{"id":13967,"date":"2017-06-19T00:09:13","date_gmt":"2017-06-19T03:09:13","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=13967"},"modified":"2017-06-18T21:37:53","modified_gmt":"2017-06-19T00:37:53","slug":"brasileiros-ricos-e-pobres-sao-os-que-menos-poupam-para-aposentadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/19\/brasileiros-ricos-e-pobres-sao-os-que-menos-poupam-para-aposentadoria\/","title":{"rendered":"Brasileiros, ricos e pobres, s\u00e3o os que menos poupam para aposentadoria."},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, s\u00f3 4,7% dos 60% mais ricos guardam dinheiro para o momento em que sa\u00edrem do mercado de trabalho, diz estudo<\/p>\n<p>Poupar para a velhice para al\u00e9m do benef\u00edcio concedido pelo INSS \u00e9 privil\u00e9gio de poucos no Brasil \u2014 realidade que leva o pa\u00eds \u00e0 lanterna de uma lista de dez na\u00e7\u00f5es. Temos o menor percentual de popula\u00e7\u00e3o acima de 15 anos que declara economizar para a aposentadoria, atr\u00e1s de Argentina, \u00cdndia, Chile, R\u00fassia, Col\u00f4mbia, \u00c1frica do Sul, M\u00e9xico, Portugal e Alemanha. O diagn\u00f3stico est\u00e1 em artigo do economista Jos\u00e9 Roberto Afonso, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV-Rio), a partir de estudo do Banco Mundial. No Brasil, s\u00f3 4,7% dos 60% mais ricos guardam dinheiro para esse fim. E, entre os 40% mais pobres, a participa\u00e7\u00e3o cai a menos da metade, para 2,1%. Ficamos em m\u00e1 posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 quando comparados a uma m\u00e9dia de 31 pa\u00edses de baixa renda, em que 10,2% dos mais ricos e 5,6% do mais pobres poupam para o momento em que sa\u00edrem do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u2014 O brasileiro em geral poupa muito pouco, mesmo quando comparado a outras economias emergentes. Quem ganha pouco poupa pouco ou nada. Outra parcela grande de brasileiros j\u00e1 \u00e9 atendida pela Previd\u00eancia Social. Mesmo os que t\u00eam idade e renda para poupar a longo prazo para ganhar mais que a aposentadoria do INSS no futuro nem sempre o fazem \u2014 analisa o autor do artigo.<\/p>\n<p>Para especialistas, reverter esse quadro de baixa poupan\u00e7a ganhou urg\u00eancia em meio ao atual contexto. H\u00e1, ao mesmo tempo, a proposta de reforma da Previd\u00eancia, que endurece as regras para acesso ao benef\u00edcio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atuais, taxas recordes de desemprego, que reduziram drasticamente o n\u00famero de trabalhadores com carteira assinada e que contribuem para a Previd\u00eancia, e a necessidade de impulsionar investimentos para o pa\u00eds voltar a crescer.<\/p>\n<p>\u2014A previd\u00eancia complementar deveria ser vista como um bem de primeira necessidade. O ideal \u00e9 poupar desde jovem e todo o m\u00eas, seja em previd\u00eancia privada, t\u00edtulos do Tesouro Direto, renda fixa ou vari\u00e1vel. O mercado brasileiro \u00e9 bastante sofisticado e pode atender a todos os perfis \u2014 avalia Lu\u00eds Eduardo Afonso, economista estudioso de previd\u00eancia da USP.<\/p>\n<p><strong>SISTEMA PREVIDENCI\u00c1RIO DESESTIMULA POUPAR<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 consenso entre os especialistas que a baixa poupan\u00e7a no Brasil se deve, principalmente, a dois fatores: o pa\u00eds tem uma economia est\u00e1vel relativamente nova, p\u00f3s-Plano Real, que tem pouco mais de 20 anos; e um sistema de seguridade social generoso, que desestimula essa economia ao assegurar, por exemplo, aposentadorias precoces com altos n\u00edveis de reposi\u00e7\u00e3o salarial em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea poupa por precau\u00e7\u00e3o. Um sistema como o brasileiro, que paga aposentadorias semelhantes \u00e0 renda da vida ativa a pessoas relativamente jovens, estimula a gastar em vez de poupar porque voc\u00ea sabe que est\u00e1 protegido \u2014 explica Luis Henrique da Silva de Paiva, cientista social e pesquisador de previd\u00eancia do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p>Afonso, da USP, lembra que experi\u00eancias ruins com produtos precursores de planos de previd\u00eancia privada nos anos 1970, administrados por entidades que faliram, foram sucedidas por quase uma d\u00e9cada e meia de hiperinfla\u00e7\u00e3o, impedindo a cria\u00e7\u00e3o de uma cultura de poupan\u00e7a para a aposentadoria:<\/p>\n<p>\u2014 Era um ambiente de incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Nesse contexto, ningu\u00e9m poupa.<\/p>\n<p>A professora Elisabete Abrantes, de 58 anos, e a universit\u00e1ria Maria Lu\u00edsa Guarisa, 22, exemplificam bem esse efeito sobre as diferentes gera\u00e7\u00f5es. Apesar de o sal\u00e1rio de est\u00e1gio de Maria Lu\u00edsa, que j\u00e1 cresceu num Brasil de economia est\u00e1vel, corresponder a menos da metade dos rendimentos de Elisabete, a jovem destina cerca de 10% da renda mensal, h\u00e1 mais de um ano, a uma previd\u00eancia privada. A professora n\u00e3o faz nenhum tipo de investimento para a velhice.<\/p>\n<p>\u2014 Eu n\u00e3o quero ficar dependendo s\u00f3 da previd\u00eancia. Essa pouquinho que guardo todo m\u00eas eu esque\u00e7o e s\u00f3 pretendo mexer quando ficar velhinha \u2014 conta a estudante.<\/p>\n<p>A carteira de trabalho de Elisabete foi assinada pela primeira vez h\u00e1 34 anos. Ela considera a economia do pa\u00eds fragilizada por um passado de trocas de moeda e planos econ\u00f4micos ainda bastante presentes em sua mem\u00f3ria:<\/p>\n<p>\u2014 Nossa economia sempre foi inst\u00e1vel. Por isso, n\u00e3o d\u00e1 para saber de quanto iremos dispor no pr\u00f3ximo m\u00eas. At\u00e9 tem meses em que sobra algum valor, por\u00e9m, \u00e9 mais comum faltar do que sobrar, pois o custo de vida \u00e9 alto.<\/p>\n<p>E, apesar de os n\u00fameros mostrarem que n\u00e3o guardar dinheiro independe da condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, uma gama consider\u00e1vel de fam\u00edlias no Brasil s\u00f3 tem recursos para subsist\u00eancia, sendo imposs\u00edvel economizar para qualquer finalidade. Segundo os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) do IBGE, quase metade dos lares brasileiros (44,7%), ou 30 milh\u00f5es de resid\u00eancias, viviam com menos de um sal\u00e1rio m\u00ednimo\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0em 2015.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c0 parte das compara\u00e7\u00f5es internacionais, os mais pobres tendem a consumir proporcionalmente mais de sua renda, quando n\u00e3o toda ela. Mesmo que queiram, n\u00e3o conseguem poupar. Essa \u00e9 a raz\u00e3o do surgimento, a partir da virada do s\u00e9culo XIX, na Alemanha, dos sistemas de prote\u00e7\u00e3o social. Para que o poder p\u00fablico desse amparo a eles \u2014 explica o economista da FGV.<\/p>\n<p><strong>EFEITO COLATERAL DA TAXA DE JUROS ELEVADA<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos sete anos, a taxa m\u00e9dia de poupan\u00e7a brasileira &#8211; o quanto fam\u00edlias, empresas e governos economizam &#8211; ficou na casa dos 16% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e servi\u00e7os produzidos pelo pa\u00eds) e \u00e9 considerada baixa pelos especialistas. O pico foi registrado em 2013, quando a taxa de poupan\u00e7a correspondeu a 18,3% do PIB daquele ano. Desde ent\u00e3o, s\u00f3 cai. Encerrou 2016 em 13,9%. Consequentemente, a taxa de investimento acompanhou essa trajet\u00f3ria e, depois de atingir 20,9% do PIB em 2013, caiu seguidamente at\u00e9 os 16,4% registrados no ano passado.<\/p>\n<p>\u2014 Quanto mais as pessoas poupam, maior o volume de recursos dispon\u00edveis para investimentos em m\u00e1quinas, equipamentos e novas f\u00e1bricas. Os pa\u00edses que mais cresceram nos \u00faltimos anos, como Coreia do Sul e China, s\u00e3o os mesmos onde a poupan\u00e7a privada mais cresceu \u2014 analisa o especialista da USP.<\/p>\n<p>Para o autor do artigo, aumentar a poupan\u00e7a privada diminui a depend\u00eancia do Estado:<\/p>\n<p>\u2014 O investimento em projetos de longo prazo, como rodovias, portos, usinas el\u00e9tricas e refinarias de petr\u00f3leo, precisam ser financiados por recursos que v\u00e3o al\u00e9m dos pr\u00f3prios donos desses empreendimentos. \u00c9 preciso, por exemplo, que o brasileiro deposite na caderneta de poupan\u00e7a, para que o banco empreste a outros brasileiros para comprarem a casa pr\u00f3pria ou que se compre uma letra de cr\u00e9dito agr\u00edcola para que o banco d\u00ea cr\u00e9dito aos agricultores. No Brasil, muito desse suporte financeiro ainda depende diretamente do Estado.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, a pol\u00edtica monet\u00e1ria brasileira historicamente desincentiva investimentos a longo prazo, observa o economista da FGV:<\/p>\n<p>\u2014 O governo paga juros absurdamente altos, com prazos muito curtos para aplica\u00e7\u00f5es feitas de um dia para outro e sem nenhum risco. Ora, se eu posso ganhar tanto, t\u00e3o r\u00e1pido e sem nenhum risco, por que vou empatar minha poupan\u00e7a em investimentos que s\u00f3 poderei sacar d\u00e9cadas depois? \u2014 indaga.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/seis-dicas-para-poupar-para-velhice-21476721\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Seis dicas para poupar para a velhice<\/strong><\/a><\/p>\n<p><em><strong>Daiane Costa e Pedro Amaral (Estagi\u00e1rio, sob supervis\u00e3o de Daiane Costa)\/O Globo \u2013 <\/strong><\/em><em><strong>dispon\u00edvel na internet 19\/06\/2017<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, s\u00f3 4,7% dos 60% mais ricos guardam dinheiro para o momento em que sa\u00edrem do mercado de trabalho, diz estudo Poupar para a velhice para al\u00e9m do benef\u00edcio concedido pelo INSS \u00e9 privil\u00e9gio de poucos no Brasil \u2014 realidade que leva o pa\u00eds \u00e0 lanterna de uma lista de dez na\u00e7\u00f5es. 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