{"id":14118,"date":"2017-06-26T00:04:23","date_gmt":"2017-06-26T03:04:23","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14118"},"modified":"2017-06-25T17:26:00","modified_gmt":"2017-06-25T20:26:00","slug":"geracao-com-mais-de-50-anos-revoluciona-velhice-e-cria-gerontolescencia-diz-guru-da-longevidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/26\/geracao-com-mais-de-50-anos-revoluciona-velhice-e-cria-gerontolescencia-diz-guru-da-longevidade\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o com mais de 50 anos revoluciona velhice e cria &#8216;gerontolesc\u00eancia&#8217;, diz guru da longevidade."},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Envelhecer n\u00e3o \u00e9 mais o que era antes gra\u00e7as aos baby boomers, que est\u00e3o transformando esse per\u00edodo e vivendo de forma diferente das gera\u00e7\u00f5es anteriores &#8211; \u00e9 o que diz uma das maiores autoridades em envelhecimento do mundo, o m\u00e9dico brasileiro Alexandre Kalache.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, Kalache diz que o brasileiro ter\u00e1 que trabalhar mais tempo &#8220;quer goste ou n\u00e3o&#8221;, acima de tudo porque ter\u00e1 uma vida mais longa. Mas a boa not\u00edcia, afirma, \u00e9 que a chegada \u00e0 velhice da gera\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra cria uma nova constru\u00e7\u00e3o social, o que chamou de gerontolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo Kalache, os <i>baby boomers<\/i> &#8211; gera\u00e7\u00e3o que nasceu no p\u00f3s-guerra (1945-1964) e que atualmente tem mais de 50 anos &#8211; est\u00e3o revolucionando a velhice e transformando o per\u00edodo em uma nova fase porque s\u00e3o em maior n\u00famero, t\u00eam um n\u00edvel de sa\u00fade e vitalidade maior e melhor forma\u00e7\u00e3o do que as gera\u00e7\u00f5es que envelheceram antes deles.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico, que atuou como diretor de envelhecimento na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e j\u00e1 lecionou sobre o tema em universidades como a de Oxford, isso abre a possibilidade de promo\u00e7\u00e3o de uma nova forma de envelhecer, que vem sendo constru\u00edda socialmente por esse grupo.<\/p>\n<p>&#8220;A gente revolucionou o conceito de fazer a transi\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia para a idade adulta e criamos uma coisa que n\u00e3o havia antes da Segunda Guerra Mundial, que \u00e9 a adolesc\u00eancia&#8221;, explica Kalache, ao explicar que a adolesc\u00eancia como constru\u00e7\u00e3o social n\u00e3o existia antes dos anos 1950.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos muita coisa que est\u00e1 a\u00ed: a revolu\u00e7\u00e3o sexual, a p\u00edlula, as revolu\u00e7\u00f5es musicais, a luta contra a ditadura &#8211; n\u00e3o vou deixar de ser essa mesma pessoa de 50 anos atr\u00e1s. Eu e esse grupo todo, os <i>baby boomers,<\/i> estamos envelhecendo com isso tudo como legado. E daqui a um tempo vamos olhar para tr\u00e1s e ver que, assim como criamos a adolesc\u00eancia h\u00e1 alguns anos, estamos criando a gerontolesc\u00eancia&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Para ele, no entanto, h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre essas duas constru\u00e7\u00f5es sociais. &#8220;A adolesc\u00eancia deve durar quatro ou cinco anos &#8211; se durar mais tem algo errado. Mas a gerontolesc\u00eancia \u00e9 para durar 20, 30, 40 anos. \u00c9 muito tempo para a gente se rebelar, virar a mesa.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/19AF\/production\/_96557560_idoso.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Rio de Janeiro\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Praticar exerc\u00edcios e se manter atualizado e ativo ajudam no curso do envelhecimento<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Encarando a morte<\/h2>\n<p>Para tratar do tema do envelhecimento em palestras, Kalache costuma pedir \u00e0 plateia que imagine rapidamente como vai morrer. O exerc\u00edcio, segundo ele, serve para mostrar como h\u00e1 uma &#8220;idealiza\u00e7\u00e3o da morte que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a regra&#8221;.<\/p>\n<p>Isso porque, diz ele, &#8220;vamos morrer mais velhos, mais doentes e mais lentamente do que muitos imaginam&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem que se preparar para uma vida muito mais longa e pensar no processo de morte, porque no Brasil tr\u00eas quartos das mortes s\u00e3o de pessoas idosas e por doen\u00e7as cr\u00f4nicas, inclusive aquelas arrastadas que causam sofrimento e despesas. Ent\u00e3o \u00e9 preciso tentar assegurar qualidade de vida at\u00e9 o final.&#8221;<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p>Vamos morrer mais velhos, mais doentes e mais lentamente do que muitos imaginam, ent\u00e3o \u00e9 preciso assegurar qualidade de vida at\u00e9 o final&#8221;.<\/p>\n<footer>Alexandre Kalache, especialista em envelhecimento<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>E essa \u00e9 uma realidade que deve ser levada em conta especialmente no Brasil, que envelhece a passos largos. Estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas apontam que at\u00e9 2050 o Brasil ter\u00e1 64 milh\u00f5es de idosos &#8211; ou 30% da popula\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o aos atuais 12%. Em 2001 esse total era de apenas 9%. Em menos tempo &#8211; em 2025 &#8211; o pa\u00eds dever\u00e1 ocupar o sexto lugar em n\u00famero de idosos no mundo.<\/p>\n<p>Para Kalache, al\u00e9m de estar envelhecendo rapidamente, o Brasil percorre esse caminho em um padr\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos envelhecendo com uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o em pobreza. \u00c9 um desafio grande porque n\u00e3o temos precedentes, modelos. Nenhum pa\u00eds at\u00e9 hoje envelheceu sem ser rico. E estamos envelhecendo r\u00e1pido e ao mesmo tempo sem recursos para pol\u00edticas sociais e de sa\u00fade que possam responder a uma popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 muito envelhecida, como seremos em tr\u00eas d\u00e9cadas.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5A46\/production\/_96601132_img20151209169425818224.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Alexandre Kalache\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AG\u00caNCIA C\u00c2MARA<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Kalache diz que &#8216;gerontolescentes&#8217; far\u00e3o nova constru\u00e7\u00e3o social sobre a velhice<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mais trabalho<\/h2>\n<p>Ent\u00e3o vamos ter que trabalhar mais? Kalache, que atualmente preside o Centro Internacional Longevidade Brasil, responde que sim, e vai al\u00e9m: critica o &#8220;luxo&#8221; do nosso sistema previdenci\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>&#8220;Vai ter que trabalhar mais tempo? Eu acho que sim. Um pa\u00eds como o Brasil que se d\u00e1 ao luxo de ter a aposentadoria m\u00e9dia aos 54 anos \u00e9 um pa\u00eds invi\u00e1vel. N\u00e3o existe nenhum pa\u00eds que tenha conseguido por muito tempo manter tanta gente aposentada, sobretudo porque a base da pir\u00e2mide, que s\u00e3o os jovens, est\u00e1 diminuindo. Ent\u00e3o, a gente goste ou n\u00e3o, vamos ter que nos preparar para uma vida laboral mais longa. E j\u00e1 que vai ter que trabalhar mais tempo, vamos trabalhar para ter projetos e para ser estimulante&#8221;, opina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17D27\/production\/_96557579__95380402_16082010-16-08-2010frp_0515-e1487932556261.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"posto da previd\u00eancia\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">AG. BRASIL<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Kalache defende que aposentadoria atual \u00e9 insustent\u00e1vel<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Por isso, segundo ele, ser\u00e1 necess\u00e1rio pensar em uma pol\u00edtica pr\u00f3-natalidade para equilibrar a pir\u00e2mide social, ou seja, ter uma propor\u00e7\u00e3o menos desigual de jovens e idosos no pa\u00eds, e ainda garantir um envelhecimento melhor aos mais velhos.<\/p>\n<p>Ele afirma que, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rios quatro capitais fundamentais: sa\u00fade, conhecimento para n\u00e3o se tornar obsoleto (o manter-se antenado), bem-estar financeiro e bem-estar social (ou o &#8220;capricho nas rela\u00e7\u00f5es para ter para a quem recorrer quando o neg\u00f3cio apertar&#8221;).<\/p>\n<p>&#8220;A gente sabe que a pens\u00e3ozinha s\u00f3 no fim da vida n\u00e3o vai dar conta. Aproveite para fazer suas economias porque, no final da vida, a gente precisa de mais renda e mais dinheiro, e n\u00e3o de menos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: N\u00e9li Pereira da<\/strong> <strong>BBC Brasil em S\u00e3o Paulo \u2013 dispon\u00edvel na internet 26\/06\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Envelhecer n\u00e3o \u00e9 mais o que era antes gra\u00e7as aos baby boomers, que est\u00e3o transformando esse per\u00edodo e vivendo de forma diferente das gera\u00e7\u00f5es anteriores &#8211; \u00e9 o que diz uma das maiores autoridades em envelhecimento do mundo, o m\u00e9dico brasileiro Alexandre Kalache. 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