{"id":13280,"date":"2017-05-22T00:16:52","date_gmt":"2017-05-22T03:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=13280"},"modified":"2017-05-21T09:25:55","modified_gmt":"2017-05-21T12:25:55","slug":"mercado-ja-oferece-mais-de-cem-planos-de-saude-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/05\/22\/mercado-ja-oferece-mais-de-cem-planos-de-saude-populares\/","title":{"rendered":"Mercado j\u00e1 oferece mais de cem planos de sa\u00fade \u201cpopulares\u201d."},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa do Idec levantou produtos com mensalidade abaixo de R$ 340, mas cobertura \u00e9 deficiente<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 tem planos de sa\u00fade populares. S\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o 118, de 27 operadoras, com valores abaixo de R$ 340, na faixa et\u00e1ria que concentra maior n\u00famero de benefici\u00e1rios (entre 34 e 38 anos). Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es de pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), \u00e0 qual o GLOBO teve acesso com exclusividade. Diante dessa constata\u00e7\u00e3o, o Idec avalia que a proposta do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de criar um novo modelo para tornar os planos mais acess\u00edveis \u2014 em discuss\u00e3o por um grupo de trabalho da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) \u2014 tem outro objetivo: mudar o panorama legal do setor, reduzindo prote\u00e7\u00f5es garantidas pela legisla\u00e7\u00e3o atual ao consumidor.<\/p>\n<p>\u2014 Os 20 planos mais baratos que encontramos tinham pre\u00e7os entre R$ 53 e R$ 200. A maioria deles, 78%, tem abrang\u00eancia municipal ou de um grupo de munic\u00edpios e uma rede assistencial enxuta. Nas grandes operadoras, a rede credenciada chega a corresponder a menos de 10% da ofertada em planos tradicionais, resultando numa subcobertura ao consumidor. Na proposta em debate pela ANS, as empresas poderiam atender a um rol aqu\u00e9m do que \u00e9 estabelecido hoje e tamb\u00e9m teriam prazos mais dilatados para marca\u00e7\u00e3o de consultas e exames. Ou seja, s\u00f3 pioraria o quadro atual \u2014 diz Ana Carolina Navarrete, pesquisadora do Idec.<\/p>\n<p>A pesquisa mostrou ainda que o uso de coparticipa\u00e7\u00e3o, que na proposta dos planos de sa\u00fade acess\u00edvel em estudo ficaria na casa dos 50%, n\u00e3o mostrou efeito significativo na redu\u00e7\u00e3o das mensalidades. A maior diferen\u00e7a encontrada nos produtos pesquisados foi de 22%.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-13275 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?resize=696%2C1338\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"1338\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?w=700&amp;ssl=1 700w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?resize=156%2C300&amp;ssl=1 156w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?resize=533%2C1024&amp;ssl=1 533w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?resize=696%2C1338&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?resize=218%2C420&amp;ssl=1 218w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/planos_de_saude-desk.png?resize=437%2C840&amp;ssl=1 437w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2014 Percebemos que a franquia e a coparticipa\u00e7\u00e3o s\u00e3o usadas quando h\u00e1 uma melhora da rede, mas n\u00e3o t\u00eam grande efeito no pre\u00e7o \u2014 diz a pesquisadora.<br \/>\nAna Carolina destaca ainda que, se a proposta for aprovada tal como o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade encaminhou \u00e0 ANS, os planos poder\u00e3o restringir a oferta do rol aos servi\u00e7os dispon\u00edveis na regi\u00e3o geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje, se o consumidor precisa fazer uma tomografia e n\u00e3o tem na regi\u00e3o, o plano o leva aonde tenha ou o reembolsa pelo procedimento. Se a regra mudar, o consumidor simplesmente n\u00e3o poder\u00e1 fazer o procedimento.<\/p>\n<p>A professora do Instituto de Estudos em Sa\u00fade Coletiva da UFRJ Ligia Bahia diz que a pesquisa do Idec \u00e9 consistente.<\/p>\n<p>\u2014 O principal resultado da pesquisa \u00e9 evidenciar que os planos baratos ou acess\u00edveis s\u00e3o contratos, e isso n\u00e3o se expressa necessariamente em coberturas. Consequentemente, seja l\u00e1 qual for o adjetivo utilizado, acess\u00edvel ou popular, a proposta encaminhada \u00e0 ANS tem como objeto a altera\u00e7\u00e3o nas normas legais especialmente no que diz respeito \u00e0 coparticipa\u00e7\u00e3o. Propor 50% de participa\u00e7\u00e3o significa, na pr\u00e1tica, o fim do sentido do plano de pr\u00e9-pagamento. A diferen\u00e7a entre ter um plano ou pagar diretamente do bolso (que \u00e9 o p\u00f3s-pagamento) ficaria dividida ao meio \u2014 ressalta a professora.<\/p>\n<p>Apesar de admitir que muitos dos pontos propostos para o plano acess\u00edvel n\u00e3o precisariam da regulamenta\u00e7\u00e3o da ANS para serem implementados, Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade Suplementar (Fena Sa\u00fade), diz que a normatiza\u00e7\u00e3o pela reguladora daria legitimidade ao produto:<\/p>\n<p>\u2014 Hoje h\u00e1 v\u00e1rios produtos, mas nenhum padr\u00e3o, e tudo \u00e9 muito questionado. Se a ANS regula, n\u00e3o s\u00f3 d\u00e1 racionalidade ao plano, mas legitimidade, torna tudo mais claro para os benefici\u00e1rios e os intermedi\u00e1rios. E isso \u00e9 importante, n\u00e3o s\u00f3 para reduzir a judicializa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m porque h\u00e1 muitas queixas que n\u00e3o chegam \u00e0 Justi\u00e7a e que, no entanto, causam muita confus\u00e3o no mercado. Se voc\u00ea coordena o acesso, dando mais racionalidade para a utiliza\u00e7\u00e3o, e retira ou reduz custos regulat\u00f3rios, isso vai ser positivo.<\/p>\n<p>Ligia chama aten\u00e7\u00e3o ainda ao alerta feito pelo instituto em rela\u00e7\u00e3o aos par\u00e2metros m\u00ednimos de cobertura:<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 uma omiss\u00e3o da ANS em rela\u00e7\u00e3o aos requerimentos m\u00ednimos da oferta, e veja que \u00e9 a nominal, n\u00e3o quer dizer que seja a real, das operadoras.<\/p>\n<p>Maria In\u00eas Dolci, coordenadora institucional da Proteste, que a participou do grupo de debate inicial sobre o tema no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, lembra que um dos pontos da proposta \u00e9 usar o rol de cobertura do SUS, que \u00e9 mais restrito que o da ANS. Se isso passar, diz, o brasileiro vai ficar sem atendimento em casos mais complexos em v\u00e1rias regi\u00f5es:<\/p>\n<p>\u2014 O plano poder\u00e1 ser mais barato, mas, quando for necess\u00e1rio um procedimento de alta complexidade, ele n\u00e3o vai ter. E tamb\u00e9m n\u00e3o vai conseguir acesso no SUS, principalmente nos locais mais long\u00ednquos, onde h\u00e1 pouca infraestrutura. Todas essas propostas v\u00e3o contra o esfor\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o e de garantia de cobertura que tem sido feito ao longo de todos esses anos.<\/p>\n<p><strong>ANS DISCUTIR\u00c1 O TEMA MAIS UM M\u00caS<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Reinaldo Scheibe, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), \u00e9 preciso ter uma vis\u00e3o mais ampla sobre a proposta dos planos acess\u00edveis. Scheibe diz que a restri\u00e7\u00e3o de cobertura \u00e9 uma tend\u00eancia em pa\u00edses como Canad\u00e1, Inglaterra e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje n\u00e3o temos oferta de planos no interior, porque n\u00e3o tem como cobrir o rol da ANS nessas localidades. Ent\u00e3o n\u00e3o podemos vender, pois corremos o risco de receber multas violentas, at\u00e9 por n\u00e3o conseguir oferecer uma consulta com um especialista no prazo, por exemplo. N\u00e3o estamos falando em tirar os produtos que est\u00e3o no mercado, mas em oferecer um plano inicial. No cen\u00e1rio em que estamos hoje, a tend\u00eancia \u00e9 de cada vez uma concentra\u00e7\u00e3o maior do setor \u2014 diz o presidente da Abramge.<\/p>\n<p>Em nota, ANS informou que um grupo de trabalho, composto por t\u00e9cnicos da reguladora, est\u00e1 discutindo os par\u00e2metros para o plano popular, \u201cn\u00e3o sendo poss\u00edvel um posicionamento neste momento\u201d. O trabalho do grupo estava previsto para ser conclu\u00eddo na pr\u00f3xima semana, mas ser\u00e1 prorrogado por 30 dias. Quanto \u00e0 pesquisa, a ANS n\u00e3o quis se manifestar.<\/p>\n<p>Para Francisco Ballestrin, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Hospitais Privados, os planos hoje \u201cn\u00e3o s\u00e3o de sa\u00fade, mas de doen\u00e7a\u201d:<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o em promover sa\u00fade. Eles est\u00e3o mais preocupados que quem tem doen\u00e7as seja atendido da forma mais barata poss\u00edvel. Quando falam em redu\u00e7\u00e3o de sinistralidade, n\u00e3o tratam de prevenir, mas v\u00e3o discutir com os fornecedores formas de baratear o tratamento.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Luciana Casemiro da coluna Defesa do Consumidor do Jornal O Globo \u2013 dispon\u00edvel na internet 22\/05\/2017<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do Idec levantou produtos com mensalidade abaixo de R$ 340, mas cobertura \u00e9 deficiente O Brasil j\u00e1 tem planos de sa\u00fade populares. S\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo, s\u00e3o 118, de 27 operadoras, com valores abaixo de R$ 340, na faixa et\u00e1ria que concentra maior n\u00famero de benefici\u00e1rios (entre 34 e 38 anos). 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