{"id":13283,"date":"2017-05-22T05:19:14","date_gmt":"2017-05-22T08:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=13283"},"modified":"2017-05-22T05:19:14","modified_gmt":"2017-05-22T08:19:14","slug":"fora-temer-ok-mas-para-colocar-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/05\/22\/fora-temer-ok-mas-para-colocar-quem\/","title":{"rendered":"Fora Temer, ok, mas para colocar quem?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, ele apresentou-se ao pa\u00eds propondo governo de uni\u00e3o nacional e tornou-se campe\u00e3o de impopularidade<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, quando a rua gritava \u201cFora Dilma\u201d, se sabia que para o seu lugar iria o vice-presidente Michel Temer. Ele apresentou-se ao pa\u00eds propondo um governo de uni\u00e3o nacional e tornou-se um campe\u00e3o de impopularidade. Prometeu um minist\u00e9rio de not\u00e1veis, cercou-se de suspeitos e perdeu dois ministros (Romero Juc\u00e1 e Geddel Vieira Lima) por flagrantes malfeitorias.<\/p>\n<p>Pode-se n\u00e3o gostar de Temer, mas o doutor chegou \u00e0 cadeira pelas regras do livrinho. Agora grita-se \u201cFora Temer\u201d, mas n\u00e3o se pode saber quem ir\u00e1 para o lugar. Pela Constitui\u00e7\u00e3o, o novo doutor seria eleito indiretamente pelos senadores e deputados. Basta que se ou\u00e7am as conversas de Temer, A\u00e9cio Neves (presidente do PSDB) e Romero Juc\u00e1 (presidente do PMDB), grampeadas por Joesley Batista e S\u00e9rgio Machado, para se ver que, sem a influ\u00eancia da opini\u00e3o p\u00fablica, daquele mato n\u00e3o sai coisa boa.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 \u00fatil que se exponham logo nomes de doutores e doutoras que poderiam substitu\u00ed-lo. Todos dir\u00e3o que n\u00e3o querem, mas, olhando-se para tr\u00e1s, s\u00f3 houve um caso de cidad\u00e3o que chegou \u00e0 Presid\u00eancia sem ter pedido apoio a quem quer que seja. Foi o general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, em 1969. Ele chegou a afrontar o sacro col\u00e9gio de generais, abandonando a sala do consist\u00f3rio, mas essa \u00e9 outra hist\u00f3ria. Todos queriam, cabalando com maior ou menor intensidade. Est\u00e3o frescas na mem\u00f3ria nacional as maquina\u00e7\u00f5es de Temer para desalojar Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Se Temer desistir, se o Tribunal Superior Eleitoral resolver dispens\u00e1-lo ou se um doloroso processo de impedimento vier a defenestr\u00e1-lo, a pergunta essencial ficar\u00e1 no mesmo lugar: quem? E para qu\u00ea?<\/p>\n<p>A principal obriga\u00e7\u00e3o do governo de Michel Temer e de seu eventual sucessor ser\u00e1 o respeito ao calend\u00e1rio eleitoral que manda escolher um novo presidente em 2018. Itamar Franco foi o \u00fanico presidente que assumiu depois de um impedimento e honrou o calend\u00e1rio. Caf\u00e9 Filho tentou melar a elei\u00e7\u00e3o de 1955 e foi mandado embora. No dia 11 de abril de 1964, quando o marechal Castello Branco foi eleito pelo Congresso, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, os principais candidatos \u00e0 Presid\u00eancia, acreditavam que disputariam a elei\u00e7\u00e3o de 1965. O pr\u00f3prio Castello tamb\u00e9m acreditava. Nada feito. Os brasileiros s\u00f3 escolheram um presidente pelo voto direto 25 anos depois.<\/p>\n<p>A maluquice do salto em dire\u00e7\u00e3o ao nada j\u00e1 arruinou a vida nacional duas vezes. Em 1961 e em 1969 os ministros militares, nas vers\u00f5es 1.0 e 2.0 dos Tr\u00eas Patetas, decidiram impedir as posses do vice-presidente Jo\u00e3o Goulart e Pedro Aleixo. Nos dois casos havia o motor da anarquia dos quart\u00e9is. Hoje, essa carta est\u00e1 fora do baralho, mas a anarquia civil est\u00e1 de bom tamanho. A pergunta essencial \u00e9 a mesma: quem?<\/p>\n<p>Vale a pena colocar na vitrine cinco nomes que j\u00e1 est\u00e3o na roda. Aqui v\u00e3o eles, por ordem alfab\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>C\u00e1rmen L\u00facia \u2014<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>A presidente do Supremo Tribunal Federal ecoa, com diferen\u00e7as substanciais, o modelo de Jos\u00e9 Linhares. Ele presidia o STF em 1945, quando os generais derrubaram Get\u00falio Vargas e colocaram-no no pal\u00e1cio do Catete. Ficou tr\u00eas meses no poder, tempo suficiente para realizar elei\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam marcadas e empossar o presidente eleito, marechal Eurico Gaspar Dutra. De sua passagem pelo cargo ficou apenas a lembran\u00e7a da nomea\u00e7\u00e3o de extensa parentela. Chamada de \u201cMadre Superiora\u201d pelos admiradores da Lava-Jato, C\u00e1rmen L\u00facia \u00e9 vista como bruxa pelas v\u00edtimas da faxina.<\/p>\n<p><strong>Gilmar Mendes<\/strong>\u00a0\u2014 Outro ministro do STF e atual presidente de Tribunal Superior Eleitoral, faz contraponto com C\u00e1rmen L\u00facia. \u00c9 o magistrado com maior rede de amigos no Congresso e maior desenvoltura no meio pol\u00edtico. Sua decis\u00e3o monocr\u00e1tica revogando a pris\u00e3o preventiva do empres\u00e1rio Eike Batista levou-o a um choque frontal com o Procurador-Geral da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Nelson Jobim<\/strong>\u00a0\u2014 Ministro da Defesa de Lula e da Justi\u00e7a de Fernando Henrique Cardoso, Jobim passou nove anos no Supremo Tribunal Federal e dez no Congresso. \u00c9 o h\u00edbrido perfeito. Em 2016, tornou-se s\u00f3cio e conselheiro do banco BTG Pactual, cujo controlador foi preso pela Lava-Jato. Seu nome est\u00e1 na roda desde o final do ano passado.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo Maia<\/strong>\u00a0\u2014 Caso Temer seja afastado pelo TSE ou resolva ir embora, o presidente da C\u00e2mara assumiria por algumas semanas, at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da elei\u00e7\u00e3o indireta. Os grampos de Joesley deram impulso ao seu nome na hip\u00f3tese de elei\u00e7\u00e3o, como um dos expoentes da vontade parlamentar. Est\u00e1 arrolado num inqu\u00e9rito da Lava-Jato que tramita no STF.<\/p>\n<p><strong>Tasso Jereissati<\/strong>\u00a0\u2014 Com o afastamento de A\u00e9cio Neves, o senador assumiu pela segunda vez a presid\u00eancia do PSDB. Por tr\u00eas vezes foi governador do Cear\u00e1 e \u00e9 um expoente do tucanato. Est\u00e1 na dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o de presidir um partido que se equilibra sobre o muro, com uma fac\u00e7\u00e3o defendendo um voo para longe de Michel Temer.<\/p>\n<p><strong>Periquito<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 sinais de que um advogado do banqueiro Andr\u00e9 Esteves (BTG Pactual) est\u00e1 conversando com representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Coisa preliminar.<\/p>\n<p><strong>Oscar Wilde avisou<\/strong><\/p>\n<p>Henrique Meirelles \u00e9 um frio administrador da pr\u00f3pria aud\u00e1cia. Quando diversos bar\u00f5es da economia recusaram convites para colaborar com o governo de Lula, ele arriscou e aceitou a presid\u00eancia do Banco Central. Deu-se bem e hoje \u00e9 o sonho de consumo do mercado para a sucess\u00e3o de Temer.<\/p>\n<p>Em 2012, aos 67 anos, tendo amealhado um patrim\u00f4nio pessoal e profissional, aceitou um convite de Joesley Batista e assumiu a presid\u00eancia do conselho da holding que controla a JBS. Desligou-se do grupo em 2016. Numa conversa com Temer, Batista refere-se a ele como se falasse de um vaqueiro de suas fazendas.<\/p>\n<p>Meirelles esqueceu-se do famoso conselho de Oscar Wilde: \u201cAs primeiras impress\u00f5es est\u00e3o sempre certas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Bolsa 5\u00aa Avenida<\/strong><\/p>\n<p>Joesley Batista aperfei\u00e7oou a Bolsa Angra. Acertou-se com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e est\u00e1 em Nova York.<\/p>\n<p><strong>Iolanda<\/strong><\/p>\n<p>O uso do nome de Iolanda nas mensagens de Dilma Rousseff para a marqueteira M\u00f4nica Moura foi associado \u00e0 lembran\u00e7a da mulher do marechal Costa e Silva, que presidiu Pindorama de 1967 a 1969.<\/p>\n<p>Iolanda Costa e Silva gostava de um luxo, era meio brega e pegou m\u00e1 fama.<\/p>\n<p>As coisas nem sempre s\u00e3o como parecem. Durante o governo de Jos\u00e9 Sarney, morando no Rio, ela lhe telefonou, pedindo para ser recebida no Planalto. Sarney, sol\u00edcito, perguntou-lhe a que horas ela desembarcaria, para que algu\u00e9m fosse busc\u00e1-la no aeroporto.<\/p>\n<p>Iolanda respondeu que n\u00e3o sabia, pois viajaria de \u00f4nibus.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas mosqueteiros<\/strong><\/p>\n<p>Pela frequ\u00eancia com que conversam, formou-se um trio no Supremo Tribunal Federal: a presidente C\u00e1rmen L\u00facia, o ministro Edson Fachin e o procurador-geral Rodrigo Janot.<\/p>\n<p><strong>Atl\u00c2ntica 2.016<\/strong><\/p>\n<p>Na quinta-feira a Pol\u00edcia Federal foi buscar Andrea Neves no apartamento 801 do n\u00famero 2.016 da Avenida Atl\u00e2ntica. Ela n\u00e3o estava, mas a cena contou um peda\u00e7o da Hist\u00f3ria do Brasil. Hoje o pr\u00e9dio chama-se \u201cTancredo Neves\u201d em homenagem ao av\u00f4 de Andrea, primeiro morador do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Antes, o edif\u00edcio chamava-se \u201cGolden State\u201d, ou \u201cS\u00e3o Dimas\u201d, para as v\u00edboras. Dimas foi o Bom Ladr\u00e3o, crucificado no monte Calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os apartamentos, com 650 metros quadrados, foram financiados pela Caixa Econ\u00f4mica, numa \u00e9poca em que as d\u00edvidas n\u00e3o eram corrigidas pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em tempo: Tancredo sabia viver, mas era um homem frugal.<\/p>\n<p><strong>B\u00e1lsamo<\/strong><\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 desconfort\u00e1vel com a ferocidade das antipatias pol\u00edticas por Temers e Trumps, chegou \u00e0s livrarias um conforto para a alma. \u00c9 \u201cO amigo alem\u00e3o\u201d e conta uma hist\u00f3ria de galanteria no maior e mais leg\u00edtimo cen\u00e1rio para os \u00f3dios: a Segunda Guerra Mundial. Em 1943 o piloto americano Charlie Brown bombardeou a regi\u00e3o alem\u00e3 de Bremen e foi atingido e perseguido por Franz Stigler, que pilotava um ca\u00e7a. O B-17 de Brown ficou em peti\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e, para sua surpresa, em vez de derrub\u00e1-lo, o ca\u00e7a alem\u00e3o escoltou-o durante dez minutos at\u00e9 as proximidades da costa inglesa, balan\u00e7ou as asas e foi-se embora.<\/p>\n<p>O americano n\u00e3o contou o que aconteceu, pois n\u00e3o havia alem\u00e3o bom, e o alem\u00e3o ficou em copas porque n\u00e3o se poupa bombardeiro inimigo.<\/p>\n<p>Anos depois, descobriram-se, encontraram-se e ficaram amigos. Ambos morreram em 2008.<\/p>\n<p><strong>Artigo p<em>ublicado na pagina da internet do jornal O Globo \/Opini\u00e3o &#8211; dispon\u00edvel na internet 22\/05\/2017<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz necessariamente a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, ele apresentou-se ao pa\u00eds propondo governo de uni\u00e3o nacional e tornou-se campe\u00e3o de impopularidade H\u00e1 um ano, quando a rua gritava \u201cFora Dilma\u201d, se sabia que para o seu lugar iria o vice-presidente Michel Temer. Ele apresentou-se ao pa\u00eds propondo um governo de uni\u00e3o nacional e tornou-se um campe\u00e3o de impopularidade. 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