{"id":16229,"date":"2017-09-02T07:23:38","date_gmt":"2017-09-02T10:23:38","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=16229"},"modified":"2017-09-02T07:24:19","modified_gmt":"2017-09-02T10:24:19","slug":"pib-cresce-menos-que-no-primeiro-trimestre-mas-traz-sinais-melhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/09\/02\/pib-cresce-menos-que-no-primeiro-trimestre-mas-traz-sinais-melhores\/","title":{"rendered":"PIB cresce menos que no primeiro trimestre, mas traz sinais melhores"},"content":{"rendered":"<div class=\"byline\">\n<p class=\"story-body__introduction\">A boa not\u00edcia \u00e9 que estamos saindo do fundo do po\u00e7o. A m\u00e1: a recupera\u00e7\u00e3o vai ser lenta, com risco de retrocesso caso a crise pol\u00edtica e a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas se agrave.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o retrato que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, divulgado nesta sexta feira, traz da economia brasileira.<\/p>\n<p>Apesar de t\u00edmido, o crescimento registrado entre abril e junho &#8211; 0,2% em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre, quando o PIB avan\u00e7ou, por sua vez, 1% sobre o fim de 2016 &#8211; tem um perfil mais benigno do que o observado de janeiro a mar\u00e7o, dizem economistas.<\/p>\n<p>Isso porque o desempenho no in\u00edcio do ano deveu-se em grande parte ao impacto positivo da supersafra no setor agropecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desta vez, o crescimento \u00e9 mais disseminado.<\/p>\n<p>O consumo das fam\u00edlias, por exemplo, aumentou pela primeira vez depois de nove trimestres consecutivos de queda, 1,4%.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 mais de dois anos sem crescimento, o setor de servi\u00e7os &#8211; que responde por mais de 60% do PIB, pelo lado da oferta &#8211; avan\u00e7ou 0,6% sobre o primeiro trimestre, na s\u00e9rie que j\u00e1 exclui a sazonalidade do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Parte da retomada desse \u00faltimo setor ainda \u00e9 reflexo do boom agro, resultado do escoamento da safra, observa a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Marzola Zara.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, o segmento de &#8220;transporte, armazenagem e correio&#8221;, uma das sete subdivis\u00f5es desse componente do PIB, teve bom desempenho &#8211; alta de 0,6%.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17AAE\/production\/_97624969_gettyimages-157635701.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Colheita de soja\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image caption\u00a0Crescimento de 1% do PIB no primeiro trimestre foi concentrado na agropecu\u00e1ria<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O melhor resultado, entretanto, veio do com\u00e9rcio, que tamb\u00e9m \u00e9 contabilizado dentro de servi\u00e7os no PIB e avan\u00e7ou 1,9% depois de nove trimestres negativos. A rea\u00e7\u00e3o se deve a v\u00e1rios fatores, diz Zara. A libera\u00e7\u00e3o para saque das contas inativas do FGTS no primeiro semestre deu um impulso importante, mas a melhora na trajet\u00f3ria do emprego, a desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de endividamento das fam\u00edlias e a retomada das concess\u00f5es de cr\u00e9dito contribu\u00edram.<\/p>\n<p>&#8220;A sazonalidade do segundo semestre \u00e9 ainda mais favor\u00e1vel para o emprego&#8221;, destaca a economista, que espera desempenho melhor da economia at\u00e9 o fim do ano e estima crescimento de 0,7% para o PIB em 2017.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no cen\u00e1rio da economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, o consumo das fam\u00edlias segue se recuperando na segunda metade do ano, gra\u00e7as \u00e0 infla\u00e7\u00e3o comportada, ao aumento do poder de compra dos sal\u00e1rios e ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 reiterada pelas surpresas positivas trazidas pelas pesquisas mensais de com\u00e9rcio e servi\u00e7os de junho e pelos dados preliminares de atividade de julho e agosto. &#8220;Eles refor\u00e7am a expectativa de que a economia esteja melhorando, de que estamos saindo do fundo do po\u00e7o&#8221;, ela ressalta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Investimentos<\/h2>\n<p>A perspectiva para os investimentos \u00e9 mais turva. Mesmo com a queda significativa da taxa b\u00e1sica de juros desde o in\u00edcio do ano &#8211; de janeiro a julho, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) diminuiu a Selic de 13% para 9,25% -, eles n\u00e3o reagem.<\/p>\n<p>Contabilizados no PIB pela Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF), os investimentos recuaram 0,7% de abril a junho, em rela\u00e7\u00e3o ao intervalo imediatamente anterior, a quarta retra\u00e7\u00e3o consecutiva.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4616\/production\/_97624971_gettyimages-662675934.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Canteiro de obras\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image caption\u00a0Trajet\u00f3ria negativa dos investimentos torna recupera\u00e7\u00e3o da economia mais lenta<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>De um lado, pondera Srour, o custo de capital para as empresas n\u00e3o tem cedido na mesma velocidade dos juros. O acesso a cr\u00e9dito ainda \u00e9 relativamente restrito e as taxas de capta\u00e7\u00e3o, mais altas para as companhias que t\u00eam um hist\u00f3rico recente de inadimpl\u00eancia, ela exemplifica.<\/p>\n<p>A incerteza pol\u00edtica, por outro lado, \u00e9 um incentivo para que os projetos continuem na gaveta. O cen\u00e1rio de instabilidade reduz a previsibilidade dos investimentos, que em geral t\u00eam maturidade no m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo se houvesse uma oferta maior de cr\u00e9dito, o risco pol\u00edtico inibe os investimentos&#8221;.<\/p>\n<p>Sem esse componente, que costuma ter efeito positivo sobre a produtividade e sobre o crescimento, a recupera\u00e7\u00e3o tende a ser mais lenta, afirma Paulo Picchetti, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma sa\u00edda de recess\u00e3o robusta como a gente viu em outros anos&#8221;, diz.<\/p>\n<div id=\"ns_chart_PIB\">\n<div id=\"59aa7d5b04760\"><span style=\"color: #111111;font-family: Roboto, sans-serif;font-size: 27px\">Sa\u00edmos da recess\u00e3o?<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Embora se considere que, de forma geral, dois trimestres consecutivos de aumento do PIB sinalizam o fim das recess\u00f5es, o crescimento verificado entre abril e junho n\u00e3o necessariamente marca a sa\u00edda definitiva do Brasil da crise, pondera Picchetti, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Comit\u00ea de Data\u00e7\u00e3o de Ciclos Econ\u00f4micos (Codace) da FGV, que, \u00e0 semelhan\u00e7a de outras institui\u00e7\u00f5es independentes presentes em diversos pa\u00edses, identifica o in\u00edcio e o fim das recess\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto a alta forte do primeiro trimestre foi bastante concentrada na agropecu\u00e1ria, o crescimento do segundo foi muito pr\u00f3ximo de zero &#8211; tanto que as estimativas de consultorias e institui\u00e7\u00f5es financeiras estavam relativamente dispersas, ressalta o economista, com proje\u00e7\u00f5es positivas e negativas.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do in\u00edcio da crise tamb\u00e9m n\u00e3o seguiu a regra geral de dois trimestres consecutivos de queda do produto. Segundo o Codace, a recess\u00e3o come\u00e7ou no segundo trimestre de 2014, intervalo localizado entre dois per\u00edodos de crescimento do PIB &#8211; de 0,5% nos primeiros tr\u00eas meses do ano e de 0,3% no terceiro trimestre.<\/p>\n<p>Picchetti pondera, entretanto, que os sinais dados por diferentes setores s\u00e3o cada vez melhores e que, al\u00e9m dos servi\u00e7os, a ind\u00fastria tamb\u00e9m d\u00e1 sinais de rea\u00e7\u00e3o, com a ajuda do setor externo, apesar dos resultados ainda bastante vol\u00e1teis. Depois de crescer 0,9% no primeiro trimestre, o PIB do setor recuou 0,5% de abril a junho.<\/p>\n<p>&#8220;A mensagem (que os dados de atividade t\u00eam passado) \u00e9 que em algum momento do terceiro trimestre teremos a confirma\u00e7\u00e3o de que sa\u00edmos da recess\u00e3o&#8221;, ele afirma.<\/p>\n<p>O risco \u00e9 o recrudescimento da crise pol\u00edtica e uma deteriora\u00e7\u00e3o ainda maior das contas p\u00fablicas. Caso a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o passe de fato no Congresso, ele ilustra, ou que seja aprovada uma vers\u00e3o muito desidratada da proposta inicial, a situa\u00e7\u00e3o fiscal do governo se complica.<\/p>\n<p>Para conseguir pagar as aposentadorias e pens\u00f5es, a solu\u00e7\u00e3o seria intensificar o rem\u00e9dio amargo que vem sendo usado, de corte nas despesas discricion\u00e1rias (aquelas em que o governo pode mexer) e aumento de impostos, uma combina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o favorece o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Veras Mota d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 02\/09\/2017<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que estamos saindo do fundo do po\u00e7o. 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