{"id":108392,"date":"2026-03-14T04:15:30","date_gmt":"2026-03-14T07:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=108392"},"modified":"2026-03-13T17:46:25","modified_gmt":"2026-03-13T20:46:25","slug":"guerra-no-ira-ameaca-deixar-legado-toxico-no-meio-ambiente-e-afeta-o-agronegocio-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2026\/03\/14\/guerra-no-ira-ameaca-deixar-legado-toxico-no-meio-ambiente-e-afeta-o-agronegocio-do-brasil\/","title":{"rendered":"Guerra no Ir\u00e3 amea\u00e7a deixar legado t\u00f3xico no meio ambiente e afeta o agroneg\u00f3cio do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Os ataques a instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas e bases de m\u00edsseis na guerra de Estados Unidos e Israel contra o&nbsp;Ir\u00e3&nbsp;est\u00e3o despertando preocupa\u00e7\u00f5es entre especialistas sobre um legado t\u00f3xico para a sa\u00fade humana e o meio ambiente que pode persistir muito depois do fim dos combates.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do conflito, a ONG brit\u00e2nica&nbsp;<em>Conflict and Environment Observatory<\/em>&nbsp;(CEOBS) identificou mais de 300 incidentes com potencial de causar danos ambientais \u2013 desde ataques a bases de m\u00edsseis at\u00e9 ofensivas contra petroleiros no Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>Mas os pesquisadores afirmam que esse n\u00famero provavelmente representa apenas uma fra\u00e7\u00e3o do dano real. &#8220;Isso \u00e9 s\u00f3 a ponta do iceberg&#8221;, afirma o diretor da CEOBS, Doug Weir. &#8220;S\u00f3 os Estados Unidos afirmam que atingiram 5 mil alvos&#8221;.<\/p>\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas tamb\u00e9m alertaram que ataques recentes a instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas podem gerar &#8220;consequ\u00eancias ambientais graves em toda a regi\u00e3o, com potenciais impactos imediatos sobre a \u00e1gua pot\u00e1vel, o ar que as pessoas respiram e os alimentos.&#8221;<\/p>\n<p>Um sinal desses riscos surgiu quando uma &#8220;chuva negra&#8221; \u2013 mistura de \u00f3leo com precipita\u00e7\u00e3o \u2013 cobriu as ruas de Teer\u00e3 ap\u00f3s ataques israelenses no fim de semana contra v\u00e1rias instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas.<\/p>\n<p>Inc\u00eandios nas instala\u00e7\u00f5es lan\u00e7aram uma espessa fuma\u00e7a negra sobre a capital, onde vivem quase 10 milh\u00f5es de pessoas, levando o Crescente Vermelho do Ir\u00e3 a alertar os moradores para permanecerem em casa a fim de evitar poluentes t\u00f3xicos no ar. Alguns moradores relataram dores de cabe\u00e7a e dificuldade para respirar.<\/p>\n<p>Segundo Zongbo Shi, professor de biogeoqu\u00edmica atmosf\u00e9rica da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, a fuma\u00e7a provavelmente continha poluentes como &#8220;material particulado fino e di\u00f3xido de enxofre, al\u00e9m de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis t\u00f3xicos e outros subprodutos perigosos da combust\u00e3o&#8221;. Essas part\u00edculas podem penetrar profundamente nos pulm\u00f5es e est\u00e3o associadas a riscos maiores de doen\u00e7as respirat\u00f3rias e cardiovasculares, especialmente entre beb\u00eas, idosos e pessoas com problemas de sa\u00fade pr\u00e9-existentes, de acordo com Shi.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Fuma\u00e7a e explos\u00f5es vistas no horizonte em cena noturna\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/76331005_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Fuma\u00e7a e explos\u00f5es vistas no horizonte em cena noturna\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Densa fuma\u00e7a pairava sobre Teer\u00e3 ap\u00f3s Israel atacar instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferasFoto: Berno\/SIPA\/picture alliance<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h5><strong>Legado t\u00f3xico duradouro<\/strong><\/h5>\n<p>Al\u00e9m da polui\u00e7\u00e3o imediata do ar, especialistas alertam que ataques a instala\u00e7\u00f5es militares e de energia podem deixar uma contamina\u00e7\u00e3o que persiste no ambiente por anos.<\/p>\n<p>Quando instala\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo s\u00e3o bombardeadas \u2013 como ocorreu no Ir\u00e3 e em outros pa\u00edses do Golfo \u2013, elas podem liberar nuvens de poluentes t\u00f3xicos que se espalham pelas comunidades pr\u00f3ximas e se acumulam em estradas, telhados, solos e \u00e1reas agr\u00edcolas, segundo a CEOBS.<\/p>\n<p>Ataques a locais militares como bases de m\u00edsseis tamb\u00e9m s\u00e3o extremamente perigosos, pois inc\u00eandios e explos\u00f5es liberam contaminantes t\u00f3xicos como combust\u00edveis, metais pesados,&nbsp;PFAS&nbsp;(chamados de&nbsp;qu\u00edmicos eternos) e explosivos. Alguns desses compostos podem permanecer por muito tempo ap\u00f3s o fim das hostilidades.<\/p>\n<p>Por exemplo, o TNT \u2013 usado em muni\u00e7\u00f5es e classificado como poss\u00edvel carcin\u00f3geno humano pela Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos EUA (EPA) \u2013 pode permanecer no solo, prejudicando a vegeta\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>No entanto, avaliar a escala da contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil sem testes presenciais. &#8220;Temos pouqu\u00edssima transpar\u00eancia ou certeza sobre o que existe nesses locais atingidos&#8221;, sublinha Weir. &#8220;Sabemos, em termos gerais, que podem conter materiais militares, alguns deles t\u00f3xicos, como propelentes e combust\u00edveis para m\u00edsseis, mas realmente n\u00e3o temos detalhes ou dados concretos sobre o que havia ali e o que foi destru\u00eddo.&#8221;<\/p>\n<p>A equipe de Weir s\u00f3 pode usar imagens de sat\u00e9lite, mapas de danos por radar, redes sociais e not\u00edcias para avaliar os riscos ambientais \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<h5><strong>Ecossistemas marinhos em risco<\/strong><\/h5>\n<p>Os ataques dos EUA e Israel contra a marinha iraniana, assim como&nbsp;ataques do Ir\u00e3 a navios&nbsp;que tentam atravessar o&nbsp;Estreito de Ormuz, tamb\u00e9m aumentam o risco de derramamentos de \u00f3leo.<\/p>\n<p>O Golfo P\u00e9rsico abriga recifes extensos e ecossistemas marinhos importantes, como campos de ervas marinhas que servem de habitat para peixes, ostras perl\u00edferas, tartarugas-verdes e a segunda maior popula\u00e7\u00e3o mundial de dugongos \u2013 esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Comunidades pesqueiras tamb\u00e9m dependem do mar para sustento.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma dimens\u00e3o que raramente vemos na maioria dos conflitos&#8221;, frisa Weir. &#8220;Tamb\u00e9m vimos v\u00e1rios locais costeiros atacados por Israel, onde h\u00e1 grande probabilidade de poluentes atingirem o ambiente costeiro.&#8221;<\/p>\n<p>Os EUA afirmaram nesta quarta-feira que atingiram mais de 60 navios iranianos durante os combates.<\/p>\n<p>Navios afundados podem se tornar fontes prolongadas de polui\u00e7\u00e3o se combust\u00edvel e outros materiais perigosos vazarem para a \u00e1gua, afirma Weir. Ele acrescenta que uma fragata iraniana torpedeada durante o conflito est\u00e1 agora vazando uma longa mancha de \u00f3leo ao largo do Sri Lanka. &#8220;N\u00e3o \u00e9 apenas o Golfo P\u00e9rsico que est\u00e1 em risco&#8221;, observa Weir. &#8220;Esses impactos ambientais j\u00e1 chegaram ao Sri Lanka.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Dugongo nadando no mar\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/62966929_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Dugongo nadando no mar\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Golfo P\u00e9rsico abriga a segunda maior popula\u00e7\u00e3o de dugongos, atr\u00e1s apenas da Austr\u00e1liaFoto: Andrey Nekrasov\/ZUMAPRESS.com\/picture alliance<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h5><strong>Imensa pegada de CO\u2082<\/strong><\/h5>\n<p>Outra forma de os impactos ambientais se espalharem al\u00e9m das zonas de conflito s\u00e3o as enormes emiss\u00f5es de carbono geradas pelas opera\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas primeiros anos da&nbsp;guerra da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia, por exemplo, produziram ao menos 230 milh\u00f5es de toneladas de CO\u2082 equivalente, segundo a ONG&nbsp;<em>Initiative on GHG Accounting of War<\/em>. Isso equivale \u00e0s emiss\u00f5es anuais combinadas de Hungria, \u00c1ustria, Rep\u00fablica Tcheca e Eslov\u00e1quia.<\/p>\n<p>As for\u00e7as armadas s\u00e3o grandes consumidoras de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Se os militares do mundo fossem um pa\u00eds, teriam a quarta maior pegada de carbono do planeta, representando cerca de 5,5% das emiss\u00f5es globais. Mesmo assim, os pa\u00edses n\u00e3o s\u00e3o obrigados a incluir emiss\u00f5es militares nos totais nacionais que reportam como parte do Acordo de Paris.<\/p>\n<h5><strong>Recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a guerra<\/strong><\/h5>\n<p>O Ir\u00e3 j\u00e1 enfrentava press\u00f5es ambientais severas, como escassez cr\u00f4nica de \u00e1gua, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica crescente e degrada\u00e7\u00e3o de grandes ecossistemas \u2013 problemas agravados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pela m\u00e1 gest\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>A guerra est\u00e1 intensificando esses desafios. Conflitos costumam ser seguidos de governan\u00e7a fr\u00e1gil, com a prote\u00e7\u00e3o ambiental perdendo prioridade nas transi\u00e7\u00f5es do conflito para a paz, observou Weir. Ele acredita que esse tamb\u00e9m ser\u00e1 o caso no Ir\u00e3, um pa\u00eds que, segundo ele, &#8220;tem sido historicamente muito fechado e pouco transparente sobre o meio ambiente e sua degrada\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Se o regime iraniano permanecer no poder, segundo Weir n\u00e3o est\u00e1 claro se ir\u00e1 reconhecer a necessidade de limpeza ambiental, nem quanto apoio obter\u00e1 da comunidade internacional nesse caso. &#8220;Estamos vendo muitos danos ambientais, mas tamb\u00e9m uma alta probabilidade de que teremos pouqu\u00edssima transpar\u00eancia no futuro e capacidade muito limitada para limpar ou gerenciar os danos causados.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Natalie Muller \/&nbsp;<\/strong><strong>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 14\/3\/2026<\/strong><\/p>\n<hr>\n<header class=\"sgeegmk\">\n<h3 class=\"daqvxdf h1du6kc5 l1ozsu87 p1s74fjj s16w0xvi sngcpkw b1fzgn0z\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Como a guerra no Ir\u00e3 afeta o agroneg\u00f3cio do Brasil<\/strong><\/span><\/h3>\n<p class=\"teaser-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">Alta no pre\u00e7o dos fertilizantes j\u00e1 gera incerteza em produtores de todo o mundo. Brasil ainda tem tempo at\u00e9 a pr\u00f3xima safra, mas tudo vai depender de quanto tempo o conflito vai perdurar.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"c17j8gzx rc0m0op r1ebneao s198y7xq rich-text l1evdo4u blt0baw s16w0xvi rcjjkz7 w128axg5 b1fzgn0z\" data-tracking-skip=\"true\" data-tracking-name=\"rich-text\">\n<p>Os reflexos econ\u00f4micos da guerra travada entre&nbsp;Estados Unidos&nbsp;e&nbsp;Israel&nbsp;contra o&nbsp;Ir\u00e3&nbsp;est\u00e3o gerando incertezas em setores considerados essenciais para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no mundo.<\/p>\n<p>Depois do choque no pre\u00e7o da energia, com o barril de&nbsp;petr\u00f3leo atingindo um valor pr\u00f3ximo dos 100 d\u00f3lares, o novo foco da inseguran\u00e7a agora s\u00e3o os fertilizantes, produzidos largamente por pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico, que utilizam o&nbsp;Estreito de Ormuz, agora bloqueado, como rota de transporte.<\/p>\n<p>O choque atinge em especial o grupo de fertilizantes nitrogenados, principalmente a ureia, o insumo do tipo mais usado por agricultores em todo o mundo \u2013 estima-se que metade do volume do produto comercializado no planeta tenha origem no Golfo, segundo a Bloomberg Intelligence.<\/p>\n<p>L\u00edder na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, o&nbsp;Brasil importa cerca de 85% do volume de&nbsp;fertilizantes&nbsp;utilizados anualmente, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), citados pela ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters.<\/p>\n<p>Em 2025, todo o estoque de ureia do pa\u00eds teve origem no exterior, com aproximadamente 41% dessas importa\u00e7\u00f5es passando justamente pelo Estreito de Ormuz, segundo a consultoria Agrinvest.<\/p>\n<h5><strong>Pre\u00e7o da ureia dispara<\/strong><\/h5>\n<p>Um complicador a mais nessa equa\u00e7\u00e3o \u00e9 g\u00e1s natural liquefeito (GLN), utilizado para a produ\u00e7\u00e3o dos fertilizantes nitrogenados. Assim como o petr\u00f3leo, cerca de um quinto do volume de GNL exportado mundialmente passa por Ormuz. Al\u00e9m disso, na semana passada, a Qatar Energy interrompeu a produ\u00e7\u00e3o devido a ataques iranianos a Ras Laffan, maior centro mundial de GNL e fertilizantes.<\/p>\n<p>Essas vari\u00e1veis j\u00e1 est\u00e3o sendo repassadas para o mercado. Tamb\u00e9m na semana passada, a ureia comercializada registrou uma alta de 37%, no Egito, mercado utilizado como refer\u00eancia para os pre\u00e7os internacionais, com o pre\u00e7o da tonelada passando de 485 d\u00f3lares para 665 d\u00f3lares.<\/p>\n<p>\u00c9 um valor ainda abaixo do pico de mil d\u00f3lares, alcan\u00e7ado ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, outro grande produtor do nitrogenado e alvo de san\u00e7\u00f5es internacionais. Mas j\u00e1 gera temor quanto \u00e0s pr\u00f3ximas semanas principalmente junto aos mercados do Hemisf\u00e9rio Norte, que est\u00e3o no in\u00edcio do plantio para a pr\u00f3xima colheita.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia da ureia \u00e9 maior para gr\u00e3os como milho, trigo e arroz. Segundo Joseph Glauber, pesquisador s\u00eanior do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Pol\u00edticas Alimentares (IFPRI, na sigla em ingl\u00eas), com sede em Washington, a alta nos fertilizantes pode levar agricultores a optar por culturas que precisam de menos fertilizantes para evitar custos mais altos com insumos. Com isso, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola pode ficar prejudicada.<\/p>\n<p>Um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz reduzir\u00e1 &#8220;significativamente a disponibilidade de fertilizantes em grandes regi\u00f5es dependentes de importa\u00e7\u00f5es, como Brasil, \u00cdndia, Sul da \u00c1sia e partes da EU&#8221;, alertou o banco holand\u00eas ING, em um comunicado do in\u00edcio do m\u00eas.<\/p>\n<p>Outros produtores de fertilizantes, como R\u00fassia, China, Estados Unidos e Marrocos, t\u00eam capacidade ociosa limitada e ter\u00e3o dificuldade em aumentar instantaneamente a produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes para compensar o d\u00e9ficit. A China recentemente imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de fertilizantes fosfatados e nitrogenados, mas pode decidir voltar atr\u00e1s para amortecer os pre\u00e7os.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Qatar Gas\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/67074481_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Qatar Gas\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Distrito industrial de Ras Laffan, no Catar, complexo gigante na produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e fertilizantes, foi atingido por ataques retaliat\u00f3rios do Ir\u00e3Foto: KARIM JAAFAR\/AFP via Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h5><strong>E o Brasil?<\/strong><\/h5>\n<p>Enquanto esse impacto deve chegar primeiro nos pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte, como os Estados Unidos, por causa do in\u00edcio da primavera, no&nbsp;Brasil os reflexos ainda s\u00e3o incertos. No pa\u00eds, a compra de fertilizantes nitrogenados \u00e9 maior nos \u00faltimos meses do ano, antes do plantio de milho.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar disso, o n\u00edvel de incerteza \u00e9 elevado e n\u00e3o h\u00e1 garantia de que os pre\u00e7os estar\u00e3o mais favor\u00e1veis nas pr\u00f3ximas semanas. A falta de previsibilidade no cen\u00e1rio geopol\u00edtico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente dif\u00edcil de antecipar neste momento&#8221;, afirmou, em nota, o analista Tom\u00e1s Pern\u00edas, da consultoria StoneX, especializada em commodities.<\/p>\n<p>Mas, a princ\u00edpio, pelo menos por agora, os agricultores brasileiros devem sofrer menos em compara\u00e7\u00f5es com os colegas do Hemisf\u00e9rio Norte, diz Mauro Osaki, pesquisador de custos agr\u00edcolas do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultora Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esaql\/USP).<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 tudo ainda muito incerto em rela\u00e7\u00e3o aos fertilizantes, mas a cultura de segunda safra j\u00e1 est\u00e1 praticamente finalizada. Para o milho, o produtor provavelmente j\u00e1 comprou [os fertilizantes]&#8221;, comenta ele. A preocupa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 com o planejamento para a pr\u00f3xima safra, de 2026\/2027.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, comparado com anos anteriores, em fun\u00e7\u00e3o desse conflito, d\u00e1 a impress\u00e3o de que n\u00f3s aceleramos um pouco mais a compra dos fertilizantes para essa temporada&#8221;, afirma Osaki.<\/p>\n<p>Segundo ele, os maiores impactos futuros podem recair sobre as culturas de trigo e cevada \u2013 que j\u00e1 v\u00eam acumulando rentabilidade negativa em algumas safras. A dificuldade de obter fertilizante nitrogenado tamb\u00e9m amea\u00e7a atingir o plantio de arroz e do feij\u00e3o. Ambos os gr\u00e3os, no entanto, j\u00e1 v\u00eam sofrendo queda de rentabilidade por uma mudan\u00e7a no perfil do consumidor brasileiro, que vem lentamente substituindo esses produtos, reduzindo a demanda, acrescenta o pesquisador do Cepea.<\/p>\n<p>&#8220;Basicamente, a gente vive ainda uma certa incerteza, sobre o quanto que esse conflito vai se transmitir no pre\u00e7o \u2013 e mais para frente, em alguma eleva\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Osaki. No curto prazo, acrescenta, o impacto maior ficaria a\u00ed para as lavouras de inverno \u2013 trigo, aveia, cevada e a chamada safrinha de milho.<\/p>\n<h5><strong>Soja<\/strong><\/h5>\n<p>At\u00e9 agora, a Petrobras n\u00e3o repassou a alta do petr\u00f3leo no mercado internacional aos postos de gasolina. O consumidor, no entanto, j\u00e1 sente o aumento do combust\u00edvel no bolso, mesmo que menor em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses europeus,&nbsp;como a Alemanha.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, segundo a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), o pre\u00e7o m\u00e9dio do diesel acumulou uma alta de 8,4% na \u00faltima semana \u2013 um aumento de R$ 0,50 no litro comercializado pelos postos. A gasolina ficou 11% mais cara no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Esse desdobramento j\u00e1 afeta a comercializa\u00e7\u00e3o da soja, maior produto de exporta\u00e7\u00e3o brasileira, aponta o Cepea. Neste per\u00edodo do ano, o fluxo de caminh\u00f5es \u00e9 maior por causa da colheita do gr\u00e3o, o que tamb\u00e9m impacta no frete. Isso tende a reduzir a margem de lucro dos produtores.<\/p>\n<p>Diante disso, &#8220;boa parte desses agentes j\u00e1 se mostra mais ativa nas vendas da oleaginosa, o que vem elevando a liquidez no mercado spot nacional. Al\u00e9m disso, as vendas foram estimuladas pela proximidade de vencimento de compromissos financeiros e pela recupera\u00e7\u00e3o cambial&#8221;, acrescenta o Cepea.&nbsp;<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o de pesquisa tamb\u00e9m acrescenta que o conflito no Oriente M\u00e9dio pode redirecionar outros compradores de soja ao Brasil, aumentando as exporta\u00e7\u00f5es nacionais, principalmente pelo fato de o pa\u00eds j\u00e1 concentrar 61% da demanda mundial para o gr\u00e3o nesse per\u00edodo do ano.<\/p>\n<figure class=\"placeholder-image master_landscape big\">\n<div class=\"render-container po8t7s9\">\n<div class=\"srnoiv7 s1a75hd4 lazy-load-container\">\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"hq-img loaded\" title=\"Carro \u00e9 abastecido na Alemanha\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.dw.com\/image\/76323897_906.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Carro \u00e9 abastecido na Alemanha\" width=\"696\" height=\"391\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Consumidor j\u00e1 sente no bolso os reflexos da guerra, principalmente no pre\u00e7o dos combust\u00edveisFoto: Sebastian Kahnert\/dpa\/picture alliance<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<h5><strong>Carne de Frango<\/strong><\/h5>\n<p>J\u00e1 no setor de prote\u00edna animal a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, j\u00e1 que quase 25% das exporta\u00e7\u00f5es de carne de frango tiveram como destino, em 2025, o Oriente M\u00e9dio \u2013 com Emirados \u00c1rabes Unidos, pa\u00eds impactado pelos ataques do Ir\u00e3, em primeiro lugar. A Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 o terceiro.<\/p>\n<p>De acordo com o Cepea, agendamentos de novos embarques para a regi\u00e3o podem acabar suspensos por causa do conflito. O fechamento do Estreito de Ormuz tamb\u00e9m afeta o setor av\u00edcola, que utiliza a rota para as exporta\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante disso, produtores j\u00e1 avaliam redirecionar as vendas de carne de frango para outros mercados. &#8220;Por\u00e9m, vale lembrar que o com\u00e9rcio exterior tamb\u00e9m envolve quest\u00f5es log\u00edsticas, legais e fitossanit\u00e1rias, o que dificulta essa alternativa&#8221;, diz o Cepea.&#8221;Caso, de fato, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras da carne de frango sejam bastante comprometidas pelo contexto e por consequ\u00eancias do conflito observado no Oriente M\u00e9dio, a produ\u00e7\u00e3o nacional voltada ao mercado externo poderia ser destinada e comercializada no interno. Agentes relatam que essa alternativa, contudo, traz novos desafios ao setor, j\u00e1 que exigiria algumas adapta\u00e7\u00f5es (como embalagens, etiquetas e afins)&#8221;, complementa o instituto.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: <span class=\"m1ho1h07 l1evdo4u blt0baw s16w0xvi sngcpkw w128axg5 b1fzgn0z\">F\u00e1bio Corr\u00eaa <\/span>\/ <\/strong><strong>Deutsche Welle &#8211; @ dispon\u00edvel na internet 14\/3\/2026<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ataques a instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas e bases de m\u00edsseis na guerra de Estados Unidos e Israel contra o&nbsp;Ir\u00e3&nbsp;est\u00e3o despertando preocupa\u00e7\u00f5es entre especialistas sobre um legado t\u00f3xico para a sa\u00fade humana e o meio ambiente que pode persistir muito depois do fim dos combates. 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