{"id":12664,"date":"2017-05-01T00:06:53","date_gmt":"2017-05-01T03:06:53","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=12664"},"modified":"2017-04-30T09:44:39","modified_gmt":"2017-04-30T12:44:39","slug":"temos-de-dizer-a-sociedade-que-a-vida-e-dura-e-as-reformas-tem-de-ser-feitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/05\/01\/temos-de-dizer-a-sociedade-que-a-vida-e-dura-e-as-reformas-tem-de-ser-feitas\/","title":{"rendered":"\u201cTemos de dizer \u00e0 sociedade que a vida \u00e9 dura e as reformas t\u00eam de ser feitas\u201d"},"content":{"rendered":"<p>L\u00edder da Maioria, que representa o\u00a0Governo Michel Temer, na\u00a0C\u00e2mara dos Deputados, Lelo Coimbra (PMDB-ES), aposta que a reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 aprovada ainda em maio pelo Legislativo. Em entrevista ao EL PA\u00cdS, ele sugere que a\u00a0greve geral\u00a0desta sexta-feira pesou na decis\u00e3o de votar logo a reforma trabalhista nesta semana e diz que a oposi\u00e7\u00e3o apresenta argumentos fantasiosos para barrar as mudan\u00e7as nas aposentadorias. A seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<ol>\n<li>A aprova\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista\u00a0nesta quarta-feira tinha o objetivo de tirar o peso da greve geral?<\/li>\n<li>H\u00e1 uma movimenta\u00e7\u00e3o em curso e n\u00f3s precis\u00e1vamos nesta semana ter uma posi\u00e7\u00e3o consolidada. At\u00e9 para que n\u00f3s pud\u00e9ssemos fazer uma movimenta\u00e7\u00e3o com mais tranquilidade, fora da cena de tens\u00e3o da primeira vota\u00e7\u00e3o em um segundo ponto. A tens\u00e3o ficou mais circunscrita \u00e0 uma demarca\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o por parte da oposi\u00e7\u00e3o. Mas os votos mostravam que estavam convergindo.<\/li>\n<li>Explique melhor essa quest\u00e3o de n\u00e3o ser influenciado pela greve geral de sexta-feira, por favor. Voc\u00ea acredita que conforme o tamanho do protesto, alguns deputados poderiam mudar seus votos?<\/li>\n<li>Quando falo de sexta-feira \u00e9 porque t\u00ednhamos um cronograma de agendas j\u00e1 estabelecido. T\u00ednhamos um relat\u00f3rio que consider\u00e1vamos bem elaborado e bem articulado pelo excelente trabalho que o relator Rog\u00e9rio Marinho(PSDB-RN) fez. E precis\u00e1vamos demonstrar que a base do Governo sustentava essa posi\u00e7\u00e3o. Demonstrar essa posi\u00e7\u00e3o de sustentabilidade neste momento que antecede a movimentos grevistas era importante. Al\u00e9m disso, prevemos iniciar a vota\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia j\u00e1 na pr\u00f3xima semana.<\/li>\n<li>Votar a reforma da Previd\u00eancia\u00a0j\u00e1 no plen\u00e1rio tamb\u00e9m?<\/li>\n<li>N\u00e3o. A partir de ter\u00e7a-feira, na comiss\u00e3o especial. Para o plen\u00e1rio n\u00e3o temos uma data fechada. Prevemos para a partir do dia 8 de maio estarmos com o texto pronto. Creio que at\u00e9 o dia 20 ter\u00edamos essa vota\u00e7\u00e3o conclu\u00edda.<\/li>\n<li>Por que a pressa nessa proposta de emenda constitucional?<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>&#8220;Essa forma como a oposi\u00e7\u00e3o trata o d\u00e9ficit da Previd\u00eancia \u00e9 como oferecer um pote de ouro no final do arco-\u00edris&#8221;<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o \u00e9 pressa. \u00c9 porque o Brasil est\u00e1 muito atrasado em rela\u00e7\u00e3o a esses temas. Desde o per\u00edodo do<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/luiz_inacio_da_silva\/a\/\">Lula<\/a>\u00a0deveria ser feito. Mas pela zona de conforto em que ele viveu no cen\u00e1rio internacional favor\u00e1vel, preferiu n\u00e3o entrar nessa briga. Ele tinha essa figura muito\u00a0<em>iconizada<\/em>. Embora tivesse discurso, n\u00e3o tinha formula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Mas ele tinha a base para aprova\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Tinha, mas n\u00e3o aproveitou a oportunidade naquele momento quando o custo de uma reforma da Previd\u00eancia seria menor. Naquele per\u00edodo, ele poderia trabalhar com o tempo diferente. Agora n\u00e3o, trabalhamos com uma urg\u00eancia. Al\u00e9m da quest\u00e3o demogr\u00e1fica, temos uma recess\u00e3o econ\u00f4mica e um sistema que precisa se reerguer, n\u00e3o s\u00f3 associado \u00e0 economia brasileira, quanto \u00e0 sustentabilidade da pr\u00f3pria Previd\u00eancia. Essa import\u00e2ncia do tempo tem a ver com a urg\u00eancia da tese. Ao mesmo tempo, temos de trabalhar com a menor possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o de processo eleitoral.<\/li>\n<li>Ou seja, voc\u00eas querem afastar qualquer impacto que essas reformas trariam nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. \u00c9 isso?<\/li>\n<li>Vamos ter outras agendas urgentes. Temos de produzir uma lei eleitoral at\u00e9 cinco de outubro, um ano antes das elei\u00e7\u00f5es. Precis\u00e1vamos fazer uma lei eleitoral bem abrangente, mas n\u00e3o vai dar tempo. Nessa quest\u00e3o eleitoral, viveremos o desafio de resolver a quest\u00e3o do financiamento eleitoral, que foi proibido de ser feito por empresas. Estamos diante de um momento, durante a Lava Jato, em que essa rela\u00e7\u00e3o foi criminalizada. \u00c9 uma quest\u00e3o que tem de ser discutida sob a pena de irmos para a elei\u00e7\u00e3o do ano que vem sem um sistema claro.<\/li>\n<li>Sem essa regulamenta\u00e7\u00e3o o risco de o caixa dois ocorrer \u00e9 maior?<\/li>\n<li>Esse risco existe, claro. Temos de descobrir uma f\u00f3rmula que entre em conson\u00e2ncia neste momento p\u00f3s-Lava Jato. Ou seja, se pudermos esgotar essa agenda estrutural agora, para dar a oportunidade ao Brasil retomar o crescimento aproveitando esses primeiros sinais de recupera\u00e7\u00e3o. Temos 13,5 milh\u00f5es de desempregados [na sexta feira foi divulgado que j\u00e1 s\u00e3o 14 milh\u00f5es] e esse ser\u00e1 o \u00faltimo quadro negativo a ser revertido quando sairmos da crise.<\/li>\n<li>A oposi\u00e7\u00e3o bate muito na tecla de que os n\u00fameros da Previd\u00eancia Social n\u00e3o s\u00e3o deficit\u00e1rios. Dizem que se cobrar as multas ou as d\u00edvidas, o d\u00e9ficit seria praticamente zerado. Como o governo rebate esse argumento?<\/li>\n<li>Esse tema foi vencido politicamente. \u00c9 l\u00f3gico que ficam alguns \u00edcones. Quando se fala em n\u00e3o haver d\u00e9ficit na Previd\u00eancia, comete-se alguns equ\u00edvocos que eu acho que j\u00e1 foram desmistificados. Mas quando eles v\u00e3o para a imprensa ou para as redes sociais, impactam as pessoas. A d\u00edvida ativa est\u00e1 de aproximadamente 1,2 trilh\u00e3o de reais. A d\u00edvida da Previd\u00eancia \u00e9 de 460 bilh\u00f5es de reais. Os procuradores da Fazenda j\u00e1 calculam que no m\u00e1ximo 30% dessa d\u00edvida com a Previd\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel recuperar, com muito esfor\u00e7o. Isso representa 138 bilh\u00f5es de reais. Esse resgate n\u00e3o faz o encontro de contas. Ele n\u00e3o cobre nem o d\u00e9ficit anual, que \u00e9 de 158 bilh\u00f5es de reais. A d\u00edvida ativa acaba se tratando dela de uma maneira mistificadora.<\/li>\n<li>Na sua opini\u00e3o, esse discurso dos opositores \u00e9 falso. \u00c9 isso?<\/li>\n<li>\u00c9 um discurso fantasioso, mentiroso, \u00e9 deseducador. H\u00e1 ainda outra quest\u00e3o, que s\u00e3o as desonera\u00e7\u00f5es. A Dilma desonerou o que p\u00f4de. E esses que agora est\u00e3o reclamando n\u00e3o abriram a boca. E o atual governo reviu essas desonera\u00e7\u00f5es. H\u00e1 ainda um equ\u00edvoco conceitual que \u00e9 central, na minha opini\u00e3o. \u00c9 o seguinte: n\u00e3o queremos discutir esse tema sob a perspectiva das despesas. Porque elas representariam ganhos de sociedade. A\u00ed est\u00e1 escondido dentro o corporativismo. Vamos discutir pelas receitas. S\u00f3 que quando trazem a receita para o debate, trazem esses dados fantasiosos. Essa forma como a oposi\u00e7\u00e3o trata o d\u00e9ficit da Previd\u00eancia \u00e9 como oferecer um pote de ouro no final do arco-\u00edris. Estamos em um modelo de sociedade que n\u00e3o temos sa\u00edda, que precisamos discutir o custo da sociedade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O problema na reforma da Previd\u00eancia \u00e9 que a mem\u00f3ria da primeira vers\u00e3o do texto ficou muito tempo caminhando sozinha. \u00c9 preciso mudar essa mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>H\u00e1 ainda argumentos de que as duas reformas, trabalhista e previdenci\u00e1ria, privilegiam mais o mercado do que a popula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Temos de ter o compromisso de prote\u00e7\u00e3o social dos mais desassistidos, dos mais vulner\u00e1veis. N\u00e3o est\u00e1 em jogo uma op\u00e7\u00e3o por capital financeiro versus resto da sociedade. O que est\u00e1 posto \u00e9 o fluxo de recurso que sustenta a Previd\u00eancia e o conjunto de despesas que dele s\u00e3o decorrentes, com conjunto de benef\u00edcios e direitos. Temos de enfrentar isso como uma quest\u00e3o permanente. N\u00e3o d\u00e1 para ir na elei\u00e7\u00e3o do ano que vem dizendo que vai desfazer a elei\u00e7\u00e3o presidencial. Esse discurso tenta reproduzir a ideia de que ter responsabilidade fiscal \u00e9 n\u00e3o ter responsabilidade social. N\u00f3s n\u00e3o faremos a segunda parte se n\u00e3o fizermos a primeira. Vivemos num mundo c\u00e3o. Se voc\u00ea n\u00e3o organiza as finan\u00e7as, voc\u00ea tem infla\u00e7\u00e3o, fila de processos a pagar, tem a corrup\u00e7\u00e3o se instaurando. A responsabilidade fiscal e social tem a ver com esse ambiente de reformas que estamos vivendo. Eu acredito no que estamos fazendo, embora saiba que n\u00e3o estamos atravessando um mar com o sol quente e com o mar limpo. Temos tempestades eventuais e um mar com algumas revoltas.<\/li>\n<li>Mas por que agora? Por que essas reformas n\u00e3o foram defendidas com tanto afinco antes?<\/li>\n<li>Quando o Fernando Henrique [Cardoso] era o presidente [1995-2002] eu era deputado estadual pelo PSDB. Presenciei alguns bastidores no partido e me lembro de uma conversa dele com o PT na qual ele reproduziu a seguinte fala: \u201ceu n\u00e3o tenho mais perspectiva de poder. Voc\u00eas t\u00eam. Para voc\u00eas adquirirem o poder, voc\u00eas se op\u00f5em a mim e fazem as suas narrativas. Deixem eu fazer essa reforma da Previd\u00eancia que voc\u00eas precisar\u00e3o dela. Voc\u00eas n\u00e3o precisar\u00e3o faz\u00ea-la, deixa que eu fa\u00e7o. Critiquem, reclamem, mas n\u00e3o obstruam\u201d. Eles n\u00e3o deixaram. No primeiro Governo Lula, assessores dele se lamentaram de n\u00e3o terem ouvido o Fernando Henrique. Agora, eles precisavam dela. Se eles n\u00e3o tivessem atrapalhado, n\u00e3o precisar\u00edamos passar por isso nesse momento. S\u00f3 far\u00edamos ajustes ao seu tempo. N\u00e3o adianta os opositores irem para a sociedade ficarem brincando de mocinho. Temos de dizer que a vida \u00e9 dura e as reformas t\u00eam de ser feitas.<\/li>\n<li>Como o governo tem monitorado essa greve geral e de que maneira ela influenciar\u00e1 na vota\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia?<\/li>\n<li>A vota\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i a cada momento. N\u00f3s criamos um marco, com a reforma trabalhista. Agora temos de ver como n\u00f3s evolu\u00edmos na rela\u00e7\u00e3o com a sociedade, na comunica\u00e7\u00e3o com a base. Temos de ver como ser\u00e3o as adversidades, que s\u00e3o os movimentos que est\u00e3o a\u00ed postos. Ao mesmo tempo, voc\u00ea d\u00e1 a oportunidade para a sociedade que quer a reforma tamb\u00e9m se mobilize. Tivemos uma grande movimenta\u00e7\u00e3o no per\u00edodo do impeachment de Dilma e agora temos um movimento da contrarreforma. E a sociedade que queria as mudan\u00e7as e reformas agora est\u00e1 dando sinais de que est\u00e1 vindo junto tamb\u00e9m. Estamos tendo um reequil\u00edbrio e o Governo ter\u00e1 de ser capaz politicamente de fazer a gest\u00e3o desse processo. Tamb\u00e9m atuando junto a sua base pol\u00edtica que, na C\u00e2mara, \u00e9 de 411 parlamentares.<\/li>\n<li>Se essa base \u00e9 t\u00e3o grande, por que h\u00e1 tanta preocupa\u00e7\u00e3o com os votos? Por que a gest\u00e3o Temer ainda n\u00e3o tem o n\u00famero necess\u00e1rio [308 votos] para aprovar a reforma da Previd\u00eancia?<\/li>\n<li>Porque voc\u00ea tem interesses regionais. Tenho um amigo que votou contra uma mudan\u00e7a no tamanho da d\u00edvida da previd\u00eancia porque ele \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o ao governador do seu Estado e, por mais que ele acredite que essa quest\u00e3o tem de ser revista, ele n\u00e3o podia se posicionar conforme seu opositor local. Outro deputado vive em um Estado em que 73% dos trabalhadores s\u00e3o servidores p\u00fablicos. Como ele lida com isso? Ele tem dificuldades. Temos de entender ponto a ponto os limites e as responsabilidades de cada um. Desses 411 temos de trabalhar no conceito de 80% (328) que podem votar conosco nos dois turnos.<\/li>\n<li>Essa seria sua aposta?<\/li>\n<li>N\u00e3o fa\u00e7o essa conta.<\/li>\n<li>Quem faz \u00e9 o ministro Eliseu Padilha [Casa Civil]?<\/li>\n<li>Ele faz. Mas entendo que temos que estabelecer primeiro os votos consolidados ou consolid\u00e1veis. E depois identificar os problemas nas bancadas de regi\u00f5es espec\u00edficas e fazermos nossos ajustes de relacionamento e comprometimento. No come\u00e7o do texto foram feitos ajustes frutos dessa interlocu\u00e7\u00e3o. O problema na reforma da Previd\u00eancia \u00e9 que a mem\u00f3ria da primeira vers\u00e3o do texto ficou muito tempo caminhando sozinha. \u00c9 preciso mudar essa mem\u00f3ria por meio da nossa comunica\u00e7\u00e3o. Agora, os votos vir\u00e3o. N\u00e3o tenho d\u00favida<\/li>\n<li>O presidente Michel Temer\u00a0tem menos de 10% de aprova\u00e7\u00e3o popular. Como o Governo e a sua base aliada est\u00e3o enxergando essa falta de apoio a ele?<\/li>\n<li>O presidente n\u00e3o \u00e9 um pol\u00edtico de massa. Nunca foi. Ele tem uma hist\u00f3ria pessoal respeitada, que o transformou em uma lideran\u00e7a nacional. Essa popularidade varia um pouco por causa da atua\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o. E essa oposi\u00e7\u00e3o tem responsabilidade pela atual crise. Ela foi produzida pelos que hoje fazem oposi\u00e7\u00e3o. Nos dois governos da Dilma Rousseff, principalmente. O componente internacional foi muito baixo e o local, muito forte. As decis\u00f5es foram equivocadas em v\u00e1rios momentos.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>&#8220;O presidente [Temer] n\u00e3o \u00e9 um pol\u00edtico de massa. Nunca foi.&#8221;<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Essa impopularidade de Temer pode interferir na aprova\u00e7\u00e3o das reformas?<\/li>\n<li>N\u00e3o. O Governo tem de se comunicar melhor com a sociedade. Mas de maneira geral, n\u00e3o vejo problemas na rela\u00e7\u00e3o com o Congresso. O Governo tem um m\u00e9rito importante que \u00e9 o de ter um perfil parlamentarista. Sempre achamos que um governo nascido nas urnas, fresquinho das urnas, pudesse fazer grandes movimenta\u00e7\u00f5es. Mas quando voc\u00ea nasce das urnas fresquinho, voc\u00ea tamb\u00e9m fica com dificuldade de descer do palanque. A\u00ed n\u00e3o faz o que tem de ser feito. Estamos em um governo que tem essas caracter\u00edsticas de rela\u00e7\u00e3o parlamentar, depois de um impeachment e tem de fazer revers\u00e3o do quadro que foi criado. Nossa agenda \u00e9 das reformas. Por paradoxal que pare\u00e7a, um governo com menor popularidade pode ser o Governo que vai fazer as reformas que o Brasil precisa. \u00c9 nisso que apostamos.<\/li>\n<li>Desculpe a insist\u00eancia, mas essa falta de aprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o interfere em nada?<\/li>\n<li>Digo que temos de monitorar a rela\u00e7\u00e3o com a sociedade. Precisamos ter um di\u00e1logo claro com a popula\u00e7\u00e3o para passar o sentimento de seguran\u00e7a. N\u00f3s n\u00e3o estamos fazendo um projeto pol\u00edtico-partid\u00e1rio de poder. Estamos fazendo um projeto de transi\u00e7\u00e3o brasileira e estrutura\u00e7\u00e3o de vida do pa\u00eds. \u00c9 um projeto de vida para o pa\u00eds.<\/li>\n<li>Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 preocupado com2018, que \u00e9 ano eleitoral?<\/li>\n<li>Quando me perguntam isso minha resposta \u00e9 a mesma. N\u00e3o, porque acredito no que estou fazendo. Eu faria em quaisquer circunst\u00e2ncias. Segundo, fa\u00e7o porque n\u00e3o acredito que 2018 seja um ano de algum brilho se n\u00e3o resolvermos 2017. N\u00e3o chegaremos l\u00e1 sem cumprir o papel das reformas de 2017. \u00c9 bobagem achar que no meio de um temporal voc\u00ea vai ficar abrigado porque achou uma pequena copa de \u00e1rvore. Estamos diante de um debate das coisas que precisam ser enfrentadas. E, terceiro, precisamos oferecer para o processo eleitoral do ano que vem um ambiente econ\u00f4mico e de recoloca\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica em uma rela\u00e7\u00e3o com a sociedade mais proativa.<\/li>\n<li>Quando voc\u00ea fala da<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/operacion_lava_jato\/a\/\">Lava Jato<\/a>, o que me vem \u00e0 cabe\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 que h\u00e1 oito ministros investigados por ela, outras dezenas de peemedebistas alvos de inqu\u00e9ritos ou den\u00fancias. Como voc\u00eas lidam com isso?<\/li>\n<li>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 institucionalidade, h\u00e1 uma decis\u00e3o do presidente que eu considero importante que \u00e9 a de fazer um corte no tempo que torna impeditivo a perman\u00eancia no cargo, que \u00e9 o fato de ser denunciado. Estamos em um processo de debate e discuss\u00e3o do sistema de financiamento eleitoral. Dentro dele temos um esquema de corrup\u00e7\u00e3o que foi sistematizado na vida p\u00fablica brasileira a partir de 2005. Para mim, quem esteja de maneira criminosa envolvido em qualquer esquema, tem de ser punido. Seja de que partido for. \u00c9 l\u00f3gico que quanto mais um l\u00edder do partido for atingido, mais se expressa a rejei\u00e7\u00e3o da legenda. Mas as atua\u00e7\u00f5es individuais s\u00e3o muito n\u00edtidas. Voc\u00ea percebe que os depoimentos e as manifesta\u00e7\u00f5es dos investigados s\u00e3o muito nominais. T\u00eam hist\u00f3rias pessoais que precisam ser esclarecidas. Algumas, pode ser que sejam injustas, mas outras, voc\u00ea percebe que n\u00e3o. Tudo tem de ser investigado.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>&#8220;\u00c9 bobagem achar que no meio de um temporal voc\u00ea vai ficar abrigado porque achou uma pequena copa de \u00e1rvore&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Afonso Benites \/ El Pa\u00eds Brasil \u2013 dispon\u00edvel na internet 01\/05\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00edder da Maioria, que representa o\u00a0Governo Michel Temer, na\u00a0C\u00e2mara dos Deputados, Lelo Coimbra (PMDB-ES), aposta que a reforma da Previd\u00eancia ser\u00e1 aprovada ainda em maio pelo Legislativo. 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