{"id":16274,"date":"2017-09-04T00:10:04","date_gmt":"2017-09-04T03:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=16274"},"modified":"2017-09-03T19:07:24","modified_gmt":"2017-09-03T22:07:24","slug":"brasil-na-china-v-qual-e-a-relevancia-dos-brics-e-quais-sao-seus-desafios-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/09\/04\/brasil-na-china-v-qual-e-a-relevancia-dos-brics-e-quais-sao-seus-desafios-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Brasil na China V: Qual \u00e9 a relev\u00e2ncia dos Brics &#8211; e quais s\u00e3o seus desafios para o futuro"},"content":{"rendered":"<div class=\"with-extracted-share-icons\">\u00a0Os n\u00fameros s\u00e3o astron\u00f4micos: juntos, os Brics &#8211; o grupo formado por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul &#8211; ocupam 26,46% da \u00e1rea total da Terra, re\u00fanem 42,58% da popula\u00e7\u00e3o mundial e respondem por 22,53% do PIB do planeta.<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Mas, na medida em que crescem em import\u00e2ncia, suas diferen\u00e7as acabam se tornando mais pronunciadas desde que o termo foi criado, h\u00e1 16 anos.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, o brit\u00e2nico Jim O&#8217;Neill, ent\u00e3o diretor de pesquisas econ\u00f4micas do banco de investimentos Goldman Sachs, cunhou a sigla ao assinalar a import\u00e2ncia cada vez maior desses pa\u00edses, sobretudo, da China, para o crescimento da economia mundial.<\/p>\n<p>Mas, hoje, no campo econ\u00f4mico, os Brics t\u00eam tido desempenhos muito diferentes. A \u00cdndia \u00e9 a \u00fanica que continua a crescer. A China ainda mant\u00e9m uma taxa de crescimento bem maior do que a m\u00e9dia mundial, mas menos vigorosa do que no passado. J\u00e1 Brasil e R\u00fassia se revelaram &#8220;grandes decep\u00e7\u00f5es&#8221;, como\u00a0afirmou O&#8217;Neill em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 no campo pol\u00edtico, disputas territoriais entre China e \u00cdndia elevaram as tens\u00f5es entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Como resultado, o futuro do grupo vem sendo colocado em xeque.<\/p>\n<p>Neste domingo, os Brics se encontram pela 9\u00aa vez &#8211; apesar de o termo ter sido criado em 2001, a primeira reuni\u00e3o do grupo s\u00f3 aconteceu em 2009 em Yakateriburgo, na R\u00fassia. A c\u00fapula deste ano acontece em Xiamen, no sudeste da China. Cinco pa\u00edses foram convidados pela China como observadores: M\u00e9xico, Tail\u00e2ndia, Tajiquist\u00e3o, Egito e Guin\u00e9.<\/p>\n<p>A BBC Brasil conversou com especialistas para entender se os Brics perderam relev\u00e2ncia e quais s\u00e3o seus principais desafios.<\/p>\n<p>Eles disseram acreditar que o grupo evoluiu significativamente desde sua cria\u00e7\u00e3o, deixando de ser meramente um agrupamento de economias emergentes com forte crescimento para se tornar um agrupamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>No entanto, destacaram que ainda h\u00e1 um &#8220;longo caminho a percorrer&#8221; para os Brics fa\u00e7am frente aos pa\u00edses hoje considerados desenvolvidos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Relev\u00e2ncia<\/h2>\n<p>Segundo Oliver Stuenkel, coordenador do MBA de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FGV-SP, &#8220;o fato de n\u00e3o haver concord\u00e2ncia em tudo n\u00e3o inviabiliza a utilidade pol\u00edtica dos Brics, especialmente para o Brasil&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/437A\/production\/_97647271_brics2.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Brics\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagemEPA<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o houvesse essa c\u00fapula, dificilmente o Temer conseguiria encontrar os presidentes de todos esses pa\u00edses em \u00fanico lugar. Trata-se de um momento importante para a assinatura de acordos bilaterais, para a coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas comuns e demais interesses econ\u00f4micos&#8221;, diz ele \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Para S\u00e9rgio Veloso, professor e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas Brics (Brics Policy Center), os Brics &#8220;nunca surgiram como um agrupamento cuja for\u00e7a residia na capacidade individual de cada pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se, ao fim e ao cabo, de um agrupamento pol\u00edtico, embora tenha levado algum tempo para que eles pudessem desenvolver uma agenda pol\u00edtica conjunta. Os Brics nunca estiveram t\u00e3o s\u00f3lidos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Marcos Troyjo, diretor do BRICLab, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, concorda. Ele destaca a diferen\u00e7a do que chama de &#8220;Brics 1.0&#8221; e &#8220;Brics 2.0&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O significado de &#8216;Brics&#8217; muda em fun\u00e7\u00e3o do interlocutor. Est\u00e3o se consolidando ao menos duas formas com que a comunidade internacional enxerga o grupo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira avalia momento atual e perspectivas dos quatro gigantes (sem \u00c1frica do Sul), como &#8216;mercados em crescimento&#8217;. Ou seja, chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para seu potencial como propulsores do crescimento foi a ess\u00eancia dos &#8220;Brics 1.0&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>&#8220;A segunda concentra-se no impacto da constru\u00e7\u00e3o institucional dos Brics (com \u00c1frica do Sul) nas rela\u00e7\u00f5es internacionais dos pr\u00f3ximos 25 anos. Tal enfoque mede o impacto da articula\u00e7\u00e3o do grupo em organiza\u00e7\u00f5es multilaterais existentes, no surgimento de novos instrumentos plurilaterais e portanto em novas alian\u00e7as e polos de poder. \u00c9 o que podemos chamar de &#8216;Brics 2.0&#8217;, acrescenta.<\/p>\n<p>Segundo Troyjo, enquanto houve decep\u00e7\u00e3o com a primeira, por causa do desempenho econ\u00f4mico abaixo das expectativas e da urg\u00eancia de agenda reformadora &#8220;em sua natureza, essencialmente liberal&#8221;, a segunda &#8211; a de que os Brics constituem um &#8220;polo alternativo de poder nas rela\u00e7\u00f5es internacionais&#8221; &#8211; vem ganhando cada vez mais for\u00e7a.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/919A\/production\/_97647273_brics_temer.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Michel Temer na China para reuni\u00e3o do Brics\" width=\"696\" height=\"392\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Direito de imagem\u00a0GETTY IMAGES Image caption\u00a0Brasil e R\u00fassia vivem momentos ruins na economia, enquanto China se mant\u00e9m na crescente e \u00cdndia tem aumentado seu cresicmento ano a ano<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Passou a fase em que Brics eram apenas, nas finan\u00e7as, sin\u00f4nimo de &#8216;elite dos emergentes&#8217;. De agora em diante, ganha ainda mais for\u00e7a o conceito de &#8220;Brics 2.0&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje os cinco pa\u00edses mant\u00eam grupos de trabalho em \u00e1reas como coopera\u00e7\u00e3o espacial, combate ao terrorismo, sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Os especialistas citam como exemplos do estreitamento das rela\u00e7\u00f5es entre esses pa\u00edses n\u00e3o s\u00f3 o estabelecimento de um fundo de US$ 100 bilh\u00f5es \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de qualquer membro do grupo no caso crises de liquidez, como tamb\u00e9m o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), tamb\u00e9m chamado de &#8220;Banco dos Brics&#8221;, voltado para o financiamento de projetos em pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>&#8220;Os Brics s\u00e3o excelente ve\u00edculo para Pequim se movimentar geoeconomicamente para al\u00e9m de sua vizinhan\u00e7a asi\u00e1tica. Da\u00ed os primeiros projetos financiados pelo NBD centrarem-se em energia limpa. A China investe mais em tecnologia e\u00f3lica e fotovoltaica do que todo o resto do mundo&#8221;, diz Troyjo.<\/p>\n<p>&#8220;A constru\u00e7\u00e3o institucional dos &#8216;Brics 2.0&#8217; n\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Agrupamentos como o G7 jamais foram al\u00e9m de declara\u00e7\u00f5es sobre a conjuntura global&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Desafios<\/h2>\n<p>Para Stuenkel, o principal desafio dos Brics \u00e9 &#8220;reduzir as barreiras econ\u00f4micas e fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o no sistema econ\u00f4mico internacional&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os Brics precisam continuar e aprofundar o processo de reforma do sistema internacional para que ele se adeque cada vez mais \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de poder, que hoje \u00e9 muito diferente daquela do final da 2\u00aa Guerra Mundial, quando grande parte dessas institui\u00e7\u00f5es foram criadas&#8221;, defende.<\/p>\n<p>J\u00e1 Veloso alerta para o risco de que a China acabe sendo hegem\u00f4nica sobre o grupo.<\/p>\n<p>&#8220;Os Brics v\u00e3o ter de aprender a lidar com a pr\u00f3pria China. Essa agenda de desenvolvimento chin\u00eas cria rusgas com a \u00cdndia. O protagonismo chin\u00eas \u00e9 indisput\u00e1vel, mas at\u00e9 que medida a China usar\u00e1 os Brics como sua pr\u00f3pria plataforma de proje\u00e7\u00e3o?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Para Troyjo, o principal desafio para os Brics \u00e9 tentar aumentar o com\u00e9rcio &#8220;num contexto global de protecionismo e avan\u00e7ar em projetos voltados ao financiamento do desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n<p>Neste sentido, o futuro do grupo passaria pela ades\u00e3o de novos membros, o chamado &#8220;Brics +&#8221; (&#8220;Brics Plus&#8221;), ideia apoiada pela China, mas rejeitada pelos demais, que temem perder relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Troyjo lembra que um ind\u00edcio disso foi o convite feito pela China para que cinco pa\u00edses participassem da c\u00fapula deste ano como observadores.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez essa ideia fa\u00e7a sentido no \u00e2mbito do banco. \u00c9 por isso ele se chama &#8220;Novo Banco de Desenvolvimento&#8221;, e n\u00e3o Banco do Brics, o que deixa a porta aberta a novos membros. \u00c9 uma aposta arriscada aumentar demais o n\u00famero de membros. A China gosta da ideia, mas \u00cdndia e Brasil t\u00eam ressalvas, pois acham que isso diluiria a efetividade do agrupamento&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O especialista tamb\u00e9m destaca que os Brics ainda apresentam &#8220;pouca coes\u00e3o&#8221; em &#8220;temas mais nevr\u00e1lgicos do cen\u00e1rio internacional&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o consta da agenda dos Brics certas pautas, que agradam \u00e0 R\u00fassia, por exemplo, como a atua\u00e7\u00e3o do Ocidente na crise s\u00edria. A quest\u00e3o \u00e9 demasiado sens\u00edvel, e pa\u00edses como o Brasil entendem que a ONU \u00e9 o f\u00f3rum adequado. Tampouco pode-se esperar atua\u00e7\u00f5es mais incisivas em outros temas espinhosos que afetam os Brics, individual ou coletivamente \u2014como a tens\u00e3o geopol\u00edtica em torno do mar do Sul da China, a Crimeia, ou as seguidas rusgas entre \u00cdndia e Paquist\u00e3o, e mesmo no recente atrito fronteiri\u00e7o \u00cdndia-China em Doklam&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>&#8220;A verdade \u00e9 que os Brics s\u00f3 progredir\u00e3o como alian\u00e7a em \u00e1reas, como o financiamento do desenvolvimento, onde seus interesses s\u00e3o claramente coincidentes&#8221;, ressalva.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Luis Barrucho\u00a0<\/span><span class=\"byline__title\">da BBC Brasil a Pequim e a Xiamen (China) &#8211; dispon\u00edvel na internet 04\/09\/2017<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Os n\u00fameros s\u00e3o astron\u00f4micos: juntos, os Brics &#8211; o grupo formado por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul &#8211; ocupam 26,46% da \u00e1rea total da Terra, re\u00fanem 42,58% da popula\u00e7\u00e3o mundial e respondem por 22,53% do PIB do planeta. 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