{"id":18676,"date":"2017-11-25T07:40:42","date_gmt":"2017-11-25T10:40:42","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=18676"},"modified":"2017-11-25T07:42:18","modified_gmt":"2017-11-25T10:42:18","slug":"do-estado-magnanimo-ao-nosso-desanimo-ana-maria-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2017\/11\/25\/do-estado-magnanimo-ao-nosso-desanimo-ana-maria-machado\/","title":{"rendered":"Do Estado magn\u00e2nimo ao nosso des\u00e2nimo."},"content":{"rendered":"<h6><strong>Talvez o capital alocado em empresas, bancos p\u00fablicos e estatais possa ser melhor empregado ap\u00f3s algumas privatiza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h6>\n<p>Ainda \u00e9 prematura a defini\u00e7\u00e3o de candidatos. Mas os eleitores que n\u00e3o se conformam com escolher apenas dentro do reduzido quadro da polariza\u00e7\u00e3o entre Bolsonaro ou equivalente e Lula, Ciro ou equivalente, come\u00e7am a trocar ideias, tentando clarear seu campo de op\u00e7\u00f5es. Tenho notado que, em alguns grupos, o mero debate de nomes vai dando espa\u00e7o a reflex\u00f5es em torno a temas, o que parece muito positivo.<\/p>\n<p>A partir da contribui\u00e7\u00e3o dada por artigos e manifesta\u00e7\u00f5es que circulam pelas redes sociais, percebo uma tend\u00eancia alvissareira: a de examinar com mais seriedade alguns aspectos gerais de um projeto amplo. Por exemplo, o de maior racionalidade em economia, no sentido de estimular condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de riqueza, aumento de produtividade, efici\u00eancia de gest\u00e3o. Capazes de garantir menos desigualdade, meta a alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Um olhar mais isento, fundamentado na matem\u00e1tica, sem xingamentos nem r\u00f3tulos depreciativos, convida a pensar. O nacional-desenvolvimentismo pode ter sido bom logo depois da Segunda Guerra Mundial, propiciando a industrializa\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o de rodovias, a moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo muito bem. S\u00f3 que nos deu um pa\u00eds estranho, capaz de construir Bras\u00edlia em cinco anos, com as belezas de Niemeyer e tudo, mas incapaz de botar as crian\u00e7as na escola ou dar habita\u00e7\u00e3o, saneamento, seguran\u00e7a, cobertura decente de sa\u00fade a nossa gente.<\/p>\n<p>Poucos s\u00edmbolos vergonhosos teriam a for\u00e7a do que se noticia agora: um menino desmaiou no meio da aula, no Distrito Federal, maior renda per capita do pa\u00eds, e se constatou que a causa era fome.<\/p>\n<p>Dormimos em paz com isso? Achamos que n\u00e3o tem nada a ver com nossas escolhas insensatas?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a centraliza\u00e7\u00e3o estatal e o dirigismo econ\u00f4mico do regime militar podem ter tido m\u00e9ritos no desenvolvimento aqui e ali, apesar das reservas de mercado que nos atrasaram, e da consolida\u00e7\u00e3o de um regime de benesses a escolhidos \u2014 modelo parcialmente retomado e exacerbado no segundo mandato de Lula, em vis\u00e3o sempre disposta a chamar de neoliberal o que n\u00e3o dissesse am\u00e9m para sua cartilha de op\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas limitadas.<\/p>\n<p>Mas serviu para inchar a m\u00e1quina p\u00fablica de maneira irrespons\u00e1vel, jogando riqueza fora, em multiplica\u00e7\u00e3o exponencial. Desembocou na nova matriz econ\u00f4mica de Dilma, com a teimosia autorit\u00e1ria de escolher, subsidiar e proteger os tais campe\u00f5es nacionais, garantindo-lhes a falta de concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Essa magnanimidade seletiva do Estado, \u00e0s custas de todos n\u00f3s, cheia de isen\u00e7\u00f5es e penduricalhos para os amigos, injusta com os n\u00e3o escolhidos, sem compromisso com a transpar\u00eancia, acabou dando no des\u00e2nimo diante do que estamos vendo: desperd\u00edcio de recursos, vista grossa para compadres, corrup\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas e criminosas entre pol\u00edticos, empreiteiros, empres\u00e1rios protegidos. E retrocesso econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u00c9 obvio que, para sair do p\u00e2ntano, vai ser necess\u00e1rio mudar. Redefinir o papel e a fun\u00e7\u00e3o do Estado. N\u00e3o se trata de uma discuss\u00e3o sobre seu tamanho, nem de defender o Estado m\u00ednimo ao combater o Estado m\u00e1ximo, em busca do Estado \u00f3timo, menos prepotente e mais eficiente.<\/p>\n<p>Mas as propostas para um novo governo que fa\u00e7a bem ao pa\u00eds devem tratar da fun\u00e7\u00e3o do Estado na economia. Ele n\u00e3o deve se meter a querer produzir ou fazer o que n\u00e3o lhe compete. Nem mesmo se avocar o dever de financiar a produ\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que reduzir o endividamento p\u00fablico. Gastar menos e melhor.<\/p>\n<p>Talvez o capital atualmente alocado em empresas e bancos p\u00fablicos e nas estatais possa ser melhor empregado ap\u00f3s algumas privatiza\u00e7\u00f5es \u2014 isso n\u00e3o precisa ser tabu.<\/p>\n<p>Da mesma forma, n\u00e3o h\u00e1 motivo para se apavorar com mais abertura da economia para atrair novos investimentos. E tudo isso passa por reformas estruturais que v\u00eam sendo adiadas h\u00e1 d\u00e9cadas. Pela simplifica\u00e7\u00e3o da floresta de leis, instru\u00e7\u00f5es normativas, portarias, que impedem o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Pelo fim de tantas exig\u00eancias rid\u00edculas que ocupam tantos funcion\u00e1rios que n\u00e3o produzem riqueza alguma, limitando-se a administrar dificuldades (quando o fazem) e perder tempo com coisas in\u00fateis. Em meio a privil\u00e9gios pagos por n\u00f3s.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>O que o Estado tem obriga\u00e7\u00e3o de fazer, isso sim, \u00e9 regular e fiscalizar a economia, livrando as ag\u00eancias reguladoras do aparelhamento partid\u00e1rio para que, ocupadas por t\u00e9cnicos, possam funcionar bem. <\/strong><\/span>E planejar essa economia: ter um objetivo, mostrar o mapa e dar o rumo. Desempenhar o papel que lhe cabe, tanto no planejamento econ\u00f4mico e social quanto na garantia de prote\u00e7\u00e3o real ao meio ambiente e aos direitos dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito a ser discutido. Cada eleitor de boa vontade pode partir dessa lista, aument\u00e1-la, debater pontos espec\u00edficos com amigos que n\u00e3o receiem pensar e trocar ideias. A regenera\u00e7\u00e3o da nossa democracia ter\u00e1 de passar por muitos desses itens, certamente.<\/p>\n<p>\u00c9 bom irmos construindo opini\u00f5es bem assentadas para fundamentar nossas escolhas. E para pressionar candidatos, exigindo compromissos n\u00edtidos com a defini\u00e7\u00e3o do papel do Estado em uma agenda econ\u00f4mica clara e planejada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18677\" aria-describedby=\"caption-attachment-18677\" style=\"width: 648px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18677 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?resize=648%2C450\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?w=648&amp;ssl=1 648w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?resize=300%2C208&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?resize=218%2C150&amp;ssl=1 218w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?resize=605%2C420&amp;ssl=1 605w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?resize=100%2C70&amp;ssl=1 100w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capturar.jpg?resize=200%2C140&amp;ssl=1 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18677\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Marcelo \/ O Globo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado na p\u00e1gina do Jornal O Globo \u2013 dispon\u00edvel na internet 25\/11\/2017<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz necessariamente a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez o capital alocado em empresas, bancos p\u00fablicos e estatais possa ser melhor empregado ap\u00f3s algumas privatiza\u00e7\u00f5es Ainda \u00e9 prematura a defini\u00e7\u00e3o de candidatos. 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