{"id":15902,"date":"2017-08-23T00:06:14","date_gmt":"2017-08-23T03:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=15902"},"modified":"2017-08-22T19:39:10","modified_gmt":"2017-08-22T22:39:10","slug":"lista-fechada-distritao-voto-distrital-os-modos-como-voce-podera-eleger-deputados-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/08\/23\/lista-fechada-distritao-voto-distrital-os-modos-como-voce-podera-eleger-deputados-em-2018\/","title":{"rendered":"Lista fechada, distrit\u00e3o, voto distrital: os modos como voc\u00ea poder\u00e1 eleger deputados em 2018"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Desgastado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e diante da proibi\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es empresariais, o Congresso debate mudan\u00e7as no sistema pelo qual os brasileiros elegem deputados e vereadores.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es &#8211; que se forem aprovadas at\u00e9 o fim de setembro valer\u00e3o j\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o de 2018 &#8211; podem provocar mudan\u00e7as importantes nas disputas e nas estrat\u00e9gias dos partidos.<\/p>\n<p>Em jogo est\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o dos recursos que custear\u00e3o o pleito e o futuro dos congressistas &#8211; muitos dos quais envolvidos em den\u00fancias e que tentar\u00e3o se reeleger.<\/p>\n<p>Grande refer\u00eancia no estudo de sistemas eleitorais no pa\u00eds, o cientista pol\u00edtico Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz \u00e0 BBC Brasil que n\u00e3o h\u00e1 modelo perfeito.<\/p>\n<p>&#8220;Cada pa\u00eds escolhe um desenho em fun\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria, de sua tradi\u00e7\u00e3o e da caracter\u00edstica que quer maximizar do ponto de vista da governabilidade&#8221;, ele afirma. O atual modelo brasileiro vigora desde 1950, com algumas altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A BBC Brasil explica quais os principais sistemas em discuss\u00e3o e seus poss\u00edveis impactos nas disputas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sistemas majorit\u00e1rios<\/h2>\n<p>S\u00e3o sistemas em que s\u00e3o eleitos os candidatos com mais votos e em que n\u00e3o s\u00e3o considerados os votos em partidos. Hoje o modelo j\u00e1 \u00e9 adotado no Brasil na escolha de presidentes, governadores, prefeitos e senadores. Os seguintes formatos s\u00e3o agora considerados para o preenchimento das Assembleias Legislativas, C\u00e2maras de Vereadores e C\u00e2mara de Deputados:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Voto distrital (ou distrital puro)<\/strong><\/p>\n<p>A disputa se d\u00e1 em distritos eleitorais, desenhados conforme o tamanho da popula\u00e7\u00e3o. Assim, cidades grandes poderiam ser divididas em v\u00e1rios distritos. Dependendo do modelo, os partidos poderiam lan\u00e7ar um ou mais candidatos em cada distrito, e se elegeriam os mais votados em cada localidade.<\/p>\n<p>Segundo Maria do Socorro Sousa Braga, especialista em sistemas eleitorais e professora de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos-SP (Ufscar), o modelo daria grande poder \u00e0s lideran\u00e7as partid\u00e1rias, pois elas seriam respons\u00e1veis por definir os candidatos. O sistema, diz ela, for\u00e7aria os partidos a lan\u00e7ar candidatos populares em regi\u00f5es espec\u00edficas e a direcionar suas campanhas para quest\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Candidatos que representam minorias &#8211; e t\u00eam eleitores dispersos por v\u00e1rias \u00e1reas &#8211; poderiam ter mais dificuldade para se eleger. Nesse sistema, segundo Braga, grupos partid\u00e1rios minorit\u00e1rios perderiam poder.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 adotado: Paquist\u00e3o, Reino Unido, \u00cdndia, Canad\u00e1, EUA e Bangladesh.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Distrit\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O aumentativo vem do amplo tamanho dos distritos eleitorais &#8211; no caso brasileiro, cada Estado seria um distrito nas elei\u00e7\u00f5es para deputado estadual e federal, e cada munic\u00edpio seria um distrito nas disputas para vereadores.<\/p>\n<p>Segundo Braga, o modelo reduziria a renova\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica. Como os votos nos partidos deixariam de contar, as legendas tendem a lan\u00e7ar menos candidatos e a privilegiar os mais conhecidos, com mais chances de vit\u00f3ria. As campanhas focariam mais os pol\u00edticos como indiv\u00edduos do que como membros de determinados partidos, ela diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10367\/production\/_97470466_hi040894266.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"C\u00e2mara dos Deputados\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagemAFP Image caption\u00a0Cientista pol\u00edtico Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz \u00e0 que n\u00e3o h\u00e1 modelo perfeito<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo a professora, alguns deputados passaram a ver o modelo como uma solu\u00e7\u00e3o para a proibi\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es empresariais: com menos candidatos em disputa, os escolhidos n\u00e3o teriam de dividir recursos de campanha mais escassos com tantos competidores.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 adotado: Afeganist\u00e3o, Jord\u00e2nia e pequenos pa\u00edses insulares.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Distrit\u00e3o light (ou semidistrit\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Segue as mesmas regras do distrit\u00e3o, mas permite tamb\u00e9m os votos nas legendas. Assim, d\u00e1 mais peso aos partidos que o modelo anterior.<\/p>\n<p>Braga diz que o distrit\u00e3o light seria uma mudan\u00e7a mais suave para os eleitores brasileiros, j\u00e1 que muitos est\u00e3o habituados a votar em partidos. Segundo ela, as legendas poderiam adotar estrat\u00e9gias diversas: algumas enfocariam a marca partid\u00e1ria e pediriam o voto na legenda, enquanto outras destacariam seus pol\u00edticos individualmente.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como os votos nos partidos seriam contados e redistribu\u00eddos aos candidatos (h\u00e1 quem defenda que sejam somados \u00e0 vota\u00e7\u00e3o de cada concorrente da legenda).<\/p>\n<p>Onde \u00e9 adotado: n\u00e3o h\u00e1 registros.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sistemas proporcionais<\/h2>\n<p>S\u00e3o sistemas que tendem a dar mais peso aos partidos, j\u00e1 que a composi\u00e7\u00e3o das casas legislativas \u00e9 definida por f\u00f3rmulas que levam em conta o peso das legendas e das coliga\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Os modelos proporcionais mais conhecidos s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Voto em lista aberta<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente em vigor no Brasil na elei\u00e7\u00e3o de casas legislativas (exceto o Senado). As vagas s\u00e3o divididas conforme a vota\u00e7\u00e3o dos partidos, considerando-se tanto os votos nas legendas quanto nos candidatos das siglas. As cadeiras conquistadas pelos partidos s\u00e3o ent\u00e3o distribu\u00eddas entre seus candidatos mais votados.<\/p>\n<p>Assim, mesmo que n\u00e3o consiga eleger seu candidato, o eleitor pode influenciar o resultado da elei\u00e7\u00e3o ao ajudar a eleger outro candidato do mesmo partido. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que candidatos com muitos votos ajudem a eleger colegas com poucos votos. Esse tra\u00e7o, apelidado de &#8220;efeito Tiririca&#8221; em refer\u00eancia ao desempenho do ex-palha\u00e7o nas elei\u00e7\u00f5es para deputado federal em 2010 e 2014, gera cr\u00edticas ao sistema, embora analistas avaliem que o efeito seja superestimado.<\/p>\n<p>Para Braga, nesse modelo os partidos s\u00e3o estimulados a lan\u00e7ar mais candidatos, tentando maximizar sua vota\u00e7\u00e3o &#8211; o que em tese d\u00e1 mais espa\u00e7o para a renova\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e a candidaturas que representem minorias.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 adotado: Brasil e Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Voto em lista fechada<\/strong><\/p>\n<p>Vota-se no partido, que define a ordem de seus candidatos na lista partid\u00e1ria. As cadeiras s\u00e3o preenchidas conforme a vota\u00e7\u00e3o de cada sigla e a ordem dos candidatos.<\/p>\n<p>Segundo Braga, nesse modelo os l\u00edderes partid\u00e1rios t\u00eam grande poder, pois definem a ordem dos candidatos. Mas ela diz que o sistema pode estimular tamb\u00e9m um maior debate interno nas siglas para a ordena\u00e7\u00e3o das listas. &#8220;A primeira briga \u00e9 para entrar bem posicionado na lista e, depois, disputa-se a elei\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17897\/production\/_97470469_hi040545236.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Discuss\u00e3o no Senado\" width=\"696\" height=\"392\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">O voto distrital misto \u00e9 uma mescla do voto majorit\u00e1rio e do voto proporcional<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em alguns pa\u00edses que adotam o modelo &#8211; caso da Argentina -, os partidos realizam pr\u00e9vias para que os eleitores decidam quais candidatos devem concorrer, e em qual ordem. Por outro lado, o sistema pode fazer com que eleitores elejam candidatos com os quais n\u00e3o simpatizam, caso estes estejam bem posicionados na lista de sua prefer\u00eancia.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 adotado: Uruguai, Col\u00f4mbia, Paraguai, Argentina, Portugal, Bulg\u00e1ria, Mo\u00e7ambique, Espanha, Costa Rica, Turquia, \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Outros modelos<\/h2>\n<p><strong>&#8211; Voto distrital misto<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma mescla do voto majorit\u00e1rio e do voto proporcional. Eleitores lan\u00e7am dois votos: um para candidatos espec\u00edficos em seus distritos e outro para uma legenda. Alguns congressistas defendem que o Brasil migre para esse modelo ap\u00f3s um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o em que seja adotado o distrit\u00e3o ou o semidistrit\u00e3o.<\/p>\n<p>O modelo estimula que candidatos cultivem v\u00ednculos em \u00e1reas espec\u00edficas, ao mesmo tempo em que d\u00e1 peso relevante aos partidos. O sistema garante ainda que, caso o eleitor n\u00e3o consiga eleger seu representante no distrito, possa ao menos influenciar a distribui\u00e7\u00e3o das cadeiras com o voto na legenda.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos partidos, diz Braga, o sistema exige que eles se empenhem tanto em construir uma imagem institucional quanto em lan\u00e7ar candidatos fortes nos distritos. Parte da bancada do PSDB defende a ado\u00e7\u00e3o do voto distrital misto como transi\u00e7\u00e3o para um regime parlamentarista.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 adotado: Alemanha, Nova Zel\u00e2ndia, M\u00e9xico, It\u00e1lia e Hungria<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Jo\u00e3o Fellet d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC Brasil em Bras\u00edlia &#8211; distribu\u00eddo na internet 23\/08\/2017<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desgastado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e diante da proibi\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es empresariais, o Congresso debate mudan\u00e7as no sistema pelo qual os brasileiros elegem deputados e vereadores. As altera\u00e7\u00f5es &#8211; que se forem aprovadas at\u00e9 o fim de setembro valer\u00e3o j\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o de 2018 &#8211; podem provocar mudan\u00e7as importantes nas disputas e nas estrat\u00e9gias dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15904,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-15902","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/distrit%C3%A3o-1.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15902\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}