{"id":13586,"date":"2017-06-03T00:04:20","date_gmt":"2017-06-03T03:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=13586"},"modified":"2017-06-02T20:43:38","modified_gmt":"2017-06-02T23:43:38","slug":"de-herdeiro-de-tancredo-e-quase-presidente-a-denunciado-na-lava-jato-a-historia-de-aecio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/03\/de-herdeiro-de-tancredo-e-quase-presidente-a-denunciado-na-lava-jato-a-historia-de-aecio\/","title":{"rendered":"De herdeiro de Tancredo e quase presidente a denunciado na Lava Jato: a hist\u00f3ria de A\u00e9cio."},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Um dia antes de o Senado aprovar o impeachment da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff, o senador A\u00e9cio Neves (PSDB-MG) subiu na tribuna do plen\u00e1rio para atacar sua principal advers\u00e1ria na campanha presidencial de 2014.<\/p>\n<p>&#8220;Se apoderaram do Estado Nacional com a sensa\u00e7\u00e3o da impunidade, de estarem acima da lei. Pois bem, o tempo passou e a resposta est\u00e1 a\u00ed&#8221;, disse no dia 30 de agosto, num discurso que durou 11 minutos.<\/p>\n<p>Menos de um ano depois, as palavras proferidas pelo tucano parecem ter se voltado contra ele pr\u00f3prio. A\u00e9cio se v\u00ea hoje afastado do cargo por determina\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF), teve pris\u00e3o pedida pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica e, nesta sexta-feira, foi denunciado por Rodrigo Janot sob a suspeita de corrup\u00e7\u00e3o passiva e obstru\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Naquele que \u00e9 o ponto baixo de sua vida p\u00fablica at\u00e9 agora, \u00e9 suspeito de tentar frear a opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que veio \u00e0 p\u00fablico em mar\u00e7o de 2014 e, desde ent\u00e3o, j\u00e1 transformou mais de uma centena de pol\u00edticos em alvos de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em depoimento de sua dela\u00e7\u00e3o premiada homologada pelo STF, Joesley Batista, dono da JBS, disse que pagou R$ 2 milh\u00f5es em propina ao senador tucano no come\u00e7o deste ano. O dinheiro teria sido entregue a um primo de A\u00e9cio, Frederico Pacheco de Medeiros, preso no \u00faltimo dia 18.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deteve Andrea Neves, irm\u00e3 do senador &#8211; ela tamb\u00e9m \u00e9 suspeita de ter participado da negocia\u00e7\u00e3o do que a PGR afirma ser propina.<\/p>\n<p>A entrega do dinheiro foi registrada em v\u00eddeo pela Pol\u00edcia Federal, que rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que parte do montante foi depositado na conta de uma empresa do senador Zez\u00e9 Perrella (PMDB-MG).<\/p>\n<p>A\u00e9cio nega as acusa\u00e7\u00f5es e afirma jamais ter recebido propina. Diz que pediu um empr\u00e9stimo, ser v\u00edtima de cal\u00fania e lamenta ter visto a irm\u00e3 detida &#8220;sem que nada justificasse tamanha arbitrariedade&#8221;.<\/p>\n<p>O nome do senador j\u00e1 havia sido citado em dela\u00e7\u00f5es de empreiteiras, entre elas a Odebrecht, o que lhe fez virar alvo de inqu\u00e9ritos. Mas foram as acusa\u00e7\u00f5es da JBS que o deixam agora sob o risco de virar r\u00e9u &#8211; o que ocorrer\u00e1 caso o ministro Marco Aur\u00e9lio Mello, relator de seu caso no STF, aceite a den\u00fancia apresentada por Janot.<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o n\u00e3o tem data para ocorrer.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16A46\/production\/_96324729_hi039551198.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Andrea Neves\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">EPA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Irm\u00e3 do senador, Andrea Neves \u00e9 suspeita de ter participado de negocia\u00e7\u00e3o de propina<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Heran\u00e7a e futebol<\/h2>\n<p>Desde que a den\u00fancia da JBS veio \u00e0 p\u00fablico, A\u00e9cio tem sido chamado nos bastidores de &#8220;cad\u00e1ver pol\u00edtico&#8221;.<\/p>\n<p>Aliados mais pr\u00f3ximos, entre eles tucanos mineiros, classificam sob a condi\u00e7\u00e3o de anonimato como &#8220;graves demais&#8221; as suspeitas que pesam contra o amigo e companheiro de partido.<\/p>\n<p>Ainda assim, em Bras\u00edlia poucos verbalizam a necessidade de uma puni\u00e7\u00e3o para o senador. Apenas a Rede e PSOL defendem abertamente a cassa\u00e7\u00e3o do mandato dele.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m arrisca dizer, contudo, se esse \u00e9 o fim de uma carreira herdada do pai A\u00e9cio Cunha, que foi deputado federal e estadual, e dos dois av\u00f4s, Tancredo Neves, ex-governador de Minas e eleito presidente do Brasil (morreu antes da posse), e Trist\u00e3o da Cunha, que passou pelo Congresso e participou do governo de Juscelino Kubitschek nos anos 1950.<\/p>\n<p>Com tantos homens p\u00fablicos na fam\u00edlia, ele e as duas irm\u00e3s respiram pol\u00edtica desde cedo. Tinham o costume de brincar com santinhos dos parentes confeccionados para elei\u00e7\u00f5es quando crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A\u00e9cio da Cunha Neves nasceu em 10 de mar\u00e7o de 1960, em Belo Horizonte. Viveu na capital mineira at\u00e9 os 12 anos, quando a fam\u00edlia se mudou para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O jornalista Maur\u00edcio Cannone foi colega de sala do tucano na oitava s\u00e9rie, em meados dos anos 1970, num col\u00e9gio que n\u00e3o existe mais no Leblon, bairro nobre da zona sul da cidades.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o era dos mais brilhantes, mas n\u00e3o era mau aluno. Se dava bem com todo mundo&#8221;, recorda Cannone, que costumava trombar com A\u00e9cio no Maracan\u00e3.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/2744\/production\/_96325001_8358451919_c47886d1f3_o.jpg?resize=412%2C549&#038;ssl=1\" alt=\"A\u00e9cio Neves\" width=\"412\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REPRODU\u00c7\u00c3O FLICKR<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A\u00e9cio viveu em Minas at\u00e9 os 12 anos, quando fam\u00edlia se mudou para o Rio<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Cannone conta que o senador, torcedor declarado do Cruzeiro e do Botafogo, sempre foi f\u00e3 de futebol. &#8220;O pai dele era diretor do Cruzeiro em Belo Horizonte, e me lembro dele contando que foi ao enterro do Roberto Batata, o ponta direita&#8221;, diz o jornalista.<\/p>\n<p>A\u00e9cio n\u00e3o era bom de bola, mas, quando jogava futebol, usava uma camisa do zagueiro cruzeirense Darci Menezes. Naquela \u00e9poca, Pol\u00edtica n\u00e3o era assunto recorrente.<\/p>\n<p>&#8220;Era 1975, ditadura militar. Pol\u00edtica n\u00e3o era estimulada. Eu nem sabia que ele era neto de Tancredo Neves&#8221;, lembra Cannone.<\/p>\n<p>A\u00e9cio, o hoje jornalista e muitos outros alunos do Magdalena Campos foram continuar os estudos em outros col\u00e9gios. Os dois nunca mais estiveram na mesma sala, e acabaram perdendo o contato.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez encontrei ele na rua, olhei e ele n\u00e3o me reconheceu. Deixei pra l\u00e1&#8221;, conta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">De ajudante do av\u00f4 a deputado federal<\/h2>\n<p>A\u00e9cio foi estudar economia na PUC-Rio, mas nunca foi militante estudantil. Al\u00e9m de futebol, gostava mesmo era de surfar, de corridas de motocross e de viajar. Morava num apartamento na badalada avenida Vieira Souto, na zona sul, e a praia de Ipanema era como a extens\u00e3o de sua casa. Desde ent\u00e3o, ganhou a fama de &#8220;bon vivant&#8221;, namorador e amante da noite carioca.<\/p>\n<p>O jornalista mineiro Lucas Figueiredo conta em seu blog que, enquanto A\u00e9cio ainda pegava ondas e n\u00e3o demonstrava muito interesse pela pol\u00edtica, a irm\u00e3 dele, pouco mais de um ano mais velha, vivia o oposto.<\/p>\n<p>Andrea militava pela esquerda e havia, por exemplo, ajudado a fundar o PT no Rio.<\/p>\n<p>Mas foi A\u00e9cio, e n\u00e3o Andrea, quem Tancredo Neves escolheu para acompanh\u00e1-lo a partir de 1981. Ele foi chamado a conhecer sua terra natal como secret\u00e1rio particular do av\u00f4 em Belo Horizonte. Transferiu-se para a PUC-Minas e, enquanto estudava economia, ajudava o ent\u00e3o senador e, depois, governador.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/83CE\/production\/_96324733_18014045_1247783298604322_5047330327991681024_n.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Tancredo Neves\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REPRODU\u00c7\u00c3O INSTAGRAM<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Tancredo escolheu A\u00e9cio para acompanh\u00e1-lo como secret\u00e1rio particular<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Antes disso, quando tinha 19 anos, A\u00e9cio havia sido nomeado para trabalhar como secret\u00e1rio parlamentar no gabinete do pai na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia. Mas cuidava da agenda do pai do Rio mesmo, fato que causaria pol\u00eamica mais de 30 anos depois, na elei\u00e7\u00e3o de 2014 &#8211; ele negou qualquer irregularidade, dizendo que \u00e0 \u00e9poca funcion\u00e1rios comissionados n\u00e3o eram obrigados a trabalhar na capital federal.<\/p>\n<p>O jovem participou das campanhas vitoriosas de Tancredo a governador de Minas e a presidente do Brasil. De ajudante do av\u00f4, tornou-se militante das Diretas J\u00e1 (1983-1984). Assumia a pol\u00edtica como miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985, acabou nomeado por Jos\u00e9 Sarney, que na condi\u00e7\u00e3o de vice assumiu o comando do pa\u00eds, como diretor de Loterias da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Ficou no cargo um ano e saiu para disputar pela primeira vez uma elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1986, foi eleito deputado federal pelo PMDB. Depois migrou para um novo partido: o PSDB.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Pacote \u00e9tico&#8217;<\/h2>\n<p>A\u00e9cio se elegeu deputado por quatro mandatos consecutivos e conquistou proje\u00e7\u00e3o nacional. Tornou-se l\u00edder do PSDB e, em 2001, conseguiu vencer a disputa pela Presid\u00eancia da C\u00e2mara desafiando o PFL (atual DEM) &#8211; \u00e0 \u00e9poca principal aliado do ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>\u00c0 frente da Casa, emplacou o que chamou de &#8220;pacote \u00e9tico&#8221;, com medidas como a cria\u00e7\u00e3o do Conselho de \u00c9tica da C\u00e2mara &#8211; agora, diante das acusa\u00e7\u00f5es que pesam contra ele, pode ser alvo do \u00f3rg\u00e3o hom\u00f3logo no Senado.<\/p>\n<p>Mas depois de 16 anos no Legislativo, ainda faltava no curr\u00edculo um cargo no Executivo.<\/p>\n<p>Em 1992, j\u00e1 filiado ao PSDB, A\u00e9cio havia disputado sem sucesso a Prefeitura de Belo Horizonte &#8211; terminou em terceiro lugar. Dez anos depois, por\u00e9m, liquidou a disputa ainda no primeiro turno e foi eleito para um cargo ainda maior: o de governador de Minas Gerais. Contou com o apoio do ent\u00e3o governador mineiro Itamar Franco, apesar das diverg\u00eancias do ex-presidente com FHC e o PSDB.<\/p>\n<p>&#8220;Naquela elei\u00e7\u00e3o, ele j\u00e1 inventou o &#8216;Lul\u00e9cio&#8217;. Apesar de o PSDB ter Jos\u00e9 Serra como candidato, em Minas ele n\u00e3o atacou Lula&#8221;, conta o deputado estadual de Minas, Rog\u00e9rio Correia (PT), um dos maiores opositores que A\u00e9cio encontrou no Estado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1200E\/production\/_96324737_935558-aecio_senado_-1-3-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A\u00e9cio Neves em 2014\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AG\u00caNCIA BRASIL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Tucano se elegeu deputado por quatro mandatos antes de ir para o Senado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Correia conta que j\u00e1 fazia oposi\u00e7\u00e3o ao PSDB desde o in\u00edcio dos anos 1990. Durante o governo A\u00e9cio (2003-2010), fez den\u00fancias contra A\u00e9cio e seu grupo. &#8220;Mas essa da JBS eu n\u00e3o sabia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O deputado trouxe a p\u00fablico, por exemplo, den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o como o mensal\u00e3o do PSDB, que teria usado ag\u00eancias de publicidade ligadas ao empres\u00e1rio Marcos Val\u00e9rio, que anos depois seria o operador do mensal\u00e3o do PT, para superfaturar contratos e desviar recursos p\u00fablicos em meados dos anos 1990 durante gest\u00e3o do governador tucano Eduardo Azeredo.<\/p>\n<p>Outro exemplo foi a chamada Lista de Furnas, que teria usado verba da estatal para pagar propina a tucanos, e repasses de publicidade a emissoras de r\u00e1dio sob o comando da fam\u00edlia Neves &#8211; o que A\u00e9cio sempre negou.<\/p>\n<p>A maioria das den\u00fancias, lembra o pr\u00f3prio Correia, n\u00e3o foi adiante. Acabaram arquivadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico. Ele diz ter &#8220;comido o p\u00e3o que o diabo amassou&#8221; &#8211; acabou sendo alvo de uma investiga\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e1 sob an\u00e1lise da Promotoria mineira.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15C40\/production\/_96325198_ea0cc6d3-f2cc-4485-9b6e-4f7e23e2326f.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"Tancredo e A\u00e9cio Neves\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">MAURO HOMEM\/REPRODU\u00c7\u00c3O FLICKR<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A\u00e9cio ajudou nas campanhas vitoriosas de Tancredo e tomou a pol\u00edtica como miss\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Dentro da Assembleia tinha o rolo compressor do A\u00e9cio. Era muito dif\u00edcil fazer oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, recorda Correia, para quem as vozes de oposi\u00e7\u00e3o eram poucas e foram sendo sufocadas, em especial porque, no in\u00edcio, at\u00e9 mesmo o PT nacional tinha simpatia por A\u00e9cio.<\/p>\n<p>O deputado diz ainda que, j\u00e1 no come\u00e7o do primeiro mandato, o governador deu in\u00edcio a um processo de &#8220;blindagem&#8221; na m\u00eddia local e, em certa medida, junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual que, teria poupado A\u00e9cio de questionamentos mais duros, cr\u00edticas e, principalmente, esc\u00e2ndalos.<\/p>\n<p>O tucano sempre negou ter tido a vida facilitada pela imprensa ou por autoridades.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Goebbels das Alterosas&#8217;<\/h2>\n<p>Segundo Correia, quem cuidava da imagem de A\u00e9cio na m\u00eddia era a irm\u00e3 Andrea Neves.<\/p>\n<p>&#8220;Nessa \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, ela mandava e desmandava. Apelidamos ela de Goebbels das Alterosas, comandava com punhos de a\u00e7o&#8221;, diz o deputado, referindo-se a Paul Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista entre 1933 e 1945.<\/p>\n<p>Um dos primeiros a abordar a rela\u00e7\u00e3o dos Neves com a imprensa foi Marcelo Ba\u00eata, \u00e0 \u00e9poca um estudante de jornalismo da UFMG. Como trabalho de conclus\u00e3o de curso, em 2006, ele fez um document\u00e1rio chamado <i>Liberdade, Essa Palavra<\/i> para o qual gravou jornalistas narrando como teriam sido perseguidos ou demitidos por terem criticado a gest\u00e3o do ent\u00e3o governador.<\/p>\n<p>&#8220;Logo depois de publicar o v\u00eddeo, no fim de agosto, o governo lan\u00e7ou o v\u00eddeo resposta, no in\u00edcio de setembro. Um v\u00eddeo um tanto quanto chulo e agressivo&#8221;, recorda o jornalista.<\/p>\n<p>No material oficial, alguns dos entrevistados de Ba\u00eata mudaram a vers\u00e3o dada anteriormente.<\/p>\n<p>&#8220;Creio que criou um certo ceticismo em rela\u00e7\u00e3o ao meu v\u00eddeo, ou pelo menos confus\u00e3o nas pessoas a respeito de qual era a real posi\u00e7\u00e3o desses entrevistados. Ao que tudo indica, eles sofreram uma press\u00e3o forte e truculenta, ao estilo Andrea Neves, que agora est\u00e1 presa, mas na \u00e9poca era muito poderosa. Ao que parece, eles ficaram com medo e cederam.&#8221;<\/p>\n<p>Para o jornalista, na m\u00eddia mineira &#8220;estava tudo dominado&#8221; e, na nacional, &#8220;o cen\u00e1rio era amplamente favor\u00e1vel&#8221; a A\u00e9cio, dada a pouca quantidade de not\u00edcias criticando ou questionando a gest\u00e3o do tucano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/322A\/production\/_96324821_934301-aecio_psdb_reeleic3a7c3a3o_5.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A\u00e9cio Neves\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AG\u00caNCIA BRASIL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Senador chegou a ser desacreditado na elei\u00e7\u00e3o presidencial, mas foi ao 2\u00ba turno<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">CPIs e baf\u00f4metro<\/h2>\n<p>Em 2010, A\u00e9cio deixou o governo mineiro com a popularidade nas alturas para concorrer a uma cadeira no Senado. Dois anos antes, havia conseguido a fa\u00e7anha de costurar um acordo com o PT para eleger o empres\u00e1rio M\u00e1rcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Levava no curr\u00edculo como principal obra a constru\u00e7\u00e3o da Cidade Administrativa, a nova sede do governo de Minas, vitrine agora sob suspeita com as dela\u00e7\u00f5es da Odebrecht &#8211; os executivos da construtora afirmaram que a licita\u00e7\u00e3o foi fraudada, a obra superfaturada e que houve pagamento de propina.<\/p>\n<p>Na disputa de 2010, A\u00e9cio foi eleito senador sem dificuldades, assim como fez seu sucessor em Minas, o aliado e ex-vice Antonio Augusto Anastasia (PSDB-MG), hoje tamb\u00e9m senador.<\/p>\n<p>Foi Anastasia quem relatou o impeachment de Dilma no Senado.<\/p>\n<p>No Senado, A\u00e9cio se colocou como principal nome da oposi\u00e7\u00e3o e tentava se cacifar para disputar a elei\u00e7\u00e3o presidencial. Mas nunca foi titular ou suplente de nenhuma das 13 CPIs (Comiss\u00f5es Parlamentares de Inqu\u00e9rito) instauradas desde 2011, segundo informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas no site do Senado.<\/p>\n<p>Dizia-se que ele atuava mais nos bastidores. Desde 2011, apresentou 39 projetos de lei e oito propostas de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fora da vida p\u00fablica, acabou sendo alvo de not\u00edcias negativas. Em 2011, foi parado numa blitz da Lei Seca no Rio. Estava com a carteira de habilita\u00e7\u00e3o vencida e n\u00e3o soprou o baf\u00f4metro. Foi ainda filmado cambaleante, pedindo uma bebida num bar na mesma cidade.<\/p>\n<p>Em 2014, nas v\u00e9speras da campanha, foi questionado diretamente se j\u00e1 havia sido usu\u00e1rio de coca\u00edna. &#8220;Jamais, claro que n\u00e3o&#8221;, disse ao jornalista Fernando Barros e Silva, no programa Roda Viva, da TV Cultura, antes de atribuir o boato ao &#8220;submundo&#8221; da internet.<\/p>\n<p>&#8220;Sou um homem do meu tempo. Nunca vesti o figurino de um pol\u00edtico tradicional. Nunca deixei de ter minhas rela\u00e7\u00f5es pessoais. (&#8230;) N\u00e3o conseguem dizer que sou desonesto efetivamente. N\u00e3o conseguem dizer que sou incompetente. De alguma forma, os ataques t\u00eam que vir. Se o ataque que tem \u00e9 esse do submundo&#8230;&#8221;, emendou.<\/p>\n<p>Al\u00e7ado a candidato tucano \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, viu o escrut\u00ednio aumentar &#8211; inclusive sobre sua gest\u00e3o em Minas, encerrada anos antes.<\/p>\n<p>Em julho de 2014, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem afirmando que A\u00e9cio, quando governador, havia autorizado a constru\u00e7\u00e3o de um aeroporto numa \u00e1rea que era de um tio em Cl\u00e1udio (MG). Ele sempre negou qualquer irregularidade &#8211; disse que seu tio foi prejudicado com a desapropria\u00e7\u00e3o. No ano passado, a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac) concedeu homologa\u00e7\u00e3o do aer\u00f3dromo, que agora \u00e9 p\u00fablico.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18602\/production\/_96324899_919016-a20c2aecio20conven20c2ba20c3bao202.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A\u00e9cio Neves em 2014\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AG\u00caNCIA BRASIL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, A\u00e9cio foi para o segundo turno com Dilma, perdendo por 3 milh\u00f5es de votos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Nem bem, nem mal<\/h2>\n<p>Ao longo da vida, A\u00e9cio incorporou \u00e0 sua imagem de homem p\u00fablico o gosto por festas com celebridades e empres\u00e1rios como Luciano Huck e Alexandre Accioly, al\u00e9m de passeios de moto e a cavalo.<\/p>\n<p>O namoro de cinco anos com a modelo Let\u00edcia Werner virou o casamento e, \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014, o casal anunciou que estava gr\u00e1vido de g\u00eameos. O pai da jovem Gabriela, de um relacionamento anterior, viu, aos 54 anos, nascer Julia e Bernardo.<\/p>\n<p>Na disputa presidencial, chegou a ser desacreditado. Mas, quando amargava um terceiro lugar, conseguiu ultrapassar Marina Silva na reta final e ir para o segundo turno com Dilma Rousseff. Perdeu por pouco mais de 3 milh\u00f5es de votos, numa das mais acirradas disputas desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua influ\u00eancia em Minas, por\u00e9m, saiu arranhada. Em sua base eleitoral, foi derrotado por Dilma e n\u00e3o conseguiu levar ao segundo turno seu candidato a governador, o tucano Pimenta da Veiga. O PT ganhou a disputa ainda no primeiro turno com Fernando Pimentel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a derrota nas ruas, partiu para o ataque. Presidido por ele, o PMDB foi ao Tribunal Superior Eleitoral tentar cassar a chapa Dilma-Temer, processo cujo julgamento est\u00e1 previsto para ser retomado na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos fiscalizar, vamos acompanhar, vamos cobrar, vamos denunciar. Vamos combater sem tr\u00e9guas a corrup\u00e7\u00e3o que se instalou no governo brasileiro&#8221;, disse em primeiro discurso p\u00f3s-eleitoral no Senado.<\/p>\n<p>Na vota\u00e7\u00e3o que sepultou o governo Dilma no Senado, sublinhou as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o que pesam contra o PT, provavelmente sem imaginar que, meses depois, ele pr\u00f3prio estaria afastado do cargo, acusado de irregularidades.<\/p>\n<p>Nem mesmo amigos mais pr\u00f3ximos t\u00eam sa\u00eddo em defesa do senador. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o o atacam. &#8220;Em respeito, n\u00e3o falo nem bem nem mal&#8221;, diz um tucano mineiro, que conhece A\u00e9cio de longa data e pediu para n\u00e3o ter seu nome citado.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o est\u00e1 abandonado. Parece estar ganhando tempo &#8211; tem recebido visitas em casa de pol\u00edticos aliados e, at\u00e9 agora, apenas Rede e PSOL indicaram senadores para analisar o caso do tucano no Conselho de \u00c9tica do Senado.<\/p>\n<p>N\u00e3o disfar\u00e7a, por\u00e9m, o abatimento, principalmente por causa da irm\u00e3, cuja pris\u00e3o, segundo a defesa, foi injusta e desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Desde o dia em que subiu \u00e0 tribuna para defender o impeachment de Dilma e atacar os que se beneficiam da sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, A\u00e9cio parece ter se transformado em um exemplo que comprova uma frase por vezes atribu\u00edda ao seu av\u00f4 Tancredo e, outras vezes, ao ex-governador de Minas Magalh\u00e3es Pinto:<\/p>\n<p>&#8220;Pol\u00edtica \u00e9 como nuvem. Voc\u00ea olha e est\u00e1 de um jeito; voc\u00ea olha de novo e ela j\u00e1 mudou.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Fernanda Odilla da <\/strong><strong>BBC Brasil em Belo Horizonte<\/strong><strong> \u2013 dispon\u00edvel na internet 03\/06\/2017<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia antes de o Senado aprovar o impeachment da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff, o senador A\u00e9cio Neves (PSDB-MG) subiu na tribuna do plen\u00e1rio para atacar sua principal advers\u00e1ria na campanha presidencial de 2014. &#8220;Se apoderaram do Estado Nacional com a sensa\u00e7\u00e3o da impunidade, de estarem acima da lei. 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