{"id":13084,"date":"2017-05-16T04:17:06","date_gmt":"2017-05-16T07:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=13084"},"modified":"2017-05-16T04:17:06","modified_gmt":"2017-05-16T07:17:06","slug":"pesquisadores-da-fiocruz-identificam-oito-mutacoes-no-virus-da-febre-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/05\/16\/pesquisadores-da-fiocruz-identificam-oito-mutacoes-no-virus-da-febre-amarela\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Fiocruz identificam oito muta\u00e7\u00f5es no v\u00edrus da febre amarela."},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) identificaram oito muta\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancias gen\u00e9ticas do v\u00edrus da febre amarela do surto de 2017, que est\u00e3o associadas a prote\u00ednas envolvidas na replica\u00e7\u00e3o viral. A comprova\u00e7\u00e3o foi feita a partir dos primeiros sequenciamentos completos do genoma de amostras de dois macacos do tipo bugio encontrados em uma \u00e1rea de mata, no Esp\u00edrito Santo, no fim de fevereiro deste ano. Para os cientistas, as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas n\u00e3o comprometem a efici\u00eancia da vacina contra a doen\u00e7a, mas v\u00e3o pesquisar se tornam o v\u00edrus mais agressivo.<\/p>\n<p>Os estudos mostraram que os microrganismos pertencem ao subtipo gen\u00e9tico conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que segundo o IOC, \u00e9 predominante no Brasil desde 2008.<br \/>\nPara o chefe do Laborat\u00f3rio de Mosquitos Transmissores de Hematozo\u00e1rios do IOC, o pesquisador e um dos coordenadores do estudo, Ricardo Louren\u00e7o, a condi\u00e7\u00e3o em que os macacos foram recolhidos para a retirada de amostras foi fundamental para a identifica\u00e7\u00e3o. Um deles tinha morrido h\u00e1 pouco tempo e o outro ainda estava vivo, embora j\u00e1 prestes a morrer. \u201cEles n\u00e3o estavam em deteriora\u00e7\u00e3o. Isso fez com que as part\u00edculas virais que estavam nos corpos deles pudessem ser detectadas porque n\u00e3o degradaram\u201d, informou em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<br \/>\nRicardo Louren\u00e7o acrescentou que os animais foram encontrados durante uma pesquisa de campo com aux\u00edlio de armadilhas para coletar mosquitos na regi\u00e3o. \u201cNa coloca\u00e7\u00e3o das armadilhas no Esp\u00edrito Santo, avisaram para n\u00f3s que havia macacos morrendo no local. J\u00e1 que est\u00e1vamos l\u00e1 colocando as armadilhas para coletar os mosquitos, est\u00e1vamos preparados para examinar qualquer coisa e coletamos o sangue, t\u00ednhamos, inclusive, gelo seco para congelar as amostras\u201d, revelou.<br \/>\n<strong>Vacina<\/strong><\/p>\n<p>A chefe do Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular de Flaviv\u00edrus do IOC, a pesquisadora e tamb\u00e9m coordenadora do estudo, Myrna Bonaldo, afastou qualquer possibilidade de a descoberta comprometer a efic\u00e1cia da vacina contra a febre amarela. \u201cN\u00e3o muda. \u00c9 uma vacina que j\u00e1 est\u00e1 sendo administrada h\u00e1 80 anos e que \u00e9 muito eficaz\u201d, contou, completando que a altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo na principal prote\u00edna viral que s\u00e3o as prote\u00ednas da parte exterior do v\u00edrus e, por isso, n\u00e3o deve tornar o v\u00edrus menos imunog\u00eanico ou n\u00e3o.<br \/>\n\u201cA vacina vai proteger certamente. Um exemplo disso \u00e9 que, em qualquer lugar do mundo em que tem variantes do v\u00edrus de febre amarela, a vacina protege com a mesma efic\u00e1cia, ent\u00e3o, em princ\u00edpio n\u00e3o muda nada\u201d.<br \/>\nAgora, os estudos v\u00e3o continuar para verificar de que forma a varia\u00e7\u00e3o pode impactar na infec\u00e7\u00e3o em macacos, mosquitos e no homem. Outra pergunta que precisa ser respondida, de acordo com Myrna Bonaldo, \u00e9 saber se as mudan\u00e7as tornam o v\u00edrus mais agressivo, no sentido de infectar mais gravemente um hospedeiro, um vetor ou um mam\u00edfero. A pesquisadora apontou ainda que, at\u00e9 o momento, essas altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram descritas em nenhum v\u00edrus de febre amarela, quer seja os v\u00edrus da \u00c1frica ou da Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\n\u201cFoi bem particular o resultado. Isso n\u00e3o quer dizer que este v\u00edrus seja mais agressivo e que poderia prejudicar mais as pessoas. Para ter uma ideia, vamos precisar levar este v\u00edrus para o laborat\u00f3rio e come\u00e7ar estudos bem b\u00e1sicos, tanto em infec\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas como tamb\u00e9m infec\u00e7\u00e3o em alguns modelos animais, como mosquitos\u201d, completou.<br \/>\nA pesquisadora contou tamb\u00e9m que, desde 2000, tem ocorrido cada vez mais casos humanos de contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da febre amarela e, por isso, houve uma dispers\u00e3o dos registros da doen\u00e7a, que pode ser decorrente da mudan\u00e7a ou de baixa cobertura vacinal, porque n\u00e3o era uma regi\u00e3o suscet\u00edvel \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por febre amarela. \u201cDe certa maneira houve uma dispers\u00e3o dele na natureza, uma amplia\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es em que ele come\u00e7ou a circular em macacos e em mosquitos silvestres e depois isso acabou atingindo o homem\u201d, disse.<br \/>\nMyrna Bonaldo apontou que ainda somente ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o de onde e quando ocorreram as muta\u00e7\u00f5es \u00e9 que se pode verificar se h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o com desastres ambientais. \u201cEsse \u00e9 o momento da gente estudar v\u00e1rias amostras da epidemia atual, com associa\u00e7\u00e3o com amostras antigas, para a gente poder rastrear onde ocorreram essas varia\u00e7\u00f5es e como isso se dispersou em diferentes regi\u00f5es aqui do Sudeste\u201d, acrescentou.<br \/>\nNa vis\u00e3o da pesquisadora, os estudos v\u00e3o contribuir tamb\u00e9m para a ado\u00e7\u00e3o de medidas de vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria. \u201cVamos conhecer melhor toda a capacidade desse v\u00edrus circular no Brasil. Isso pode dar ferramentas preciosas para fazer a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria. Prever para n\u00e3o ter os piores casos. Vai dar armas para saber quais s\u00e3o \u00e1reas do Brasil que talvez tenham que ser priorizadas na hora em uma vacina\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil de Not\u00edcias 16\/05\/2017<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz) identificaram oito muta\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancias gen\u00e9ticas do v\u00edrus da febre amarela do surto de 2017, que est\u00e3o associadas a prote\u00ednas envolvidas na replica\u00e7\u00e3o viral. 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