{"id":11497,"date":"2017-03-18T07:18:16","date_gmt":"2017-03-18T10:18:16","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=11497"},"modified":"2017-03-18T07:18:16","modified_gmt":"2017-03-18T10:18:16","slug":"escandalo-da-carne-impacta-industria-no-brasil-e-ameaca-exportacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/03\/18\/escandalo-da-carne-impacta-industria-no-brasil-e-ameaca-exportacoes\/","title":{"rendered":"Esc\u00e2ndalo da carne impacta ind\u00fastria no Brasil e amea\u00e7a exporta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O status do Brasil como exportador de produtos de carne de qualidade passou a ser amea\u00e7ado nesta sexta-feira depois que a Pol\u00edcia Federal revelou um esquema de propina que identificou casos que permitiram a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos estragados e maquiados por insumos como papel\u00e3o e produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o Carne Fraca, a maior j\u00e1 realizada pela Pol\u00edcia Federal, identificou uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa liderada por fiscais agropecu\u00e1rios federais e cerca de 40 empresas. A PF citou entre as empresas as gigantes JBS e BRF e outras como Peccin Agro Industrial.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca vimos nada parecido antes no setor. Em termos de esc\u00e2ndalo, nunca aconteceu nada semelhante. \u00c9 a primeira vez que se identifica e se d\u00e1 nome \u00e0s pessoas. Isso \u00e9 horripilante&#8221;, disse Alex Lopes da Silva, analista especializado no mercado pecu\u00e1rio da Scot Consultoria.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma den\u00fancia bastante grave. Tem \u00f3rg\u00e3os federais de fiscaliza\u00e7\u00e3o sendo corrompidos, isso abre muita possibilidade para o Brasil sofrer algum tipo de impacto&#8230; Mancha todo um sistema que o Brasil est\u00e1 construindo h\u00e1 anos de que tem um processo de produto bem feito&#8221;, afirmou Silva.<\/p>\n<p>O Brasil come\u00e7ou a exportar carne para a Europa no in\u00edcio dos anos 2000 e apenas no ano passado conseguiu aprova\u00e7\u00e3o para embarcar carne bovina in natura aos Estados Unidos, um dos mercados mais exigentes do mundo em termos de qualidade de produtos aliment\u00edcios.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es de carnes do Brasil (bovina, su\u00edna e de frango) subiram de cerca de 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2000 para aproximadamente 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no ano passado.<\/p>\n<p>O analista de pecu\u00e1ria do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq\/USP, S\u00e9rgio De Zen, foi na mesma linha, apostando que o esc\u00e2ndalo poder\u00e1 ser aproveitado para imposi\u00e7\u00e3o de dificuldades \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de carne.<\/p>\n<p>&#8220;Vai ter pa\u00edses aproveitando? Vai. Mas o impacto disso n\u00e3o vai ser t\u00e3o grande como seria se eles descobrissem l\u00e1 fora o problema. Quem est\u00e1 apontando o problema \u00e9 o Brasil&#8221;, disse De Zen.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de De Zen, eventuais embargos externos \u00e0 carne brasileira dever\u00e3o ser por curto espa\u00e7o de tempo. Ele lembrou que importantes importadores, como europeus e russos, mandam miss\u00f5es pr\u00f3prias para fiscalizar o sistema sanit\u00e1rio do Brasil, o que faz com que grandes unidades exportadoras eventualmente fiquem menos sujeitas a sofrer embargos.<\/p>\n<p>&#8220;O importador mais exigente geralmente manda fiscaliza\u00e7\u00e3o aqui, ele n\u00e3o aceita qualquer coisa, ele fiscaliza antes de come\u00e7ar a importa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um processo diferenciado&#8221;, acrescentou, defendendo uma reformula\u00e7\u00e3o do sistema de fiscaliza\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria do Brasil e a cria\u00e7\u00e3o de uma ag\u00eancia independente de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto para o setor carnes, a opera\u00e7\u00e3o da PF poder\u00e1 ter repercuss\u00f5es nos pre\u00e7os dos gr\u00e3os, afirmou o presidente da AEB, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane os exportadores brasileiros, Jos\u00e9 Augusto Castro.<\/p>\n<p>Segundo ele, produtos como milho e soja, com forte presen\u00e7a na pauta exportadora brasileira, devem ter uma redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os no mercado global, na avalia\u00e7\u00e3o do dirigente.<\/p>\n<p>&#8220;Se o Brasil reduzir a quantidade (de carne) exportada, principalmente o frango que consome muita ra\u00e7\u00e3o, vamos deixar de transformar soja e milho em farelo; vai ter que colocar isso no mercado externo e com oferta maior isso pode derrubar o pre\u00e7o (dos gr\u00e3os)&#8221;.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de JBS e BRF despencaram nesta sexta-feira e lideraram as perdas do Ibovespa. A JBS afundou 10,59 por cento, maior queda desde outubro de 2016. BRF desabou 7,25 por cento, pior desempenho desde fevereiro. Tamb\u00e9m do setor, Marfrig; e Minerva, ca\u00edram cerca de 2 por cento cada.<\/p>\n<p>A BRF informou em comunicado ao mercado que &#8220;cumpre as normas e regulamentos referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e n\u00e3o compactua com pr\u00e1ticas il\u00edcitas. A BRF assegura a qualidade e a seguran\u00e7a de seus produtos e garante que n\u00e3o h\u00e1 nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 pa\u00edses em que atua&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 a JBS afirmou tamb\u00e9m em comunicado divulgado mais cedo que a empresa e suas subsidi\u00e1rias &#8220;atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulat\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds e no exterior e apoia as a\u00e7\u00f5es que visam punir o descumprimento de tais normas&#8221;. A empresa divulgou um novo comunicado na noite desta sexta-feira, afirmando que &#8220;nenhuma f\u00e1brica da JBS foi interditada (&#8230;) A JBS n\u00e3o compactua com desvios de conduta e tomar\u00e1 todas as medidas cab\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<p>Liga\u00e7\u00f5es feitas pela Reuters \u00e0 Peccin n\u00e3o foram atendidas.<\/p>\n<p>NO BRASIL<\/p>\n<p>Internamente, as empresas denunciadas devem sofrer impactos importantes sobre suas marcas, com a confian\u00e7a dos consumidores sendo abalada pela divulga\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es em que representantes de frigor\u00edficos conversam sobre inclus\u00e3o de carne de cabe\u00e7a de porco em lingui\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;No segmento alimentar, confian\u00e7a \u00e9 algo que vem no inconsciente desde pequeno, dentro da fam\u00edlia (&#8230;) Se tem desconfian\u00e7a t\u00e3o grande com comida, e nessas marcas o problema aparentemente existe, imagina o resgate de confian\u00e7a que isso n\u00e3o vai demandar&#8221;, afirmou o professor do curso de Publicidade e Propaganda da Funda\u00e7\u00e3o Armando Alvares Penteado (FAAP), S\u00e9rgio Silva, especializado em marcas.<\/p>\n<p>Segundo ele, \u00e9 dif\u00edcil precisar o tamanho do impacto financeiro para as empresas do setor gerado pelo esc\u00e2ndalo, &#8220;mas vai ser gigante&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O varejista vai se preocupar, tem risco de o varejista querer tirar tudo o que \u00e9 da marca e fazer o fabricante recomprar. Al\u00e9m dos supermercados, h\u00e1 ainda as cadeias de fast food, restaurantes, tem impacto na cadeia inteira&#8221;, disse Silva, lembrando de casos como os que atingiram a marca de leite de soja AdeS, hoje da Coca-Cola Femsa, em 2013. Na ocasi\u00e3o, lotes tiveram de ser retirados do mercado, depois que a empresa identificou na bebida produto de limpeza que podia causar queimaduras.<\/p>\n<p>Para Luli Radfahrer, professor-doutor da ECA-USP e ex-diretor de cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias grandes ag\u00eancias de publicidade, como AlmapBBDO, a melhor solu\u00e7\u00e3o para as empresas envolvidas no esc\u00e2ndalo seria mudar suas marcas.<\/p>\n<p>&#8220;Os eventos s\u00e3o muito gr\u00e1ficos&#8230; sujeito que ouviu uma vez na vida, nunca mais vai esquecer e sempre vai associar&#8221;, afirmou Radfahe, acrescentando que n\u00e3o h\u00e1 propaganda que salve o impacto sobre os produtos.<\/p>\n<p>Assim, como Silva, da FAAP, Radfahrer acredita que h\u00e1 riscos de distribuidores virem a p\u00fablico para dizerem que n\u00e3o aceitam as marcas envolvidas no esc\u00e2ndalo em suas prateleiras.<\/p>\n<p>A rede de varejo GPA afirmou em comunicado que os lotes de produtos in natura de fornecedores recebidos em suas centrais de distribui\u00e7\u00e3o passam por processos internos pr\u00f3prios de auditoria e que &#8220;qualquer tipo de irregularidade, se identificada, resulta na devolu\u00e7\u00e3o imediata do lote ao fornecedor&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Carrefour comentou que a rede j\u00e1 exigiu esclarecimento aos fabricantes envolvidos nas den\u00fancias e que possui controle rigoroso para sele\u00e7\u00e3o e monitoramento de seus fornecedores. O Walmart afirmou que confia plenamente em seus procedimentos internos de seguran\u00e7a dos alimentos e que est\u00e1 cobrando explica\u00e7\u00f5es dos fornecedores.<\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Eumar Novacki, foram interditadas as unidades da BRF em Mineiros (GO) e da Peccin em Jaragu\u00e1 do Sul (SC) e Curitiba.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Alberto Alerigi Jr., Roberto Samora e Paula Arend Lai com reportagem adicional de Eduardo Sim\u00f5es, em S\u00e3o Paulo, e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro\/Reuters Brasil \u2013 dispon\u00edvel na internet 18\/03\/2017<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O status do Brasil como exportador de produtos de carne de qualidade passou a ser amea\u00e7ado nesta sexta-feira depois que a Pol\u00edcia Federal revelou um esquema de propina que identificou casos que permitiram a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos estragados e maquiados por insumos como papel\u00e3o e produtos qu\u00edmicos. 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