{"id":14398,"date":"2017-07-04T05:55:17","date_gmt":"2017-07-04T08:55:17","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14398"},"modified":"2017-07-04T05:55:17","modified_gmt":"2017-07-04T08:55:17","slug":"a-firma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/04\/a-firma\/","title":{"rendered":"A Firma."},"content":{"rendered":"<p><strong>Custo da corrup\u00e7\u00e3o de Cabral e sua Firma supera valor do subs\u00eddio do Rio ao cartel de \u00f4nibus, R$ 32 milh\u00f5es neste ano. Ele recebia desde os anos 90, at\u00e9 em banheiro da Alerj<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e9rgio Cabral era um s\u00f3cio oculto da Fetranspor, o cartel formado pelas 200 concession\u00e1rias de \u00f4nibus que operam no Estado do Rio. At\u00e9 onde se sabe, o ex-governador nunca foi dono de frota de transporte coletivo. Nem precisava, era o chefe da Firma \u2014 como o grupo de funcion\u00e1rios p\u00fablicos corruptos se autodenominava, contou Luiz Carlos Cabral, ex-assessor de Cabral, em depoimento na Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n<p>Entre 2010 e 2016, o ex-governador recebeu R$ 122 milh\u00f5es, ou seja, 47% do valor distribu\u00eddo pelos empres\u00e1rios de \u00f4nibus \u00e0 Firma.<\/p>\n<p>Embolsou R$ 20,3 milh\u00f5es por ano. Foram R$ 55,6 mil por dia, na m\u00e9dia, segundo as planilhas de propinas da Fetranspor obtidas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pouco. Corresponde \u00e0 receita de venda de 14,6 mil bilhetes di\u00e1rios ao custo de R$ 3,80 por viagem. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel obter com 384 \u00f4nibus rodando lotados o dia todo na cidade do Rio, de acordo com o Databank da Fetranspor.<\/p>\n<p>Visto de outro \u00e2ngulo, o custo da corrup\u00e7\u00e3o de Cabral e sua Firma supera o valor do subs\u00eddio dado pela Prefeitura do Rio ao cartel de \u00f4nibus, estimado em R$ 32 milh\u00f5es neste ano. Representa, ainda, mais de dois ter\u00e7os de outro gasto do munic\u00edpio com transporte coletivo, o dos alunos das escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou em 1991, relatou \u00c1lvaro Novis, respons\u00e1vel na Firma pela organiza\u00e7\u00e3o da log\u00edstica de coleta, lavagem e distribui\u00e7\u00e3o de propinas. Empresas de \u00f4nibus e empreiteiras como Odebrecht pagavam em esp\u00e9cie, dinheiro vivo.<\/p>\n<p>Transportar e armazenar grandes volumes de notas de baixo valor foi um problema, logo resolvido pela interven\u00e7\u00e3o de uma corretora de valores, Hoya, e a contrata\u00e7\u00e3o de empresas regionais de seguran\u00e7a, como a Transegur (sucedida pela Prosegur) e pela Transexpert.<\/p>\n<p>O fluxo financeiro da Firma era centralizado na corretora, onde um funcion\u00e1rio, Edimar Moreira Dantas, atualizava planilhas.<\/p>\n<p>Ele recebeu ordens para destru\u00ed-las quando a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato come\u00e7ou. Fez o servi\u00e7o, mas antes copiou todo o movimento de 2010 a 2016 num pendrive, e levou-o para casa. Detido, negociou um acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada. Entregou a mem\u00f3ria eletr\u00f4nica, explicando a natureza dos dados.<\/p>\n<p>Novis, o encarregado da log\u00edstica na Firma, seguiu o exemplo de Dantas e entregou todos os pen drives que guardara durante anos.<\/p>\n<p>Neles identificou as v\u00e1rias contas da Fetranspor reservadas a Cabral. Foram R$ 70 milh\u00f5es pela \u201cCM\u201d; R$ 31,6 milh\u00f5es via \u201cAbacate\u201d e R$ 16,5 milh\u00f5es pela \u201cVerde\u201d, entre outras entregas.<\/p>\n<p>Os primeiros pagamentos, lembrou, ocorreram dentro da Assembleia Legislativa.<\/p>\n<p>Cabral foi deputado estadual por mais de uma d\u00e9cada. No dia em que assumiu a presid\u00eancia da Alerj, em 1995, chamou jornalistas ao seu gabinete e mostrou-lhes o banheiro privativo. Era o local preferido pelos antecessores, contou, porque l\u00e1 ocorriam as entregas semanais de propinas.<\/p>\n<p>Duas d\u00e9cadas depois descobre-se que aquele banheiro foi, tamb\u00e9m, um marco na carreira pol\u00edtica de S\u00e9rgio de Oliveira Cabral Santos Filho. Aos 54 anos, o ex-governador do Rio est\u00e1 preso na cadeia p\u00fablica de Benfica. Adormece em colch\u00f5es ortop\u00e9dicos.<\/p>\n<p><strong>Artigo p<em>ublicado O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 04\/07\/2017<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz necessariamente a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Custo da corrup\u00e7\u00e3o de Cabral e sua Firma supera valor do subs\u00eddio do Rio ao cartel de \u00f4nibus, R$ 32 milh\u00f5es neste ano. 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