{"id":11711,"date":"2017-03-27T05:42:15","date_gmt":"2017-03-27T08:42:15","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=11711"},"modified":"2017-03-27T05:42:15","modified_gmt":"2017-03-27T08:42:15","slug":"por-que-os-protestos-fracassaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/03\/27\/por-que-os-protestos-fracassaram\/","title":{"rendered":"Por que os protestos fracassaram?"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 que os temas do protesto n\u00e3o fossem objetivamente importantes, mas eram de engenharia pol\u00edtica, sem alvos espec\u00edficos<\/p>\n<p>\u00c9 in\u00fatil usar eufemismos: o protesto deste domingo contra os pol\u00edticos fracassou. Os mesmos que no ano passado\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/03\/13\/politica\/1457906776_440577.html\" target=\"_blank\">tinham levado \u00e0s ruas quase dois milh\u00f5es de pessoas<\/a>\u00a0Brasil afora para pedir a sa\u00edda de Dilma Rousseff e brandiram o \u201cFora Lula\u201d e o \u201cFora PT\u201d, junto com \u201cSomos Moro\u201d, desta vez preferiram ficar em casa vendo os acontecimentos de longe. O motivo agora ser\u00e1 estudado pelos analistas pol\u00edticos. Talvez concordem em parte com o que\u00a0j\u00e1 apontamos nesta coluna\u00a0em 16 de fevereiro passado, quando alertamos que os novos protestos de hoje \u201cpoderiam ter um efeito bumerangue\u201d, j\u00e1 que desta vez carregavam em seu seio \u201co veneno da ambiguidade\u201d.<\/p>\n<p>A sociedade costuma sair \u00e0 rua quando existe uma motiva\u00e7\u00e3o forte e clara que afeta pelo menos uma parte representativa dela. Foi o caso das multid\u00f5es em favor do impeachment de Dilma. O pa\u00eds estava assustado com a crise econ\u00f4mica. A infla\u00e7\u00e3o tinha disparado, o desemprego corria solto e as fam\u00edlias come\u00e7avam a se endividar. E a Lava Jato estava deixando \u00e0s claras a podrid\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Como disse uma senhora de idade, entre as poucas pessoas que sa\u00edram desta vez no Rio, \u201cn\u00e3o havia coisas espec\u00edficas\u201d contra as quais protestar. Desta vez, de fato, os motivos eram de engenharia pol\u00edtica, como a lista fechada nas elei\u00e7\u00f5es, o foro privilegiado e a mais geral, uma \u201creforma da pol\u00edtica\u201d. Faltava o sujeito da narrativa. Poderia ter sido o \u201cfora Temer\u201d, mas a economia n\u00e3o est\u00e1 pior e at\u00e9 pode melhorar. A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 caindo e o pa\u00eds, ainda que as trope\u00e7\u00f5es, saindo da longa recess\u00e3o. E a Lava Jato continua investigando e prendendo pol\u00edticos e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que os temas do protesto n\u00e3o fossem objetivamente importantes. Eram, j\u00e1 que a reforma pol\u00edtica, o n\u00e3o aos privil\u00e9gios acumulados pelos pol\u00edticos que acabam sempre enriquecendo, o perigo no Brasil de votar em listas fechadas e a continuidade da Lava Jato s\u00e3o cruciais para revitalizar a pol\u00edtica agora colocada no banco de reservas. Os temas pol\u00edticos sem um sujeito concreto falam, no entanto, menos aos brasileiros, j\u00e1 que como me dizia hoje na rua uma estudante de Direito, \u201cn\u00e3o somos politizados como s\u00e3o na Europa ou na Argentina, neste mesmo continente\u201d.<\/p>\n<p>O problema agora \u00e9 o que pode representar o fracasso da manifesta\u00e7\u00e3o para uma classe pol\u00edtica em busca de desculpas para se auto-anistiar e se perpetuar no poder. Poderia ser um cheque em branco para respirar aliviados e tentar dar o golpe mortal \u00e0 Lava Jato. \u201cSe for assim, ent\u00e3o as pessoas voltar\u00e3o a sair \u00e0 rua\u201d, me diz um amigo jornalista. Talvez, mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que j\u00e1 seja tarde demais. Apesar de ter raz\u00e3o em parte, j\u00e1 que a sociedade brasileira tem hoje mais consci\u00eancia de que a pol\u00edtica precisa de uma mudan\u00e7a radical se quiser salvar a democracia e que a justi\u00e7a deve ser igual para todos. \u00c9 uma sociedade que, ainda sem sair \u00e0 rua, continua atenta ao que o Congresso e os grandes partidos pol\u00edticos possam estar tramando, desta vez nem sequer na sombra, mas \u00e0 luz do dia.<\/p>\n<p>A grande manifesta\u00e7\u00e3o popular ser\u00e1, no entanto, em outubro do pr\u00f3ximo ano, quando 140 milh\u00f5es de brasileiros poder\u00e3o ir \u00e0s urnas e escolher o novo ou nova presidente e a nova classe pol\u00edtica. Essa ser\u00e1 a hora da verdade.<\/p>\n<p><em><strong>Cr\u00e9dito: Artigo publicado na <\/strong><\/em><em><strong>p\u00e1gina do EL Pais Brasil<\/strong><\/em><em><strong> \u2013 dispon\u00edvel na internet 2<\/strong><\/em><em><strong>7<\/strong><\/em><em><strong>\/03\/2017<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 que os temas do protesto n\u00e3o fossem objetivamente importantes, mas eram de engenharia pol\u00edtica, sem alvos espec\u00edficos \u00c9 in\u00fatil usar eufemismos: o protesto deste domingo contra os pol\u00edticos fracassou. 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