{"id":13897,"date":"2017-06-15T07:47:34","date_gmt":"2017-06-15T10:47:34","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=13897"},"modified":"2017-06-15T07:47:34","modified_gmt":"2017-06-15T10:47:34","slug":"crise-falencia-estatal-e-desemprego-levam-a-explosao-no-numero-de-moradores-de-rua-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/15\/crise-falencia-estatal-e-desemprego-levam-a-explosao-no-numero-de-moradores-de-rua-no-rio\/","title":{"rendered":"Crise, fal\u00eancia estatal e desemprego levam a explos\u00e3o no n\u00famero de moradores de rua no Rio."},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Jorge Luiz de Souza j\u00e1 foi pedreiro na constru\u00e7\u00e3o civil, operador de caldeira na ind\u00fastria cervejeira, oper\u00e1rio na ind\u00fastria qu\u00edmica, dirige caminh\u00f5es. Mas sua rotina hoje, aos 37 anos, se resume a passar as noites na rua e os dias procurando emprego no Rio.<\/p>\n<p>&#8220;Experi\u00eancia eu tenho muita, s\u00f3 n\u00e3o fa\u00e7o dinheiro&#8221;, diz com uma risada amarga, levando nas costas a mochila acumulando seus principais pertences.<\/p>\n<p>&#8220;O terr\u00edvel \u00e9 que hoje n\u00e3o tem nada. Todas as portas est\u00e3o fechadas. Eu sei fazer, \u00e9 s\u00f3 ter oportunidade. Mas ningu\u00e9m est\u00e1 contratando, independentemente da minha experi\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Jorge acabara de receber um p\u00e3o com presunto e um caf\u00e9 quente servido num copo de pl\u00e1stico no Largo da Gl\u00f3ria, onde cerca de 300 moradores de rua se juntam bem cedo nas quintas-feiras \u00e0 espera do caf\u00e9 da manh\u00e3 oferecido pelo Projeto Voar.<\/p>\n<p>O grupo de volunt\u00e1rios repete a a\u00e7\u00e3o tr\u00eas vezes por semana, em tr\u00eas pontos diferentes no Rio. O n\u00famero de moradores de rua teve um aumento vertiginoso nos \u00faltimos anos, tendo praticamente triplicado de 2013 para c\u00e1.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, o n\u00famero de pessoas vivendo nas ruas da cidade chegou a 14.150, de acordo com a Secretaria Municipal de Assist\u00eancia Social e Direitos Humanos &#8211; contra 5.580 em 2013<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria da pasta, Maria Teresa Bergher, a conjun\u00e7\u00e3o de dificuldades do momento atual ajuda a explicar o aumento.<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos uma crise econ\u00f4mica muito s\u00e9ria no pa\u00eds e o Estado do Rio est\u00e1 falido. O desemprego agora apresentou queda em todas as regi\u00f5es do Brasil, menos no Estado do Rio&#8221;, afirma Bergher. &#8220;Tudo isso faz com que tenhamos uma situa\u00e7\u00e3o bastante s\u00e9ria.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/C845\/production\/_96496215_jorgeesilvia.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Jorge e Silvia, moradores de rua no Rio\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"image-and-copyright-container\"><span class=\"story-image-copyright\">BBC BRASIL<\/span><\/span><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Jorge (ao lado da mulher, Silvia) nunca tinha se imaginado morando na rua, mas dificuldade em conseguir trabalho o deixou sem op\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 o avesso do otimismo despertado com o ciclo dos megaeventos dos \u00faltimos anos, diante da Copa do Mundo e dos Jogos Rio 2016.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas vieram para o Rio nos \u00faltimos anos porque a cidade foi vendida com uma imagem de beleza e de promessa. Mas muitas pessoas que vieram com esperan\u00e7a de emprego e de uma vida melhor acabaram ficando nas ruas&#8221;, diz a secret\u00e1ria municipal.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Primeira vez na rua<\/h2>\n<p>Jorge j\u00e1 tinha ficado desempregado antes, mas a diferen\u00e7a \u00e9 que sempre aparecia alguma coisa em pouco tempo. Agora n\u00e3o. Desde a demiss\u00e3o coletiva da empresa da \u00e1rea qu\u00edmica onde teve carteira assinada por sete anos, n\u00e3o consegue nada.<\/p>\n<p>Nunca tinha se imaginado dormindo na rua. Mas foi o que restou. Atualmente, quando n\u00e3o consegue vaga em um abrigo da prefeitura, se encolhe para dormir nas cal\u00e7adas do Centro ou da Gl\u00f3ria, e rapidamente aprende para onde n\u00e3o deve voltar.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Aterro do Flamengo, onde tentara passar a noite anterior ao caf\u00e9 da manh\u00e3, ao lado de sua mulher. At\u00e9 que presenciaram tr\u00eas assaltos violentos em sequ\u00eancia. &#8220;A pol\u00edcia fica no Aterro at\u00e9 as 22h e depois \u00e9 um Deus nos acuda. N\u00e3o d\u00e1 para dormir l\u00e1&#8221;, conclui Jorge.<\/p>\n<p>O casal ent\u00e3o buscou ref\u00fagio no monumento ao IV Centen\u00e1rio do Descobrimento do Brasil, na Gl\u00f3ria. Inaugurada em 1900, a obra \u00e9 pontuada por uma imponente est\u00e1tua de Pedro \u00c1lvares Cabral, erguendo uma bandeira em postura de vit\u00f3ria e com inscri\u00e7\u00f5es louvando a descoberta da &#8220;terra bendicta&#8221;. \u00c0 noite, o pedestal de granito fica cercado de moradores de rua.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Efeito domin\u00f3<\/h2>\n<p>Silvia Aparecida de Souza, parceira de Jorge, est\u00e1 na mesma situa\u00e7\u00e3o que ele. Perdeu o emprego de bab\u00e1 h\u00e1 um ano e meio. A patroa tamb\u00e9m foi mandada embora do trabalho e, ato cont\u00ednuo, teve que demiti-la.<\/p>\n<p>&#8220;Foi efeito domin\u00f3, caiu uma e depois a outra&#8221;, resume Silvia, que tem 46 anos. &#8220;Foi muito dif\u00edcil.&#8221; De l\u00e1 para c\u00e1, ela n\u00e3o conseguiu mais nada. &#8220;E n\u00e3o estou escolhendo n\u00e3o, fa\u00e7o faxina, o que pintar.&#8221;<\/p>\n<p>Os dois s\u00e3o de Petr\u00f3polis, na regi\u00e3o serrana do Rio. Moravam juntos, mas tiveram que abandonar o endere\u00e7o h\u00e1 dois meses, e agora passam a maior parte do tempo separados. Jorge dorme na rua ou em abrigos da prefeitura; Silvia geralmente dorme na casa da av\u00f3 em Caxias, na zona norte do Rio.<\/p>\n<p>&#8220;Ficar na rua \u00e9 muito perigoso para mulher. Se durmo com ele na rua, ele n\u00e3o consegue dormir, preocupado comigo&#8221;, diz Silvia. &#8220;Mas quando estou na casa da minha av\u00f3 e ele na rua, eu tamb\u00e9m n\u00e3o consigo dormir, preocupada com ele.&#8221;<\/p>\n<p>No Dia dos Namorados, no come\u00e7o da semana, eles passaram o dia juntos, mas tiveram que se separar novamente \u00e0 noite. &#8220;A gente fica com muita saudade&#8221;, lamenta Silvia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5121\/production\/_96496702_homeless.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Moradores de rua no Centro de S\u00e3o Paulo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AFP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Moradores de rua no Centro de S\u00e3o Paulo; &#8216;tamanho da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil sempre tem rela\u00e7\u00e3o com pobreza, desigualdade social, infraestrutura urbana&#8217;, diz pesquisador do Ipea<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">100 mil na rua<\/h2>\n<p>A assistente social Vanda Amorim coordena os caf\u00e9s da manh\u00e3 na Gl\u00f3ria h\u00e1 quase 11 anos. Ela diz que, do come\u00e7o do ano passado para c\u00e1, o n\u00famero de frequentadores dobrou. O projeto passou a receber uma m\u00e9dia de 150 moradores de rua em um dia para, atualmente, mais de 300 pessoas por edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Temos visto pessoas que n\u00e3o fazem parte daquele contexto normal de moradores de rua, que j\u00e1 vivem h\u00e1 muitos anos de catar material reciclado ou, por causa de drogas, j\u00e1 se acomodaram nessa vida de sobreviv\u00eancia na rua&#8221;, explica Vanda.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00eam outro perfil, est\u00e3o mais arrumadinhas, t\u00eam uma linguagem boa. Esses a\u00ed n\u00e3o querem perder tempo. Geralmente tomam caf\u00e9 para suprir a fome e v\u00e3o logo embora&#8221;, descreve. &#8220;Est\u00e3o correndo atr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), o Brasil tem pouco mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas. A estimativa se baseia em dados 2015, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas nacionais para medir a popula\u00e7\u00e3o de rua. Assim, \u00e9 dif\u00edcil acompanhar o avan\u00e7o desses n\u00fameros e o impacto da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O tamanho da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil sempre tem rela\u00e7\u00e3o com pobreza, desigualdade social, infraestrutura urbana&#8221;, afirma o pesquisador do Ipea Marco Antonio Carvalho Natalino, autor do estudo.<\/p>\n<p>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica e o desemprego n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos fatores que levam as pessoas para as ruas. Mas com o aumento desses \u00edndices, estamos vendo isso com mais for\u00e7a agora. \u00c9 vis\u00edvel. H\u00e1 um aumento da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua em todas as grandes metr\u00f3poles no Brasil&#8221;, afirma Natalino, especialista em pol\u00edtica p\u00fablica e gest\u00e3o governamental.<\/p>\n<p>Natalino critica a falta de dados nacionais e atualizados para acompanhar a situa\u00e7\u00e3o real no pa\u00eds, que seriam essenciais para formular pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas para atender \u00e0s demandas de moradores de rua.<\/p>\n<p>&#8220;Popula\u00e7\u00f5es de rua j\u00e1 costumam ser invisibilizadas. O Estado as torna ainda mais invis\u00edveis por n\u00e3o produzir informa\u00e7\u00f5es. Ele para de olhar para esse p\u00fablico como alvo de pol\u00edticas sociais e de servi\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, considera.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, cidade que concentra a maior popula\u00e7\u00e3o e o maior n\u00famero de moradores de rua no pa\u00eds, os n\u00fameros est\u00e3o defasados.<\/p>\n<p>O \u00faltimo censo foi realizado em 2015, n\u00e3o havendo ainda uma atualiza\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o do prefeito Jo\u00e3o Doria (PSDB). De acordo com os dados dispon\u00edveis, a popula\u00e7\u00e3o de rua na cidade aumentou de 14.478 em 2011 para 15.905, em 2015.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11471\/production\/_96496707_homeless2.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Moradores de rua no Centro de S\u00e3o Paulo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AFP<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Apesar da falta de n\u00fameros, sabe-se que tem aumentado o n\u00famero de moradores de rua em todas as principais metr\u00f3poles do pa\u00eds<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Peregrina\u00e7\u00e3o por emprego de barriga vazia<\/h2>\n<p>Entre os pertences acumulados na mochila preta de Jorge est\u00e1 uma pasta com c\u00f3pias de seu curr\u00edculo, que j\u00e1 submeteu a empresas do Rio, de Petr\u00f3polis e de Minas Gerais.<\/p>\n<p>O documento lista suas experi\u00eancias profissionais, ensino m\u00e9dio incompleto e destaca, entre suas principais caracter\u00edsticas, &#8220;excelente relacionamento interpessoal e capacidade de lideran\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o caf\u00e9 da manh\u00e3, ele entrega uma c\u00f3pia para volunt\u00e1rios do Projeto Voar, pedindo que lhe avisassem sobre oportunidades.<\/p>\n<p>Sua rotina tem sido essa. &#8220;Amanheceu, saio \u00e0 procura de emprego, vou batendo em portas para ver o que consigo. S\u00f3 n\u00e3o consigo ir muito longe porque n\u00e3o tenho dinheiro para a passagem (de \u00f4nibus)&#8221;, diz. &#8220;Voc\u00ea vai gastar uma energia e n\u00e3o tem um alimento no est\u00f4mago. \u00c9 duro&#8221;.<\/p>\n<p>Mas ele enfatiza que s\u00f3 est\u00e1 na rua por causa do desemprego.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou dependente qu\u00edmico, n\u00e3o consumo bebida nenhuma, tenho exames toxicol\u00f3gicos. Estou em busca de emprego para poder trazer sustento para mim e para a minha fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ber\u00e7o partido<\/h2>\n<p>Jorge teria nascido em uma fam\u00edlia com boas condi\u00e7\u00f5es financeiras. Mas seu pai foi assassinado quando ele ainda estava na barriga da m\u00e3e. &#8220;Mataram meu pai para roubar os caminh\u00f5es que ele tinha. A minha m\u00e3e me botou no mundo e me largou. Com 15 dias de vida, meu padrinho me pegou para criar.&#8221;<\/p>\n<p>Ele viveu com o padrinho at\u00e9 os 7 anos, e depois ficou de casa em casa, &#8220;que nem cigano&#8221;. S\u00f3 conhece as hist\u00f3rias de como as coisas eram antes. &#8220;Meu pai tinha uma vida boa, uma fam\u00edlia boa, ele transportava boi para corte, cortava lenha e transportava toras.&#8221;<\/p>\n<p>Da inf\u00e2ncia quebrada vieram dois sonhos. O primeiro era constituir uma fam\u00edlia, que fez com que se casasse j\u00e1 aos 16 anos. Virou pai aos 22 anos, e hoje tem tr\u00eas filhos do primeiro casamento.<\/p>\n<p>Com idades de 7, 12 e 14 anos, as crian\u00e7as moram em Petr\u00f3polis com a m\u00e3e. Jorge diz que, com o desemprego, n\u00e3o tem conseguido enviar ajuda financeira.<\/p>\n<p>&#8220;A minha filha vai fazer 13 anos neste m\u00eas e pela primeira vez estou com receio de n\u00e3o poder dar nada. Todo ano eu dou um bolinho, fazemos uma festinha, mas esse ano eu n\u00e3o tenho o que fazer&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou nenhum pol\u00edtico igual a esses a\u00ed&#8230; Vivo do trabalho mesmo&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>O segundo sonho era dirigir um caminh\u00e3o e trilhar o caminho do pai que n\u00e3o conheceu. Recentemente, conseguiu trocar sua carteira de habilita\u00e7\u00e3o para dirigir carretas &#8211; &#8220;uma grande conquista&#8221;. Mas os empregos na \u00e1rea minguaram.<\/p>\n<p>&#8220;Deixei curr\u00edculo em v\u00e1rias transportadoras, mas n\u00e3o est\u00e1 tendo vaga. Tem empresa com 30 carretas paradas. Imagina. Isso s\u00e3o 30 pais de fam\u00edlia! Est\u00e1 tudo parado, o pa\u00eds est\u00e1 parado, n\u00e3o tem o que transportar.&#8221;<\/p>\n<p>Jorge passou no teste para trabalhar como motorista de \u00f4nibus no Rio &#8211; mas tamb\u00e9m n\u00e3o apareceram vagas por enquanto.<\/p>\n<p><strong>J\u00falia Dias Carneiro<\/strong><strong> da \u00a0BBC Brasil no Rio de Janeiro \u2013 dispon\u00edvel na internet <\/strong><strong>15\/06\/2017<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Luiz de Souza j\u00e1 foi pedreiro na constru\u00e7\u00e3o civil, operador de caldeira na ind\u00fastria cervejeira, oper\u00e1rio na ind\u00fastria qu\u00edmica, dirige caminh\u00f5es. 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