{"id":14253,"date":"2017-06-29T05:03:50","date_gmt":"2017-06-29T08:03:50","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14253"},"modified":"2017-06-29T05:03:50","modified_gmt":"2017-06-29T08:03:50","slug":"pgr-pede-inconstitucionalidade-de-lei-que-permite-terceirizacao-da-atividade-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/06\/29\/pgr-pede-inconstitucionalidade-de-lei-que-permite-terceirizacao-da-atividade-fim\/","title":{"rendered":"PGR pede inconstitucionalidade de lei que permite terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade fim."},"content":{"rendered":"<p>O procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucional a Lei 13.429\/2017, sancionada em mar\u00e7o deste ano, que possibilita a contrata\u00e7\u00e3o irrestrita de terceirizados na atua\u00e7\u00e3o final\u00edstica das empresas e em atividades permanentes. Para o PGR, a lei contraria o car\u00e1ter excepcional do regime de terceiriza\u00e7\u00e3o e viola o regime constitucional de emprego socialmente protegido, al\u00e9m de\u00a0 esvaziar os direitos fundamentais conferidos ao trabalhador.<\/p>\n<p>Na A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade 5735, enviada ao STF, Janot destaca que as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei 13.429\/2017 na Lei 6.019\/1974 \u2013 que regulamenta o trabalho tempor\u00e1rio e a terceiriza\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0 invade o espa\u00e7o pr\u00f3prio do regime geral de emprego direto, dotado de prote\u00e7\u00e3o pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Al\u00e9m disso, ao ampliar de forma \u201cileg\u00edtima e desarrazoada\u201d o regime de loca\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra tempor\u00e1ria, para al\u00e9m de hip\u00f3teses estritamente necess\u00e1rias \u00e0 empresa tomadora dos servi\u00e7os, afronta a cl\u00e1usula constitucional que impede o retrocesso social desarrazoado e vulnera normas internacionais de direitos humanos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_14233\" aria-describedby=\"caption-attachment-14233\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/procuradoria.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14233 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/procuradoria.jpg?resize=400%2C266\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/procuradoria.jpg?w=400&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/procuradoria.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14233\" class=\"wp-caption-text\">Para Rodrigo Janot, a norma fere direitos fundamentais garantidos pela Constitui\u00e7\u00e3o ao trabalhador, al\u00e9m de precarizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Foto: Ant\u00f4nio Augusto SECOM\/PGR\/MPF<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diante do risco social que a lei representa, o PGR pede que o STF conceda liminar para suspender imediatamente seus efeitos. Isso porque, segundo ele, a vig\u00eancia da lei abre espa\u00e7o para que milhares de postos de emprego direto sejam substitu\u00eddos por loca\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra tempor\u00e1ria e por empregos terceirizados em atividade final\u00edstica, \u201ccom precar\u00edssima prote\u00e7\u00e3o social\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, esse tipo de contrata\u00e7\u00e3o fere o regime de emprego constitucional e, por conseguinte, a prote\u00e7\u00e3o social constitucionalmente destinada aos trabalhadores, conforme sustenta. Al\u00e9m disso, ele argumenta que a eventual substitui\u00e7\u00e3o de postos de trabalho pode ser de dif\u00edcil revers\u00e3o, com impacto direto na vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Na inicial da ADI, o PGR sustenta, ainda, que as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela lei esvaziam os direitos fundamentais conferidos pela Constitui\u00e7\u00e3o aos trabalhadores e vulneram o cumprimento, pelo Brasil, de normas internacionais, como a Declara\u00e7\u00e3o de Filad\u00e9lfia, as Conven\u00e7\u00f5es 29 e 155 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o Pacto de S\u00e3o Jos\u00e9 da Costa Rica, a Carta da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econ\u00f4micos, Sociais e Culturais.<\/p>\n<p><strong>Inconstitucionalidade material \u2013\u00a0<\/strong>\u00a0Na a\u00e7\u00e3o, Janot contesta o dispositivo que autoriza a terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita da atividade final\u00edstica de empresas privadas e de \u00f3rg\u00e3os e entes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Para ele, al\u00e9m de violar o regime constitucional de emprego socialmente protegido, a norma fere a fun\u00e7\u00e3o social das empresas, o princ\u00edpio ison\u00f4mico e a regra do concurso p\u00fablico nas empresas estatais exploradoras da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Para o PGR, tamb\u00e9m \u00e9 inconstitucional a \u201camplia\u00e7\u00e3o desarrazoada\u201d do regime de loca\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra tempor\u00e1ria, para atender atividades previs\u00edveis e normais das empresas tomadoras do servi\u00e7o (artigo 2\u00ba). Com a altera\u00e7\u00e3o, passa a ser poss\u00edvel o uso do trabalho tempor\u00e1rio n\u00e3o apenas em situa\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis ou extraordin\u00e1rias, mas para o antedimento de atividades permanentes, o que fere princ\u00edpios constitucionais e desvirtua a finalidade desse tipo de contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O PGR contesta, ainda, o dispositivo que triplica o prazo m\u00e1ximo do contrato de trabalho tempor\u00e1rio com a mesma empresa (par\u00e1grafos 1\u00ba e 2\u00ba do artigo 10), passando de tr\u00eas para nove meses, o que corresponde a tr\u00eas quartos do ano. \u201c\u00c0 empresa tomadora torna-se fact\u00edvel utilizar permanentemente o trabalho tempor\u00e1rio em todas as suas atividades intermitentes, peri\u00f3dicas ou sazonais, apenas administrando rod\u00edzio de contratos com o mesmo trabalhador\u201d, sustenta.<\/p>\n<p><strong>Inconstitucionalidade formal \u2013<\/strong>\u00a0Na inicial da ADI, o PGR tamb\u00e9m sustenta que a Lei 13.429\/2017 \u00e9 formalmente inconstitucional por v\u00edcio de tramita\u00e7\u00e3o do projeto. Isso porque, segundo ele, a C\u00e2mara dos Deputados n\u00e3o apreciou, antes da vota\u00e7\u00e3o conclusiva, o requerimento feito em 2003, pelo ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que pedia a retirada da proposta legislativa. Para o PGR, a recusa de aprecia\u00e7\u00e3o do requerimento, por parte do Legislativo, afronta a divis\u00e3o funcional dos poderes, visto que \u00e9 garantia constitucional do presidente desistir da proposi\u00e7\u00e3o e submeter ao Congresso tal pedido.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/pgr\/documentos\/ADI5735.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00cdntegra da ADI 5735<\/a><strong><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><strong>Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica 29\/06\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucional a Lei 13.429\/2017, sancionada em mar\u00e7o deste ano, que possibilita a contrata\u00e7\u00e3o irrestrita de terceirizados na atua\u00e7\u00e3o final\u00edstica das empresas e em atividades permanentes. 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