{"id":14388,"date":"2017-07-04T05:24:21","date_gmt":"2017-07-04T08:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14388"},"modified":"2017-07-04T05:24:21","modified_gmt":"2017-07-04T08:24:21","slug":"advocacia-geral-demonstra-que-portar-virus-hiv-nao-e-sinonimo-de-invalidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/04\/advocacia-geral-demonstra-que-portar-virus-hiv-nao-e-sinonimo-de-invalidez\/","title":{"rendered":"Advocacia-Geral demonstra que portar v\u00edrus HIV n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de invalidez"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong>Ser portador do v\u00edrus HIV n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de invalidez. Foi com esta tese que a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) obteve a reformula\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a e evitou a reforma indevida de ex-militar tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o ocorreu no \u00e2mbito de a\u00e7\u00e3o ajuizada por ex-militar tempor\u00e1rio dispensado ao t\u00e9rmino do per\u00edodo de servi\u00e7o no Ex\u00e9rcito. O autor alegava que, por ser portador do v\u00edrus HIV, tinha direito \u00e0 reforma (aposentadoria) militar, reinclus\u00e3o no fundo de assist\u00eancia m\u00e9dica militar para tratamento de sa\u00fade, al\u00e9m de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais.<\/p>\n<p>O ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia chegou a acolher parcialmente os pedidos do autor, por entender que ele estaria incapacitado devido a doen\u00e7a elencada na Lei n.\u00ba 7.670\/88 como motivo para reforma militar.<\/p>\n<p>No entanto, a unidade da AGU que atuou no caso (a Procuradoria-Regional da Uni\u00e3o na 4\u00aa Regi\u00e3o) recorreu junto ao Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF4) sustentando que nem todo portador do v\u00edrus HIV desenvolve Aids, j\u00e1 que, hoje em dia, a doen\u00e7a pode ser controlada por meio de tratamento adequado disponibilizado gratuitamente pelo SUS.<\/p>\n<p>Foi demonstrado, com a ajuda de provas periciais, que esse era justamente o caso do ex-militar \u2013 que n\u00e3o apresentava sintomas da doen\u00e7a e estava apto ao trabalho tanto militar quanto civil. Segundo a procuradoria, em casos como o do autor da a\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o conjunta entre a Lei n.\u00ba 7.670\/88 e o estatuto dos militares, de modo que deve haver, necessariamente, comprova\u00e7\u00e3o da incapacidade definitiva \u2013 conforme previsto na segunda norma.<\/p>\n<p>Sem discrimina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Assim, ao destacarem as diferen\u00e7as entre o contexto atual \u00e9 a d\u00e9cada de 80, quando foi editada a lei n.\u00ba 7.670\/88, os advogados da Uni\u00e3o salientaram que a legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o da medicina no sentido de garantir aos portadores do v\u00edrus HIV o ingresso e a perman\u00eancia no trabalho, sem limita\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u201cCom os avan\u00e7os da medicina e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de tratamento eficaz pelo SUS, atualmente temos diversos profissionais com o mesmo diagn\u00f3stico do autor que levam suas vidas na mais absoluta normalidade, sendo \u00fateis para a sociedade, n\u00e3o usufruindo precocemente da inatividade\u201d, argumentou a procuradoria.<\/p>\n<p>Por fim, foi reiterado que, no \u00e2mbito das For\u00e7as Armadas, os militares de carreira assintom\u00e1ticos s\u00e3o mantidos, com algumas adapta\u00e7\u00f5es quando necess\u00e1rio, em servi\u00e7o ativo, n\u00e3o havendo raz\u00e3o para tratamento diferenciado ao servidor tempor\u00e1rio. Da mesma forma, na esfera civil, o Regime Geral de Previd\u00eancia Social n\u00e3o reconhece o direito \u00e0 aposentadoria por invalidez apenas pelo fato do trabalhador ser soropositivo.<\/p>\n<p>Causa insuficiente<\/p>\n<p>Concordando com a Uni\u00e3o, a relatora do processo, desembargadora federal Vivian Pantale\u00e3o Caminha, frisou a necessidade de manter a coer\u00eancia interna do ordenamento jur\u00eddico e afirmou \u201cque a compreens\u00e3o mais adequada da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores civis como aos militares, \u00e9 de que o diagn\u00f3stico de v\u00edrus HIV n\u00e3o constituiu, per si, causa suficiente para concess\u00e3o de aposentadoria por invalidez ou reforma militar\u201d.<\/p>\n<p>Em seu voto, a relatora tamb\u00e9m citou recente ac\u00f3rd\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 Uni\u00e3o em agravo de instrumento similar ainda em andamento, no qual foi firmado o entendimento de que militar portador do v\u00edrus de HIV, quando assintom\u00e1tico, n\u00e3o tem direito \u00e0 reforma, ficando, segundo ela, caracterizado a supera\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial anterior \u2013 o chamado\u00a0<em>overruling.<\/em><\/p>\n<p>Por unanimidade, a 4\u00aa turma do TRF4 seguiu a relatora e deu provimento ao apelo da AGU, negando ao ex-militar o direito \u00e0 reforma.<\/p>\n<p>Ref.: Apela\u00e7\u00e3o Civil &#8211; 5002387-94.2014.4.04.7102 &#8211; TRF4.<\/p>\n<p><strong>AGU 04\/07\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Ser portador do v\u00edrus HIV n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de invalidez. 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