{"id":12699,"date":"2017-05-02T06:53:24","date_gmt":"2017-05-02T09:53:24","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=12699"},"modified":"2017-05-02T06:53:24","modified_gmt":"2017-05-02T09:53:24","slug":"reformas-impoem-desafios-a-sindicatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/05\/02\/reformas-impoem-desafios-a-sindicatos\/","title":{"rendered":"Reformas imp\u00f5em desafios a sindicatos"},"content":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7as como fim do imposto sindical e negocia\u00e7\u00f5es diretas nas empresas devem obrigar sindicalismo a buscar novos caminhos<\/p>\n<p>O movimento sindical comemora hoje o 1.\u00ba de Maio, data \u00edcone para as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, tendo de rever seu papel na sociedade brasileira. Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de atua\u00e7\u00e3o praticamente sem grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, at\u00e9 porque havia um alinhamento com o governo do PT, as centrais sindicais agora est\u00e3o acuadas.<\/p>\n<p>A reforma trabalhista pode minar o poder de atua\u00e7\u00e3o das entidades sindicais ao acabar com o imposto sindical e estabelecer negocia\u00e7\u00f5es por meio de representantes internos nas empresas com mais de 200 funcion\u00e1rios. A reforma da Previd\u00eancia \u00e9 outra dor de cabe\u00e7a. Al\u00e9m disso, h\u00e1 n\u00famero recorde de 14,2 milh\u00f5es de desempregados no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO sindicalismo vai passar por um momento extremamente delicado porque vai estar fragilizado em todas as suas for\u00e7as\u201d, diz o procurador geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury. Para ele, as duas maiores amea\u00e7as \u00e0s entidades s\u00e3o a possibilidade de extin\u00e7\u00e3o do imposto sindical e a cria\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o sem a participa\u00e7\u00e3o dos sindicatos.<\/p>\n<p>Para Fleury, antes da reforma trabalhista, o governo deveria fazer uma reforma na estrutura sindical. \u201cVai haver uma dilui\u00e7\u00e3o do poder de negocia\u00e7\u00e3o. Uma mudan\u00e7a poss\u00edvel seria acabar com a unicidade sindical. Se uma entidade n\u00e3o tem concorr\u00eancia, vai correr atr\u00e1s do trabalhador para qu\u00ea?\u201d<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do diretor t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Clemente Ganz L\u00facio, desde os anos 2000 o movimento sindical n\u00e3o tinha esse tipo de ataque. Nos \u00faltimos anos houve redu\u00e7\u00e3o de desemprego, ganho de renda e o Congresso n\u00e3o se debru\u00e7ou em temas que afetavam diretamente a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Com as reformas em curso, L\u00facio acredita que o movimento sindical ter\u00e1 de se recolocar e sair da situa\u00e7\u00e3o de certo conforto, pois n\u00e3o estava sendo atacado. \u201cO que se tem hoje \u00e9 o movimento sindical se reposicionando para uma situa\u00e7\u00e3o de desemprego crescente e ataque do Estado, por meio do governo, a um padr\u00e3o civilizat\u00f3rio de rela\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 uma mudan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Lobby. Com o fim do imposto obrigat\u00f3rio, Jos\u00e9 Marcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, avalia que sindicatos e centrais ter\u00e3o de se voltar para suas bases e prestarem melhor atendimento aos trabalhadores para, assim, angariarem mais filiados que possam ajudar a manter suas estruturas.<\/p>\n<p>\u201cEles ter\u00e3o de se voltar mais para as atividades sindicais e deixarem de se ocupar em fazer lobby junto aos deputados para aprovar ou n\u00e3o determinadas leis\u201d, afirma Camargo. \u201cVai precisar ter mais o componente de luta sindical de verdade do que interesses pol\u00edticos.\u201d Para ele, entidades fortes v\u00e3o prevalecer, mas, com o fim do imposto sindical, \u201cos sindicatos pelegos e de fachada v\u00e3o acabar\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de analistas, durante os governos Lula e boa parte do governo Dilma, as centrais, em especial a CUT, ficaram \u00e0 merc\u00ea das administra\u00e7\u00f5es, inclusive com sindicalistas ocupando cargos estrat\u00e9gicos. \u201cO papel a partir de agora volta a ser mais para o lado econ\u00f4mico, de quest\u00f5es como condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios, por exemplo\u201d, diz Tiago Barreira, pesquisador do Ibre\/FGV.<\/p>\n<p>O professor da Escola de Economia da FGV-SP, Andr\u00e9 Portela, avalia que \u201cdar mais peso \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es pode fortalecer os sindicatos, mas, sem arrecadar imposto sindical, num primeiro momento todos v\u00e3o enfraquecer, at\u00e9 mesmo os grandes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Cleide Silva, M\u00e1rcia de Chiara e Ricardo Galhardo\/ O Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 dispon\u00edvel na internet 02\/05\/2017<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7as como fim do imposto sindical e negocia\u00e7\u00f5es diretas nas empresas devem obrigar sindicalismo a buscar novos caminhos O movimento sindical comemora hoje o 1.\u00ba de Maio, data \u00edcone para as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, tendo de rever seu papel na sociedade brasileira. 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