{"id":14586,"date":"2017-07-10T05:09:54","date_gmt":"2017-07-10T08:09:54","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14586"},"modified":"2017-07-10T05:10:21","modified_gmt":"2017-07-10T08:10:21","slug":"nova-classe-do-setor-de-servicos-e-uberizacao-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/10\/nova-classe-do-setor-de-servicos-e-uberizacao-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Nova classe do setor de servi\u00e7os e uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho."},"content":{"rendered":"<p><em>Desindustrializa\u00e7\u00e3o da economia e desajustes neoliberais for\u00e7am o surgimento de uma classe trabalhadora composta de ocupa\u00e7\u00f5es inseguras, mal pagas e desorganizadas. Os maus patr\u00f5es agradecem.<\/em><\/p>\n<p>O colapso no padr\u00e3o de financiamento da economia nacional logo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, com a crise da d\u00edvida externa, levou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de programas de ajustes macroecon\u00f4micos que at\u00e9 hoje inviabilizam a retomada plena do crescimento econ\u00f4mico sustentado. No cen\u00e1rio aberto da semi-estagna\u00e7\u00e3o que prevaleceu, com fortes e r\u00e1pidas oscila\u00e7\u00f5es nas atividades econ\u00f4micas, o pa\u00eds terminou por romper com a fase de estrutura\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora vigente durante a domin\u00e2ncia da sociedade urbana e industrial.<\/p>\n<p>Desde os anos 1990, com a ado\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio neoliberal, o precoce movimento da desindustrializa\u00e7\u00e3o da economia nacional se generalizou acompanhado do surgimento de uma nova classe trabalhadora de servi\u00e7os. Isso porque se passou a assistir a expans\u00e3o consider\u00e1vel do setor terci\u00e1rio, especialmente no \u00e2mbito dos pequenos empreendimentos no Brasil, portador de um in\u00e9dito e crescente precariado de dimens\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Atualmente, quase 80% dos postos de trabalho existentes pertencem ao setor terci\u00e1rio da economia. E de cada tr\u00eas ocupa\u00e7\u00f5es abertas no segmento privado n\u00e3o agr\u00edcola duas s\u00e3o provenientes dos neg\u00f3cios com at\u00e9 10 trabalhadores.<\/p>\n<p>Nessa nova classe trabalhadora de servi\u00e7os em expans\u00e3o prevalece elevada heterogeneidade, sobretudo nos pequenos empreendimentos que re\u00fanem desde atividades associadas \u00e0 estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es tecnologicamente avan\u00e7adas, com v\u00ednculos \u00e0s grandes empresas nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Por conta disso, o curso da nova classe trabalhadora de servi\u00e7os assenta-se majoritariamente nas ocupa\u00e7\u00f5es inseguras e amparadas por baixa remunera\u00e7\u00e3o. A realiza\u00e7\u00e3o de reformas neoliberais, em sua segunda vers\u00e3o a partir do governo Temer, liquida com a regula\u00e7\u00e3o fordista, desconstituindo o que restava das tradicionais classes m\u00e9dias assalariadas e dos trabalhadores industriais.<\/p>\n<p>Em seu lugar termina por consolidar a gera\u00e7\u00e3o do novo precariado, portador de intensa polariza\u00e7\u00e3o social que se expressa pelo espontaneismo de lutas e agressividade das lutas. Cada vez mais, a nova classe trabalhadora de servi\u00e7os torna-se exposta aos experimentos do uberismo na organiza\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, o que faz com que a regularidade do assalariamento formal e a garantia dos direitos sociais e trabalhistas tendam a se reduzir drasticamente.<\/p>\n<p>Nessa toada, avan\u00e7am, por exemplo, os contratos de zero hora, cujo trabalho intermitente permanece ativo aguardando demanda do uso da for\u00e7a de trabalho advinda a qualquer momento. O esfacelamento nas organiza\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o dos interesses do mundo do trabalho (associa\u00e7\u00f5es, sindicatos e partidos) transcorre mediado pela intensifica\u00e7\u00e3o do grau de explora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Como os direitos sociais e trabalhistas passam crescentemente a ser tratados pelos empregadores e suas m\u00e1quinas de agita\u00e7\u00e3o e propaganda como fundamentalmente custo, a contrata\u00e7\u00e3o direta, sem direitos sociais e trabalhistas libera \u00e0 competi\u00e7\u00e3o individual no interior da classe trabalhadora em favor dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Os sindicatos ficam de fora da negocia\u00e7\u00e3o coletiva e com restri\u00e7\u00e3o maior ao acesso \u00e0 regula\u00e7\u00e3o p\u00fablica do trabalho (direitos sociais e trabalhistas), o esvaziamento da organiza\u00e7\u00e3o se generaliza pela fragmenta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria base social e territorial. Mesmo assim, permanecem ainda formas de lutas herdadas da fase de predom\u00ednio do novo sindicalismo, com a hierarquia e a estrutura\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho.<\/p>\n<p>Por conta disso, as greves gerais do ano de 2017 no Brasil n\u00e3o deixaram de expressar certo padr\u00e3o h\u00edbrido de organiza\u00e7\u00e3o e lutas dos trabalhadores, compat\u00edvel inclusive com as jornadas de mobiliza\u00e7\u00e3o que em 2013 seguiram o processo de &#8220;propaga\u00e7\u00e3o viral&#8221; de protestos, conforme tamb\u00e9m registrado em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Artigo p<em>ublicado <\/em><em>na p\u00e1gina do DIAP<\/em><em> &#8211; dispon\u00edvel na internet <\/em><em>10<\/em><em>\/07\/2017<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz necessariamente a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desindustrializa\u00e7\u00e3o da economia e desajustes neoliberais for\u00e7am o surgimento de uma classe trabalhadora composta de ocupa\u00e7\u00f5es inseguras, mal pagas e desorganizadas. Os maus patr\u00f5es agradecem. 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