{"id":14435,"date":"2017-07-05T05:05:02","date_gmt":"2017-07-05T08:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14435"},"modified":"2017-07-05T05:08:10","modified_gmt":"2017-07-05T08:08:10","slug":"nem-toda-roubalheira-e-do-cabral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/05\/nem-toda-roubalheira-e-do-cabral\/","title":{"rendered":"Nem toda roubalheira \u00e9 do Cabral."},"content":{"rendered":"<p><strong>Todas as malfeitorias eram coisas de S\u00e9rgio, o Magn\u00edfico, mas, como diria o malandro: \u2018Pra cima de mim?\u2019<\/strong><\/p>\n<p>O Rio estava precisando de not\u00edcia t\u00e3o boa. O juiz Marcelo Bretas botou na cadeia Jacob Barata Filho, o \u201cRei dos \u00d4nibus\u201d, e o doutor L\u00e9lis Marcos Teixeira, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio. Falta trancar o empres\u00e1rio Jos\u00e9 Carlos Lavouras, presidente do conselho da Fetranspor, que est\u00e1 em Portugal, mas prometeu se entregar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_14437\" aria-describedby=\"caption-attachment-14437\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ykenga.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14437 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ykenga.jpg?resize=300%2C146\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"146\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ykenga.jpg?resize=300%2C146&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/ykenga.jpg?w=480&amp;ssl=1 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14437\" class=\"wp-caption-text\">Imagem dispon\u00edvel na internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>Junto com a boa not\u00edcia, veio a informa\u00e7\u00e3o de que S\u00e9rgio Cabral embolsou pelo menos R$ 122 milh\u00f5es. O Magn\u00edfico Cabral mamava na Fetranspor desde quando era um pobre deputado estadual e continuou sugando at\u00e9 pouco antes da chegada da Pol\u00edcia Federal ao seu apartamento.<\/p>\n<p>At\u00e9 2012, existia um S\u00e9rgio Cabral \u201cgestor\u201d, modernizante, moralizante, divertido at\u00e9 quando andava de bicicleta em Paris num dos seus ternos de Ermenegildo Zegna. Era tudo mentira. Agora, Cabral \u00e9 um simples detento na tranca de Benfica e encarna todas as corrup\u00e7\u00f5es do governo do Rio de Janeiro, caixa de todas as propinas. Pra cima de quem?<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es que levaram Barata e L\u00e9lis para a cadeia repetem um modelo antigo, centen\u00e1rio: aumentos de tarifas, concess\u00f5es renovadas na l\u00e1bia, incentivos fiscais e perd\u00f5es tribut\u00e1rios. Como diria o pr\u00f3prio Cabral, ele exagerou, mas n\u00e3o foi o primeiro governador a morder a turma dos \u00f4nibus, nem no Rio eles s\u00e3o mordidos apenas pelo governador. A cidade tem uma operosa prefeitura.<\/p>\n<p>A prefeita paulistana Marta Suplicy instituiu o Bilhete \u00danico em 2004. Apesar de essa modalidade de tarifa ter sido prometida por S\u00e9rgio Cabral e Eduardo Paes nas suas campanhas eleitorais, o bilhete s\u00f3 chegou ao Rio em 2009. O sistema de transportes do Rio entrou para a hist\u00f3ria em 2007, quando a Fetranspor lan\u00e7ou o seu Riocard Expresso, custando R$ 40, dando direito a R$ 40 em tarifas. Era o \u00fanico do mundo que recebia o dinheiro da freguesia adiantado, sem dar qualquer desconto.<\/p>\n<p>A Fetranspor parece-se com uma dessas entidades que servem de biombo para cart\u00e9is, mas \u00e9 mais que isso. Seu presidente, o doutor L\u00e9lis, \u00e9 o arquimandrita de uma seita. Ele, bem como seus aliados, disseminou a ideia de que o Rio estava no futuro porque evitava pol\u00edticas de subs\u00eddio para os transportes p\u00fablicos. Nova York, Londres e Paris subsidiam. O Rio est\u00e1 no passado, a caminho do s\u00e9culo XIX, tempo do pavor da rebeli\u00e3o dos escravos.<\/p>\n<p>O conto de fadas da Fetranspor encantava economistas e adoradores do mercado que, astuciosamente, fingiam esquecer a estrutura do neg\u00f3cio dos \u00f4nibus do Rio. Ontem, esses s\u00e1bios n\u00e3o sabiam o que havia em torno do Magn\u00edfico Cabral; hoje, preferem pensar que era tudo coisa do Cabral e de sua turma de mordedores. (Como os petistas dizem que o apartamento n\u00e3o \u00e9 de Lula, o jogo fica empatado.)<\/p>\n<p>As primeiras not\u00edcias da opera\u00e7\u00e3o Ponto Final t\u00eam um aspecto inquietante. Jacob Barata Filho foi preso no aeroporto, a caminho de Lisboa, s\u00f3 com passagem de ida. Logo, n\u00e3o voltaria. A suspeita n\u00e3o fazia sentido: Um bilhete Rio-Lisboa-Rio custa praticamente a mesma coisa que o da perna Rio-Lisboa. (Horas depois a assessoria de Barata exibiu a passagem de volta.)<\/p>\n<p>Pode-se n\u00e3o gostar do Rei dos \u00d4nibus, mas sataniza\u00e7\u00f5es vulgares repetem o erro do doutor L\u00e9lis com seus serm\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Artigo p<em>ublicado <\/em><em>no Jornal \u00a0Folha de S\u00e3o Paulo<\/em><em> &#8211; dispon\u00edvel na internet 0<\/em><em>5<\/em><em>\/07\/2017<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz necessariamente a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as malfeitorias eram coisas de S\u00e9rgio, o Magn\u00edfico, mas, como diria o malandro: \u2018Pra cima de mim?\u2019 O Rio estava precisando de not\u00edcia t\u00e3o boa. O juiz Marcelo Bretas botou na cadeia Jacob Barata Filho, o \u201cRei dos \u00d4nibus\u201d, e o doutor L\u00e9lis Marcos Teixeira, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Empresas de Transporte de Passageiros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":6326,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[134],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14435","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-artigos"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/gapari.jpg?fit=183%2C186&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14435\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}