{"id":15909,"date":"2017-08-23T00:10:04","date_gmt":"2017-08-23T03:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=15909"},"modified":"2017-08-22T19:53:32","modified_gmt":"2017-08-22T22:53:32","slug":"farra-estatal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/08\/23\/farra-estatal\/","title":{"rendered":"Farra estatal"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<div class=\"meta-post\">\u00a0<span style=\"color: #111111;font-family: Roboto, sans-serif;font-size: 16px\">A decis\u00e3o do governo de privatizar a Eletrobras vem com d\u00e9cadas de atraso. Se o controle da companhia j\u00e1 estivesse com a iniciativa privada, certamente os servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o seriam muito melhores. Basta ver o que ocorreu com o sistema de telefonia e com a mineradora Vale, vendidos nos anos 1990. N\u00e3o s\u00f3 progrediram como permitiram ao pa\u00eds agregar riquezas. O setor de telecomunica\u00e7\u00f5es est\u00e1 entre os mais modernos do mundo e a Vale \u00e9 refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio a baixo custo. Se tivessem continuado sob o manto estatal, estariam consumindo dinheiro p\u00fablico sem retorno \u00e0 sociedade.<\/span><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<p>Em tempos de tanta escassez de recursos \u2014 o rombo nas contas p\u00fablicas deste ano ser\u00e1 de R$ 159 bilh\u00f5es \u2014, \u00e9 inaceit\u00e1vel que o governo mantenha um n\u00famero t\u00e3o grande de estatais, a maior parte delas, deficit\u00e1ria. Sem caixa e com d\u00edvidas superiores a R$ 38 bilh\u00f5es, a Eletrobras n\u00e3o tem capacidade hoje para tocar projetos vitais para a gera\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o de energia. Pior: parte significativa dos projetos que est\u00e1 tocando, como Angra 3 e Belo Monte, tem a marca da corrup\u00e7\u00e3o. S\u00e3o obras superfaturadas e de baixa qualidade, que se arrastam por anos e s\u00f3 atendem os interesses de grupos pol\u00edticos que a tomaram de assalto.<\/p>\n<p>Ao longo de todos os governos, a Eletrobras se transformou em um grande cabide de emprego comandado, sobretudo, pela ala do PMDB de Jos\u00e9 Sarney. Mesmo nas administra\u00e7\u00f5es petistas, esse grupo continuou dando as cartas na empresa. N\u00e3o por acaso, suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o negociadas em bolsa de valores com grande desconto. Os investidores sabem que, antes de atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, v\u00eam os interesses pol\u00edticos. Os controles de suas subsidi\u00e1rias, como Furnas, s\u00e3o moedas de troca important\u00edssimas, principalmente em momentos de fragilidade como o enfrentado atualmente pelo presidente Michel Temer.<\/p>\n<p><strong>Como zumbis<\/strong><\/p>\n<p>O uso pol\u00edtico de estatais passa, inclusive, pelo controle da infla\u00e7\u00e3o. Isso ficou claro durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Para criar um fato positivo na sua caminhada pela reelei\u00e7\u00e3o, a ent\u00e3o presidente usou a Eletrobras e baixou, por decreto, as tarifas de energia. A medida provocou uma distor\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande no sistema, que a fatura ainda ser\u00e1 paga por mais alguns anos. Como a redu\u00e7\u00e3o da conta de luz era insustent\u00e1vel, o Tesouro Nacional foi obrigado a subsidiar o consumo. A partir dali, as contas p\u00fablicas come\u00e7aram a entrar em colapso.<\/p>\n<p>Quando as estripulias de Dilma chegaram ao limite, j\u00e1 no segundo mandato \u2014 interrompido pelo impeachment \u2014, o ent\u00e3o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, repassou a fatura para os consumidores. As tarifas de energia praticamente triplicaram, levando a infla\u00e7\u00e3o a fechar 2015 em quase 11%. A corre\u00e7\u00e3o dos valores cobrados pela Eletrobras veio junto com a libera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis pela Petrobras. Ficou claro, ali, que n\u00e3o havia almo\u00e7o gr\u00e1tis. Que, em algum momento, o uso pol\u00edtico das empresas controladas pelo Tesouro Nacional seria repartido com todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, com certeza, trar\u00e1 ganhos importantes para a economia. A efici\u00eancia maior na gera\u00e7\u00e3o e na distribui\u00e7\u00e3o de energia tende a evitar os apag\u00f5es, que s\u00f3 se reduziram por causa da recess\u00e3o. Se o consumo estivesse em expans\u00e3o, certamente a empresa n\u00e3o daria conta de atend\u00ea-lo. Os empregados da estatal, certamente, v\u00e3o fazer barulho contra a venda do controle acion\u00e1rio para a iniciativa privada. As rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias fazem parte do show. Se nos anos 1990 o governo tivesse se intimidado com a onda de f\u00faria dos trabalhadores, com certeza, muitas das empresas privatizadas estariam hoje como zumbis, consumindo bilh\u00f5es em impostos e favorecendo apenas grupos pol\u00edticos e corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Megalomania<\/strong><\/p>\n<p>O movimento de privatiza\u00e7\u00e3o iniciado pelo governo n\u00e3o pode ficar restrito \u00e0 Eletrobras. \u00c9 preciso tamb\u00e9m estancar, o mais rapidamente poss\u00edvel, a sangria dos Correios. A estatal, que j\u00e1 foi exemplo de efici\u00eancia, s\u00f3 acumula preju\u00edzos. Desde 2015, foram mais de R$ 5 bilh\u00f5es em perdas. A estatal foi entregue ao PT nas gest\u00f5es de Lula e de Dilma e, agora, est\u00e1 loteada pelo PSD. A corrup\u00e7\u00e3o se estendeu ao fundo de pens\u00e3o de seus empregados, o Postalis, que s\u00f3 n\u00e3o quebrou porque os carteiros est\u00e3o tendo que cobrir os rombos por meio de contribui\u00e7\u00f5es extras para garantir a esperada aposentadoria.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Pelos c\u00e1lculos do Minist\u00e9rio do Planejamento, um grupo de apenas 18 estatais consumir\u00e1, em 2017, R$ 18,4 bilh\u00f5es do Tesouro, como mostrou a rep\u00f3rter Rosana Hessel, na edi\u00e7\u00e3o de ontem do Correio. Com raras exce\u00e7\u00f5es, como a Embrapa, s\u00e3o empresas que quase nada agregam ao pa\u00eds. Um dos casos mais gritantes do desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos \u00e9 a Empresa de Planejamento e Log\u00edstica (EPL), um cabid\u00e3o de emprego criado por Dilma para tocar o megaloman\u00edaco projeto do trem-bala ligando o Rio de Janeiro a S\u00e3o Paulo. Entre 2016 e 2017, os custo da EPL aumentar\u00e1 quase 13 vezes, para R$ 99,3 milh\u00f5es. Isso sem produzir nada.<\/p>\n<p>No total, informa o Planejamento, o governo federal det\u00e9m 151 estatais. Mesmo com todos os programas de demiss\u00f5es e de aposentadorias volunt\u00e1rias que est\u00e3o em andamento, o n\u00famero de funcion\u00e1rios continua aumentando, consumindo, em m\u00e9dia, R$ 647,8 milh\u00f5es por m\u00eas. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds que resista com tamanho incha\u00e7o. O Estado n\u00e3o nasceu para ser empres\u00e1rio. Quando se mete a controlar empresas, sempre \u00e9 domado pela corrup\u00e7\u00e3o. A Petrobras, como mostrou a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, \u00e9 o caso mais eloquente.<\/p>\n<p>Governo tem que ser regulador e se preocupar com o que realmente interessa para a popula\u00e7\u00e3o: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a. Nessas tr\u00eas \u00e1reas, por sinal, est\u00e1 devendo muito. J\u00e1 os poucos privilegiados pelos esquemas repugnantes das estatais usufruem de benesses inaceit\u00e1veis. Essa farra tem que acabar.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Blog do Vicente\/Correio Braziliense &#8211; dispon\u00edvel na internet 23\/08\/2017<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A decis\u00e3o do governo de privatizar a Eletrobras vem com d\u00e9cadas de atraso. Se o controle da companhia j\u00e1 estivesse com a iniciativa privada, certamente os servi\u00e7os prestados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o seriam muito melhores. Basta ver o que ocorreu com o sistema de telefonia e com a mineradora Vale, vendidos nos anos 1990. 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