{"id":14057,"date":"2017-06-22T04:43:44","date_gmt":"2017-06-22T07:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14057"},"modified":"2017-06-22T04:43:44","modified_gmt":"2017-06-22T07:43:44","slug":"stf-indica-4-votos-a-favor-de-revisar-beneficios-de-delacao-apenas-na-sentenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/22\/stf-indica-4-votos-a-favor-de-revisar-beneficios-de-delacao-apenas-na-sentenca\/","title":{"rendered":"STF indica 4 votos a favor de revisar benef\u00edcios de dela\u00e7\u00e3o apenas na senten\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>O julgamento desta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) indicou pelo menos quatro votos a favor da possibilidade de se revisar os benef\u00edcios concedidos a um determinado delator apenas no momento da senten\u00e7a de quem tenha sido alvo das acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O julgamento foi suspenso pela presidente do STF, C\u00e1rmen L\u00facia, ap\u00f3s o voto dos ministros Edson Fachin (relator) e Alexandre de Moraes e ser\u00e1 retomado na sess\u00e3o da tarde da quinta-feira.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio do Planalto acompanha de perto o desdobramento desse julgamento, uma vez que Fachin conduz o inqu\u00e9rito contra o presidente Michel Temer por suspeita de obstru\u00e7\u00e3o de Justi\u00e7a, organiza\u00e7\u00e3o criminosa e corrup\u00e7\u00e3o passiva. H\u00e1 tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o entre delatores que j\u00e1 firmaram acordos homologados ou que est\u00e3o para serem tomados, pois os benef\u00edcios concedidos poder\u00e3o ser alterados.<\/p>\n<p>O acordo de dela\u00e7\u00e3o dos executivos da JBS, por exemplo, prev\u00ea que eles n\u00e3o v\u00e3o cumprir nenhum dia de pris\u00e3o pelas acusa\u00e7\u00f5es que fizeram e provas que apresentaram. A defesa de Temer critica duramente os benef\u00edcios concedidos.<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o desta quarta, al\u00e9m dos votos de Fachin e Moraes pela possibilidade de se analisar o acordo de dela\u00e7\u00e3o apenas no momento da senten\u00e7a, os ministros Luiz Fux e Celso de Mello, o decano do STF, j\u00e1 afirmaram em interven\u00e7\u00f5es serem favor\u00e1veis a seguir esse caminho.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos quatro ministros, a homologa\u00e7\u00e3o de uma dela\u00e7\u00e3o seria feita por ato individual do relator, como tem sido a praxe at\u00e9 agora, mas uma eventual revis\u00e3o dos benef\u00edcios da dela\u00e7\u00e3o ocorreria no julgamento final por decis\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o colegiado &#8211;no caso do STF, ou uma Turma ou o plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Esse ato homologat\u00f3rio do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada n\u00e3o deve se expor a referendo de \u00f3rg\u00e3o colegiado&#8221;, defendeu Celso de Mello. Fux disse em aparte ao decano que n\u00e3o h\u00e1 &#8220;diverg\u00eancia&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao racioc\u00ednio dele.<\/p>\n<p>PODER DA PGR<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, apenas o ministro Gilmar Mendes, que tem criticado publicamente a ado\u00e7\u00e3o do instituto da dela\u00e7\u00e3o premiada, manifestou-se claramente contra a revis\u00e3o de benef\u00edcios da dela\u00e7\u00e3o somente na senten\u00e7a. Mesmo sem votar, Mendes indicou que essa avalia\u00e7\u00e3o poderia ser feita ap\u00f3s a homologa\u00e7\u00e3o do acordo, se, no seu entender, houver irregularidades.<\/p>\n<p>&#8220;Veja, a Procuradoria pode muito, mas pode tudo? \u00c9 isso que a lei autoriza?&#8221;, indagou Mendes durante o julgamento em aparte ao voto de Moraes. &#8220;Ent\u00e3o me parece que n\u00f3s temos que esclarecer o que se pode fazer sob pena de ficarmos em platitudes&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>Em seu voto, Fachin argumentou que no momento da homologa\u00e7\u00e3o do acordo de dela\u00e7\u00e3o cabe ao relator apenas aferir se foram cumpridos os aspectos formais de regularidade, voluntariedade e legalidade.<\/p>\n<p>Para o ministro, n\u00e3o \u00e9 dado ao relator, de forma &#8220;antecipada&#8221; e &#8220;extempor\u00e2nea&#8221;, avaliar os termos da colabora\u00e7\u00e3o, porque, dessa forma, ele estaria interferindo de &#8220;modo indevido&#8221; em processo de investiga\u00e7\u00e3o. Isso se ocorresse, frisou, poderia levar a uma inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Mas na senten\u00e7a, ponderou, poder\u00e1 haver uma avalia\u00e7\u00e3o sobre os termos dos benef\u00edcios concedidos. &#8220;A palavra definitiva sobre os termos das colabora\u00e7\u00f5es ser\u00e1 e sempre vai ser do colegiado&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>O voto de Moraes acompanhando Fachin foi o que, at\u00e9 o momento, surpreendeu a contabilidade inicialmente feita pelo relator do caso. Indicado ao STF por Temer, ele era tido como o que abriria a diverg\u00eancia e votaria a favor de revisar os termos de um acordo de dela\u00e7\u00e3o depois da homologa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas no momento da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Para Moraes, nada impede que haja uma an\u00e1lise sobre a efic\u00e1cia da prova produzida a partir das dela\u00e7\u00f5es premiadas ap\u00f3s a senten\u00e7a do processo.<\/p>\n<p>&#8220;O sistema acusat\u00f3rio afastou o juiz da produ\u00e7\u00e3o da prova para que o juiz possa julgar de forma imparcial. N\u00e3o se pode constranger a livre convic\u00e7\u00e3o do magistrado&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>MENSAGEM<\/p>\n<p>Antes dos votos dos ministros, O procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, se manifestou a favor de rejeitar uma eventual revis\u00e3o do acordo de dela\u00e7\u00e3o antes da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Os colaboradores entregaram autoridades p\u00fablicas cometendo crimes em curso, tanto \u00e9 que alguns deles foram pilhados em a\u00e7\u00f5es controladas. Como se pode recusar prova de crime em curso?&#8221;, questionou.<\/p>\n<p>Janot afirmou que uma eventual revis\u00e3o completa dos acordos a essa altura ter\u00e1 consequ\u00eancia em acertos de dela\u00e7\u00e3o futura. &#8220;A mensagem que se passar\u00e1 \u00e9 que o Minist\u00e9rio P\u00fablico ao acordar pode, mas n\u00e3o muito. Promete, mas n\u00e3o sabe como poder\u00e1 cumprir&#8221;, completou.<\/p>\n<p>O STF julga questionamento feito pelo governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), para retirar Fachin da relatoria de um caso que o envolve ap\u00f3s ele ter sido citado em dela\u00e7\u00e3o premiada por executivo da JBS.<\/p>\n<p>O governador sul-matogrossense argumenta seu caso refere-se a um suposto esquema de pagamento de propina para a libera\u00e7\u00e3o e obten\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios de ICMS, nada tendo a ver com a Lava Jato.<\/p>\n<p>Fachin e Moraes, contudo, s\u00e3o favor\u00e1veis a manter o atual relator do caso da JBS. A tend\u00eancia, conforme a Reuters publicou, \u00e9 que nesse ponto haja uma maioria s\u00f3lida para manter Fachin como relator do caso.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Ricardo Brito e Cesar Raizer\/Reuters Brasil \u2013 dispon\u00edvel na internet 22\/06\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O julgamento desta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) indicou pelo menos quatro votos a favor da possibilidade de se revisar os benef\u00edcios concedidos a um determinado delator apenas no momento da senten\u00e7a de quem tenha sido alvo das acusa\u00e7\u00f5es. 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