{"id":14121,"date":"2017-06-26T00:06:26","date_gmt":"2017-06-26T03:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14121"},"modified":"2017-06-25T17:40:47","modified_gmt":"2017-06-25T20:40:47","slug":"smartphone-uma-arma-de-distracao-em-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/26\/smartphone-uma-arma-de-distracao-em-massa\/","title":{"rendered":"Smartphone, uma arma de distra\u00e7\u00e3o em massa"},"content":{"rendered":"<p>Capacidade de concentra\u00e7\u00e3o fica prejudicada com tantos aplicativos que cobram aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil manter o foco. O celular cria v\u00edcio. Domestic\u00e1-lo n\u00e3o \u00e9 simples<\/p>\n<p>Levamos a vida com uma\u00a0arma de distra\u00e7\u00e3o em massa no bolso. Com um\u00a0dispositivo maravilhoso que p\u00f5e o mundo ao alcance das nossas m\u00e3os, sim, com um aparelho que \u00e9 a porta do conhecimento, ou pelo menos da informa\u00e7\u00e3o. Mas, nesse objeto que transformou nossa forma de viver abrigam-se, agachados, uma s\u00e9rie de aplicativos que cobram nossa aten\u00e7\u00e3o com homolog\u00e1veis graus de urg\u00eancia. E se eu perder algo? O medo de perder alguma coisa \u2013em ingl\u00eas,\u00a0<em>fomo (<\/em>fear of missing out)\u2013 receio, \u00e0s vezes ang\u00fastia, que se multiplica nesses novos tempos.<\/p>\n<p>Bem-vindos \u00e0 era das mentes dispersas, dos c\u00e9rebros que t\u00eam dificuldades em se concentrar no foco, das microconversas e da microaten\u00e7\u00e3o, de pessoas que em alguns momentos t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de operar como uma barata tonta no ecossistema digital (quando n\u00e3o, tamb\u00e9m, na vida real).<\/p>\n<p>Inciso: Dispersar, segundo a Real Acad\u00eamia Espanhola: dividir o esfor\u00e7o, a aten\u00e7\u00e3o ou a atividade, aplicando-os desordenadamente em m\u00faltiplas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 isso.<\/p>\n<p><strong>Estudo aponta que quando estamos trabalhando em frente a um computador mudamos de tela, de foco de aten\u00e7\u00e3o, a cada 47 segundos<\/strong><\/p>\n<p>Domesticar essa arma de distra\u00e7\u00e3o em massa que cobra nossa aten\u00e7\u00e3o tocando, apitando, vibrando, piscando n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. De um lado, estamos n\u00f3s, dotados de um c\u00e9rebro que \u00e9 um aut\u00eantico devorador de informa\u00e7\u00e3o, um \u00f3rg\u00e3o que busca constantemente novidades, est\u00edmulos, com nossa necessidade de nos sentirmos conectados. Do outro, as telas, cheias de\u00a0aplicativos\u00a0desenhados com todo tipo de truques para captar nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi por volta do ano de 2004 quando a professora Gloria Mark, titular do Departamento de Inform\u00e1tica da Universidade da Calif\u00f3rnia Irvine, comparou nossa tend\u00eancia a checar de modo compulsivo o e-mail e as redes sociais com nosso comportamento ante uma m\u00e1quina ca\u00e7a-n\u00edqueis. Olhamos o celular porque buscamos uma gratifica\u00e7\u00e3o. E a mera expectativa de poder obt\u00ea-la \u00e9 suficiente para fazer com que voltemos o tempo todo em busca dela \u2013 recorremos ao telefone entre 80 e 110 vezes por dia, segundo estudos separados. Esse comportamento se mant\u00e9m gra\u00e7as ao chamado refor\u00e7o aleat\u00f3rio (Randomly Reinforced Behaviour).<\/p>\n<p>Essas p\u00edlulas de informa\u00e7\u00e3o que consumimos atrav\u00e9s do celular geram descargas de dopamina como as que o c\u00e9rebro de um fumante recebe no momento em que ele acende um cigarro. Por isso voltamos com obstina\u00e7\u00e3o em busca de novos caramelos digitais.<\/p>\n<p><strong>\u201cNos centramos demais na gest\u00e3o do nosso tempo e pouco na gest\u00e3o da nossa aten\u00e7\u00e3o\u201d, diz a especialista Linda Stone<\/strong><\/p>\n<p>As pesquisas realizadas por Mark, doutora em Psicologia pela Universidade de Columbia, especializada desde 2003 em estudar como as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o afetam a multitarefa, a aten\u00e7\u00e3o, o humor e o estresse, s\u00e3o reveladoras. Seu m\u00e9todo consiste em estudar minuciosamente o comportamento de pequenos grupos escolhidos de pessoas para inferir nosso modus operandi. Utiliza ferramentas de precis\u00e3o: sensores, contadores que medem as intera\u00e7\u00f5es frente \u00e0 tela, biossensores que medem, por exemplo, dados do ritmo card\u00edaco.<\/p>\n<p>Com seu estudo Os neur\u00f3ticos n\u00e3o podem se concentrar: Um estudo in situ sobre a multitarefa online no trabalho (2016), que assina ao lado de especialistas da\u00a0<a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/microsoft\/a\">Microsoft<\/a>\u00a0e do prestigiado Media Lab do Massachusetts Institute of Tech\u00adnology, observou que quando trabalhamos em frente ao computador mudamos de tela (ou seja, o foco de aten\u00e7\u00e3o) a cada 47 segundos. Foi a medida que obteve do acompanhamento a que submeteu 40 trabalhadores de grandes empresas norte-americanas. Os resultados mostraram que as pessoas muito inclinadas \u00e0 multitarefa, os denominados heavy multitaskers, se demonstravam mais propensos \u00e0 distra\u00e7\u00e3o. Descobriu que quanto mais neur\u00f3tica e compulsiva \u00e9 uma pessoa (e quanto pior tenha dormido), menor \u00e9 sua capacidade de se concentrar.<\/p>\n<p>C\u00c9REBROS CENTRADOS<\/p>\n<p><strong>Mentes errantes, mentes infelizes.<\/strong>\u00a0Dizia um artigo cient\u00edfico da revista\u00a0<em>Science<\/em>, publicado em novembro de 2010 (<em>A wandering mind is an unhappy mind<\/em>, Uma mente errante \u00e9 uma mente infeliz), de Matthew A. Killingworth e David T. Gilbert. Conclus\u00e3o a que se chegou ap\u00f3s inserir um app nos celulares de 5.000 pessoas de 83 pa\u00edses diferentes para que respondessem perguntas sobre seus pensamentos, sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es em tempo real. Somos mais felizes se concentramos a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para a dispers\u00e3o.<\/strong>\u00a0Essa dificuldade de concentrar a aten\u00e7\u00e3o qualificada como\u00a0<em>monkey mind<\/em>\u00a0\u00e9 revers\u00edvel. O c\u00e9rebro \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que se adapta constantemente, que pode ser reeducado. A capacidade de se concentrar \u00e9 algo que se recupera com treinamento. Existem executivos que recorrem a t\u00e9cnicas de desconex\u00e3o digital e pagam\u00a0<em>coaches<\/em>\u00a0para que se encarreguem de redirecionar seus processos de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias de defesa.<\/strong>\u00a0Colocar o celular no modo silencioso. Desativar as notifica\u00e7\u00f5es que aparecem na tela para que os alertas n\u00e3o interrompam o tempo todo a tarefa que estamos fazendo. N\u00e3o dormir junto com o telefone para n\u00e3o deitar e levantar com ele. Deslig\u00e1-lo um pouco durante o fim de semana e tamb\u00e9m nas f\u00e9rias. S\u00e3o apenas algumas das medidas propostas pelos neuropsic\u00f3logos e estudiosos da aten\u00e7\u00e3o consultados para esta reportagem, e que eles mesmos usam para n\u00e3o prejudicar sua capacidade de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outro estudo\u00a0<em>Concentrados, despertos, mas t\u00e3o distra\u00eddos: uma perspectiva temporal da multitarefa e das comunica\u00e7\u00f5es<\/em>, realizado em 2015 mediante o acompanhamento detalhado de 32 trabalhadores, revelou que consultavam o e-mail 74 vezes por dia (em m\u00e9dia) e entravam no Facebook uma m\u00e9dia de 21 vezes (com um m\u00e1ximo de 264 visitas di\u00e1rias).<\/p>\n<p>&#8220;A multitarefa sempre existiu&#8221;, diz Mark em conversa por telefone a partir da Costa Oeste norte-americana. &#8220;Mas a capacidade de aten\u00e7\u00e3o das pessoas diminuiu. Na minha opini\u00e3o, \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 positivo. Sabemos que mudar o foco de aten\u00e7\u00e3o aumenta o estresse, e que pode ter um impacto em aspectos como a inova\u00e7\u00e3o e a produtividade&#8221;.<\/p>\n<p>O ser-humano est\u00e1 desenhado para mudar sua aten\u00e7\u00e3o com facilidade. \u00c9 algo que garante sua sobreviv\u00eancia desde os primeiros dias da esp\u00e9cie. Houve um tempo em que os est\u00edmulos partiam da natureza, e tendiam a ser lentos. A folha que ca\u00eda da \u00e1rvore. O voo da mosca. Na era moderna, tudo come\u00e7ou a acontecer mais depressa. Na digital, tudo se acelerou.<\/p>\n<p>Mas a aten\u00e7\u00e3o, que funciona gra\u00e7as \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre o l\u00f3bulo frontal, o parietal e o c\u00e9rebro emocional, \u00e9 algo dificilmente divis\u00edvel. Quando parece que estamos fazendo duas coisas ao mesmo tempo \u00e9 porque uma das tarefas pode ser automatizada (como, por exemplo, caminhar). Fazer duas coisas que impliquem um esfor\u00e7o cognitivo (como falar e escrever uma mensagem de texto) ao mesmo tempo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Na realidade, o que fazemos \u00e9 mudar rapidamente o foco de uma tarefa para a outra. Assim explica o neuropsic\u00f3logo Marcos R\u00edos Lago, cuja pesquisa se concentra na \u00e1rea da aten\u00e7\u00e3o, das fun\u00e7\u00f5es executivas e da velocidade de processamento.<\/p>\n<p>Linda Stone, una executiva da Apple e da Microsoft, integrante do conselho do MIT Media Lab, desenvolveu no final do s\u00e9culo passado um conceito de aten\u00e7\u00e3o parcial cont\u00ednua. Para ela, a multitarefa consiste em fazer v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo porque exigem pouca capacidade cognitiva (ordenar papeis e falar no telefone enquanto comemos um sandu\u00edche). Aten\u00e7\u00e3o parcial cont\u00ednua (APC), no entanto, \u00e9 prestar aten\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o de maneira superficial.<\/p>\n<p>Stone afirma que essa conex\u00e3o permanente para n\u00e3o perdermos nada, esse estar permanentemente conectado e em alerta, acaba cobrando a conta quando se transforma em um modo de vida. Gera estresse e compromete a capacidade de tomar decis\u00f5es, de ser criativo.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de dispositivos eletr\u00f4nicos parece ter multiplicado nossa capacidade de lidar com distintos fluxos de informa\u00e7\u00e3o em paralelo, algo para o qual parecem particularmente dotados os chamados millennials, que mamaram desde o ber\u00e7o do novo paradigma tecnol\u00f3gico. \u00c9 a hiperaten\u00e7\u00e3o. Assim batizou Katherine Hayles em 2007. Com esse termo, a professora de literatura da Universidade de Duke, autora de Hiperaten\u00e7\u00e3o e Aten\u00e7\u00e3o Profunda: A Divis\u00e3o Geracional nos Modos Cognitivos, denominava uma nova maneira de absorver o conhecimento que, afirma, obriga uma reavalia\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos educativos.<\/p>\n<p>Hayles se preocupa com o fato de alguns col\u00e9gios norte-americanos estarem introduzindo iPads nas classes de primeiro ano do ensino fundamental, com crian\u00e7as que t\u00eam apenas seis anos. &#8220;Os c\u00e9rebros s\u00e3o muito male\u00e1veis e isso pode afetar suas neuroestruturas&#8221;, afirma em conversa por telefone a partir de Los Angeles, na Calif\u00f3rnia. &#8220;Acho que o melhor \u00e9 ser conservador nessas quest\u00f5es at\u00e9 que tenhamos um maior conhecimento das implica\u00e7\u00f5es da introdu\u00e7\u00e3o desses sistemas, e limitar o tempo que as crian\u00e7as passam na frente das telas&#8221;.<\/p>\n<p>O novo cen\u00e1rio tecnol\u00f3gico est\u00e1 nos levando ao que o neuropsic\u00f3logo \u00c1lvaro Bilbao denomina de estilo de aten\u00e7\u00e3o\u00a0<em>monkey mind<\/em>\u00a0\u2014o termo procede do budismo\u2014, uma mente que pula de uma coisa para a outra, que vai e volta, que faz com que cada vez mais nos interrompamos uns aos outros pela incapacidade de manter a aten\u00e7\u00e3o no que o outro est\u00e1 nos dizendo.<\/p>\n<p>&#8220;Tendemos a perder a capacidade de aten\u00e7\u00e3o sustentada, de concentra\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Bilbao, autor de Cuide do Seu C\u00e9rebro. E a aten\u00e7\u00e3o sustentada, a profunda, \u00e9 a que d\u00e1 origem a ideias inovadoras, \u00e0 criatividade, como afirma R\u00edos Lagos. Hayles incide nessa linha de argumento: &#8220;Todas as conquistas intelectuais do s\u00e9culo XX requereram uma aten\u00e7\u00e3o profunda&#8221;.<\/p>\n<p>O debate em torno do impacto das novas ferramentas tecnol\u00f3gicas no nosso c\u00e9rebro e na produtividade, n\u00e3o obstante, est\u00e1 aberto. H\u00e1 especialistas, como Enrique Dans, professor de Inova\u00e7\u00e3o na IE Business School e autor de Tudo Vai Mudar, que nos lembram que essa hiperaten\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que nos torna mais eficientes. Ele nunca tem menos de 10 janelas abertas em seu computador, explica. E se considera bastante produtivo. &#8220;\u00c9 uma capacidade que se desenvolve e que se treina&#8221;, afirma. Para ele, nessa hist\u00f3ria h\u00e1 &#8220;ganhadores e perdedores&#8221;, pessoas que se adaptam \u00e0s interrup\u00e7\u00f5es, que se distraem mas voltam de maneira r\u00e1pida ao que estavam fazendo, e pessoas que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Dans afirma que as notas n\u00e3o baixaram de n\u00edvel nas engenharias, que o n\u00edvel de compreens\u00e3o de leitura melhorou e que os jovens que crescem com os novos dispositivos processam uma quantidade maior de informa\u00e7\u00e3o e s\u00e3o mais eficientes.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a mesma longitude onde se posiciona Anna Cox, psic\u00f3loga e estudiosa da intera\u00e7\u00e3o entre humanos e computadores que realiza estudos sobre interrup\u00e7\u00f5es e multitarefas. Afirma que as pessoas t\u00eam aprendido a distinguir rapidamente qual e-mail precisam responder de modo urgente e qual pode esperar. Essa professora da Universidade College of London Interactive Center (UCLIC) afirma que as distra\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o ruins.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes n\u00f3s mesmos nos interrompemos porque a tarefa se tornou muito complicada e j\u00e1 n\u00e3o estamos sendo produtivos. Ent\u00e3o passamos a algo mais f\u00e1cil, que nos garanta uma recompensa mais r\u00e1pida (como checar as redes sociais). Ao retornar \u00e0 tarefa principal, em certas ocasi\u00f5es, afirma Cox, temos mais claro o que procur\u00e1vamos ou quer\u00edamos fazer. &#8220;O importante&#8221;, afirma em conversa por telefone de Londres, &#8220;\u00e9 que a pessoa tome o controle da tecnologia e que n\u00e3o se converta em escrava dela&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o cair nas armadilhas que alguns aplicativos nos colocam pelo caminho n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. As grandes corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, seus desenvolvedores e programadores, sabem como mexer as pe\u00e7as para dirigir ou cobrar a nossa aten\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 claro que usam todos os tipos de truques&#8221;, diz Gloria Mark. &#8220;S\u00e3o usados desde que existe a publicidade e agora se faz o mesmo na internet&#8221;. O neuropsic\u00f3logo R\u00edos Lago aprofunda a quest\u00e3o: &#8220;Conseguiram que cada intera\u00e7\u00e3o exija pouco esfor\u00e7o e seja um refor\u00e7o&#8221;. Por isso as curtidas do Facebook, por exemplo.<\/p>\n<p>Proteger e cultivar a aten\u00e7\u00e3o dos seres humanos, preservar o direito das pessoas a se concentrar, \u00e9 um dos desafios que agora est\u00e3o sobre a mesa. O Manifesto Onlife, encarregado a um painel de especialistas pela Comiss\u00e3o Europeia, cobra que a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja considerada como uma mercadoria.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que no futuro aqueles de n\u00f3s que saibam cultivar ferramentas para se concentrar desfrutar\u00e3o de uma maior qualidade de vida&#8221;, afirma em conversa por telefone de Boston a especialista Linda Stone. &#8220;Bill Gates, Jeff Bezos e muitos outros l\u00edderes da era digital falam que \u00e9 importante cultivar a capacidade de usar bem a aten\u00e7\u00e3o. Nos centramos demais na gest\u00e3o do nosso tempo e muito pouco na gest\u00e3o da nossa aten\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em um mundo cada vez mais regido pelas l\u00f3gicas da chamada &#8220;economia da aten\u00e7\u00e3o&#8221;, onde a valoriza\u00e7\u00e3o de uma grande empresa do novo ecossistema tecnol\u00f3gico est\u00e1 ligada \u00e0 sua capacidade de atrair olhos e intera\u00e7\u00f5es, necessitamos de uma tecnologia que esteja a servi\u00e7o do ser humano, que nos permita escolher, que fa\u00e7a com que nossa vida seja melhor, que nos fa\u00e7a mais livres, e n\u00e3o uma que sequestre nossa aten\u00e7\u00e3o e que se guie pela l\u00f3gica dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em nossas m\u00e3os cobrar. Atentos.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #ff0000;\">Leia mais<strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/23\/tecnologia\/1498213275_166491.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #000080;\">Tire o celular das crian\u00e7as<\/span><\/a><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #000080;\"><a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/17\/tecnologia\/1495034504_368120.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #000080;\">Realidade aumentada: a tecnologia que matar\u00e1 seu \u2018smartphone\u2019<\/span><\/a><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #000080;\"><a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/19\/tecnologia\/1495189858_566160.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #000080;\">Instagram \u00e9 a pior rede para a sa\u00fade mental dos adolescentes<\/span><\/a><\/span><\/h3>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Joseba Elola\/El Pais Brasil \u2013 dispon\u00edvel na internet 26\/06\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capacidade de concentra\u00e7\u00e3o fica prejudicada com tantos aplicativos que cobram aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil manter o foco. 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