{"id":17973,"date":"2017-11-04T04:03:37","date_gmt":"2017-11-04T07:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=17973"},"modified":"2017-11-04T07:07:32","modified_gmt":"2017-11-04T10:07:32","slug":"e-se-pudessemos-morar-no-edificio-a-noite-ou-no-terreno-do-inss-da-avenida-passos-ou-nos-infindaveis-imoveis-publicos-ociosos-no-centro-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/11\/04\/e-se-pudessemos-morar-no-edificio-a-noite-ou-no-terreno-do-inss-da-avenida-passos-ou-nos-infindaveis-imoveis-publicos-ociosos-no-centro-do-rio\/","title":{"rendered":"E se pud\u00e9ssemos morar no edif\u00edcio A Noite? Ou no terreno do INSS da Avenida Passos? Ou nos infind\u00e1veis im\u00f3veis p\u00fablicos ociosos no Centro do Rio?"},"content":{"rendered":"<h5>Uma cidade cheia de \u2018e se&#8230;\u2019E se o transporte p\u00fablico fosse gratuito nos finais de semana? Sim, sabemos que n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis. Mas se pudesse ser subsidiado pelo menos nos finais de semana, que impacto teria? As pessoas circulariam mais? Iriam mais \u00e0 praia? Os museus seriam mais visitados? Crian\u00e7as veriam mais os av\u00f3s? Algu\u00e9m iria a um lugar que nunca tinha visitado, mas que sempre desejou conhec\u00ea-lo?<\/h5>\n<div class=\"corpo margin-default\">\n<p>Como uma simples conjectura poderia transformar a realidade? Estamos t\u00e3o assombrados por fatos que imprimem terror e emerg\u00eancia ao nosso cotidiano que at\u00e9 a nossa capacidade de imaginar outros universos poss\u00edveis de vida, mundo e cidade parece estar sendo destru\u00edda.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o que as redes sociais tomam do nosso tempo pessoal nos afasta da leitura reflexiva e at\u00e9 da simples explora\u00e7\u00e3o de outros contextos poss\u00edveis. Ou imposs\u00edveis.<\/p>\n<p>Esta semana, executivos de alta patente do Facebook e do Twitter fizeram um mea-culpa sobre como conte\u00fados originados na R\u00fassia teriam influenciado avalia\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es no eleitorado estado-unidense nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, e que eles n\u00e3o teriam percebido isso. Algoritmos s\u00e3o replicadores acr\u00edticos de voc\u00e1bulos repetidos, mas n\u00e3o necessariamente de conceitos que fa\u00e7am sentido. Em outra perspectiva, na preconiza\u00e7\u00e3o da sustentabilidade, queremos avaliar consequ\u00eancias reais e mensur\u00e1veis de decis\u00f5es, a\u00e7\u00f5es, investimentos, etc., na realidade. Vivemos numa era pragm\u00e1tica onde somente o digital pode sonhar.<\/p>\n<p>Pelas realidades tecnol\u00f3gicas nos embasbacamos com piruetas de carros aut\u00f4nomos ou ficamos sedados em dramaturgias on-line. O \u00faltimo epis\u00f3dio de \u201cGame of thrones\u2019\u2019 parou o planeta, e a abstin\u00eancia de fantasia gera novos males, como depress\u00e3o de \u201cfim de temporada\u201d.<\/p>\n<p>O arquiteto holand\u00eas Rem Koolhaas, que al\u00e9m de designer \u00e9 um grande pensador da nossa condi\u00e7\u00e3o urbana contempor\u00e2nea, diz que arquitetura \u00e9 uma profiss\u00e3o perigosa pela mistura incessante e c\u00edclica de onipot\u00eancia e impot\u00eancia. A mente do arquiteto v\u00ea a realidade, nela se insere, mas est\u00e1 sempre, concomitantemente, considerando outras possibilidades. O que chamamos de projeto nada mais \u00e9 do que essa capacidade de configurar uma nova ordem e um novo sentido para a materialidade do espa\u00e7o ou da cidade.<\/p>\n<p>O desenho \u00e9 a linguagem desse corpo mental, que tem fun\u00e7\u00e3o e alterna o real. Por isso, arquitetos n\u00e3o desenham, como faz um ilustrador ao retratar ou como faz um artista ao transfigurar. H\u00e1 destino tang\u00edvel no desenho da arquitetura, que, mesmo partindo de um pressuposto, pretende-se realidade. Tamb\u00e9m por essa raz\u00e3o Umberto Eco considerava os arquitetos \u201cpossivelmente os \u00faltimos humanistas\u201d, pelas dimens\u00f5es t\u00e9cnicas, art\u00edsticas e sociais da sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Podemos projetar por meio da escrita quando podemos levar o leitor a outros lugares, imagin\u00e1rios, mas que transformariam nossa intera\u00e7\u00e3o com o ambiente constru\u00eddo. Cada pedra, concreto, a\u00e7o e madeira das cidades s\u00e3o resultado dessa formula\u00e7\u00e3o de possibilidades, mas que, mesmo quando estabilizadas em constru\u00e7\u00e3o, continuam a conter a carga cin\u00e9tica da transforma\u00e7\u00e3o. E se?<\/p>\n<p>Tanto construir quanto demolir a Perimetral tiveram origem na mesma conjuga\u00e7\u00e3o. E se constru\u00edssemos aqui? E se demol\u00edssemos aquilo? Os crit\u00e9rios de cada \u00e9poca, o debate de ideias, o imperioso da realiza\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese \u00e9 que ser\u00e3o o ponto de transmuta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do caos e da maldade com que tratam o Rio de Janeiro, cultivar a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 ato revolucion\u00e1rio. Sejamos rebeldes!<\/p>\n<p>E se os carros n\u00e3o circulassem mais nas ruas estreitas do Centro Hist\u00f3rico, tanto liberando mais espa\u00e7o para os pedestres quanto reduzindo as interse\u00e7\u00f5es com o VLT? E se estacionar na rua custasse R$ 10, e n\u00e3o R$ 2?<\/p>\n<p>E se as barcas ligassem S\u00e3o Gon\u00e7alo ou Duque de Caxias \u00e0 Pra\u00e7a Quinze? E se conectassem diretamente os aeroportos?<\/p>\n<p>E se tiv\u00e9ssemos uma Autoridade Metropolitana de Transporte que acabasse com os 19 cargos de secret\u00e1rios municipais de Transportes e finalmente organizasse a mobilidade na Regi\u00e3o Metropolitana? E se houvesse integra\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria? E se os servi\u00e7os de t\u00e1xis e de transporte compartilhado fossem licenciados para toda a regi\u00e3o, e n\u00e3o mais por munic\u00edpio?<\/p>\n<p>E se pud\u00e9ssemos morar no edif\u00edcio A Noite (foto)? Ou no terreno do INSS da Avenida Passos? Ou nos infind\u00e1veis im\u00f3veis p\u00fablicos ociosos no Centro do Rio? E se fosse poss\u00edvel morar na Saara? E se im\u00f3veis vazios pagassem IPTU progressivo?<\/p>\n<p>E se fizermos um grande parque urbano na orla dos bairros da Leopoldina, unindo Caju, Mar\u00e9, Ramos e Penha, cerca de nove quil\u00f4metros de litoral, tr\u00eas a mais que o Parque do Flamengo, seis a mais que a Praia de Copacabana?<\/p>\n<p>E se organiz\u00e1ssemos todo o planejamento urbano da cidade em fun\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as? Ou das escolas municipais? E se tiv\u00e9ssemos mais playgrounds nas pra\u00e7as, e n\u00e3o nos condom\u00ednios?<\/p>\n<p>E se reflorest\u00e1ssemos a vertente norte do Maci\u00e7o da Tijuca? E se volt\u00e1ssemos a tratar a arboriza\u00e7\u00e3o urbana como uma infraestrutura essencial e n\u00e3o esse plantio med\u00edocre de \u00e1rvores que n\u00e3o vingam pois n\u00e3o s\u00e3o irrigadas e tratadas? E se defin\u00edssemos Vargens e Guaratiba como cintur\u00f5es verdes da cidade para sempre?<\/p>\n<p>E se&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:\u00a0Washington Fajardo\/O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 04\/11\/2017<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cidade cheia de \u2018e se&#8230;\u2019E se o transporte p\u00fablico fosse gratuito nos finais de semana? Sim, sabemos que n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis. Mas se pudesse ser subsidiado pelo menos nos finais de semana, que impacto teria? As pessoas circulariam mais? Iriam mais \u00e0 praia? Os museus seriam mais visitados? Crian\u00e7as veriam mais os av\u00f3s? 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