"de-bem-com-a-vida-o-poder-viciante-de-instagram-tiktok-e-outras-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2026\/02\/23\/de-bem-com-a-vida-o-poder-viciante-de-instagram-tiktok-e-outras-redes-sociais\/","title":{"rendered":"De Bem com a Vida: O poder viciante de Instagram, TikTok e outras redes sociais"},"content":{"rendered":"<p><strong>Meta enfrenta processo nos EUA por potencial do Instagram e de outras plataformas de criar depend\u00eancia. Ao mesmo tempo, muitos pa\u00edses cogitam proibir o uso de redes por menores. O que dizem os especialistas?<\/strong><\/p>\n<p>O CEO da Meta,&nbsp;Mark Zuckerberg, enfrenta, nos Estados Unidos, um&nbsp;julgamento de grande repercuss\u00e3o&nbsp;perante um j\u00fari. Pais e uma demandante, hoje com 20 anos, acusam a Meta e o&nbsp;Google&nbsp;de terem projetado suas plataformas de maneira proposital para viciar crian\u00e7as e adolescentes e, como resultado, causar problemas psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de Zuckerberg sobre o potencial viciante das plataformas Instagram &nbsp;e&nbsp; YouTube&nbsp;ganham destaque em um momento em que cada vez mais pa\u00edses discutem ou j\u00e1 implementaram&nbsp;proibi\u00e7\u00f5es ou restri\u00e7\u00f5es abrangentes&nbsp;ao uso de redes sociais por menores de idade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_107964\" aria-describedby=\"caption-attachment-107964\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-107964 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=300%2C131\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"131\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=300%2C131&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=1024%2C448&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=768%2C336&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=960%2C420&amp;ssl=1 960w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=150%2C66&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=696%2C305&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?resize=1068%2C467&amp;ssl=1 1068w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/74798356_1004.webp?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-107964\" class=\"wp-caption-text\">Mark Zuckerberg compareceu a tribunal de Los Angeles para esclarecer sobre depend\u00eancia de adolescentes nas redes sociaisFoto: Arda Kucukkaya\/Anadolu\/picture alliance<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma an\u00e1lise das pesquisas cient\u00edficas revela paralelos claros entre o uso intensivo de redes sociais e o consumo de drogas \u2013 e adiciona urg\u00eancia ao debate em torno da&nbsp;proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um recente artigo de discuss\u00e3o, a Academia Nacional de Ci\u00eancias Leopoldina da Alemanha destaca que uma parcela significativa de jovens no pa\u00eds apresenta padr\u00f5es de uso semelhantes aos de um v\u00edcio, com sinais de perda de controle, neglig\u00eancia de outras atividades e sofrimento psicol\u00f3gico mensur\u00e1vel, como transtornos de ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<h5><strong>Altera\u00e7\u00f5es cerebrais causadas pelas redes<\/strong><\/h5>\n<p>No entanto, o v\u00edcio em redes sociais ainda n\u00e3o \u00e9 reconhecido como um diagn\u00f3stico oficial na medicina. Isso ocorre porque, apesar das crescentes evid\u00eancias, o corpo cient\u00edfico de pesquisas sobre altera\u00e7\u00f5es cerebrais causalmente relacionadas ao uso de redes sociais permanece limitado.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo e especialista em v\u00edcios, Prof. Dr. Christian Montag, ex-chefe do Departamento de Psicologia Molecular da Universidade de Ulm e Professor Em\u00e9rito em Macau, alerta para a necessidade de diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O v\u00edcio em redes sociais ainda n\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico reconhecido pela medicina. Ainda faltam estudos de imagem abrangentes que comprovem analogias reais com a depend\u00eancia da hero\u00edna. Uma compara\u00e7\u00e3o direta com a hero\u00edna cria mais p\u00e2nico moral do que faz justi\u00e7a \u00e0 complexidade da quest\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Na verdade, existe o risco de que os crit\u00e9rios de diagn\u00f3sticos da \u00e1rea de depend\u00eancias relacionadas a subst\u00e2ncias levem \u00e0 patologiza\u00e7\u00e3o de comportamentos cotidianos, uma vez que as redes sociais se tornaram t\u00e3o comuns. Portanto, s\u00e3o necess\u00e1rios crit\u00e9rios claros e espec\u00edficos que realmente distingam o comportamento prejudicial do uso normal da internet&#8221;, afirma Montag.<\/p>\n<h5><strong>V\u00edcio em redes tamb\u00e9m atinge adultos<\/strong><\/h5>\n<p>Se os h\u00e1bitos normais de uso de smartphones por jovens forem prematuramente declarados como v\u00edcio, ou seja, &#8220;patologizados&#8221;, como afirma Montag, ent\u00e3o o mesmo deveria se aplicar aos adultos, afinal, muitos deles tamb\u00e9m passam tempo consider\u00e1vel em seus smartphones todos os dias. Uma proibi\u00e7\u00e3o, portanto, mascararia os problemas em vez de resolv\u00ea-los.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os jovens perderiam a oportunidade de usar as m\u00eddias digitais de forma respons\u00e1vel, porque a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica estaria impedida de ser praticada no dia a dia.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, a ci\u00eancia n\u00e3o conseguiu comprovar rela\u00e7\u00e3o causal entre o uso de redes sociais por crian\u00e7as e altera\u00e7\u00f5es cerebrais. Ou seja, permanece em aberto se a mudan\u00e7a observada \u00e9 realmente atribu\u00edvel \u00e0s redes ou teria outras causas.<\/p>\n<p>Fatores socioecon\u00f4micos, ambiente familiar, problemas de sa\u00fade mental preexistentes, priva\u00e7\u00e3o de sono, falta de exerc\u00edcios f\u00edsicos e tra\u00e7os de personalidade individuais podem gerar interfer\u00eancias e levar a conclus\u00f5es erradas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, diversas pesquisas sobre o uso de redes sociais s\u00e3o baseadas em dados autodeclarados de crian\u00e7as e pais, que podem estar sujeitos a erros, distor\u00e7\u00f5es e problemas de mem\u00f3ria. Estudos de imagem que utilizam t\u00e9cnicas como a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica tamb\u00e9m costumam ser correlacionais e n\u00e3o garantem que as altera\u00e7\u00f5es cerebrais medidas sejam de fato causadas pelo consumo de redes sociais.<\/p>\n<h5><strong>Risco maior para crian\u00e7as com TDAH<\/strong><\/h5>\n<p>No entanto, o fato de uma rela\u00e7\u00e3o causal ainda n\u00e3o ter sido comprovada conclusivamente n\u00e3o significa que ela n\u00e3o exista. Diversos estudos j\u00e1 indicam que as redes sociais podem afetar o c\u00e9rebro dos jovens de forma semelhante \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>Com o uso intensivo, a \u00e1rea do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pelas sensa\u00e7\u00f5es de felicidade e recompensa \u2013 o chamado sistema dopamin\u00e9rgico \u2013 \u00e9 ativada. Em particular, regi\u00f5es cerebrais importantes como o corpo estriado, a am\u00edgdala, a \u00ednsula e o c\u00f3rtex cingulado anterior s\u00e3o alteradas,&nbsp;\u00e1reas onde tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas anormalidades em casos de depend\u00eancia qu\u00edmica.<\/p>\n<p>Adolescentes com problemas de aten\u00e7\u00e3o, como o&nbsp;Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade&nbsp;(TDAH), est\u00e3o especialmente em risco. O uso intensivo de redes sociais pode agravar esses problemas.<\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00f5es em certas regi\u00f5es cerebrais tamb\u00e9m foram parcialmente detectadas por meio de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Em particular, o volume de massa cinzenta diminui em \u00e1reas importantes para o controle e as emo\u00e7\u00f5es. Altera\u00e7\u00f5es semelhantes tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas em pessoas viciadas em drogas como a hero\u00edna.<\/p>\n<h5><strong>Perda de controle semelhante \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica<\/strong><\/h5>\n<p>Estudos mostram, em alguns casos, processos semelhantes \u00e0 depend\u00eancia em adolescentes com uso constante de redes sociais. Com o tempo, eles experimentam cada vez menos &#8220;sentimentos de felicidade&#8221; com novas curtidas ou mensagens. O c\u00e9rebro se torna dessensibilizado e anseia por cada vez mais est\u00edmulos, como \u00e9 caracter\u00edstico da depend\u00eancia.<\/p>\n<p>O especialista Montag tamb\u00e9m v\u00ea uma forte influ\u00eancia das redes sociais no c\u00e9rebro adolescente. &#8220;Os aplicativos de redes sociais exercem, sem d\u00favida, uma forte atra\u00e7\u00e3o sobre usu\u00e1rios muito jovens. Curtidas, coment\u00e1rios e recompensas algor\u00edtmicas desencadeiam processos viciantes em jovens, intensificados pelo fato de sua autorregula\u00e7\u00e3o ainda estar em desenvolvimento.&#8221;<\/p>\n<p>Aqueles&nbsp;que utilizam redes sociais constantemente podem perder o controle, buscando incessantemente novos conte\u00fados e negligenciando outros aspectos da vida di\u00e1ria. Quando seus celulares s\u00e3o confiscados, eles frequentemente experimentam inquieta\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo p\u00e2nico, que s\u00e3o sintomas semelhantes aos de abstin\u00eancia. As consequ\u00eancias podem incluir problemas de sono, al\u00e9m de ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<h5><strong>Proibi\u00e7\u00e3o ou preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p>A&nbsp;proibi\u00e7\u00e3o das redes sociais para menores de 16 anos&nbsp;virou tema de discuss\u00e3o no Parlamento alem\u00e3o, o Bundestag, pelo l\u00edder da bancada do partido conservador&nbsp;Uni\u00e3o Democrata Crist\u00e3 (CDU), Jens Spahn. Outros pa\u00edses t\u00eam dado passos na mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em termos legais, uma proibi\u00e7\u00e3o \u00e9 atualmente pouco vi\u00e1vel, tanto pol\u00edtica quanto juridicamente. A Lei de Servi\u00e7os Digitais da Uni\u00e3o Europeia (UE) restringe a\u00e7\u00f5es nacionais unilaterais.&nbsp;<\/p>\n<p>A Academia Leopoldina&nbsp;rejeita uma proibi\u00e7\u00e3o geral das redes sociais para menores de 16 anos. Em vez disso, a institui\u00e7\u00e3o defende um princ\u00edpio de precau\u00e7\u00e3o, que exige medidas de preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o enquanto existirem incertezas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es alternativas incluem a&nbsp;verifica\u00e7\u00e3o mais rigorosa da idade digital pelas plataformas, a supervis\u00e3o parental at\u00e9 pelo menos&nbsp;15 anos,&nbsp;melhor educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e o fomento a compet\u00eancias digitais nas escolas e na sociedade.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Alexander Freund \/ Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 23\/2\/2026<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meta enfrenta processo nos EUA por potencial do Instagram e de outras plataformas de criar depend\u00eancia. Ao mesmo tempo, muitos pa\u00edses cogitam proibir o uso de redes por menores. O que dizem os especialistas? 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