{"id":10928,"date":"2017-03-01T00:10:51","date_gmt":"2017-03-01T03:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=10928"},"modified":"2017-02-28T20:24:53","modified_gmt":"2017-02-28T23:24:53","slug":"a-odebrecht-e-craque-em-se-entender-bem-com-a-esquerda-e-com-a-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/03\/01\/a-odebrecht-e-craque-em-se-entender-bem-com-a-esquerda-e-com-a-direita\/","title":{"rendered":"A Odebrecht \u00e9 craque em se entender bem com a esquerda e com a direita."},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo-apertura \">\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Ex-executivo do alto escal\u00e3o da construtora contou ao EL PA\u00cdS como entrava em outros mercados, da Am\u00e9rica Latina \u00e0 Europa, aliado a parceiros locais para operar com governos de todas as tend\u00eancias pol\u00edticas<\/p>\n<p>Desde que as investiga\u00e7\u00f5es envolvendo a <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/odebrecht\/a\" target=\"_blank\">Odebrecht<\/a> chegaram \u00e0 promotoria norte-americana, em 2014, o caso de corrup\u00e7\u00e3o da gigante brasileira tomou dimens\u00f5es internacionais. As autoridades dos Estados Unidos se envolveram na apura\u00e7\u00e3o porque parte do dinheiro usado como propina pela construtora passou por bancos daquele pa\u00eds. Al\u00e9m disso, como a Petrobras tem a\u00e7\u00f5es na bolsa de Nova York, ela responde \u00e0 Justi\u00e7a norte-americana pelos delitos cometidos ali.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi\"><\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Protesto contra Odebrecht em Lima.\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/02\/22\/politica\/1487774300_326478_1487872509_noticia_normal.jpg?resize=696%2C425\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/02\/22\/politica\/1487774300_326478_1487872509_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/02\/22\/politica\/1487774300_326478_1487872509_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/02\/22\/politica\/1487774300_326478_1487872509_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Protesto contra Odebrecht em Lima.\" width=\"696\" height=\"425\" \/><figcaption class=\"foto-pie\">Protesto contra Odebrecht em Lima. <span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GUADALUPE PARDO\/REUTERS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_3|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h3 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">MAIS INFORMA\u00c7\u00d5ES<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Agora, Venezuela, Col\u00f4mbia, Argentina, M\u00e9xico, Rep\u00fablica Dominicana e Peru <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/21\/politica\/1482360664_921109.html\" target=\"_blank\">entraram na mira das investiga\u00e7\u00f5es<\/a> das autoridades internacionais. E, pela primeira vez, um ex-executivo do alto escal\u00e3o da empresa e um dos delatores da <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/operacion_lava_jato\/a\" target=\"_blank\">Lava Jato<\/a> admitiu o esquema no exterior. Ao EL PA\u00cdS, disse, com exclusividade, que a companhia se aliava a empresas locais para operar os esquemas de cartel e propina que realizou por anos dentro do Brasil. Essas parcerias permitiam \u00e0 empreiteira brasileira ter rela\u00e7\u00f5es privilegiadas com Governos de todas as tend\u00eancias pol\u00edticas. &#8220;A Odebrecht \u00e9 craque em se dar bem com a esquerda e com a direita&#8221;, disse o ex-executivo.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CJGOksf2s9ICFcmCkQodv3EHVQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-integralas-id-6884a968-7ac8-c73e-38bc-2b1df5e848ca=\"\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/21\/internacional\/1487715156_285045.html\" target=\"_blank\">Voc\u00ea n\u00e3o entra em um pa\u00eds sozinho<\/a>&#8220;, afirmou, ao contar sobre as parcerias da Odebrecht com as estrangeiras. Em cada pa\u00eds, a construtora\u00a0 buscou parceiros e s\u00f3cios para que abrissem as portas da pol\u00edtica local. A hist\u00f3ria, embora tenha vindo \u00e0 tona s\u00f3 agora, come\u00e7ou h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas. \u201cNa Argentina, por exemplo, <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/04\/internacional\/1483485819_377077.html\" target=\"_blank\">nos associamos \u00e0 Benito Roggio<\/a>\u201d, disse ele. \u201cIsso faz mais de 20 anos\u201d, afirmou, durante um almo\u00e7o com a reportagem.<\/p>\n<p>Fundada em 1908 por um imigrante italiano, a Benito Roggio \u00e9 hoje uma das prestadoras de servi\u00e7os mais importantes para a Argentina. Por isso, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que a Odebrecht a tenha escolhido como s\u00f3cia para sua incurs\u00e3o naquele pa\u00eds. O que ocorre \u00e9 que a Roggio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma construtora e seus tent\u00e1culos se estenderam a concess\u00f5es em transportes, saneamento e solu\u00e7\u00f5es ambientais, um modelo muito parecido ao que a Odebrecht tem no Brasil. Desde 1994, a empresa gerencia toda a rede de trens subterr\u00e2neos de Buenos Aires, atrav\u00e9s da empresa Metrov\u00edas, al\u00e9m da linha de trem Urquiza, que liga a capital com os munic\u00edpios do oeste.<\/p>\n<p>Seu modelo de neg\u00f3cios tamb\u00e9m inclui o servi\u00e7o de recolhimento de res\u00edduos na cidade de Buenos Aires, sob a marca Cliba, e em <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/30\/politica\/1483103066_414575.html\" target=\"_blank\">outras cidades da Am\u00e9rica Latina<\/a>, como Assun\u00e7\u00e3o (Paraguai), Puebla (M\u00e9xico), La Paz (Bol\u00edvia) e S\u00e3o Paulo. No Brasil, a Roggio integra o Cons\u00f3rcio VLT Carioca, junto com a operadora do metr\u00f4 de Paris, a RATP, para a constru\u00e7\u00e3o da linha VLT do Rio. A rede de neg\u00f3cios da Roggio tamb\u00e9m \u00e9 ampla no Paraguai, com projetos de at\u00e9 119 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o entra em um pa\u00eds sozinho&#8221;, diz o ex-executivo da Odebrecht<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em 1989, sob a presid\u00eancia de Carlos Menem, a Odebrecht e a Roggio fizeram uma parceria na Argentina para a constru\u00e7\u00e3o da Autopista Acesso Oeste, um dos principais corredores vi\u00e1rios de entrada e sa\u00edda de Buenos Aires. O ex-executivo da Odebrecht confirmou a este jornal que as opera\u00e7\u00f5es da companhia para negocia\u00e7\u00e3o de propina e cartel come\u00e7aram &#8220;muito antes&#8221; da onda de esquerda ganhar as elei\u00e7\u00f5es pelos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. &#8220;<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/08\/internacional\/1486569918_166233.html\" target=\"_blank\">A Odebrecht \u00e9 apartid\u00e1ria<\/a>&#8220;, disse.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no caso da Argentina, o kirchnerismo juntou novamente a Odebrecht com a Roggio. Em 2008, obtiveram o contrato para o desenvolvimento de uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua solicitada pela estatal Aysa. O projeto, destinado \u00e0 periferia norte de Buenos Aires, demandou 750 milh\u00f5es de d\u00f3lares no c\u00e2mbio da \u00e9poca, dos quais 290 milh\u00f5es foram financiados por um cr\u00e9dito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<h3>Na Col\u00f4mbia<\/h3>\n<p>Embora as investiga\u00e7\u00f5es na Col\u00f4mbia <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/09\/internacional\/1486658042_492471.html\" target=\"_blank\">estejam em fase embrion\u00e1ria<\/a>, o envolvimento de pol\u00edticos graduados em todo o esquema de subornos montado pela empreiteira brasileira <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/08\/internacional\/1486510802_202449.html\" target=\"_blank\">prenuncia um ano de esc\u00e2ndalos em plena pr\u00e9-campanha<\/a> para a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2018. At\u00e9 agora s\u00f3 h\u00e1 dois detidos. Um vice-ministro de Transportes do Governo do ex-presidente direitista \u00c1lvaro Uribe e um ex-senador cujas contradit\u00f3rias declara\u00e7\u00f5es abalaram os alicerces da Casa de Nari\u00f1o, resid\u00eancia do presidente.<\/p>\n<p>A Odebrecht distribuiu na Col\u00f4mbia 11 milh\u00f5es de d\u00f3lares em propinas para obter licen\u00e7as em obras nacionais e locais de infraestrutura. Mais de seis milh\u00f5es foram parar no bolso do ex-vice-ministro Gabriel Garc\u00eda Morales. Otto Bula, desconhecido da maioria, ocupou temporariamente o cargo de senador e levou 4,6 milh\u00f5es de d\u00f3lares da construtora. Parte desse dinheiro \u2013 especificamente um milh\u00e3o de d\u00f3lares \u2013 \u00e9 alvo de <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/22\/internacional\/1482440969_511419.html\" target=\"_blank\">um inqu\u00e9rito do Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a> e do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Col\u00f4mbia, que busca esclarecer se a verba irrigou a campanha eleitoral do presidente Juan Manuel Santos em 2014. Um comunicado do Minist\u00e9rio P\u00fablico em 7 de fevereiro dava a entender que a quantia poderia ter servido para esse fim. Uma semana depois, por\u00e9m, o ex-senador dep\u00f4s ao CNE e negou que a propina tenha ajudado a reelei\u00e7\u00e3o de Uribe.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">As opera\u00e7\u00f5es da companhia para negocia\u00e7\u00e3o de propina e cartel come\u00e7aram &#8220;muito antes&#8221; da onda de esquerda em Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Paralelamente, a Corte Suprema de Justi\u00e7a recebeu informa\u00e7\u00f5es confidenciais sobre a suposta vincula\u00e7\u00e3o de dezenas de congressistas com as propinas da empreiteira. O alto tribunal ter\u00e1 que revelar se h\u00e1 na lista pessoas com foro privilegiado, o que resultar\u00e1 em abrir ou n\u00e3o investiga\u00e7\u00f5es preliminares que permitiriam continuar ampliando o rol de envolvidos no esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, a Superintend\u00eancia de Sociedades, respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o das empresas, decidiu submeter a controles quatro companhias vinculadas \u00e0 Odebrecht: Odebrecht Latininvest Colombia SAS, Constructora Norberto Odebrecht de Colombia SAS e sua filial no exterior, al\u00e9m da Navelena SAS. Essas companhias est\u00e3o vinculadas a grandes projetos de infraestrutura no pa\u00eds, como a constru\u00e7\u00e3o de rodovias e a recupera\u00e7\u00e3o da navegabilidade do rio Madalena. \u201cUma vez que essa resolu\u00e7\u00e3o seja definitiva, a Superintend\u00eancia ter\u00e1 capacidades de fiscaliza\u00e7\u00e3o\u201d, dizia Francisco Reyes Villamizar, diretor do \u00f3rg\u00e3o. Ou seja, seus agentes poder\u00e3o solicitar documenta\u00e7\u00e3o fiscal e cont\u00e1bil, as empresas precisar\u00e3o pedir sua autoriza\u00e7\u00e3o para reformas e capitaliza\u00e7\u00f5es, e poder\u00e3o ser submetidas a investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso dos contratos assinados com a Odebrecht para a constru\u00e7\u00e3o de rodovias, a Superintend\u00eancia de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio deu um passo mais. Pablo Felipe Robledo, diretor do \u00f3rg\u00e3o, solicitou \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Infraestrutura (ANI) que liquide o contrato da Rota do Sol (trecho 2), um dos projetos mais importantes concedidos \u00e0 empresa brasileira. A decis\u00e3o se baseia numa suposta \u201cviola\u00e7\u00e3o da livre concorr\u00eancia\u201d.<\/p>\n<h3>Na Europa<\/h3>\n<p>O ex-executivo da Odebrecht explica que os bra\u00e7os da companhia n\u00e3o eram curtos. <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/31\/internacional\/1485881803_198150.html\" target=\"_blank\">Cruzando o oceano<\/a>, ele aponta a construtora Bento Pedroso, em Portugal, como uma das parceiras nos esquemas da empreiteira. &#8220;A Bento Pedroso foi comprada para que a Odebrecht entrasse em Portugal, h\u00e1 mais de 25 anos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em 2013, a festa de 25 anos da construtora luso-brasileira, no Pal\u00e1cio Nacional da Ajuda, contou com a presen\u00e7a do ex-presidente Lula entre os ilustres convidados. Para celebrar o anivers\u00e1rio, a companhia lan\u00e7ou, naquele mesmo dia, o livro <em>Tempo de criar o futuro<\/em>.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">TEMPESTADE NO PERU<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"sumario-autor\">RA\u00daL TOLA<\/p>\n<p>No Peru a Odebrecht tamb\u00e9m procurou como parceira a maior construtora do pais, Gra\u00f1a y Montero. E agora, o depoimento que Jorge Barata, ex-representante da empresa brasileira no Peru, deu aos promotores peruanos evid\u00eancias para desencadear uma tempestade cujo futuro \u00e9 incerto.<\/p>\n<p>Em sua confiss\u00e3o, o colaborador da justi\u00e7a reconheceu que a Odebrecht havia dado tr\u00eas milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 9,33 milh\u00f5es de reais) para a campanha de Ollanta Humala em 2011, na qual foi eleito presidente. Tamb\u00e9m falou do suborno de 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares pago ao ex-presidente Alejandro Toledo \u2013<a title=\"Caso Odebrecht: Peru oferece recompensa de 30.000 d\u00f3lares pelo ex-presidente Toledo\" href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/10\/internacional\/1486697025_525051.html\" target=\"_blank\">hoje fugitivo da justi\u00e7a, com uma ordem de pris\u00e3o preventiva decretada contra si<\/a>\u2013, com o qual a empresa brasileira garantiu a concess\u00e3o da Rodovia Interoce\u00e2nica Sul, que liga o Peru com o Brasil.<\/p>\n<p>Quando os promotores perguntaram se as empresas peruanas consorciadas com a Odebrecht na Interoce\u00e2nica sabiam dessas pr\u00e1ticas corruptas, Barata respondeu: \u201cO pagamento [a Toledo] foi feito pela Odebrecht, mas as outras empresas tinham conhecimento, n\u00e3o de detalhes, mas sabiam que t\u00ednhamos pago e sabiam que tinham de assumir a parte delas\u201d.<\/p>\n<p>Medir o impacto de uma den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o numa empresa como a Gra\u00f1a y Montero, que \u00e9 cotada em Bolsas de Valores (nas de Lima e Nova York), \u00e9 imposs\u00edvel. Neste caso, a incerteza despertou uma forte press\u00e3o de venda imediata entre os investidores. Acuadas pelos acontecimentos pol\u00edticos, as a\u00e7\u00f5es da construtora registraram uma queda hist\u00f3rica de 33,3% na Bolsa peruana e de 34,7% na de Nova York. Em Lima, a cota\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es recuou 1,10 soles e atingiu a m\u00ednima de 2,20 soles, com uma perda acumulada de 35% na semana.<\/p>\n<p><b>Interven\u00e7\u00e3o dos EUA<\/b><\/p>\n<p>Por seu tamanho, a Gra\u00f1a y Montero \u00e9 uma empresa com muitos interesses cruzados. De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da Superintend\u00eancia de Bancos e Seguros, as quatro administradoras do sistema privado de pens\u00f5es investiram cerca de 1,3 bilh\u00e3o de soles (cerca de 370 milh\u00f5es de d\u00f3lares) em a\u00e7\u00f5es da construtora.<\/p>\n<p>A empresa tentou enfrentar a turbul\u00eancia com um comunicado de imprensa em que negou veementemente as afirma\u00e7\u00f5es de Barata. \u201cReiteramos que nossa empresa e nossos executivos nunca tiveram conhecimento, e muito menos gerenciaram ou realizaram pagamento algum relacionado a qualquer forma de suborno ou reembolso de pagamentos desse tipo, realizados pela Odebrecht, como eles afirmaram\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O comunicado de pouco serviu. Poucas horas depois de publicado, soube-se que o Rosen Law Firm, um escrit\u00f3rio de advocacia que representa um grupo global de investidores, cogita abrir uma a\u00e7\u00e3o coletiva contra a construtora para recuperar as perdas sofridas por seus acionistas em Nova York. Seu argumento \u00e9 que \u201ca Gra\u00f1a y Montero pode ter divulgado informa\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios materialmente enganosas ao p\u00fablico investidor\u201d. Tudo pode se agravar caso a Comiss\u00e3o da Bolsa de Valores dos Estados Unidos (SEC) decida intervir por iniciativa pr\u00f3pria, amparada pelas estritas leis antifraude desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na tarde da \u00faltima sexta-feira, um grupo de promotores fez buscas nos escrit\u00f3rios da Gra\u00f1a y Montero para obter todas as informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis sobre os contratos assinados com a Odebrecht. Em sua conta no Twitter, o Minist\u00e9rio P\u00fablico afirmou que tais dilig\u00eancias se destinaram a esclarecer a investiga\u00e7\u00e3o de um caso diferente da concess\u00e3o da Rodovia Interoce\u00e2nica. Trata-se do Gasoduto Sul, uma dos maiores obras de infraestrutura da hist\u00f3ria do Peru (representa um investimento de mais de 7,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares). A opera\u00e7\u00e3o foi suspensa quando o cons\u00f3rcio formado por Odebrecht, Gra\u00f1a y Montero e a espanhola Enag\u00e1s a perdeu, ao vencer o prazo para o financiamento. Como resultado, o Estado peruano executou a maior multa da hist\u00f3ria, de 262 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Isto implicou a Gra\u00f1a y Montero, a ICCGSA e a JJC Contratistas Generales, que formaram o cons\u00f3rcio CONIRSA com a empresa brasileira. Entre todas elas, a Gra\u00f1a y Montero \u00e9 a mais importante e a que sofreu as piores consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Marina Rossi\/ Federico Rivas Molina\/ Ana Marcos &#8211; <\/strong><strong>S\u00e3o Paulo \/ Buenos Aires \/ Bogot\u00e1<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>para El Pa\u00eds Brasil \u2013 dispon\u00edvel na internet 01\/03\/2017<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-executivo do alto escal\u00e3o da construtora contou ao EL PA\u00cdS como entrava em outros mercados, da Am\u00e9rica Latina \u00e0 Europa, aliado a parceiros locais para operar com governos de todas as tend\u00eancias pol\u00edticas Desde que as investiga\u00e7\u00f5es envolvendo a Odebrecht chegaram \u00e0 promotoria norte-americana, em 2014, o caso de corrup\u00e7\u00e3o da gigante brasileira tomou dimens\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-10928","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Josias-cartum-lava-jato.jpg?fit=560%2C350&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10928\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}