{"id":14946,"date":"2017-07-22T08:20:05","date_gmt":"2017-07-22T11:20:05","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=14946"},"modified":"2017-07-22T08:20:05","modified_gmt":"2017-07-22T11:20:05","slug":"qualidade-de-provas-e-o-principal-fator-que-faz-trf-4-reverter-decisoes-de-moro-delegada-da-pf-diz-que-sergio-machado-nao-e-merecedor-de-beneficios-de-delacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/22\/qualidade-de-provas-e-o-principal-fator-que-faz-trf-4-reverter-decisoes-de-moro-delegada-da-pf-diz-que-sergio-machado-nao-e-merecedor-de-beneficios-de-delacao\/","title":{"rendered":"Qualidade de provas \u00e9 o principal fator que faz TRF-4 reverter decis\u00f5es de Moro. Delegada da PF diz que S\u00e9rgio Machado n\u00e3o \u00e9 merecedor de benef\u00edcios de dela\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>De 48 senten\u00e7as aplicadas pelo juiz da Lava-Jato, seis foram totalmente refeitas.<\/p>\n<p>A qualidade das provas \u00e9 o principal fator que tem levado o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4) a reformar decis\u00f5es do juiz Sergio Moro. De 48 senten\u00e7as aplicadas por Moro no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, seis foram totalmente refeitas na segunda inst\u00e2ncia. Na contram\u00e3o das decis\u00f5es do juiz, os desembargadores do tribunal t\u00eam, em alguns casos, desconsiderado vers\u00f5es de delatores e refor\u00e7ado a fragilidade em acusa\u00e7\u00f5es contra r\u00e9us, o que resultou na absolvi\u00e7\u00e3o de cinco condenados. Debru\u00e7ado sobre os documentos apresentados pelos procuradores da for\u00e7a-tarefa para sustentar as acusa\u00e7\u00f5es, o TRF-4 tamb\u00e9m j\u00e1 condenou quem foi absolvido por Moro, como o caso de Adarico Negromonte Filho, irm\u00e3o do ex-ministro M\u00e1rio Negromonte.<\/p>\n<p>O caso do ex-tesoureiro do PT Jo\u00e3o Vaccari Neto \u00e9 um dos mais rumorosos, j\u00e1 que ele se viu livre de uma pena de 15 anos e quatro meses de pris\u00e3o \u2014 a maior de suas cinco condena\u00e7\u00f5es aplicadas por Moro. Enquanto o relator Jo\u00e3o Pedro Gebran Neto referendou a decis\u00e3o de Moro, os desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus conclu\u00edram que havia contra o petista apenas a palavra de delatores, sem provas, e que n\u00e3o existia entre eles nenhum que tenha dito que negociou ou falou sobre propina diretamente com Vaccari, apenas com o ex-diretor da Petrobras Renato Duque.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos desembargadores, \u00e9 poss\u00edvel condenar com um conjunto de ind\u00edcios, mas cada um deles deve ser certeiro. Esse entendimento foi expresso pelo desembargador Jo\u00e3o Gebran Neto, relator da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato em segunda inst\u00e2ncia, ao discorrer sobre a import\u00e2ncia das provas nas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEsta prova indireta dever\u00e1 ser acima de qualquer d\u00favida razo\u00e1vel, excluindo-se a possibilidade dos fatos terem ocorrido de modo diverso daquele alegado pela acusa\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Os diversos ind\u00edcios que envolvem o fato probando (cuja exist\u00eancia ainda depende de prova) devem ser analisados em duas etapas, primeiro em rela\u00e7\u00e3o a cada ind\u00edcio; depois o conjunto deles. Assim, sendo cada ind\u00edcio certo e preciso, pode-se obter a concord\u00e2ncia a partir do conjunto, sendo que um \u00fanico ind\u00edcio, mesmo que certo e grave, pode acarretar na exclus\u00e3o de um ju\u00edzo de certeza quanto aquilo que se pretende provar\u201d, escreveu o relator.<\/p>\n<p><strong>DO POSTO DE GASOLINA \u00c0 M\u00c3E DA DOLEIRA<\/strong><\/p>\n<p>Os desembargadores tamb\u00e9m reformaram a decis\u00e3o de Moro para absolver dois executivos da empreiteira OAS \u2014 Mateus Coutinho de S\u00e1 Oliveira, que tinha recebido pena de 11 anos, e Fernando Stremel Andrade, apenado em 4 anos. Eles se convenceram com as alega\u00e7\u00f5es da defesa. Segundo os advogados, os dois eram funcion\u00e1rios internos da empreiteira, nunca tinham visitado a Petrobras ou colocado o p\u00e9 numa refinaria. Nenhum dos delatores, disse a defesa, mencionou a participa\u00e7\u00e3o deles em reuni\u00f5es ou encontros para discutir propina. Oliveira era o diretor financeiro da OAS, e Andrade, da \u00e1rea administrativa.<\/p>\n<p>Ao analisar o recurso dos dois executivos, o desembargador Victor Laus afirmou que a den\u00fancia contra eles tra\u00e7ou um cen\u00e1rio, seguido pelo juiz de primeiro grau, e observou: \u201cEu tamb\u00e9m preciso me convencer de que esse cen\u00e1rio \u00e9 efetivamente aquele que est\u00e1 na den\u00fancia\u201d.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da doleira Nelma Kodama, Maria Dirce Penasso, tamb\u00e9m havia sido condenada a dois anos e um m\u00eas por ter cedido seu nome para abrir uma das empresas usadas para remessas ilegais de dinheiro para o exterior. Ao avaliar as provas e os depoimentos de funcion\u00e1rios da doleira, os desembargadores consideraram que n\u00e3o havia provas acima de qualquer d\u00favida de que Maria Dirce sabia que a empresa aberta em nome dela seria usada para fins il\u00edcitos. Na d\u00favida, conclu\u00edram os desembargadores, a decis\u00e3o deve ser a favor do r\u00e9u.<\/p>\n<p>Outro caso de absolvi\u00e7\u00e3o \u00e9 o de Andr\u00e9 Cat\u00e3o de Miranda, funcion\u00e1rio do Posto da Torre, em Bras\u00edlia, que movimentou dinheiro de origem il\u00edcita e fez dep\u00f3sitos para intermedi\u00e1rios de propina. Inicialmente condenado a quatro anos de pris\u00e3o em regime semiaberto, ele foi absolvido depois da conclus\u00e3o do TRF-4 de que, como gerente financeiro do posto, sua tarefa no cargo era justamente fazer pagamentos e dep\u00f3sitos para o posto e n\u00e3o havia provas de que, em algum momento, agiu com m\u00e1-f\u00e9 ou tinha conhecimento do destino dos valores depositados. Tamb\u00e9m pesou a favor de Miranda o fato de ele n\u00e3o ter auferido qualquer vantagem pessoal durante o per\u00edodo em que trabalhou para o dono do estabelecimento, o doleiro Carlos Chater.<\/p>\n<p>Para o baiano Adarico Negromonte Filho, um dos 11 irm\u00e3os do ex-ministro M\u00e1rio Negromonte, a decis\u00e3o do TRF-4, por outro lado, piorou a situa\u00e7\u00e3o. Adarico foi acusado de fazer entregas de propina do esquema da Petrobras, como funcion\u00e1rio do doleiro Alberto Youssef.<\/p>\n<p>V\u00e1rios delatores, entre eles o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, disseram ter visto Adarico trabalhando no escrit\u00f3rio do doleiro. Quando a PF saiu em seu encal\u00e7o, ele n\u00e3o se apresentou de imediato e chegou a ser at\u00e9 mesmo procurado pela Interpol. Ao julgar a participa\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o do ex-ministro nos crimes, em julho de 2015, o juiz Sergio Moro entendeu que n\u00e3o havia provas suficientes para conden\u00e1-lo, mas os desembargadores do TRF-4 conclu\u00edram o contr\u00e1rio. Em abril passado, Adarico foi condenado a oito anos e quatro meses de pris\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cA meu ju\u00edzo as provas de que Adarico Negromonte Filho tomou parte nas a\u00e7\u00f5es do grupo criminoso s\u00e3o inequ\u00edvocas\u201d, escreveu o desembargador Leandro Paulsen, revisor da senten\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>MAIOR PARTE DAS SENTEN\u00c7AS DE MORO \u00c9 MANTIDA<\/strong><\/p>\n<p>Paulsen ressaltou que Adarico chegou a viajar a Canoas, no Rio Grande do Sul, para entregar dinheiro em esp\u00e9cie, uma viagem que n\u00e3o passaria despercebida na rotina de um funcion\u00e1rio comum. Ao depor a Moro, Adarico disse que n\u00e3o se lembrava do epis\u00f3dio. O desembargador chegou a frisar que Adarico, de 70 anos, n\u00e3o era uma pessoa \u201ccompletamente alheia ao funcionamento regular de uma atividade empresarial\u201d, j\u00e1 que chegou a ser dono de uma loja de pneus antes de ser indicado pelo irm\u00e3o para trabalhar com o doleiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Adarico, o TRF-4 tamb\u00e9m reformou a decis\u00e3o de Moro em rela\u00e7\u00e3o a Waldomiro Oliveira, mas n\u00e3o devido \u00e0 qualidade de provas. Fornecedor de notas frias para o esquema de Youssef, Oliveira foi julgado em tr\u00eas a\u00e7\u00f5es penais. Na primeira delas, foi condenado a 12 anos de pris\u00e3o. Nas duas outras a\u00e7\u00f5es, Moro considerou que havia litispend\u00eancia (condena\u00e7\u00e3o pelo mesmo crime) e absolveu o r\u00e9u. Os desembargadores reviram as duas absolvi\u00e7\u00f5es para condenar nas duas a\u00e7\u00f5es, o que significou uma pena, somada, de 12 anos e nove meses de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Das senten\u00e7as de Moro na Lava-Jato, no entanto, a maior parte \u00e9 mantida pelo TRF-4. Das 48 apela\u00e7\u00f5es \u00e0 segunda inst\u00e2ncia, 14 n\u00e3o sofreram qualquer modifica\u00e7\u00e3o. Outras 18 tiveram a pena dos r\u00e9us aumentadas, o que indica maior rigor dos desembargadores. Outras dez tiveram as penas reduzidas.<\/p>\n<p><strong>DECIS\u00d5ES REVERTIDAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Vaccari Neto.<\/strong>\u00a0O TRF-4 absolveu o ex-tesoureiro do PT de uma pena de 15 anos e quatro meses por considerar que havia contra ele apenas a palavra de delatores, sem que tenham sido produzidas provas.<\/p>\n<p><strong>Adarico Negromonte Filho.<\/strong>\u00a0Absolvido por Moro, ele foi condenado depois que os desembargadores conclu\u00edram que ele entregou dinheiro em esp\u00e9cie a pedido do doleiro Alberto Youssef no Rio Grande do Sul, e que isso n\u00e3o passaria despercebido na rotina de um funcion\u00e1rio comum.<\/p>\n<p><strong>Mateus Coutinho.<\/strong>\u00a0O ex-diretor da OAS foi absolvido pelo TRF-4 porque os desembargadores conclu\u00edram que n\u00e3o havia prova do envolvimento dele com os atos de corrup\u00e7\u00e3o investigados e que ele era funcion\u00e1rio interno da empreiteira, sem nunca ter ido \u00e0 Petrobras ou mantido contato com executivos da estatal.<\/p>\n<p><strong>Maria Dirce Penasso.<\/strong>\u00a0A m\u00e3e da doleira Nelma Kodama foi condenada por ter em seu nome uma empresa usada pela filha para fazer remessas ilegais de dinheiro ao exterior. O TRF-4 concluiu que n\u00e3o havia certeza se ela sabia das atividades il\u00edcitas e que, sem absoluta convic\u00e7\u00e3o da culpa, a senten\u00e7a deve ser favor\u00e1vel ao r\u00e9u.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Cleide Carvalho e Gustavo Schmitt\/O Globo \u2013 dispon\u00edvel na internet 22\/07\/2017 <\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Delegada da PF diz que S\u00e9rgio Machado n\u00e3o \u00e9 merecedor de benef\u00edcios de dela\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_14948\" aria-describedby=\"caption-attachment-14948\" style=\"width: 699px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/sergio-1.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14948 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/sergio-1.jpg?resize=696%2C418\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/sergio-1.jpg?w=699&amp;ssl=1 699w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/sergio-1.jpg?resize=300%2C180&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/sergio-1.jpg?resize=696%2C418&amp;ssl=1 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-14948\" class=\"wp-caption-text\">O ex-presidente da Transpetro S\u00e9rgio Machado &#8211; Valor \/ Luciana Whitaker<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ela entende que acordo de ex-presidente da Transpetro n\u00e3o foi eficaz.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), a delegada Graziela Machado da Costa e Silva, da Pol\u00edcia Federal (PF), concluiu que a dela\u00e7\u00e3o premiada de S\u00e9rgio Machado, ex-presidente da Transpetro, n\u00e3o foi eficaz. Assim, ela opinou que Machado, um dos delatores da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, n\u00e3o \u00e9 merecedor dos benef\u00edcios concedidos. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita em relat\u00f3rio no qual a delegada entendeu que os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR) e o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney (PMDB) n\u00e3o cometeram o crime de obstru\u00e7\u00e3o \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas s\u00e3o investigados em inqu\u00e9rito aberto no STF com base em grava\u00e7\u00f5es feitas por Machado sem o conhecimento deles. Segundo a delegada, foi o pr\u00f3prio delator quem instigou seus interlocutores a tratarem de medidas que poderiam significar tentativa de atrapalhar as investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato. Machado teve seu acordo firmado pela Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica (PGR) e homologado pelo ministro Teori Zavascki, antigo relator da Lava-Jato no STF e morto em janeiro deste ano.<\/p>\n<p>&#8220;Concluo que, no que concerne ao objeto deste inqu\u00e9rito, a colabora\u00e7\u00e3o que embasou o presente pedido de instaura\u00e7\u00e3o mostrou-se ineficaz, n\u00e3o apenas quanto \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia dos crimes ventilados, bem como quanto aos pr\u00f3prios meios de prova ofertados, resumidos estes a di\u00e1logos gravados nos quais \u00e9 presente o car\u00e1ter instigador do colaborador quanto \u00e0s falas que ora se incriminam, raz\u00e3o pela qual entende-se, desde a perspectiva da investiga\u00e7\u00e3o criminal promovida pela Pol\u00edcia Federal, n\u00e3o ser o colaborador merecedor, in casu, de benef\u00edcios processuais abrigados no Art. 4\u00ba da Lei n\u00ba 12.850\/13&#8221;, escreveu a delegada, numa refer\u00eancia ao dispositivo legal que disciplina as dela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ela citou decis\u00e3o tomada pelo STF em junho que validou os procedimentos usados atualmente para homologar um acordo de dela\u00e7\u00e3o. Mas abriu algumas exce\u00e7\u00f5es para que o plen\u00e1rio da corte possa rev\u00ea-lo ao final do julgamento, dependendo da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os senadores s\u00e3o acusados de usarem seus cargos para propor medidas legislativas que dificultariam as investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato. Numa das conversas, Juc\u00e1 diz que \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0&#8220;estancar a sangria&#8221;\u00a0da Lava-Jato. Num outro di\u00e1logo, Renan fala em mudar a lei e restringir as dela\u00e7\u00f5es, base das acusa\u00e7\u00f5es mais explosivas da Lava-Jato contra ele e outros pol\u00edticos investigados at\u00e9 agora. Com Sarney, Machado discute a derrubada da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff para diminuir a press\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Outro cuidado a ser percebido \u00e9 que o simples desejo, inten\u00e7\u00e3o ou manifesta vontade de impossibilitar a execu\u00e7\u00e3o ou o prosseguimento da investiga\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o criminosa, cr\u00edticas, reclama\u00e7\u00f5es ou desabafos feitos \u00e0 condu\u00e7\u00e3o de determinada investiga\u00e7\u00e3o, aos agentes investigadores ou mesmo ao juiz, n\u00e3o bastam para caracteriza\u00e7\u00e3o do crime. Assim como estrat\u00e9gias de defesa, requerimento para trancamento de inqu\u00e9rito ou a\u00e7\u00e3o penal, apresenta\u00e7\u00e3o de recursos judiciais, n\u00e3o poderiam ser interpretados como embara\u00e7o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o no sentido criminoso da verbo previsto no dispositivo em comento&#8221;, opinou a delegada.<\/p>\n<p>Assim, disse ela, \u00e9 preciso analisar se eles realizaram de fato atos que pudessem embara\u00e7ar a Lava-Jato. A delegada concluiu que n\u00e3o h\u00e1 provas disso. Segundo ela, opini\u00f5es cr\u00edticas \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es s\u00e3o inerentes \u00e0 atividade parlamentar. &#8220;Fato \u00e9 que, ainda que tivessem sido apresentadas propostas legislativas para alterar o ordenamento vigente, tais iniciativas n\u00e3o podem, jamais, ser criminalizadas&#8221;, avaliou a delegada.<\/p>\n<p>Ainda assim, ela apontou relat\u00f3rio feito pelo agente da PF Alan Jonathan Pereira Testi. &#8220;N\u00e3o foram identificadas medidas propostas ou defendidas por ambos relacionadas diretamente \u00e0 leni\u00eancia, colabora\u00e7\u00e3o premiada e execu\u00e7\u00e3o da pena ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia, temas que seriam objeto dessa articula\u00e7\u00e3o parlamentar com prop\u00f3sito espec\u00edfico de beneficiar os agentes pol\u00edticos investigados na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato&#8221;, afirmou a delegada.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas pol\u00edticos tamb\u00e9m s\u00e3o suspeitos de ter tentado interferir no Judici\u00e1rio contra Lava-Jato. O alvo seria o pr\u00f3prio Teori. Novamente, a delegada Graziela Machado n\u00e3o encontrou provas.<\/p>\n<p>Os investigados &#8211; que chegaram a ser alvos de um pedido de pris\u00e3o do procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, mas indeferido pelo STF &#8211; negam as acusa\u00e7\u00f5es de que tentaram atrapalhar a Lava-Jato. O advogado Ant\u00f4nio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende Sarney e Juc\u00e1, classificou a dela\u00e7\u00e3o de &#8220;fragil\u00edssima&#8221; e espera que o inqu\u00e9rito seja arquivado. Mas destacou que cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), e n\u00e3o \u00e0 PF, propor isso.<\/p>\n<p>\u2014 Ele (S\u00e9rgio Machado) tentava provocar os senadores que estava covardemente gravando. Acho que ele perder os benef\u00edcios \u00e9 a consequ\u00eancia absolutamente l\u00f3gica dessa investiga\u00e7\u00e3o frustrada. Esperamos evidentemente a manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico que \u00e9 quem tem a \u00faltima palavra sobre o arquivamento do inqu\u00e9rito \u2014 afirmou Kakay.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito Andr\u00e9 de Souza\/O Globo \u2013 dispon\u00edvel na internet 22\/07\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 48 senten\u00e7as aplicadas pelo juiz da Lava-Jato, seis foram totalmente refeitas. A qualidade das provas \u00e9 o principal fator que tem levado o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4) a reformar decis\u00f5es do juiz Sergio Moro. 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