{"id":14889,"date":"2017-07-21T06:36:33","date_gmt":"2017-07-21T09:36:33","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14889"},"modified":"2017-07-21T06:36:33","modified_gmt":"2017-07-21T09:36:33","slug":"acham-que-a-gente-e-lixo-a-rede-invisivel-de-catadores-que-processa-tudo-o-que-e-reciclado-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/21\/acham-que-a-gente-e-lixo-a-rede-invisivel-de-catadores-que-processa-tudo-o-que-e-reciclado-em-sp\/","title":{"rendered":"&#8220;Acham que a gente \u00e9 lixo&#8221;: a rede invis\u00edvel de catadores que processa tudo o que \u00e9 reciclado em SP"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Morto por um policial militar h\u00e1 uma semana, o carroceiro Ricardo Silva Nascimento, de 39 anos, fazia parte de uma categoria que maneja 100% de todo o material recicl\u00e1vel de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Das 12 mil toneladas de res\u00edduos domiciliares coletados por dia pelo poder p\u00fablico na cidade, 35% \u00e9 material com potencial para reciclagem. A cidade s\u00f3 reaproveita 6% desse volume, de acordo com a prefeitura.<\/p>\n<p>O recolhimento desse material \u00e9 dividido: em alguns dos 96 distritos da cidade, \u00e9 feito por empresas concession\u00e1rias. Em outros, por cooperativas de catadores e carroceiros. Em alguns, a coleta \u00e9 mista.<\/p>\n<p>Todo o res\u00edduo recicl\u00e1vel, no entanto, \u00e9 encaminhado para 41 cooperativas de catadores cadastradas. Ou seja, no final do processo, s\u00e3o essas cooperativas que fazem a triagem, o armazenamento e a venda de todo o material.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe reciclagem no Brasil sem o trabalho dos catadores&#8221;, diz a pesquisadora Fernanda Lira, do Ipea (Instituto de Pesquisas Aplicadas). &#8220;S\u00e3o eles que reinserem o material no ciclo de produ\u00e7\u00e3o, transformando o que \u00e9 considerado lixo em mercadoria novamente.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Batalhas di\u00e1rias<\/h2>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es dos carroceiros e catadores, no entanto, s\u00e3o muitos desiguais, j\u00e1 que a maior parte deles n\u00e3o participa de cooperativas, segundo o soci\u00f3logo Daniel Carvalho, da consultoria Cicla Brasil.<\/p>\n<p>Ricardo era um deles. Ele trabalhava em Pinheiros quando se envolveu em uma discuss\u00e3o dentro de uma loja. A pol\u00edcia foi chamada e carroceiro, que tinha um peda\u00e7o de madeira na m\u00e3o, levou tr\u00eas tiros. Testemunhas depois acusaram os policiais de amea\u00e7\u00e1-las para apagarem registros da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Secretaria de Seguran\u00e7a p\u00fablica diz que os dois policiais envolvidos na ocorr\u00eancia foram afastados da rua e que a investiga\u00e7\u00e3o do caso est\u00e1 sendo acompanhada pela Corregedoria da Pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A maioria dos carroceiros trabalha individualmente, carregando at\u00e9 400 kg de carga e vendendo o material a pre\u00e7os baix\u00edssimos para revendedores. &#8220;A maior parte dos trabalhadores est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade, sem registro formal e sem nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o trabalhista ou do poder p\u00fablico&#8221;, diz a especialista do Ipea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, existem dezenas de cooperativas que n\u00e3o possuem conv\u00eanio com a prefeitura.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AA51\/production\/_97010634_20170714_181028.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/AA51\/production\/_97010634_20170714_181028.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"O carroceiro Arivaldo Emboava\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem LET\u00cdCIA MORI\/BBC BRASIL A fam\u00edlia toda de Arivaldo Emboava, 54, \u00e9 de catadores de material recicl\u00e1vel<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Cleiton Emboava, de 34 anos, trabalha em uma dessas entidades. Sua associa\u00e7\u00e3o, a Nova Glic\u00e9rio, corre o risco de ser despejada pela prefeitura do espa\u00e7o que ocupa na avenida do Estado.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos ali h\u00e1 quase dez anos. Temos m\u00e1quinas, equipamentos que foram investimento da prefeitura em outras gest\u00f5es. A\u00ed em maio vieram uns fiscais querendo lacrar tudo e lavar as carro\u00e7as&#8221;, diz Cleiton, que \u00e9 da terceira gera\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de carroceiros.<\/p>\n<p>Seu pai, Arivaldo, de 54 anos, trabalhou com carro\u00e7as a vida toda e conseguiu comprar, h\u00e1 alguns anos, uma caminhonete, gra\u00e7as ao aumento na renda gerado pelo trabalho na associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A prefeitura regional da S\u00e9 diz que as duas associa\u00e7\u00f5es localizadas na parte inferior do Viaduto do Glic\u00e9rio n\u00e3o possuem cadastro na prefeitura &#8220;por n\u00e3o possu\u00edrem im\u00f3vel regular para o exerc\u00edcio da atividade&#8221;. Diz que est\u00e1 &#8220;em di\u00e1logo com os representantes para verificar espa\u00e7os p\u00fablicos dispon\u00edveis para a mudan\u00e7a, bem como a manuten\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a dos trabalhadores&#8221;.<\/p>\n<p>O peso do papel dos catadores e carroceiros na reciclagem do lixo \u00e9 significativo no pa\u00eds inteiro. Segundo um estudo do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) publicado no m\u00eas passado, eles s\u00e3o respons\u00e1veis por quase metade da coleta seletiva no Brasil.<\/p>\n<p>Eles recolhem 43,5% do volume total de recicl\u00e1veis dentro dos sistemas de coleta seletiva municipal \u2014 s\u00e3o o principal agente de coleta, j\u00e1 que as prefeituras recolhem 18,7% do total e as empresas, 37,8%. Em cidades de at\u00e9 100 mil habitantes, os catadores s\u00e3o respons\u00e1veis por uma fatia ainda maior: 60,1%, de acordo com o mesmo estudo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3909\/production\/_97010641_catadores-de-material-reciclavel-em-vitoria-espirito-santo-20140605_0002.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3909\/production\/_97010641_catadores-de-material-reciclavel-em-vitoria-espirito-santo-20140605_0002.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Catadoras\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem ELIZABETH NADER\/PREFEITURA DE VIT\u00d3RIA Catadoras fazem triagem de material recicl\u00e1vel que chega atrav\u00e9s de coleta seletiva<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Pela dificuldade de coletar esses dados, \u00e9 poss\u00edvel que os n\u00fameros sejam at\u00e9 maiores. Relat\u00f3rios recentes do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) citam dados do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) que apontam que 90% do material reciclado no Brasil em 2011 passava pelas m\u00e3os dos catadores.<\/p>\n<p>O Brasil recicla apenas 13% do total de res\u00edduos s\u00f3lidos que produz, segundo o Cempre. Cerca de 85% dos brasileiros n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 coleta seletiva \u2014 ela s\u00f3 atinge 31 milh\u00f5es de pessoas, 15% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Agentes ambientais<\/h2>\n<p>O paulista Gabriel Ortega dos Santos, de 32 anos, \u00e9 um dos 20 mil catadores que o Movimento Nacional dos Catadores de Recicl\u00e1veis (MNCR ) estima existirem em S\u00e3o Paulo. No Brasil, esse n\u00famero varia entre 400 e 600 mil, segundo o Ipea. Destes, cerca de 30,3 mil est\u00e3o em cooperativas e associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14691\/production\/_97010638_20170719_110912.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14691\/production\/_97010638_20170719_110912.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Carroceiro Gabriel Ortega\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem LET\u00cdCIA MORI\/BBC BRASIL O carroceiro Gabriel Ortega trabalha como catador h\u00e1 22 anos &#8220;Acham que carroceiro \u00e9 burro, mas a verdade \u00e9 que a gente faz um trabalho de base. Estamos salvando golfinhos, salvando florestas&#8221; Gabriel Ortega, carroceiro<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Gabriel come\u00e7ou a trabalhar com recicl\u00e1veis h\u00e1 22 anos, catando latinhas com um tio. Depois, ele passou a conciliar a atividade com a venda de \u00e1gua e, quando sua barraca foi confiscada pela prefeitura, comprou duas carro\u00e7as.<\/p>\n<p>Morador de Pinheiros, bairro nobre da capital paulista, ele est\u00e1 acostumado a explicar para os vizinhos que deixam material com ele as diferen\u00e7as entre o que pode e o que n\u00e3o pode ser reaproveitado. &#8220;Tem que falar o que d\u00e1 para usar. Tem ferro, alum\u00ednio, papel\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o todos os pl\u00e1sticos. Latinhas precisam estar limpas: se tiver bituca de cigarro dentro, por exemplo, j\u00e1 atrapalha&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Acham que carroceiro \u00e9 burro, mas a verdade \u00e9 que a gente faz um trabalho de base. Estamos salvando golfinhos, salvando florestas&#8221;, diz Gabriel, que tem o primeiro grau completo.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\"><\/div>\n<\/aside>\n<p>De acordo com a pesquisadora Fernanda Lira, essa fun\u00e7\u00e3o de &#8220;agente ambiental&#8221; informal \u00e9 o segundo fator, al\u00e9m da coleta seletiva, no qual os catadores geram grandes impactos. &#8220;Eles que iniciam o debate, pressionam e ensinam para a gente que aquilo que ach\u00e1vamos que era lixo, na verdade \u00e9 uma mercadoria com valor&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cadeia produtiva<\/h2>\n<p>Segundo Fernanda Lira, do Ipea, esses trabalhadores tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais no setor de log\u00edstica reversa, ou seja, o de fluxo de produtos e embalagens na cadeia de produ\u00e7\u00e3o. Desde que o Plano Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos entrou em vigor, a responsabilidade pelo lixo passou a ser individual \u2014 as empresas precisam cuidar do descarte de seus res\u00edduos.<\/p>\n<p>Muitos carroceiros acabam fazendo esse servi\u00e7o \u2014 e sem ganhar por isso, desonerando as empresas e as prefeituras. &#8220;Porque os catadores n\u00e3o recebem? Quando \u00e9 uma empresa de coleta, elas recebem&#8221;, questiona Claudio Luiz dos Santos, defensor da Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o que coordena um grupo de trabalho sobre catadores e catadoras.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um grupo que reconhecidamente presta um servi\u00e7o de natureza p\u00fablica. Embora muitas vezes precisem de ajuda em quest\u00f5es administrativas, eles t\u00eam expertise na coleta, conhecem a min\u00facia desse processo&#8221;, afirma o defensor.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas n\u00e3o valorizam, \u00e9 tratado como se fosse a obriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 tratado como caridade: &#8216;estou te dando, voc\u00ea vai vender e o que vier \u00e9 lucro'&#8221;, diz Lira. &#8220;No entanto, se n\u00e3o fosse o catador, essa empresa teria que pagar.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Riscos<\/h2>\n<p>&#8220;Apesar de prestarem um servi\u00e7o p\u00fablico, h\u00e1 toda uma nega\u00e7\u00e3o da sua import\u00e2ncia, que vem n\u00e3o s\u00f3 do Estado, mas da sociedade&#8221;, diz Fernanda Lira. &#8220;Eles sofrem preconceito, s\u00e3o estigmatizados e exclu\u00eddos. A informalidade gera uma dificuldade de acesso a direitos trabalhistas, ao reconhecimento pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e se torna mais grave quando se consideram as condi\u00e7\u00f5es de risco para a sa\u00fade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O carroceiro Rubens Ces\u00e1rio Gomez, 58, que vem de Osasco para S\u00e3o Paulo todos os dias h\u00e1 14 anos, j\u00e1 cortou as m\u00e3os centenas de vez e, para evitar ficar doente, n\u00e3o trabalha em dias de chuva. &#8220;Quando chove n\u00e3o d\u00e1 para trabalhar. Se eu ficar doente n\u00e3o d\u00e1 nem para comprar rem\u00e9dio&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>\u00c9 interpelado por Jo\u00e3o Edinaldo Sim\u00f5es, outro carroceiro. &#8220;E voc\u00ea n\u00e3o come em dia de chuva, n\u00e3o? Esse a\u00ed t\u00e1 bem, pode se dar ao luxo de n\u00e3o trabalhar quando chove&#8221;, brinca.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Trabalho considera a atividade como insalubre em grau m\u00e1ximo, j\u00e1 que eles est\u00e3o submetidos ao calor, \u00e0 umidade, aos ru\u00eddos, \u00e0 chuva, ao risco de quedas, atropelamentos, cortes, ao contato com ratos e moscas, \u00e0 sobrecarga por levantamento de peso e a contamina\u00e7\u00f5es por materiais biol\u00f3gicos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Discrimina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Jo\u00e3o diz que a maior dificuldade no trabalho, no entanto, \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o. &#8220;Muitas pessoas tratam mal, t\u00eam preconceito. Acho que tudo \u00e9 lixo, que a gente \u00e9 lixo. Mas na verdade isso aqui (e aponta para uma carro\u00e7a cheia) \u00e9 mercadoria, e o que estamos fazendo \u00e9 ajudar a limpar a cidade&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Meu maior medo \u00e9 ser atropelado na rua. Outro dia um motorista me deu uma pancada&#8221;, diz Rubens.<\/p>\n<p>Os trabalhadores s\u00e3o mais organizados no sudeste, de acordo o \u00faltimo relat\u00f3rio do Ipea sobre a situa\u00e7\u00e3o social dos catadores. Cerca de 49% dos empreendimentos de economia solid\u00e1ria no setor de reciclagem ficam nessa regi\u00e3o. A m\u00e9dia de idade \u00e9 de 39 anos e a maioria (66%) \u00e9 de negros. As mulheres s\u00e3o 31% do setor, aponta o Ipea.<\/p>\n<p>Mas a pesquisadora Fernanda Lira diz que a porcentagem na verdade \u00e9 bem maior. &#8220;Nos censos, elas dizem que o catador \u00e9 o marido, o filho, mas, na pr\u00e1tica, elas tamb\u00e9m fazem o trabalho&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o as verdadeiras guerreiras, t\u00eam que fazer dupla jornada, v\u00e1rios pap\u00e9is&#8221;, diz a catadora Valquiria Candido da Silva, 43, que tem quatro filhos. &#8220;Os homens querem ganhar mais, acham que s\u00e3o mais fortes. Mas as mulheres fazem os mesmos trabalhos, sem reclamar&#8221;, diz ela, que trabalha na cooperativa Cooperpac, no Graja\u00fa, zona sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags-container\">\n<div class=\"story-body\"><\/div>\n<div class=\"tags-container\">\n<h5 class=\"tags-title story-body__crosshead\"><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Let\u00edcia Morii da\u00a0<\/span><\/strong><span class=\"byline__title\"><strong> BBC Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 21\/07\/2017<\/strong><\/span><\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morto por um policial militar h\u00e1 uma semana, o carroceiro Ricardo Silva Nascimento, de 39 anos, fazia parte de uma categoria que maneja 100% de todo o material recicl\u00e1vel de S\u00e3o Paulo. Das 12 mil toneladas de res\u00edduos domiciliares coletados por dia pelo poder p\u00fablico na cidade, 35% \u00e9 material com potencial para reciclagem. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":14890,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14889","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/catador.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14889\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}