{"id":15273,"date":"2017-08-02T00:06:41","date_gmt":"2017-08-02T03:06:41","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=15273"},"modified":"2017-08-01T22:25:15","modified_gmt":"2017-08-02T01:25:15","slug":"desemprego-tem-nos-jovens-maiores-vitimas-e-arruina-sonho-de-ganhos-com-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/08\/02\/desemprego-tem-nos-jovens-maiores-vitimas-e-arruina-sonho-de-ganhos-com-educacao\/","title":{"rendered":"Desemprego tem nos jovens maiores v\u00edtimas e arru\u00edna sonho de ganhos com educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; A enfermeira Ana Carolina, 26 anos, conseguiu um feito sem precedentes na fam\u00edlia, foi a primeira a cursar uma faculdade. Hoje, no entanto, engrossa a fileira de jovens que enfrentam a radical invers\u00e3o do mercado de trabalho: cresceram numa economia de pleno emprego, mas passaram a conviver com o desemprego recorde.<\/p>\n<p>&#8220;Eu achava que n\u00e3o iria demorar muito para conseguir um emprego. Me formei em junho de 2014 e imaginei que at\u00e9 dezembro daquele ano estaria empregada, mas o m\u00e1ximo que consegui foi participar de uma din\u00e2mica&#8221;, diz Ana Carolina Gomes da Silva.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da gradua\u00e7\u00e3o em uma universidade privada de S\u00e3o Paulo, a jovem concluiu uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em pediatria em 2015. No entanto, carrega apenas a experi\u00eancia dos est\u00e1gios que eram obrigat\u00f3rios durante a gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, trajet\u00f3rias como a de Ana Carolina se tornaram comuns pelo Brasil, com mais jovens chegando ao ensino superior. Entre 1995 e 2015, a quantidade de universit\u00e1rios de 18 a 24 anos aumentou de 1,1 milh\u00e3o para 4 milh\u00f5es, segundo levantamento feito pela consultoria Plano CDE com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad).<\/p>\n<p>Os anos a mais de estudos, no entanto, n\u00e3o se traduziram na garantia de um emprego. Pelo contr\u00e1rio. A grande marca da atual crise &#8211;que se arrasta desde o fim de 2014&#8211; \u00e9 o forte crescimento do desemprego e, sobretudo, entre os jovens.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos formando uma gera\u00e7\u00e3o de jovens que vai ficar com algumas lacunas por causa do elevado desemprego, como, por exemplo, n\u00e3o saber se portar numa empresa, ter disciplina e organiza\u00e7\u00e3o de tempo&#8221;, diz o diretor-executivo da consultoria Plano CDE, Maur\u00edcio de Almeida Prado.<\/p>\n<p>No trimestre encerrado em mar\u00e7o, a taxa de desemprego apurada entre os trabalhadores de 14 a 17 anos chegou a 45,2 por cento, o equivalente a 1,265 milh\u00e3o de pessoas, segundo dados da Pnad Cont\u00ednua, patamar recorde desde que o levantamento come\u00e7ou a ser realizado em 2012.<\/p>\n<p>Na faixa dos 18 a 24 anos, a desocupa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou 28,8 por cento, ou 4,503 milh\u00f5es, tamb\u00e9m a maior j\u00e1 apurada. Como compara\u00e7\u00e3o, no mesmo per\u00edodo, o desemprego geral tamb\u00e9m foi recorde, mas bem abaixo do observado entre os jovens, de 13,6 por cento.<\/p>\n<p>&#8220;Os jovens s\u00e3o os grandes perdedores da crise do mercado de trabalho. O desemprego \u00e9 sempre mais elevado entre eles, mas o ponto \u00e9 que essa taxa que j\u00e1 era alta aumentou bem mais para esse grupo&#8221;, afirma o diretor do FGV Social, Marcelo Neri.<\/p>\n<p>Para justificar o maior impacto da crise do mercado de trabalho entre os jovens, Neri tamb\u00e9m se vale do comportamento da renda obtida pelos diferentes grupos no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Entre o primeiro trimestre de 2015 e o primeiro trimestre de 2017, a renda recuou 15,3 por cento ao ano para os jovens de 15 a 19 anos, e caiu 7,9 por cento ao ano para aqueles com idade de 20 a 24 anos. No conjunto de todos os trabalhadores brasileiros, a queda foi menor, de 3,3 por cento ao ano.<\/p>\n<p>Os mais novos acabam sofrendo com a crise por um duplo processo. Eles s\u00e3o os primeiros a perder o emprego por causa do custo mais baixo de demiss\u00e3o, ao mesmo tempo em que n\u00e3o encontram oportunidade no mercado de trabalho pela falta de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos n\u00fameros do mercado de trabalho mostraram uma leve melhora do quadro. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o recuou a 13 por cento no trimestre encerrado em junho, mas com aumento do trabalho informal. Os dados detalhados sobre a desocupa\u00e7\u00e3o por idade s\u00f3 dever\u00e3o ser divulgados ao longo deste m\u00eas. [nL1N1KJ10V]<\/p>\n<p>Decep\u00e7\u00e3O<\/p>\n<p>Um levantamento do Locomotiva Instituto de Pesquisa retrata bem a combina\u00e7\u00e3o perversa entre o avan\u00e7o educacional dos brasileiros e a decep\u00e7\u00e3o com a falta de perspectiva para a economia brasileira. De acordo com o estudo, 72 por certo dos jovens brasileiros estudaram mais do que os seus pais, mas 75 por cento dos brasileiros com at\u00e9 30 anos acreditam que o pa\u00eds n\u00e3o vai voltar a criar vagas de emprego antes de dois anos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma crise de perspectiva. Se o jovem desistir de investir em educa\u00e7\u00e3o e a economia voltar a crescer, o Brasil enfrentar\u00e1 um problema porque v\u00e3o faltar professores, m\u00e9dicos, advogados e tudo mais&#8221;, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.<\/p>\n<p>Desempregado h\u00e1 dois meses, Erick Sobral, 19 anos, ainda tenta lidar com essa falta de perspectiva e entender quem \u00e9 o culpado pela falta de emprego entre os jovens.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o consigo entender em que momento erramos, em que ponto erramos para chegar aqui&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele trabalhava na mesma empresa de publicidade em S\u00e3o Paulo com a irm\u00e3 de 17 anos, desempregada desde setembro do ano passado. Os dois foram demitidos com a justificativa de que a crise econ\u00f4mica afetou a quantidade de clientes da companhia, provocando a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Moramos com a nossa m\u00e3e. Ela trabalhava numa empresa de telemarketing, mas tamb\u00e9m est\u00e1 sem emprego e o nosso pai n\u00e3o paga pens\u00e3o. Estamos basicamente vivendo de seguro-desemprego&#8221;, diz Erick.<\/p>\n<p>Atualmente, ele estuda por conta pr\u00f3pria para o Enem e sonha em cursar uma gradua\u00e7\u00e3o em publicidade no ano que vem.<\/p>\n<p>Investimento Perdido<\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho para os mais novos \u00e9 preocupante porque traz efeitos n\u00e3o s\u00f3 no curto prazo, mas tamb\u00e9m no longo prazo, uma vez que est\u00e1 fazendo o Brasil desperdi\u00e7ar o investimento feito pelo governo na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Com o desemprego elevado entre os jovens, n\u00e3o estamos conseguindo fazer com que o investimento em educa\u00e7\u00e3o d\u00ea o retorno esperado para a sociedade&#8221;, afirma Neri, da FGV.<\/p>\n<p>No ano passado, somente os gastos do governo federal com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), destinado a financiar a gradua\u00e7\u00e3o no Ensino Superior, foram de 19,1 bilh\u00f5es de reais. Em 2010, eram 880 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>A crise, ali\u00e1s, \u00e9 tanta que os jovens que se beneficiaram do Fies tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o conseguindo arcar com a d\u00edvida estudantil.<\/p>\n<p>A pedagoga Ana Clara Ferreira, 26 anos, ainda deve 2 mil reais ao programa. Ela come\u00e7ou a faculdade em 2010 e desde que se formou s\u00f3 trabalhou por tr\u00eas meses na \u00e1rea, numa escola particular em Campos do Jord\u00e3o, interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 queria ter feito p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o depois que eu me formei, e acabou n\u00e3o dando certo&#8221;, disse. H\u00e1 um m\u00eas, Ana Clara conseguiu um emprego como secret\u00e1ria, mas ainda n\u00e3o pode acertar a sua d\u00edvida com o programa de financiamento estudantil.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Luiz Guilherme Gerbelli com reportagem adicional de Nat\u00e1lia Scalzaretto, em S\u00e3o Paulo\/Reuters Brasil \u2013 dispon\u00edvel na internet 02\/08\/2017<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; A enfermeira Ana Carolina, 26 anos, conseguiu um feito sem precedentes na fam\u00edlia, foi a primeira a cursar uma faculdade. 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