{"id":12710,"date":"2017-05-02T07:26:21","date_gmt":"2017-05-02T10:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=12710"},"modified":"2017-05-02T07:26:21","modified_gmt":"2017-05-02T10:26:21","slug":"em-alta-desemprego-tem-que-atingir-os-governantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/05\/02\/em-alta-desemprego-tem-que-atingir-os-governantes\/","title":{"rendered":"Em alta, desemprego tem que atingir os governantes."},"content":{"rendered":"<p>Na sexta-feira, 28 de abril, o IBGE divulgou novos n\u00fameros sobre o desemprego. S\u00e3o n\u00fameros que mostram que as demiss\u00f5es continuam. Para um diagn\u00f3stico da sa\u00fade da economia no mercado de trabalho o melhor n\u00famero para ser analisado \u00e9 a quantidade de trabalhadores com carteira assinada no setor privado.<\/p>\n<p>Estudos j\u00e1 mostraram que tanto nas desacelera\u00e7\u00f5es quanto nas acelera\u00e7\u00f5es o tipo de ocupa\u00e7\u00e3o que decresce mais rapidamente ou cresce mais velozmente \u00e9 o trabalho com carteira assinada no setor privado.<\/p>\n<p>No primeiro trimestre de 2016, eram 34,6 milh\u00f5es de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. No primeiro trimestre de 2017, esse n\u00famero caiu para 33,4 milh\u00f5es. Mais grave, dessa queda de 1,2 milh\u00e3o (34,6 &#8211; 33,4 = 1,2), metade, ou seja, 600 mil demiss\u00f5es, ocorreu no primeiro trimestre de 2017. Portanto, parece vid\u00eancia (n\u00e3o explicada cientificamente) dizer que a economia est\u00e1 em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mercado de trabalho apresentou outros n\u00fameros bastante preocupantes. O n\u00famero de trabalhadores total, incluindo todas as formas de ocupa\u00e7\u00e3o (formal, informal, p\u00fablico, privado e por conta pr\u00f3pria) est\u00e1 diminuindo. Hoje, est\u00e1 em 88,9 milh\u00f5es de trabalhadores. No in\u00edcio de 2016, t\u00ednhamos quase 2 milh\u00f5es a mais de trabalhadores empregados. E o n\u00famero de pessoas desempregadas cresceu porque houve demiss\u00f5es, mas houve tamb\u00e9m aumento do n\u00famero de pessoas que passou a procurar emprego. S\u00e3o 14,2 milh\u00f5es de desempregados. Ao final do ano passado eram 12,3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas que est\u00e1 procurando trabalho est\u00e1 aumentando por dois motivos: (a) quando o desemprego atinge aquele que \u00e9 chamado de chefe da fam\u00edlia, filhos que apenas estudavam passam a procurar emprego e (b) o fim ou o definhamento de programas sociais (tais como, por exemplo, o Fies \u2013 financiamento estudantil) empurram jovens para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O governo est\u00e1 paralisado. Mas h\u00e1 uma sa\u00edda. O governo teria que fazer um programa emergencial de recupera\u00e7\u00e3o do emprego. H\u00e1 recursos p\u00fablicos. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a falta de recursos, mas sim onde aloc\u00e1-los. Em 2014,\u00a0o pagamento de juros da d\u00edvida p\u00fablica\u00a0teve o tamanho de 91% do d\u00e9ficit p\u00fablico &#8211; em 2015, 82% e, em 2016, 72%.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos demonizar os d\u00e9ficits p\u00fablicos, eles ocorrem devido a uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica espec\u00edfica. D\u00e9ficits emergem quando a economia est\u00e1 estagnada (como em 2014) ou em recess\u00e3o (como em 2015 e 2016) &#8211; o motivo inicial \u00e9 a queda vertiginosa da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ponto fundamental \u00e9 que d\u00e9ficits em per\u00edodo de eleva\u00e7\u00e3o do desemprego deveriam ocorrer tamb\u00e9m como resultado da aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas fiscais de gastos prim\u00e1rios para recuperar o emprego &#8211; por exemplo, gastos com obras p\u00fablicas e transfer\u00eancias fiscais aos mais pobres. Os novos empregados nas obras p\u00fablicas e os benefici\u00e1rios de programas sociais gastariam tudo o que receberiam. Assim, dariam in\u00edcio \u00e0 dinamiza\u00e7\u00e3o de toda a economia.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 novidade, faz mais de 80 anos que o economista ingl\u00eas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/932\/e-se-keynes-revivesse\">J.M.Keynes<\/a>\u00a0teorizou sobre essa problem\u00e1tica e que o presidente F.D.Roosevelt colocou a economia americana para girar com o seu conhecido New Deal em uma situa\u00e7\u00e3o depress\u00e3o, semelhante a que vivemos hoje.<\/p>\n<p>Os governantes do Brasil est\u00e3o muito longe da estatura de Roosevelt e muito distantes tamb\u00e9m dos ensinamentos econ\u00f4micos de Keynes. S\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda, desempregar Michel Temer, Henrique Meirelles e todos os seus comparsas. S\u00f3 o povo pode impor a demiss\u00e3o dessa malta.<\/p>\n<p><strong>Artigo p<em>ublicado na pagina da revista Carta Capital \u2013 dispon\u00edvel na internet 0<\/em><em>2<\/em><em>\/05\/2017<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta-feira, 28 de abril, o IBGE divulgou novos n\u00fameros sobre o desemprego. S\u00e3o n\u00fameros que mostram que as demiss\u00f5es continuam. Para um diagn\u00f3stico da sa\u00fade da economia no mercado de trabalho o melhor n\u00famero para ser analisado \u00e9 a quantidade de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. 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