{"id":15016,"date":"2017-07-25T05:00:50","date_gmt":"2017-07-25T08:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=15016"},"modified":"2017-07-25T05:00:50","modified_gmt":"2017-07-25T08:00:50","slug":"aposentado-que-continuar-trabalhando-nao-precisa-recolher-inss-diz-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/07\/25\/aposentado-que-continuar-trabalhando-nao-precisa-recolher-inss-diz-justica\/","title":{"rendered":"Aposentado que continuar trabalhando n\u00e3o precisa recolher INSS, diz Justi\u00e7a."},"content":{"rendered":"<p>Aposentados que voltarem a trabalhar n\u00e3o s\u00e3o obrigados a contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Pelo menos esse \u00e9 o entendimento da Justi\u00e7a federal de Assis, em S\u00e3o Paulo, que autorizou, pela primeira vez, uma mulher nessa situa\u00e7\u00e3o a deixar de descontar o valor sobre a folha de sal\u00e1rio. O juiz Luciano Tertuliano da Silva decidiu que ela n\u00e3o tem por que contribuir ao INSS, j\u00e1 que, pela lei, n\u00e3o tem direito a outros benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, como aux\u00edlio-doen\u00e7a, por exemplo.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 garantia de contrapartida por parte da Previd\u00eancia Social, n\u00e3o existe motivo para a cobran\u00e7a, entendeu o juiz. Al\u00e9m de liberar a trabalhadora de novas contribui\u00e7\u00f5es, ele obrigou a Uni\u00e3o a ressarci-la pelos valores pagos durante os cinco anos de trabalho, desde que ela se aposentou e conseguiu o outro emprego vinculado ao Regime Geral de Previd\u00eancia Social (RGPS). A mulher receber\u00e1 R$ 42.634,48, valor que ser\u00e1 corrigido pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tertuliano da Silva definiu a cobran\u00e7a do INSS nesses casos como um \u201ccomportamento malicioso, regado de ast\u00facia\u201d. Para ele, a obriga\u00e7\u00e3o afronta os princ\u00edpios constitucionais da isonomia, da dignidade da pessoa humana e da moralidade p\u00fablica. N\u00e3o h\u00e1 justificativa para a exclus\u00e3o de cobertura previdenci\u00e1ria de quem continua trabalhando e contribuindo para o sistema, ainda que aposentado, entendeu o magistrado. O INSS ainda pode recorrer.<\/p>\n<p>Embora a decis\u00e3o n\u00e3o vincule outros ju\u00edzes a decidirem da mesma forma, ela sinaliza uma nova maneira da Justi\u00e7a olhar para estes casos, acredita o advogado especialista em direito previdenci\u00e1rio Jo\u00e3o Badari, s\u00f3cio do Aith, Badari e Luchin Advogados. \u201cA posi\u00e7\u00e3o do juiz demonstra que o princ\u00edpio contributivo-retributivo da Previd\u00eancia Social n\u00e3o est\u00e1 sendo levado em considera\u00e7\u00e3o. Atualmente, o aposentado que continua na ativa apenas contribui ao INSS e n\u00e3o consegue nenhum tipo de retribui\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o consegue nenhum tipo de revis\u00e3o do valor atual do benef\u00edcio mensal\u201d, criticou.<\/p>\n<p><strong>Entenda<\/strong><\/p>\n<p>Pela lei brasileira, aposentados que resolvem voltar ao mercado de trabalho s\u00e3o obrigados a contribuir para o INSS da mesma forma que os outros trabalhadores em atividade. Mas, ao contr\u00e1rio dos demais contribuintes, os aposentados n\u00e3o t\u00eam direito aos benef\u00edcio previdenci\u00e1rios, como aux\u00edlio-doen\u00e7a ou licen\u00e7as. No m\u00e1ximo, poder\u00e3o receber sal\u00e1rio-fam\u00edlia e ter\u00e3o direito \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o profissional, se precisarem.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, um empregado que j\u00e1 se aposentou e continua trabalhando receber\u00e1 apenas a aposentadoria caso sofra um acidente de trabalho, por exemplo. Caso fique doente, n\u00e3o importa a gravidade, tamb\u00e9m n\u00e3o receber\u00e1 aux\u00edlio-doen\u00e7a. Essa diferencia\u00e7\u00e3o est\u00e1 expl\u00edcita na Lei 8.213\/91, que diz que \u201co aposentado pelo RGPS que permanecer em atividade sujeita a este regime, ou a ele retornar, n\u00e3o far\u00e1 jus a presta\u00e7\u00e3o alguma da Previd\u00eancia Social em decorr\u00eancia do exerc\u00edcio dessa atividade, exceto ao sal\u00e1rio-fam\u00edlia e \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o profissional, quando empregado\u201d.<\/p>\n<p>A regra prejudica quase 6 milh\u00f5es de brasileiros que continuam trabalhando ap\u00f3s a aposentadoria, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Na pr\u00e1tica, um em cada quatro aposentados no pa\u00eds continua ativo no mercado de trabalho. Quase metade dessas pessoas precisam trabalhar por n\u00e3o conseguirem se sustentar apenas com o valor do benef\u00edcio \u2014 dois ter\u00e7os dos aposentados brasileiros recebem apenas um sal\u00e1rio m\u00ednimo (hoje, R$ 937), e 60% s\u00e3o chefes de fam\u00edlia, que precisam arcar com todos os gastos da casa.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Alessandra Azevedo\/Blog do Vicente\/Correio Braziliense \u2013 dispon\u00edvel na internet 25\/07\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aposentados que voltarem a trabalhar n\u00e3o s\u00e3o obrigados a contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Pelo menos esse \u00e9 o entendimento da Justi\u00e7a federal de Assis, em S\u00e3o Paulo, que autorizou, pela primeira vez, uma mulher nessa situa\u00e7\u00e3o a deixar de descontar o valor sobre a folha de sal\u00e1rio. 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